31.3.09

António Damásio



Amanhã, dia das mentiras, António Damásio vai ser entrevistado na RTP1, após o Telejornal, pela jornalista Judite de Sousa.
Promete revelar as respostas às grandes questões da humanidade. Porém, é dia das mentiras!
Mesmo assim, não percam, pois trata-se de um dos cientistas portugueses mais conhecidos no mundo e de um exemplo de como se divulga ciência para leigos. Além disso, na disciplina de Psicologia é um dos autores contemporâneos estudados.

30.3.09

Uma agulha no palheiro



Crónica de Nuno Crato no Expresso, sobre a importância da Ciência e da tecnologia. Clique aqui.
Imagem Google

20.3.09

«Penso, logo existo»: crença básica ou argumento?

Existir, para Descartes, não é uma consequência do pensamento: é uma condição.
Uma coisa que pensa é um ser pensante. Inevitável será duvidar da existência de um corpo, pois esse é um conhecimento a posteriori e facilmente podemos ser iludidos. Mas a certeza do pensamento é clara e distinta e, por isso, inteiramente verdadeira; de uma forma evidente podemos concluir que existimos porque pensamos, que eu “PENSO, LOGO EXISTO”.
O pensamento toma-se como sendo o reflexo de si mesmo e de todas as coisas exteriores a si. O cogito provém do sujeito que reflecte sobre o seu próprio carácter existencial através do “eu pensante”. A substância onde o pensamento se aloja é a própria existência, pois a essência do Homem é reflectir-se a si e ao mundo exterior, como se fôssemos condenados, desde sempre e para sempre, a nada mais que isso.
De facto, Descartes sempre assegurou que o cogito é uma crença básica e auto-justificada. No entanto, não podemos negar que a presença de uma conjunção conclusiva (logo) nos alicie a considerar que a crença básica de Descartes é, afinal, um argumento ou inferência.
Mas se Descartes defendesse que o cogito não é nenhum argumento ou inferência isso não significaria que existem duas crenças básicas. Aliás, tal acontecimento é impossível, pois o “Penso”, embora seja algo que sabemos ser indubitavelmente verdadeiro, não se pode desligar do “Existo”, até porque esta última proposição carece da força da primeira para ser suficientemente clara e evidente. Ora, será que daqui se segue que “Penso” é a crença básica e “Existo” a inferência que se extrai do pensamento? É que, como qualquer homem, Descartes era falível, e podia perfeitamente estar enganado ao afirmar que o cogito era uma crença. A meu ver, este não será o caso, pelos motivos que passarei, desde já, a expor.
A relação entre pensar, ser e existir é de tal forma vincada, que dificilmente as desligamos: existir sem pensar acaba por nem ser existir verdadeiramente, e pensar sem existir é incongruente; ser, por sua vez, é o meio-termo (PENSO, logo SOU coisa pensante, logo EXISTO como coisa pensante).
Uma crença básica é toda aquela que não decorre de nenhuma inferência, se justifica a si mesma e é verdadeira em qualquer circunstância, um pouco como as crenças primitivas e a priori. Neste tipo de crenças, não é preciso o apoio de qualquer tipo de argumento para se saber alguma coisa. Ilustremos com um exemplo: da mesma forma que “um quadrado é rectângulo, logo não pode ser redondo” é uma crença básica, também o cogito o é. Aliás, se fosse um argumento seria, claramente, falacioso, pois consistiria numa petição de princípio, já que a única razão para uma figura geométrica ser redonda é não ser rectangular (ou não ter outro ângulo qualquer). E, apesar de esta ser uma crença básica, também ali observamos uma conjunção conclusiva.
Assim sendo, se a única razão para existir é pensar, tomar o cogito como argumento seria incorrer numa falácia. Esta é uma crença básica e a priori, um conhecimento primitivo que não carece de qualquer justificação, daí ser capaz de bloquear o argumento da regressão infinita da justificação exactamente devido ao facto de se auto-justificar.
Como se pode observar, Descartes cumpriu perfeitamente o propósito de encontrar uma crença básica e primitiva que sustentasse todo o edifício do saber e, note-se, não um argumento nem duas crenças, mas uma só crença: cogito, ergo sum.
Imagem: Morning Sun por Edward Hopper
Ana Luísa - 11.º B

17.3.09

Será a pena de morte compatível com um mundo civilizado?

