19.6.09

Outra vez o sentido da vida...

“ Naquele pontinho azul, estamos todos...

Todas as nossas guerras…
Todos os nossos problemas…
Toda a nossa grandeza e toda a nossa miséria…
Toda a nossa tecnologia, a nossa arte, os nossos feitos…
Todas as civilizações…
Todas as religiões…
Todo o nosso amor… e o nosso ódio…

Seis mil milhões de almas em constante convulsão…”

Dá que pensar!…

Foto tirada por Cassini-Huygens,
Uma nave espacial não tripulada,
em 2004, ao chegar aos anéis de Saturno.
Imagem e texto adaptado da net, encontrados sem referência ao autor.
Carl Sagan é o autor original no seu best-seller: "Ponto Azul Claro", publicado pela Gradiva.
(informação recebida do nosso leitor: Carlos)
Parte do texto original pode ser lida em astroPT, bem como o vídeo: "Pale Blue Dot" legendado em português.
Edição posterior:

18.6.09

Filosofar descontraidamente...

Desidério Murcho propõe-nos "137 máximas que visam ajudar quem quer aprender a filosofar", aqui. O livro em PDF, pode ser descarregado gratuitamente ou pago. O preço sugerido é 5€.
Boas leituras!
Imagem: Van Gogh, Livros

15.6.09

Ainda o sentido da vida...

Durante a nossa existência, somos muitas vezes confrontados com o problema do sentido da vida procurando insistentemente a resposta. Será que vale a pena viver? A vida tem sentido? Se sim, será subjectivo ou objectivo? Vamos procurar responder a este problema ao longo deste ensaio. A nossa finalidade é defender que a vida tem sentido, porém não assumimos uma perspectiva totalmente objectiva.
Antes de iniciarmos uma reflexão mais profunda, é necessário esclarecer alguns conceitos envolvidos neste problema. O primeiro passo é esclarecer o que é o sentido da vida e compreender o problema em questão. Neste contexto, podemos querer enunciar dois aspectos do problema quando nos referimos ao significado da existência: podemos estar a falar da finalidade da nossa vida ou podemos estar a falar do seu valor.
Assim, é premente distinguir dois tipos de finalidades através da exemplificação: por um lado, caso nos perguntem porque apanhámos o metro para ir para o centro comercial ontem, responderemos que fomos às compras; porém, podem ainda questionar o porquê desta ida, e assim sucessivamente até ao infinito. Nesta circunstância, temos um objectivo instrumental, ou seja, algo que se faz porque se tem em vista outra coisa. Por outro lado, ao perguntarem porque comemos chocolate, afirmaremos que o fazemos porque nos dá prazer. Ora, neste caso temos uma finalidade última, uma finalidade em sim mesma, situação na qual não vale a pena exigir mais perguntas porque não faz sentido perguntar com que finalidade estamos a comer chocolate.

Contudo, é errado pensar que este problema se desenrola na procura de uma única e última finalidade da nossa vida. Ao reflectir, sabemos que não é essa finalidade que dará sentido à nossa existência, já que no nosso dia-a-dia nos deparamos com várias finalidades últimas, visto que fazemos várias coisas aprazíveis.
Posto isto, é fácil compreender que falta algo para dar realmente sentido à nossa vida. Este aspecto é o valor intrínseco das nossas acções. Todavia, ao chegar a este ponto, deparamo-nos com uma dificuldade: é certo que existem acções que têm valor intrínseco para uns e não para outros. Este valor confere ao sentido da vida um carácter subjectivo.
No entanto, este ponto não indica que o sentido atribuído à vida seja totalmente subjectivo. É certo que o sentido da nossa vida não se deve centrar apenas no mundo exterior, mas também na nossa realização pessoal, objectivos e tudo o que nós somos enquanto indivíduos singulares. Porém, identicamente, não podemos pensar só em nós, pois não vivemos isolados do mundo.
Ora vejamos: neste momento estamos a estudar com o objectivo de entrarmos na Faculdade de Arquitectura. É óbvio que não conseguiríamos fazê-lo com sucesso sem a ajuda dos outros (professores, colegas, …). No entanto, temos também de dar bastante de nós para alcançarmos o pretendido e fazêmo-lo apenas por interesse pessoal.
Assim consideramos ser necessário encontrar um equilíbrio entre estes dois pontos de vista, dado que nenhum deles se adequa devidamente à realidade. É preciso encarar a vida com objectivos, sem nunca nos esquecermos da felicidade pessoal. Pensamos que só assim poderemos dar algum sentido à nossa existência.

