5.6.09

A casa que os filósofos construíram








"A filosofia assemelha-se muito a uma casa que se constrói sobre estacas num rio. Nessa casa podemos fazer todo o género de coisas — construir coisas, movê-las de um lado para o outro — mas estamos sempre cientes de que a estrutura é suportada por pilares assentes em algo potencialmente e amiúde realmente inconstante. A filosofia desce repetidamente para ver como estão as coisas perto da base dos pilares e na verdade inspecciona os próprios pilares. As coisas podem precisar de mudança lá em baixo. Para os filósofos isto não é apenas a natureza da filosofia mas a condição intelectual genuína da humanidade. É a filosofia que presta uma atenção detalhada a essa condição e a leva a sério. Isto em vez de a ignorar ou resolvê-la de um modo sofístico. "

John Shand

3.6.09

O que nos "diz" a obra de arte?


Da autoria de Salvador Dalí este quadro intitula-se “Sono”. É uma pintura abstracta, não figurativa que transcende as aparências imediatas.
O pintor utilizou a técnica de óleo sobre tela com uma coloração intermédia contrastando entre o claro e o escuro. Tanto usa o branco, como o preto no fundo… utiliza também o sfumato, execução vaporosa de figuras cujos contornos estão esbatidos, criando uma composição surpreendente.
Salvador Dalí, é conhecido por ser um dos mais conceituados pintores surrealistas. Em "Sono", Dalí recriou uma cabeça grande e mole sem corpo, parecendo uma peça de roupa flutuando ao vento ao mesmo tempo que se mostra pesada em contraste com os pilares que a sustêem.
De forma rectangular, o quadro apresenta linhas muito finas, quase invisíveis, na composição principal. A maneira como o quadro está desenhado e a forma como as linhas estão expostas mostra algum movimento como se aquele “sono” profundo flutuasse num sonho. As cores frias, parecem revelar alguma tristeza e cansaço; a perspectiva muito suave e calma mostra-nos uma serenidade desencantada perante os contrastes de que é feita a vida, a sua leveza cósmica e o peso da sua existência individual.

Inês Luis
10.º I (A.I.)

25.4.09

Capitães de Abril






Quando os ideais e a coragem vencem as leis caducas ...
Quando as flores calam as armas ... inventam-se poemas de esperança. Trinta e cinco anos depois, o que mudou? O que precisamos mudar?

O filme é constituído por 15 pequenos vídeos.
Foto retirada do Google

24.4.09

Teorias da Justificação - "O Barco de Neurath"




"Somos como marinheiros obrigados a reparar o seu barco no alto mar, sem qualquer possibilidade de desmontar todas as peças e de o reconstruir em doca seca."

Otto Neurath, Enunciados Protocolares, in Arte de Pensar-11, Aires Almeida e outros, Didáctica Editora (2004)


Em oposição ao fundacionismo, o coerentismo é uma teoria sobre a justificação que vê o conhecimento como um conjunto coerente de crenças que se sustentam mutuamente em estruturas semelhantes a uma rede ou teia. A consistência é uma condição necessária para a coerência, mas não é suficiente, além de consistentes (possibilidade de serem todas verdadeiras em simultâneo), as crenças têm de estar relacionadas entre si de modo relevante. Para haver uma compreensão adequada do mundo, o nosso conjunto de crenças deve ser tão consistente e completo quanto possível e os indícios a favor de uma nova crença não podem ser anulados por outras crenças que consideramos verdadeiras.
Enquanto o fundacionismo vê o sistema do conhecimento como um edifício ou super-estrutura cujas fundações é preciso estabelecer através de uma crença básica, o coerentismo vê o conhecimento como um conjunto de estruturas mutuamente suportadas. Não há dois, mas apenas um tipo de crenças que se ligam entre si de modo interdependente mas não hierarquizado. Um coerentista aceita que as crenças se ligam umas às outras, mas discorda que isto implique que nenhuma das crenças está justificada. Pelo contrário, defende que todas estão justificadas internamente, sem necessidade de nenhum suporte exterior. O que conta não é cada uma das crenças, mas todo o conjunto. Tal como um barco avariado em alto mar não pode ser totalmente desmontado a fim de ser reparado, também não podemos desmontar todo o conhecimento em bloco. O progresso faz-se substituindo crenças que se revelam falsas.
Esta teoria é bastante intuitiva, percebemos que, quando temos um problema em casa reparamos ou substituímos o que está mal, não demolimos a casa toda. Do mesmo modo, quando descobrimos os erros das nossas crenças mudamos apenas as que estão erradas não mudamos todos os nossos conhecimentos.
Mas o coerentismo deixa-nos algumas perplexidades. Por um lado, parece supor como justificado o sistema de crenças que queremos justificar. Por outro lado, se a coerência interna é tudo o que interessa, então parece que esta é muito abrangente, há inúmeros sistemas de crenças diferentes mas internamente coerentes.
Por que razão a ficção como os filmes ou os romances, enquanto sistemas coerentes, não são encarados como descrições da realidade?
Bibliografia: Arte de Pensar- 11, Aires Almeida e outros, Didáctica Editora (2004)
Imagem retirada do Google sem referência ao autor