Um dos problemas que mais preocupa a humanidade é o problema da justiça, não de um ponto de vista político, mas sim de um ponto de vista pessoal. De facto, o ser humano vê-se obrigado a ver a vida como uma luta por um objectivo estando muitas vezes sujeito à injustiça; no entanto, a injustiça está também relacionada com assuntos do foro criminal. É dentro deste último grupo que se encontra o problema da pena de morte. Este é um problema filosófico que se insere na ética e moral mas que, no fundo, põe em confronto os nossos valores mais básicos com o desejo insaciável de justiça.
A pena de morte consiste, assim, em condenar um ser responsável por um determinado crime ao mais alto castigo existente. Se pensamos ter uma intuição muito forte contra este tipo de pena, ela desvanece-se quando pomos a hipótese de um mundo em insegurança. Quando confrontamos os nossos intuitos, a compaixão, a tradição ou até a religião à qual pertencemos com o desejo de materializar os nossos impulsos, vimos que os nossos sentimentos vacilam. A importância do problema está directamente relacionada com o mundo que desejamos para os nossos descendentes. Este é um problema não consensual que tem levantado várias questões: será a pena de morte moralmente aceitável? Será possível aboli-la racionalmente? Na resposta a estas questões salientam-se duas vertentes: os pró - pena de morte (a favor desta pena) e os abolicionistas.

Por um lado, aqueles que se opõem à pena de morte (abolicionistas), vêem-na como um acto de violência irreversível, que viola o direito à vida assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Acrescentam que esta pena é tortura: quer a dor física, quer a dor psicológica sentidas pelo condenado são incomensuráveis. Baseiam-se em estatísticas para afirmar que este castigo é discriminatório: é maior o número de condenados à morte que são de raça negra, pobres ou de baixo estatuto social. Referem que existe a possibilidade de condenar inocentes sem que exista a hipótese de reverter a situação. Afirmam ainda que esta pena tem um efeito dissuasor duvidoso, ou seja, que não faria com que outros assassinos deixassem de praticar os seus crimes, uma vez que estes têm muitas vezes problemas do foro psicológico. Para além disto, consideram que este tipo de punição pode ser usado como arma política (como meio de obter votos por parte daqueles que, inocentemente, querem a justiça mesmo que seja desumana). Acrescentam que um castigo deve ser educativo e não a materialização da vingança e apresentam a prisão perpétua como um meio de evitar esta pena. Mas não será este tipo de prisão uma forma de morte, também? Como poderiam aceitar os abolicionistas viver lado a lado com criminosos como Hitler?
Assim, de outro lado estão aqueles que consideram que a pena de morte nos lembra que as nossas acções têm consequências e que quem mata um inocente suicida-se perante a sociedade e perde o direito à vida. Acrescentam que a justiça deve ser capaz de aplicar uma pena adequada a determinado crime mas salientam que adequado é diferente de igual, criando uma maior abrangência para os crimes que, na sua opinião, deveriam ser punidos com o castigo em causa. Quando confrontados com a possibilidade de condenar inocentes à morte, não desmentem que tal facto exista, pois o erro está adjacente a qualquer acção humana no entanto, é importante perceber que ninguém é condenado à morte ao acaso e que, até à data da execução, o indivíduo é considerado culpado. Quanto ao efeito dissuasor, baseiam-se no valor da vida para afirmar que a diferença entre o morrer e o “quase morrer” é abissal e que este facto pode levar a dissuadir assassinos futuros. Opõem-se aos abolicionistas afirmando que a pena de morte é retribuição e não vingança: a vingança implica raiva e a retribuição serve de meio de atenuar a dor dos familiares. Deixam a recuperação do criminoso para segundo plano, afirmando que em primeiro plano deve estar a segurança da sociedade.
Assim, conclui-se que este problema questiona intuições e promove a arte de pensar. Percorre os corredores do pensamento à medida que percorre os corredores da morte nos quais esperam dolorosamente, vários assassinos. A meu ver, mais do que saber se a pena de morte deve ser abolida, importa saber se ela é compatível com um mundo civilizado. Por um lado, vimos a criminalidade a aumentar, por outro vimos a tendência do mundo para acabar com esta pena. Por exemplo, Barack Obama considera determinados crimes abomináveis e ele é hoje, a materialização da esperança. Na verdade, ainda nada há que justifique a diferença entre matar alguém e matar um criminoso: não será a gravidade semelhante? Considero, assim, que esta pena não é adequada ao mundo civilizado que pretendemos no qual existe um ser único e irrepetível que não está a ser respeitado. Esse ser somos nós. Por último, refiro que é necessário rever as penas aplicadas para que não seja necessário recorrer a métodos de punição desumanos como meio de castigar um criminoso.
Filipa Isabel Serrazina
11.º C
Imagens Google: Edvard Munch, O Grito e Jacques Lois David, A Morte de Sócrates.