Fontes consultadas:
ALMEIDA, Aires. Dicionário da Filosofia, Plátano Editora, Colecção Filosofia Prática, Lisboa, 2003;
ALMEIDA, Aires e MURCHO, Desidério. A Arte de Pensar - 11º ano, Didáctica Editora, Lisboa, 2008.
RUSS, Jaqueline. Dicionário de Filosofia, Didáctica Editora, Coimbra, 2000;
REIS, Alfredo. O existencialismo, Atlântida, Biblioteca da Filosofia, Coimbra, 1997;
Imagem: Claude Monet, «Garden Path at Giverny»
Beatriz Silva e Beatriz Serrazina
11ºF

13.6.09

Seremos moralmente responsáveis, de uma forma directa, pela preservação do ambiente?


O problema da responsabilidade moral para com o meio ambiente é um problema de ética aplicada, mais especificamente no ramo da ética ambiental. Envolve várias questões tais como: “Teremos alguma obrigação moral de preservar o meio ambiente?”, o tema central desta dissertação; “Haverá algo de errado com a extinção das espécies?” ou “Será moralmente aceitável impedir o desenvolvimento industrial dos países pobres de forma a evitar o aumento da poluição?”. Estas questões são importantes, uma vez que a sobrevivência tanto de animais como de plantas é altamente dependente da manutenção da qualidade das condições ambientais.
Para debater problemas ambientais é necessário, primeiramente, reunir informação empírica para apurar os argumentos relevantes para o problema a tratar.
Analisemos o que nos diz Peter Singer:

(...)“Um rio serpenteia por entre ravinas cobertas de floresta e gargantas escarpadas em direcção ao mar. A comissão hidroeléctrica estatal considera as quedas de água energia não aproveitada. A construção de uma barragem numa das gargantas proporcionaria trabalho durante três anos a 1000 pessoas e emprego a longo prazo para 20 ou 30. A albufeira armazenaria água suficiente para garantir que o estado satisfaria de forma económica as suas necessidades energéticas da década seguinte. Esta situação fomentaria o estabelecimento de indústrias de energia intensiva, contribuindo assim ainda mais para o emprego e crescimento económico.
O terreno acidentado do vale do rio só permite o acesso a pessoas de razoável condição física, mas é, apesar de tudo, um lugar predilecto dos que gostam de passear pelo bosque. O próprio rio atrai os mais ousados praticantes de desportos radicais, como o rafting. No coração dos vales abrigados encontram-se manchas de uma espécie rara de pinheiros, tendo muitas das árvores uma idade superior a 1000 anos. Os vales e desfiladeiros abrigam muitos animais e aves, incluindo uma espécie em perigo de rato marsupial, que raramente se vê fora do vale. Pode haver muitos outros animais e plantas raros, mas ninguém sabe ao certo porque os cientistas ainda não estudaram esta região a fundo.
Será que se deve construir a barragem
?” (...) (Ética Prática, 1993)