15.4.09

O universo elegante
















Outro brilhante divulgador de ciência, Brian Green, nasceu em Nova Yorque em 1963 e é professor da Universidade de Columbia desde 2003. Escreveu dois livros destinados ao grande público: O Tecido do Cosmos e O Universo Elegante. Este último, adaptado à televisão em três episódios, que podem ser visionados aqui no youtube. Neste documentário podemos admirar a ilustração de conceitos complexos tornados simples pela imaginação aliada às novas tecnologias.

Imagens retiradas do Google

13.4.09

Série Cosmos



Carl Sagan, (1934-1996) astrónomo e biólogo norte americano, pioneiro e um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos. É autor e co-autor de mais de uma dezena de livros. Destacamos Cosmos, celebrado best-seller, adaptado à televisão que influenciou, emocionou e inspirou milhões de pessoas, (ainda hoje é publicado).

Outra das suas obras: Contacto, foi adaptada ao cinema em 1997, realizada por Robert Zemeckis e protagonizada por Jodie Foster.

Para abrir o "apetite", aqui fica o link para o episódio três da série Cosmos, em português, organizado em sete partes, podendo ser vistas em separado. Parte 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7
A série completa pode ser visionada em astroPT.

Imagens retiradas do Google

9.4.09

Como poderemos justificar a nossa fé na indução?

É incontestável o papel que o raciocínio indutivo tem nas nossas vidas. Sem ele o nosso quotidiano tornar-se-ia impossível. Sabemos que, se estivermos à chuva, ficaremos molhados, se não estudarmos o suficiente, teremos dificuldades no teste…. As nossas vidas baseiam-se no facto de podermos fazer previsões fidedignas acerca do mundo e das consequências das nossas acções. No entanto, sabemos que o princípio da indução não é inteiramente fidedigno, já que a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão. Para ilustrar este problema, Bertrand Russell usou o exemplo de uma galinha que acorda todas as manhãs pensando que, uma vez que foi alimentada no dia anterior sê-lo-á mais uma vez naquele dia. Um dia acorda e o camponês torce-lhe o pescoço.
Será que exemplos como este mostram a irracionalidade das nossas inferências indutivas? Que as nossas previsões sobre o futuro com base no passado não estão justificadas? Como planear o amanhã sem pressupor a sua existência?
Bertrand Russell pensa que, apesar de não estarem infalivelmente justificadas, há boas razões para confiar em inferências não dedutivas. A inferência a favor da melhor explicação ou abdução é disto um exemplo. Neste tipo de inferência, pondera-se a plausibilidade de uma hipótese em função do tipo de explicação que oferece. A melhor hipótese, a mais plausível é aquela que oferece a melhor explicação. Não há apenas uma conclusão possível, mas é razoável aceitar aquela que tem mais poder explicativo, assim: se encontramos fósseis de peixes ou conchas na serra dos Candeeiros, é razoável pensar que em tempos a serra esteve coberta pelo mar. Podemos pensar noutras hipóteses por exemplo que estas formações surgiram por acaso, ou que foram lá colocadas por terceiros para nos induzir aquela conclusão….
...Ora, apesar de não podermos excluir logicamente estas hipóteses, é razoável concluir que a serra já esteve coberta pelo mar e que este facto originou as ditas formações. Porque esta hipótese explica ainda outros factos geológicos já conhecidos acerca da mesma.
Imagem de Bertrand Russell retidada do Google
O que pensa o leitor?