13.3.09

Penso, logo serei contratado!



No Telegrapho de Hermes foi publicado um artigo brasileiro que revela a nova tendência de contratação de trabalhadores, insistindo-se em competências adquiridas a partir de uma formação filosófica.
É o cogito cartesiano adaptado às novas exigências relativas ao perfil do trabalhador!

8.3.09

Revista Crítica

De acordo como blog da Revista Crítica, todos os artigos da mesma se encontram temporariamente acessíveis ao público em geral.
Aproveite para conhecer uma das melhores revistas de filosofia e avalie por si mesmo.

28.2.09

Aforismos

«O conhecimento do conhecimento ensina-nos que apenas conhecemos uma pequena película da realidade. A única realidade que é cognoscível é co-produzida pelo espírito humano, com a ajuda do imaginário. O real e o imaginário estão entretecidos e formam o complexo dos nossos seres e das nossas vidas. A realidade humana em si mesma é semi-imaginária. A realidade é apenas humana, e apenas parcialmente real. »
Edgar Morin

14.2.09

Filosofia com Crianças

A Filosofia para Crianças pode aumentar o Q. I. em 6,5 pontos, revela um estudo realizado no Reino Unido. Ler toda a notícia aqui.

27.1.09

Será que este "post" é real?

René Magritte, "Isto não é um cachimbo"

O homem que está sentado a escrever neste momento sou eu. Eu sei que sou o homem que está neste momento a escrever este texto, logo como sei disso, posso dizer que existo. Esta conclusão torna-se demasiado precipitada... há que voltar atrás e reformular o argumento. Afinal, existe a possibilidade de eu não estar neste momento a escrever este texto. [Entretanto, o leitor ajeita os óculos, se os usar, ou então soergue-se da cadeira e julga que o mundo está de pernas para o ar]
De facto, não posso deixar de colocar a possiblidade de não estar neste momento a escrever este texto. Posso estar a ter um sonho tão vívido que parece real. Naturalmente que esta hipótese é absurda porque consigo distinguir o estado de vigília do estado de sono.
Começo por admitir que este post é real. Posso lê-lo, editá-lo ou reescrevê-lo. Posso discuti-lo com os meus amigos, posso ser enxovalhado por algum deles em ter escrito este parágrafo. Posso desistir de o escrever e ficar-me por aqui, sem colocar um ponto final sequer
Todas as justificações que me fazem acreditar que este post é real podem ser imediatamente dissipadas por um filósofo céptico, mostrando-me que: 1) estou a sonhar e confundo o sonho com a realidade; 2) em algumas ocasiões, as minhas sensações não passam de meras aparências do que é real, por isso, nada me garante que a sensação que estou a ter neste momento não pertence à mesma categoria de outras tantas que se revelaram falsas; 3) posso estar a padecer de uma alteração do meu estado de consciência (ou estou embriagado para pensar em coisas destas ou estou a experienciar uma alucinação que me faz acreditar que este post é real). Em conclusão, perante estas objecções, fico ainda mais confuso e estou prestes a admitir que a minha crença (segundo a qual este post é real) não passa de uma ilusão. Da argumentação do suposto filósofo céptico, houve dois pontos que merecem destaque:

a) Se algo é real, então não pode ser uma ilusão.
b) Se algo está a ser experienciado pelo meu corpo, poderá não ser real.