Para responder à questão levantada por Singer, podemos adoptar vários argumentos distintos. Os apologistas da ética antropocêntrica defendem que apenas os seres humanos têm valor intrínseco, ou seja, só a nossa espécie merece ser considerada de um ponto de vista ético e moral nas decisões a tomar acerca das políticas ambientais. Assim, só as decisões que lhes são convenientes e lhes proporcionam mais-valias devem ser tidas em conta. Alguém que defenda esta perspectiva ética seria da opinião de que a barragem deveria ser construída, uma vez que as vantagens para o ser humano seriam bastante superiores às desvantagens. Qualquer tipo de consequências negativas para os seres vivos não-humanos, seriam ignoradas, pois estes não têm, aos olhos dos antropocentristas, estatuto moral. No entanto, esta posição é bastante discutível mesmo no seio desta perspectiva ética, pois se pensarmos nas gerações futuras, veremos que estas serão mais relevantes em termos de número do que aquelas que irão usufruir dos ganhos imediatos desta construção. Assim, segundo esta perspectiva, a construção da barragem seria inaceitável.
Contudo, este ponto de vista da ética ambiental deixa-nos uma questão: por que razão serão os seres humanos os únicos a ter valor intrínseco? Para alguns filósofos, o nosso valor intrínseco advém de capacidades como o poder de escolha racional e o uso coerente da linguagem. Mas, desta forma, estaríamos a excluir alguns seres humanos desprovidos de tais aptidões, como é o caso dos bebés e dos portadores de insuficiências mentais. Jeremy Bentham, filósofo crítico da ética antropocêntrica, propôs que um ser tem valor intrínseco quando possui a capacidade de sentir dor, isto é, quando é um ser senciente. Deste modo todos os seres tanto racionais como irracionais teriam valor intrínseco.
Esta perspectiva é conhecida como ética da vida senciente. Apesar de estabelecer que todos os animais sencientes devem ser considerados moralmente, estes podem ser hierarquizados. Citando novamente Peter Singer, “Podemos (…) encarar a morte de um animal não humano (…) como menos significativa do que a morte de uma pessoa, dado que os seres humanos são capazes de prever e planear o futuro de uma forma que não está ao alcance dos animais não humanos.(Ética Prática, 1993).
Para analisarmos o problema da construção da barragem tendo em conta as ideias desta teoria, seria necessário abranger não só os interesses das gerações presentes e futuras da espécie humana, mas também os de todos os seres sencientes. Podemos então aferir que os terrenos circundantes do local para o qual a barragem está projectada apresentarão maiores benefícios e terão um maior valor, tanto para as gerações actuais como vindouras não só dos seres humanos, mas também de todos os seres sencientes, se esta obra não for efectuada. Assim, será eticamente aceitável sobrevalorizar os seres sencientes, em detrimento dos seres não sencientes, como as árvores?
Quem defende a ética da vida, segundo a qual todos os seres vivos têm valor intrínseco, embora com estatuto moral diferente (tal como o filósofo americano Paul Taylor), afirma que o que concede significado moral a um organismo não é só a capacidade de sentir dor nem o facto de ser consciente, mas sim o de ter uma finalidade.
Assim sendo, aplicando a ética da vida ao problema anterior, teremos de considerar não só os interesses dos seres sencientes, mas de todos os seres vivos hipoteticamente afectados pela construção da barragem.
Posto isto, consideramos a construção da barragem inexequível, já que a ética da vida reforça também a tese defendida pelos éticos da vida senciente, pois engloba os interesses não só de uma fracção de seres vivos, mas da totalidade das populações da área envolvente. Embora os argumentos da ética da vida senciente e da ética da vida convirjam na solução do problema levantado, noutros casos poderão dar azo a posições divergentes.
Pelo que ficou exposto, consideramos que, embora radical em algumas situações, a ética da vida, se moderada, é a que nos parece mais adequada.
Referências Bibliográficas:
ALMEIDA, A. et all; A Arte de Pensar; Filosofia 11º Ano; 2ª Edição; Didáctica Editora; 2008; pp. 231-242
SINGER, P.; Ética Prática; 2ª Edição; Gradiva; 2002; pp. 287-301
Imagem retirada do Google sem referência ao autor
David Vicente, Miguel Lopes e Tatiana Ladeira
11. C

12.6.09

Será que a vida tem sentido?