4.4.09

O conhecimento é possível?

O conhecimento é um tema estudado pela Epistemologia, disciplina filosófica que aborda problemas como a possibilidade do conhecimento ou a sua definição. O problema da possibilidade do conhecimento é de enorme importância pois trata-se de saber se conhecemos de facto tudo o que julgamos saber, estando em causa a própria realidade. Defendo que o conhecimento é possível.
Os pensadores cépticos defendem que o conhecimento não é possível, baseados em vários argumentos. Existe quem defenda que a realidade que conhecemos não é verdadeira e, assim, não nos é possível ter conhecimento algum. Essas pessoas dizem que podemos estar a viver um sonho, em que tudo o que percepcionamos e sentimos é fruto do nosso pensamento.
Ora, para termos a noção de sonho, temos de ter obrigatoriamente a noção de vigília, pois só assim teríamos consciência da diferença de estados. Se estivéssemos sempre a sonhar, não poderíamos saber o que era, pois não haveria matéria para comparação. Assim, se nos é possível sonhar realmente mas também estar em estado de vigília, então não poderemos estar sempre a sonhar.
Outro argumento céptico centra-se na ideia de que toda a crença provém de uma crença anterior, havendo uma regressão infinita que impede o conhecimento. Ora, este argumento é muito discutível, pois existem crenças que não provêm de outras, no sentido em que não precisam de outras para se justificarem, como por exemplo as crenças que são definidas pelo homem (as convenções).
Os cépticos afirmam também, que não havendo um consenso em relação a tudo o que há, não pode haver conhecimento. Ou seja, defendem que para haver conhecimento é necessário que haja um consenso absoluto. Ora isto é absurdo, pois impediria o progresso. Se não houvesse discussão, nunca chegaríamos perto da verdade, pois só analisando as várias posições com rigor, podemos saber quais estão ou não correctas.
Por último, os defensores do cepticismo alegam que não podemos ter conhecimento porque nem tudo o que percepcionamos é real. Referem que as ilusões são algo que existe e que assim nunca podemos ter a certeza de algo. Os erros perceptivos existem de facto, mas isso não implica que não haja conhecimento, uma vez que nem todo o conhecimento deriva dos sentidos.
Posto isto, e pelo princípio da simplicidade, é razoável acreditar que existe conhecimento.

David Vicente
11.º C
Imagem retirada do Google

Magia? Não. É ciência.




O tacto ouve-se?

O virtuosismo de Pamelia Kurstin mostra-nos neste vídeo a natureza fantástica dos campos físicos.

3.4.09

Será possível viver em democracia sem a praticar?












Numa democracia a soberania é exercida pelo povo directa ou indirectamente. Um discurso manipulador pretende fazer com que um auditório pense da mesma maneira que o orador, sem este lhe mostrar as razões para tal. Um discurso persuasivo tem este mesmo objectivo, no entanto, dá ao auditório razões válidas para este pensar e agir dessa forma.
Em qualquer tipo de democracia são precisos cidadãos activos e livres. É impossível a prática de uma democracia directa se os cidadãos não comparecessem ao parlamento, mas também não é possível uma democracia indirecta na qual os cidadãos não exerçam o direito ao voto. Mas, para além de activos, estes devem ser livres e independentes, críticos, para o funcionamento da democracia.
Se num sistema de democracia indirecta, certos governantes com os seus belos e funcionais discursos manipuladores impingem as suas ideias a um povo sem lhes mostrar as válidas razões, deixa de haver democracia, pois não é o povo que pensa, mas sim uma ou duas pessoas que se aproveitam das fracas capacidades dos demais para implantarem as suas ideias.
José Mateus
11.º C
Imagens Google: Banda Desenhada, Mafalda e Parlamento dos Jovens em Lisboa

2.4.09



Deus, perfeição e verdade em Descartes
Uma breve reflexão

O raciocínio cartesiano, que leva o autor a afirmar que Deus existe, baseia-se numa ideia segundo a qual é essencial a existência de um ser perfeito, que permita, através do estabelecimento de comparações, perceber o quão “imperfeito” o ser humano é. Desta forma, Descartes defende que as verdades já estão instituídas por Deus, cuja perfeição as determina.