Explicitarei os dois pontos anteriores.

1. Se a) é verdadeira, então os conteúdos dos sonhos não são reais. De facto, já sonhei ser o Presidente dos Estados Unidos e não sou, de facto, o Presidente dos Estados Unidos. Portanto, enquanto estive convencido no meu sonho de que era o Presidente dos Estados Unidos vivenciei algo que não era real. Se sair para a rua e gritar "Eu sou o Presidente dos Estados Unidos", as pessoas vão tomar-me como um louco e ser-me-á diagnosticada esquizofrenia. De facto, não posso ser o que não sou, embora gostasse de ser o Presidente dos Estados Unidos ou o namorado da Scarlett Johansson. Do que foi exposto, posso aduzir que a) é verdadeira. Vivenciamos experiências que se tornam ilusões, e se o são é porque não são reais. A realidade é a propriedade fundamental de todos os objectos que podem ser conhecidos.

Assim, os filósofos empenharam-se em distinguir realidade de aparência. X é real se não for ilusório ou uma ficção. Contudo, dado que as ilusões existem e as ficções também, será que não são reais? Apesar de serem ilusões são reais precisamente porque não são ilusões. Imagine-se que o Pedro acredita que é Napoleão Bonaparte. Não é real que o Pedro seja Napoleão Bonaparte porque isso é apenas uma fruto da sua imaginação. Mas esta suspeita é real precisamente porque o Pedro julga ser Napoleão Bonaparte. Portanto, é verdade que o Pedro acredita que é Napoleão Bonaparte, mas é falso que o Pedro seja, de facto, Napoleão Bonaparte. Em consequência disto, é real o que for passível de ser verdadeiro ou factivo.

2) Nem tudo o que é experienciado pelo corpo é real. Se o Pedro se encontra no deserto à deriva durante dois dias sem ingerir líquidos, o seu cérebro irá compensá-lo dando-lhe a ilusão de que está uma fonte jorrar àgua mesmo à sua frente. Mas não se trata de nenhuma fonte, apenas a cabeça de um dromedário a aproximar-se. Acreditamos que tudo o que é objecto de captação sensível (tudo o que vejo, toco, cheiro, saboreio, ...) é real, contudo várias vezes somos enganados nessas experiências. O leitor que me permita que lhe vende os olhos. Não vê nada? Nada, nada? Muito bem! Então agora vou pedir-lhe que toque neste objecto. Tocou? O que lhe parece que é este objecto? Vai dizer-me que tem a certeza de que se trata de um cachecol. Neste momento julga que é real o que está a percepcionar. Peço-lhe que levante a venda e repare, parece um truque de magia, mas o objecto que tocou não é um cachecol, mas um caniche bebé. Não o convenci; vai dizer-me que o tacto não é um sentido tão viável quanto a visão. Então repare nesta pintura de Salvador Dali: o que é que os seus olhos lhe estão a mostrar? O mesmo seria perguntar o que quer que os seus olhos vejam?
Certamente que consegue vislumbrar o perfil da Gala (a mulher de Dali) a contemplar o mundo exterior a partir de uma janela. Mas se se afastar um pouco mais, sim o mais que puder, verá algo que lhe parece um rosto. E é mesmo. É o rosto do famoso Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln. Mas afinal, trata-se de Gala a passear os seus olhos pela linha do horizonte ou o retrado de Lincoln? O que vêem os seus olhos? Certamente que verão algo de diferente dos meus ou dos do Pedro ou de outra pessoa qualquer. Então o que lhe parece real (por exemplo a figura desnuda de Gala) não é mais do que ilusório para mim, que vislumbrei o rosto de Lincoln.