Saber se a vida tem sentido é uma questão difícil de interpretar, tornando-se num tema "obscuro" e simultaneamente central relativamente à nossa existência. Quanto mais concentramos a nossa capacidade crítica nesta questão, mais consciência temos sobre a dificuldade da sua resposta. Provavelmente, desde o momento em que nascemos não questionamos se valerá a pena viver ou se algo importante resultará da nossa existência, aceitamos que o propósito da vida é simplesmente viver. No entanto, a necessidade de compreender o sentido da vida é profunda e universal, apontando qualidades da mente que são, possivelmente, fulcrais para a existência humana. Por esta razão, a questão que se levanta é importante, e devia ter uma resposta significativa. Quando procuramos o sentido de palavras recorremos à sua utilidade no contexto em que é inserida, porém, a vida não é um elemento num sistema de comunicação. Assim, a questão em causa, procura encontrar um objectivo e uma razão para a vida e investigar acerca do seu valor.
Para interpretar a questão do sentido da vida é importante compreender alguns conceitos base que ajudam à definição do problema em causa, tais como: finalidade e valor. Uma actividade só tem sentido se tiver uma finalidade que pode ser última ou instrumental. A primeira diz respeito a uma acção que não tem outro fim se não ela mesma. A segunda refere-se a algo que é realizado quando se tem outra coisa em vista. Por exemplo, podemos apanhar um comboio para nos dirigirmos à universidade, e nesse caso, a nossa viagem é uma finalidade instrumental. Contudo, se viajarmos de comboio apenas para satisfazer o nosso desejo, então, esta é uma finalidade última. O sentido das nossas actividades está ainda dependente do seu valor. Este pode ser intrínseco ou instrumental, dependendo se tem valor por si ou se tem valor em função de ser um meio para alcançar o que tem valor por si, respectivamente. Para além disto, pode distinguir-se valor subjectivo – se a pessoa envolvida na acção pensar que esta tem valor – e valor objectivo – se tiver realmente valor.
Assim, para que uma actividade tenha sentido tem que ter uma finalidade que por sua vez tem também que ter valor. No entanto, este sentido tanto pode ser objectivo (se tiver realmente sentido) como subjectivo (se quem desempenhar a acção pensar que esta tem sentido).
A questão do sentido da vida torna-se agora mais clara. No entanto, como a reposta é de difícil alcance surgiram algumas perspectivas que pretendiam solucionar o problema. Por um lado, há aqueles que defendem que a vida não tem sentido uma vez que somos mortais: edificamos algo durante todo o nosso percurso para que, no fim, tudo se desvaneça. Para estes, o facto de sermos efémeros destrói os objectivos que propomos para a nossa vida. Há ainda quem defenda que a vida não tem sentido apesar de não considerarem o aspecto de sermos mortais, como é o caso de Camus. Nesta perspectiva, é considerado o facto do universo ser inexpressivo: a nível cósmico, o mundo/a nossa existência pode ser indiferente. Assim, surge um conflito entre o que exigimos/pressupomos acerca do nosso lugar no universo e a realidade da situação, tornando, para alguns filósofos, a vida absurda.
No entanto, praticamos acções no nosso quotidiano que não têm em conta qualquer significado cósmico. Parece-nos ainda que a mortalidade não tira o sentido à vida. Há, de facto, quem considere que a vida tem sentido se existir um ser divino que assegure a nossa felicidade plena após a morte e que só este ser é responsável pelo planeamento do aparecimento da vida no mundo. Aqui, a morte funciona como princípio e não como fim.
Para além deste ponto de vista, surgiram duas perspectivas filosóficas que defendem também que a vida tem sentido. A perspectiva subjectivista defende que, para que a vida humana tenha sentido, basta que a pessoa lhe atribua um valor subjectivo, ou seja, basta que a própria pessoa se sinta feliz. A perspectiva objectivista, em oposição, afirma que uma vida tem sentido quando cultiva valores objectivos, isto é, uma vida que se entregue a projectos que procurem acrescentar algum valor ao mundo. Para esta perspectiva o valor objectivo é necessário, mas não exclui o valor subjectivo.
No entanto, ambas as perspectivas apresentam algumas objecções. De facto, o subjectivismo ao fazer coincidir a felicidade própria com o sentido da vida, cria algumas fortes incoerências. Na verdade, questionar se uma vida tem sentido é diferente de questionar se uma vida é ou não satisfatória. Para além disto não podemos considerar apenas o sentido subjectivo da vida, já que somos seres inseridos numa sociedade, fazendo parte de uma cadeia na qual somos, directa ou indirectamente, peças fundamentais, dada a importância que temos para “o outro” e que, consequentemente, estes têm para nós.
À semelhança da perspectiva anterior, também o objectivismo apresenta algumas contrariedades. A transitoriedade parece destruir o sentido da vida já que se tudo for transitório, os valores e as finalidades também o serão. No entanto, a objectividade não é o mesmo que a permanência: o sentido que essa vida teve no passado não pode ser destruído já que existiu objectivamente no passado, apesar de não existir no presente, respondem os defensores do objectivismo. A oposição ao objectivismo anteriormente exposta deixa antever uma outra crítica à mesma teoria: só uma vida imortal poderá impedir a destruição do sentido. No entanto, uma vida imortal parece também ser destituída de sentido. De facto, se prolongar uma mesma actividade ou conjunto de actividades torna-se monótono, fazê-lo eternamente destrói-lhes o sentido. Assim, alargar até ao infinito uma vida com sentido acabará na destruição do mesmo.
Em conclusão, e após a apresentação das teorias filosóficas que procuram responder a este problema, confirmamos a dificuldade de chegar a uma resposta que englobe todos os aspectos que consideramos relevantes, quando se discute o problema do sentido da vida. De facto, os exemplos de vidas que consideramos, indubitavelmente, com sentido (ex. luta pela paz) são tanto subjectivamente valiosas como dignas de louvor se julgados segundo aspectos exteriores aos próprios agentes. As vidas que nos são descritas como tendo sentido (apesar do conceito poder ser discutível, como se viu) são vidas nas quais há uma estrita relação entre os interesses reais de uma pessoa e o conjunto de coisas que são dignas de interesse. O sentido surge quando a atracção subjectiva se relaciona com o que objectivamente desperta o interesse.
Para além disto, consideramos que o sentido da vida não está no alcançar o objectivo a que nos propomos em determinado momento, mas sim no interesse e empenho que pomos na caminhada para o alcançar. O interesse será assim a justificação e o sentido para determinada actividade. Provavelmente seria assim que pensariam aqueles que, na antiguidade, construíram um grande edifício ao verem que o que resta hoje são escombros soterrados.
Consideramos ainda que o sentido da vida está no nosso interior mas isto não quer dizer que estejamos apenas à procura da felicidade própria. Na verdade sentimo-nos, muitas vezes, mais felizes por proporcionar a felicidade àqueles que nos rodeiam. Para além disto, concluímos que o sentido da vida está nos pormenores: o sorriso do filho é tudo para a mãe, uma carícia é a tranquilidade para o amante, uma mudança de frase é a evolução para o escritor, um passo é o triunfo do atleta. Assim, a análise das teorias e das respectivas objecções, em conjunto com a nossa própria opinião anteriormente exposta, revela que a perspectiva que surge como a mais coerente é a objectivista.
Imagens retiradas do Google: Caspar David Fiedrich, Viajante acima das nuvens e Apolo 8, Terra vista da Lua.
Catarina Marquez, Filipa Serrazina e Marta Carvalho
11.º C