A posição que defende que Deus impregna a razão humana com algumas verdades essenciais, não está devidamente justificada já que, do meu ponto de vista, o processo de construção de verdades se revela evolutivo, e não pré-determinado. Senão, vejamos:

É evidente que os sentidos e mesmo a razão levam muitas vezes a conclusões dúbias e precipitadas cuja falsidade mais tarde reconhecemos. Todavia, não é um facto claro e distinto que o sentido do conhecimento humano seja o da perfeição, de tal forma que tenhamos como garantido o alcance da verdade; a procura da verdade revela-se, antes, um processo dinâmico e as proposições verdadeiras, de vigência temporária. O ser humano vai, simplesmente, construindo as verdades que lhe parecem mais adequadas em cada momento do processo.

Desta forma, também não posso aceitar como plausível que concebamos clara e distintamente a existência de Deus; se reconhecermos os paradigmas de perfeição como construções racionais e não como proposições pré-determinadas por um ser perfeito, nada há que me garanta que Deus constitui uma entidade que define as orientações lógicas do meu pensamento, não se mostrando essencial a sua existência.
Em suma, Deus não passa da figura que representa uma construção utópica da evolução racional humana.



Imagens do Google: A criação de Adão, Miguel Ângelo; Caricatura de Descartes
Paulo Batista, 11ºA

31.3.09

António Damásio



Amanhã, dia das mentiras, António Damásio vai ser entrevistado na RTP1, após o Telejornal, pela jornalista Judite de Sousa.
Promete revelar as respostas às grandes questões da humanidade. Porém, é dia das mentiras!
Mesmo assim, não percam, pois trata-se de um dos cientistas portugueses mais conhecidos no mundo e de um exemplo de como se divulga ciência para leigos. Além disso, na disciplina de Psicologia é um dos autores contemporâneos estudados.

30.3.09

Uma agulha no palheiro



Crónica de Nuno Crato no Expresso, sobre a importância da Ciência e da tecnologia. Clique aqui.
Imagem Google

20.3.09

«Penso, logo existo»: crença básica ou argumento?