Será que este post é real? Se não estiver a ser iludido pelos meus sentidos ou a padecer de uma alucinação, nem a vivenciar um sonho, posso julgar que este post é real. É real porque existe em função do sujeito e segundo a perspectiva do sujeito pensante. Esta ideia aproxima-nos da posição de muitos filósofos que julgaram que o real é o que se dá ao pensamento. Se penso num determinado objecto (de natureza empírica ou racional), esse objecto é real, de modo que a sua realidade é justificada pelo pensamento racional. Nada do que escape ao pensamento racional é, por esta razão, real.
P.S.: Para começar, dada a curiosidade de muitos colegas vossos, é importante reconhecer que a realidade é um conceito filosófico que se entende melhor pelo que não é do que pelo que é. Assim sendo, desde Parménides (séc. VI a.c.) que a realidade (aquilo que é) não é senão o oposto de aparência (o que parece ser, mas não é).

26.1.09

O que é a Realidade? II

A BBC apresenta-nos neste documentário, uma fascinante viagem pela cosmologia contemporânea. Uma abordagem poética mas cientificamente rigorosa, que dá muito que pensar. Ver aqui.

Para saber mais:


Elcio Abdalla, Teoria quântica da gravitação: Cordas e toria M, in Revista Brasileira de Ensino de Física, v. 27, n. 1 p. 147 - 155, (2005)
Stephen Hawking, O Universo numa Casca de Noz.

Imagem Google - Vieira da Silva, Jogo de Xadrês

O que é a realidade? I


Esta questão tão abrangente, profunda e inquietante, foi-nos sugerida como tema de discussão. Não se trata de pretendermos encontrar uma resposta, o que seria impossível, mas tão só fornecer alguns elementos para reflexão. Assim, inciamos hoje um conjunto de pequenas notas que, esperamos, sejam «provocadoras» no sentido de suscitarem em nós o diálogo.


Realidade em sentido lato e de acordo com a enciclopédia Logos, significa tudo o que existe ou é, por oposição à aparência. Todas as filosofias apresentam uma concepção implícita ou explícita de realidade.
Pensa-se ter sido Parménides (séc. VI a. C.) o primeiro filósofo que, verificando não se poder confiar nos sentidos, sustentou que só é verdadeiramente, o que pode ser pensado.
Esta questão, pela sua abrangência prende-se com a noção de Cosmos, termo que foi pela primeira vez usado por Pitágoras, no mesmo século e segundo a mesma fonte, para designar a ordem e harmonia do sistema planetário e sideral.
Imagens Google: Claude Monet, Impressão: Nascer do Sol
"A Verdade não é impressionista."

24.1.09

Leituras filosóficas








O livro de Nigel Warburton, Elementos Básicos de Filosofia é uma excelente iniciação ao filosofar para todos os que desejam reflectir com mais rigor sobre temas como: a Ciência, a Arte a Mente, Deus, o Bem e o Mal ...

" Uma razão importante para estudar filosofia é o facto de esta lidar com questões fundamentais acerca do sentido da nossa existência. A maior parte das pessoas, num ou noutro momento da sua vida, já se interrogou a respeito de questões filosóficas. Por que razão estamos aqui? Há alguma demonstração da existência de Deus? As nossas vidas têm algum propósito? O que faz com que algumas acções sejam moralmente boas ou más? Poderemos alguma vez ter justificação para violar a lei? Poderá a nossa vida ser apenas um sonho? É a mente diferente do corpo, ou seremos apenas seres físicos? Como progride a ciência? O que é a arte? E assim por diante.
A maior parte das pessoas que estudam filosofia acha importante que cada um de nós examine estas questões. Alguns até defendem que não vale a pena viver a vida sem a examinar." (pág. 19)

22.1.09

Aforismos

« Sempre há um pouco de loucura no amor, porém sempre há um pouco de razão na loucura.»
Friedrich Nietzsche

« Para quê repetir os erros antigos quando há tantos erros novos a cometer?»
Bertrand Russel

« A vida só pode ser compreendida olhando-se para trás; mas só pode ser vivida olhando-se para a frente.»
Soren Kierkegaard

« A verdadeira filosofia é reaprender a ver o mundo.»
Merleau-Ponty

17.1.09

Cérebro e Música

A propósito da imagem da mente como fluxo musical...
artigo sobre a relação cérebro-música aqui.