5.6.09

A casa que os filósofos construíram








"A filosofia assemelha-se muito a uma casa que se constrói sobre estacas num rio. Nessa casa podemos fazer todo o género de coisas — construir coisas, movê-las de um lado para o outro — mas estamos sempre cientes de que a estrutura é suportada por pilares assentes em algo potencialmente e amiúde realmente inconstante. A filosofia desce repetidamente para ver como estão as coisas perto da base dos pilares e na verdade inspecciona os próprios pilares. As coisas podem precisar de mudança lá em baixo. Para os filósofos isto não é apenas a natureza da filosofia mas a condição intelectual genuína da humanidade. É a filosofia que presta uma atenção detalhada a essa condição e a leva a sério. Isto em vez de a ignorar ou resolvê-la de um modo sofístico. "

John Shand

3.6.09

O que nos "diz" a obra de arte?


Da autoria de Salvador Dalí este quadro intitula-se “Sono”. É uma pintura abstracta, não figurativa que transcende as aparências imediatas.
O pintor utilizou a técnica de óleo sobre tela com uma coloração intermédia contrastando entre o claro e o escuro. Tanto usa o branco, como o preto no fundo… utiliza também o sfumato, execução vaporosa de figuras cujos contornos estão esbatidos, criando uma composição surpreendente.
Salvador Dalí, é conhecido por ser um dos mais conceituados pintores surrealistas. Em "Sono", Dalí recriou uma cabeça grande e mole sem corpo, parecendo uma peça de roupa flutuando ao vento ao mesmo tempo que se mostra pesada em contraste com os pilares que a sustêem.
De forma rectangular, o quadro apresenta linhas muito finas, quase invisíveis, na composição principal. A maneira como o quadro está desenhado e a forma como as linhas estão expostas mostra algum movimento como se aquele “sono” profundo flutuasse num sonho. As cores frias, parecem revelar alguma tristeza e cansaço; a perspectiva muito suave e calma mostra-nos uma serenidade desencantada perante os contrastes de que é feita a vida, a sua leveza cósmica e o peso da sua existência individual.

Inês Luis
10.º I (A.I.)

25.4.09

Capitães de Abril






Quando os ideais e a coragem vencem as leis caducas ...
Quando as flores calam as armas ... inventam-se poemas de esperança. Trinta e cinco anos depois, o que mudou? O que precisamos mudar?

O filme é constituído por 15 pequenos vídeos.
Foto retirada do Google

24.4.09

Teorias da Justificação - "O Barco de Neurath"




"Somos como marinheiros obrigados a reparar o seu barco no alto mar, sem qualquer possibilidade de desmontar todas as peças e de o reconstruir em doca seca."