Existir, para Descartes, não é uma consequência do pensamento: é uma condição.
Uma coisa que pensa é um ser pensante. Inevitável será duvidar da existência de um corpo, pois esse é um conhecimento a posteriori e facilmente podemos ser iludidos. Mas a certeza do pensamento é clara e distinta e, por isso, inteiramente verdadeira; de uma forma evidente podemos concluir que existimos porque pensamos, que eu “PENSO, LOGO EXISTO”.
O pensamento toma-se como sendo o reflexo de si mesmo e de todas as coisas exteriores a si. O cogito provém do sujeito que reflecte sobre o seu próprio carácter existencial através do “eu pensante”. A substância onde o pensamento se aloja é a própria existência, pois a essência do Homem é reflectir-se a si e ao mundo exterior, como se fôssemos condenados, desde sempre e para sempre, a nada mais que isso.
De facto, Descartes sempre assegurou que o cogito é uma crença básica e auto-justificada. No entanto, não podemos negar que a presença de uma conjunção conclusiva (logo) nos alicie a considerar que a crença básica de Descartes é, afinal, um argumento ou inferência.
Mas se Descartes defendesse que o cogito não é nenhum argumento ou inferência isso não significaria que existem duas crenças básicas. Aliás, tal acontecimento é impossível, pois o “Penso”, embora seja algo que sabemos ser indubitavelmente verdadeiro, não se pode desligar do “Existo”, até porque esta última proposição carece da força da primeira para ser suficientemente clara e evidente. Ora, será que daqui se segue que “Penso” é a crença básica e “Existo” a inferência que se extrai do pensamento? É que, como qualquer homem, Descartes era falível, e podia perfeitamente estar enganado ao afirmar que o cogito era uma crença. A meu ver, este não será o caso, pelos motivos que passarei, desde já, a expor.
A relação entre pensar, ser e existir é de tal forma vincada, que dificilmente as desligamos: existir sem pensar acaba por nem ser existir verdadeiramente, e pensar sem existir é incongruente; ser, por sua vez, é o meio-termo (PENSO, logo SOU coisa pensante, logo EXISTO como coisa pensante).
Uma crença básica é toda aquela que não decorre de nenhuma inferência, se justifica a si mesma e é verdadeira em qualquer circunstância, um pouco como as crenças primitivas e a priori. Neste tipo de crenças, não é preciso o apoio de qualquer tipo de argumento para se saber alguma coisa. Ilustremos com um exemplo: da mesma forma que “um quadrado é rectângulo, logo não pode ser redondo” é uma crença básica, também o cogito o é. Aliás, se fosse um argumento seria, claramente, falacioso, pois consistiria numa petição de princípio, já que a única razão para uma figura geométrica ser redonda é não ser rectangular (ou não ter outro ângulo qualquer). E, apesar de esta ser uma crença básica, também ali observamos uma conjunção conclusiva.
Assim sendo, se a única razão para existir é pensar, tomar o cogito como argumento seria incorrer numa falácia. Esta é uma crença básica e a priori, um conhecimento primitivo que não carece de qualquer justificação, daí ser capaz de bloquear o argumento da regressão infinita da justificação exactamente devido ao facto de se auto-justificar.
Como se pode observar, Descartes cumpriu perfeitamente o propósito de encontrar uma crença básica e primitiva que sustentasse todo o edifício do saber e, note-se, não um argumento nem duas crenças, mas uma só crença: cogito, ergo sum.
Imagem: Morning Sun por Edward Hopper
Ana Luísa - 11.º B

17.3.09

Será a pena de morte compatível com um mundo civilizado?

Um dos problemas que mais preocupa a humanidade é o problema da justiça, não de um ponto de vista político, mas sim de um ponto de vista pessoal. De facto, o ser humano vê-se obrigado a ver a vida como uma luta por um objectivo estando muitas vezes sujeito à injustiça; no entanto, a injustiça está também relacionada com assuntos do foro criminal. É dentro deste último grupo que se encontra o problema da pena de morte. Este é um problema filosófico que se insere na ética e moral mas que, no fundo, põe em confronto os nossos valores mais básicos com o desejo insaciável de justiça.
A pena de morte consiste, assim, em condenar um ser responsável por um determinado crime ao mais alto castigo existente. Se pensamos ter uma intuição muito forte contra este tipo de pena, ela desvanece-se quando pomos a hipótese de um mundo em insegurança. Quando confrontamos os nossos intuitos, a compaixão, a tradição ou até a religião à qual pertencemos com o desejo de materializar os nossos impulsos, vimos que os nossos sentimentos vacilam. A importância do problema está directamente relacionada com o mundo que desejamos para os nossos descendentes. Este é um problema não consensual que tem levantado várias questões: será a pena de morte moralmente aceitável? Será possível aboli-la racionalmente? Na resposta a estas questões salientam-se duas vertentes: os pró - pena de morte (a favor desta pena) e os abolicionistas.