Leituras filosóficas

O texto abaixo foi retirado e traduzido do site http://www.askphilosophers.org/ (vale a pena visitar!) no qual os cibernautas podem colocar perguntas a um vasto painel de filósofos e obter resposta. O livro de Alexander George, Que Diria Sócrates?
Filósofos Respondem Às Suas Perguntas Sobre O Amor, O Nada E Tudo O Resto, recentemente publicado pela editora Gradiva, baseia-se em perguntas que foram seleccionadas de entre as muitas enviadas para este popular site.


PERGUNTA:
Têm sido propostos muitos argumentos que visam dar suporte à proposição que afirma que Deus existe. Até agora, parece que nenhum deles foi convincente. Pensa que é possível que um argumento que conclua ‘Deus existe’ venha a ser alguma vez convincente? Se um tal argumento não puder ser convincente, não podemos inferir que nenhum argumento que procure estabelecer a existência de Deus é convincente? Ou pensa que podemos vir a tomar conhecimento de um argumento que possa ser convincente?

RESPOSTA (de Allen Stairs):

Se por “convincente” quer dizer algo como “acima de qualquer dúvida”, a resposta é quase de certeza não. No entanto, isto não é algo exclusivo dos argumentos acerca da existência de Deus. A tese que afirma que Deus existe tem pelo menos em comum com as teses filosóficas em geral o facto de haver bastante margem de manobra para se argumentar a favor ou contra.
Por outro lado, se a questão é saber se existem argumentos para acreditar em Deus que alguém possa achar convincentes sem cair na irracionalidade, a resposta é quase de certeza sim. Mas, uma vez mais, isto não é algo exclusivo dos argumentos acerca da existência de Deus. Pense no que quer que seja em que os filósofos estejam em desacordo e verificará que alguns filósofos no seu perfeito juízo se deixam convencer por argumentos que outros não consideram persuasivos.
Pode alguém, razoavelmente, considerar um argumento persuasivo, mesmo tendo consciência de que este dá azo a objecções que ainda não obtiveram resposta? Se um padrão de razoabilidade é alcançável pelos seres humanos, a resposta é também sim. Em parte, isto deve-se ao facto de haver duas maneiras de encarar objecções. Uma, é pensar nelas como refutações; outra, como problemas a resolver: ‘se calhar esta questão que me atormenta vai ser fatal para as minhas convicções’; ou ‘se calhar, com algum jeito, eu ou outra pessoa, acabaremos por descobrir uma resposta convincente’. Pessoas razoáveis podem diferir, e diferem, sobre como encarar cada caso. Na verdade, o facto de os filósofos e outro género de teóricos diferirem quanto a isto é uma das coisas que os vai mantendo ocupados!
Tradução Carlos Marques.
Carlos Marques e Helena Serrão
Texto publicado no Blog: Logosfera

Haverá filósofos em Portugal?

É com frequência que nos perguntam se há filósofos em Portugal, pois é estranho estudarmos apenas filósofos estrangeiros. O Logos-ECB inquiriu um filósofo profissional português bem reconhecido por vós, Desidério Murcho e foi presenteado com a reflexão que se segue. Além de ser um dos autores dos vossos manuais Arte de Pensar, é professor de Lógica e Metafísica na Universidade Federal de Ouro Preto, colaborador semanal no jornal Público, autor de vários artigos, livros e antologias e, sobretudo, um exímio divulgador de Filosofia.
Agradecemos a generosidade e a prontidão demonstradas por Desidério Murcho em querer dialogar com os alunos do ECB.