Otto Neurath, Enunciados Protocolares, in Arte de Pensar-11, Aires Almeida e outros, Didáctica Editora (2004)


Em oposição ao fundacionismo, o coerentismo é uma teoria sobre a justificação que vê o conhecimento como um conjunto coerente de crenças que se sustentam mutuamente em estruturas semelhantes a uma rede ou teia. A consistência é uma condição necessária para a coerência, mas não é suficiente, além de consistentes (possibilidade de serem todas verdadeiras em simultâneo), as crenças têm de estar relacionadas entre si de modo relevante. Para haver uma compreensão adequada do mundo, o nosso conjunto de crenças deve ser tão consistente e completo quanto possível e os indícios a favor de uma nova crença não podem ser anulados por outras crenças que consideramos verdadeiras.
Enquanto o fundacionismo vê o sistema do conhecimento como um edifício ou super-estrutura cujas fundações é preciso estabelecer através de uma crença básica, o coerentismo vê o conhecimento como um conjunto de estruturas mutuamente suportadas. Não há dois, mas apenas um tipo de crenças que se ligam entre si de modo interdependente mas não hierarquizado. Um coerentista aceita que as crenças se ligam umas às outras, mas discorda que isto implique que nenhuma das crenças está justificada. Pelo contrário, defende que todas estão justificadas internamente, sem necessidade de nenhum suporte exterior. O que conta não é cada uma das crenças, mas todo o conjunto. Tal como um barco avariado em alto mar não pode ser totalmente desmontado a fim de ser reparado, também não podemos desmontar todo o conhecimento em bloco. O progresso faz-se substituindo crenças que se revelam falsas.
Esta teoria é bastante intuitiva, percebemos que, quando temos um problema em casa reparamos ou substituímos o que está mal, não demolimos a casa toda. Do mesmo modo, quando descobrimos os erros das nossas crenças mudamos apenas as que estão erradas não mudamos todos os nossos conhecimentos.
Mas o coerentismo deixa-nos algumas perplexidades. Por um lado, parece supor como justificado o sistema de crenças que queremos justificar. Por outro lado, se a coerência interna é tudo o que interessa, então parece que esta é muito abrangente, há inúmeros sistemas de crenças diferentes mas internamente coerentes.
Por que razão a ficção como os filmes ou os romances, enquanto sistemas coerentes, não são encarados como descrições da realidade?
Bibliografia: Arte de Pensar- 11, Aires Almeida e outros, Didáctica Editora (2004)
Imagem retirada do Google sem referência ao autor

15.4.09

O universo elegante
















Outro brilhante divulgador de ciência, Brian Green, nasceu em Nova Yorque em 1963 e é professor da Universidade de Columbia desde 2003. Escreveu dois livros destinados ao grande público: O Tecido do Cosmos e O Universo Elegante. Este último, adaptado à televisão em três episódios, que podem ser visionados aqui no youtube. Neste documentário podemos admirar a ilustração de conceitos complexos tornados simples pela imaginação aliada às novas tecnologias.

Imagens retiradas do Google

13.4.09

Série Cosmos



Carl Sagan, (1934-1996) astrónomo e biólogo norte americano, pioneiro e um dos maiores divulgadores de ciência de todos os tempos. É autor e co-autor de mais de uma dezena de livros. Destacamos Cosmos, celebrado best-seller, adaptado à televisão que influenciou, emocionou e inspirou milhões de pessoas, (ainda hoje é publicado).

Outra das suas obras: Contacto, foi adaptada ao cinema em 1997, realizada por Robert Zemeckis e protagonizada por Jodie Foster.

Para abrir o "apetite", aqui fica o link para o episódio três da série Cosmos, em português, organizado em sete partes, podendo ser vistas em separado. Parte 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7
A série completa pode ser visionada em astroPT.

Imagens retiradas do Google

9.4.09

Como poderemos justificar a nossa fé na indução?

É incontestável o papel que o raciocínio indutivo tem nas nossas vidas. Sem ele o nosso quotidiano tornar-se-ia impossível. Sabemos que, se estivermos à chuva, ficaremos molhados, se não estudarmos o suficiente, teremos dificuldades no teste…. As nossas vidas baseiam-se no facto de podermos fazer previsões fidedignas acerca do mundo e das consequências das nossas acções. No entanto, sabemos que o princípio da indução não é inteiramente fidedigno, já que a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão. Para ilustrar este problema, Bertrand Russell usou o exemplo de uma galinha que acorda todas as manhãs pensando que, uma vez que foi alimentada no dia anterior sê-lo-á mais uma vez naquele dia. Um dia acorda e o camponês torce-lhe o pescoço.
Será que exemplos como este mostram a irracionalidade das nossas inferências indutivas? Que as nossas previsões sobre o futuro com base no passado não estão justificadas? Como planear o amanhã sem pressupor a sua existência?
Bertrand Russell pensa que, apesar de não estarem infalivelmente justificadas, há boas razões para confiar em inferências não dedutivas. A inferência a favor da melhor explicação ou abdução é disto um exemplo. Neste tipo de inferência, pondera-se a plausibilidade de uma hipótese em função do tipo de explicação que oferece. A melhor hipótese, a mais plausível é aquela que oferece a melhor explicação. Não há apenas uma conclusão possível, mas é razoável aceitar aquela que tem mais poder explicativo, assim: se encontramos fósseis de peixes ou conchas na serra dos Candeeiros, é razoável pensar que em tempos a serra esteve coberta pelo mar. Podemos pensar noutras hipóteses por exemplo que estas formações surgiram por acaso, ou que foram lá colocadas por terceiros para nos induzir aquela conclusão….
...Ora, apesar de não podermos excluir logicamente estas hipóteses, é razoável concluir que a serra já esteve coberta pelo mar e que este facto originou as ditas formações. Porque esta hipótese explica ainda outros factos geológicos já conhecidos acerca da mesma.
Imagem de Bertrand Russell retidada do Google
O que pensa o leitor?