Por um lado, aqueles que se opõem à pena de morte (abolicionistas), vêem-na como um acto de violência irreversível, que viola o direito à vida assegurado pela Declaração Universal dos Direitos Humanos. Acrescentam que esta pena é tortura: quer a dor física, quer a dor psicológica sentidas pelo condenado são incomensuráveis. Baseiam-se em estatísticas para afirmar que este castigo é discriminatório: é maior o número de condenados à morte que são de raça negra, pobres ou de baixo estatuto social. Referem que existe a possibilidade de condenar inocentes sem que exista a hipótese de reverter a situação. Afirmam ainda que esta pena tem um efeito dissuasor duvidoso, ou seja, que não faria com que outros assassinos deixassem de praticar os seus crimes, uma vez que estes têm muitas vezes problemas do foro psicológico. Para além disto, consideram que este tipo de punição pode ser usado como arma política (como meio de obter votos por parte daqueles que, inocentemente, querem a justiça mesmo que seja desumana). Acrescentam que um castigo deve ser educativo e não a materialização da vingança e apresentam a prisão perpétua como um meio de evitar esta pena. Mas não será este tipo de prisão uma forma de morte, também? Como poderiam aceitar os abolicionistas viver lado a lado com criminosos como Hitler?
Assim, de outro lado estão aqueles que consideram que a pena de morte nos lembra que as nossas acções têm consequências e que quem mata um inocente suicida-se perante a sociedade e perde o direito à vida. Acrescentam que a justiça deve ser capaz de aplicar uma pena adequada a determinado crime mas salientam que adequado é diferente de igual, criando uma maior abrangência para os crimes que, na sua opinião, deveriam ser punidos com o castigo em causa. Quando confrontados com a possibilidade de condenar inocentes à morte, não desmentem que tal facto exista, pois o erro está adjacente a qualquer acção humana no entanto, é importante perceber que ninguém é condenado à morte ao acaso e que, até à data da execução, o indivíduo é considerado culpado. Quanto ao efeito dissuasor, baseiam-se no valor da vida para afirmar que a diferença entre o morrer e o “quase morrer” é abissal e que este facto pode levar a dissuadir assassinos futuros. Opõem-se aos abolicionistas afirmando que a pena de morte é retribuição e não vingança: a vingança implica raiva e a retribuição serve de meio de atenuar a dor dos familiares. Deixam a recuperação do criminoso para segundo plano, afirmando que em primeiro plano deve estar a segurança da sociedade.
Assim, conclui-se que este problema questiona intuições e promove a arte de pensar. Percorre os corredores do pensamento à medida que percorre os corredores da morte nos quais esperam dolorosamente, vários assassinos. A meu ver, mais do que saber se a pena de morte deve ser abolida, importa saber se ela é compatível com um mundo civilizado. Por um lado, vimos a criminalidade a aumentar, por outro vimos a tendência do mundo para acabar com esta pena. Por exemplo, Barack Obama considera determinados crimes abomináveis e ele é hoje, a materialização da esperança. Na verdade, ainda nada há que justifique a diferença entre matar alguém e matar um criminoso: não será a gravidade semelhante? Considero, assim, que esta pena não é adequada ao mundo civilizado que pretendemos no qual existe um ser único e irrepetível que não está a ser respeitado. Esse ser somos nós. Por último, refiro que é necessário rever as penas aplicadas para que não seja necessário recorrer a métodos de punição desumanos como meio de castigar um criminoso.
Filipa Isabel Serrazina
11.º C
Imagens Google: Edvard Munch, O Grito e Jacques Lois David, A Morte de Sócrates.

13.3.09

Penso, logo serei contratado!



No Telegrapho de Hermes foi publicado um artigo brasileiro que revela a nova tendência de contratação de trabalhadores, insistindo-se em competências adquiridas a partir de uma formação filosófica.
É o cogito cartesiano adaptado às novas exigências relativas ao perfil do trabalhador!

8.3.09

Revista Crítica

De acordo como blog da Revista Crítica, todos os artigos da mesma se encontram temporariamente acessíveis ao público em geral.
Aproveite para conhecer uma das melhores revistas de filosofia e avalie por si mesmo.

28.2.09

Aforismos

«O conhecimento do conhecimento ensina-nos que apenas conhecemos uma pequena película da realidade. A única realidade que é cognoscível é co-produzida pelo espírito humano, com a ajuda do imaginário. O real e o imaginário estão entretecidos e formam o complexo dos nossos seres e das nossas vidas. A realidade humana em si mesma é semi-imaginária. A realidade é apenas humana, e apenas parcialmente real. »
Edgar Morin

14.2.09

Filosofia com Crianças

A Filosofia para Crianças pode aumentar o Q. I. em 6,5 pontos, revela um estudo realizado no Reino Unido. Ler toda a notícia aqui.