Haverá filósofos em Portugal?
Sim, há filósofos em Portugal. Na medida em que há pessoas que estudaram filosofia, fizeram mestrados e doutoramentos, dão aulas de filosofia e publicam trabalhos sobre filosofia, há filósofos em Portugal. Mas esta resposta deixa as pessoas insatisfeitas. Para se compreender porquê é melhor fazer uma analogia.
Haverá músicos em Portugal? Sim, claro que há. Na medida em que há pessoas que compõem música e a interpretam, há músicos em Portugal. Mas haverá em Portugal músicos como Beethoven ou Philip Glass? Ou como a Madonna? Não; não há músicos desse género, isto é, músicos em Portugal com amplo impacto internacional. Analogamente, não há também em Portugal filósofos com amplo impacto internacional. Quando se pergunta se há filósofos em Portugal tem-se em mente, muitas vezes, filósofos com amplo impacto internacional, como Searle, Dennett, Nagel ou Peter Singer, para referir apenas alguns. Filósofos desse género não há em Portugal. Mas também não há provavelmente pintores, economistas, engenheiros ou arquitectos desses em Portugal. Tal como não há provavelmente matemáticos, físicos ou biólogos desses.
Será o impacto internacional um bom critério para avaliar a qualidade de um filósofo, de um músico ou de seja o que for? Não é certamente um critério decisivo, mas é um critério que nos dá uma indicação razoável da qualidade do trabalho produzido entre nós. O critério não é decisivo porque alguns filósofos com muito impacto internacional podem fazer um trabalho de menor qualidade do que outros filósofos com menos impacto internacional, ou com nenhum ou quase nenhum impacto internacional. Além disso, o impacto internacional precisa de ser qualificado: estamos a falar de impacto internacional em que meios? Há filósofos com muito impacto público, e muito conhecidos, mas quase sem impacto junto de outros filósofos, como é o caso de Rorty. Assim, o critério do impacto internacional não é decisivo, apesar de dar uma indicação razoável sobre a qualidade do trabalho.
Poderá vir a haver filósofos portugueses com amplo impacto internacional? Sim. Antes de isso acontecer é preciso chegar ao patamar em que neste momento estão os matemáticos ou os físicos portugueses, que publicam regularmente nas melhores revistas académicas da especialidade. No caso da filosofia, nem isso ainda existe. Se trabalharmos correctamente, contudo, criamos as condições para que os doutores mais jovens cheguem a esse patamar, para depois se poder chegar ao patamar seguinte: ter filósofos amplamente reconhecidos internacionalmente. Nunca poderá haver muitos, contudo, dada a dimensão do país. Na verdade, a maior parte dos países do mundo, ao longo de toda a sua história, nunca teve um só filósofo com amplo impacto internacional. Por isso não é de espantar que Portugal também não os tenha. O que é de espantar é que a Alemanha, França, Grécia Antiga, Reino Unido e Estados Unidos da América os tenham, e tenham tantos.
Desidério Murcho (Universidade Federal de Ouro Preto, Brasil)

16.1.09

150 anos depois, estará o Darwinismo fora de prazo?

Comemora-se em 2009 os 200 anos do nascimento de Charles Darwin e 150 anos da publicação do seu livro a Origem das Espécies, que viria a marcar profundamente a Ciência moderna. No dia 23 de Janeiro, sexta-feira, às 10h 30, o filósofo Michael Ruse, da Universidade da Florida, EUA, mostra como o darwinismo, passado século e meio, ainda não está “fora de prazo”.E a demonstrar isto a comunidade científica portuguesa, através do Conselho dos Laboratórios Associados, colabora com a Ciência Viva na organização das comemorações deste Ano de Darwin. Uma oportunidade para divulgar junto do público a investigação que se faz em Biologia e como o trabalho de Charles Darwin foi determinante para esta área do conhecimento. Durante este ano são organizadas palestras e exposições, propostas actividades práticas e desafios experimentais para todos os níveis de ensino, divulgada a investigação feita em Portugal em Evolução Biológica, entre outros. Para estar atento a todas estas iniciativas, visite o Website http://www.darwin2009.pt/A entrada é gratuita mediante inscrição. Pode também acompanhar a palestra em directo através da Ciência Viva TV.



Fonte: Lekton-fórum de Filosofia

Desafios!



Lanço aos leitores um desafio.
Apesar de a natureza de um blogue não proporcionar as vantagens que se podem retirar de um fórum de discussão, podemos usar este espaço para trocar ideias e esgrimir argumentos.
Por isto, sugiro que nos escrevam para o endereço do blogue - logosecb.gmail.com - e apresentem as vossas questões. Tais questões filosóficas serão publicadas no blogue e discutidas por todos os intervenientes, com o objectivo de aprendermos, um pouco mais, uns com os outros. Questões de natureza ética, dilemas morais, são sempre sugestivas para a discussão, de modo a esclarecermos as nossas crenças básicas.

15.1.09