4.4.09

O conhecimento é possível?

O conhecimento é um tema estudado pela Epistemologia, disciplina filosófica que aborda problemas como a possibilidade do conhecimento ou a sua definição. O problema da possibilidade do conhecimento é de enorme importância pois trata-se de saber se conhecemos de facto tudo o que julgamos saber, estando em causa a própria realidade. Defendo que o conhecimento é possível.
Os pensadores cépticos defendem que o conhecimento não é possível, baseados em vários argumentos. Existe quem defenda que a realidade que conhecemos não é verdadeira e, assim, não nos é possível ter conhecimento algum. Essas pessoas dizem que podemos estar a viver um sonho, em que tudo o que percepcionamos e sentimos é fruto do nosso pensamento.
Ora, para termos a noção de sonho, temos de ter obrigatoriamente a noção de vigília, pois só assim teríamos consciência da diferença de estados. Se estivéssemos sempre a sonhar, não poderíamos saber o que era, pois não haveria matéria para comparação. Assim, se nos é possível sonhar realmente mas também estar em estado de vigília, então não poderemos estar sempre a sonhar.
Outro argumento céptico centra-se na ideia de que toda a crença provém de uma crença anterior, havendo uma regressão infinita que impede o conhecimento. Ora, este argumento é muito discutível, pois existem crenças que não provêm de outras, no sentido em que não precisam de outras para se justificarem, como por exemplo as crenças que são definidas pelo homem (as convenções).
Os cépticos afirmam também, que não havendo um consenso em relação a tudo o que há, não pode haver conhecimento. Ou seja, defendem que para haver conhecimento é necessário que haja um consenso absoluto. Ora isto é absurdo, pois impediria o progresso. Se não houvesse discussão, nunca chegaríamos perto da verdade, pois só analisando as várias posições com rigor, podemos saber quais estão ou não correctas.
Por último, os defensores do cepticismo alegam que não podemos ter conhecimento porque nem tudo o que percepcionamos é real. Referem que as ilusões são algo que existe e que assim nunca podemos ter a certeza de algo. Os erros perceptivos existem de facto, mas isso não implica que não haja conhecimento, uma vez que nem todo o conhecimento deriva dos sentidos.
Posto isto, e pelo princípio da simplicidade, é razoável acreditar que existe conhecimento.

David Vicente
11.º C
Imagem retirada do Google

Magia? Não. É ciência.




O tacto ouve-se?

O virtuosismo de Pamelia Kurstin mostra-nos neste vídeo a natureza fantástica dos campos físicos.

3.4.09

Será possível viver em democracia sem a praticar?












Numa democracia a soberania é exercida pelo povo directa ou indirectamente. Um discurso manipulador pretende fazer com que um auditório pense da mesma maneira que o orador, sem este lhe mostrar as razões para tal. Um discurso persuasivo tem este mesmo objectivo, no entanto, dá ao auditório razões válidas para este pensar e agir dessa forma.
Em qualquer tipo de democracia são precisos cidadãos activos e livres. É impossível a prática de uma democracia directa se os cidadãos não comparecessem ao parlamento, mas também não é possível uma democracia indirecta na qual os cidadãos não exerçam o direito ao voto. Mas, para além de activos, estes devem ser livres e independentes, críticos, para o funcionamento da democracia.
Se num sistema de democracia indirecta, certos governantes com os seus belos e funcionais discursos manipuladores impingem as suas ideias a um povo sem lhes mostrar as válidas razões, deixa de haver democracia, pois não é o povo que pensa, mas sim uma ou duas pessoas que se aproveitam das fracas capacidades dos demais para implantarem as suas ideias.
José Mateus
11.º C
Imagens Google: Banda Desenhada, Mafalda e Parlamento dos Jovens em Lisboa

2.4.09



Deus, perfeição e verdade em Descartes
Uma breve reflexão

O raciocínio cartesiano, que leva o autor a afirmar que Deus existe, baseia-se numa ideia segundo a qual é essencial a existência de um ser perfeito, que permita, através do estabelecimento de comparações, perceber o quão “imperfeito” o ser humano é. Desta forma, Descartes defende que as verdades já estão instituídas por Deus, cuja perfeição as determina.

A posição que defende que Deus impregna a razão humana com algumas verdades essenciais, não está devidamente justificada já que, do meu ponto de vista, o processo de construção de verdades se revela evolutivo, e não pré-determinado. Senão, vejamos:

É evidente que os sentidos e mesmo a razão levam muitas vezes a conclusões dúbias e precipitadas cuja falsidade mais tarde reconhecemos. Todavia, não é um facto claro e distinto que o sentido do conhecimento humano seja o da perfeição, de tal forma que tenhamos como garantido o alcance da verdade; a procura da verdade revela-se, antes, um processo dinâmico e as proposições verdadeiras, de vigência temporária. O ser humano vai, simplesmente, construindo as verdades que lhe parecem mais adequadas em cada momento do processo.

Desta forma, também não posso aceitar como plausível que concebamos clara e distintamente a existência de Deus; se reconhecermos os paradigmas de perfeição como construções racionais e não como proposições pré-determinadas por um ser perfeito, nada há que me garanta que Deus constitui uma entidade que define as orientações lógicas do meu pensamento, não se mostrando essencial a sua existência.
Em suma, Deus não passa da figura que representa uma construção utópica da evolução racional humana.



Imagens do Google: A criação de Adão, Miguel Ângelo; Caricatura de Descartes
Paulo Batista, 11ºA

31.3.09

António Damásio



Amanhã, dia das mentiras, António Damásio vai ser entrevistado na RTP1, após o Telejornal, pela jornalista Judite de Sousa.
Promete revelar as respostas às grandes questões da humanidade. Porém, é dia das mentiras!
Mesmo assim, não percam, pois trata-se de um dos cientistas portugueses mais conhecidos no mundo e de um exemplo de como se divulga ciência para leigos. Além disso, na disciplina de Psicologia é um dos autores contemporâneos estudados.

30.3.09

Uma agulha no palheiro



Crónica de Nuno Crato no Expresso, sobre a importância da Ciência e da tecnologia. Clique aqui.
Imagem Google

20.3.09

«Penso, logo existo»: crença básica ou argumento?

Existir, para Descartes, não é uma consequência do pensamento: é uma condição.
Uma coisa que pensa é um ser pensante. Inevitável será duvidar da existência de um corpo, pois esse é um conhecimento a posteriori e facilmente podemos ser iludidos. Mas a certeza do pensamento é clara e distinta e, por isso, inteiramente verdadeira; de uma forma evidente podemos concluir que existimos porque pensamos, que eu “PENSO, LOGO EXISTO”.
O pensamento toma-se como sendo o reflexo de si mesmo e de todas as coisas exteriores a si. O cogito provém do sujeito que reflecte sobre o seu próprio carácter existencial através do “eu pensante”. A substância onde o pensamento se aloja é a própria existência, pois a essência do Homem é reflectir-se a si e ao mundo exterior, como se fôssemos condenados, desde sempre e para sempre, a nada mais que isso.
De facto, Descartes sempre assegurou que o cogito é uma crença básica e auto-justificada. No entanto, não podemos negar que a presença de uma conjunção conclusiva (logo) nos alicie a considerar que a crença básica de Descartes é, afinal, um argumento ou inferência.
Mas se Descartes defendesse que o cogito não é nenhum argumento ou inferência isso não significaria que existem duas crenças básicas. Aliás, tal acontecimento é impossível, pois o “Penso”, embora seja algo que sabemos ser indubitavelmente verdadeiro, não se pode desligar do “Existo”, até porque esta última proposição carece da força da primeira para ser suficientemente clara e evidente. Ora, será que daqui se segue que “Penso” é a crença básica e “Existo” a inferência que se extrai do pensamento? É que, como qualquer homem, Descartes era falível, e podia perfeitamente estar enganado ao afirmar que o cogito era uma crença. A meu ver, este não será o caso, pelos motivos que passarei, desde já, a expor.
A relação entre pensar, ser e existir é de tal forma vincada, que dificilmente as desligamos: existir sem pensar acaba por nem ser existir verdadeiramente, e pensar sem existir é incongruente; ser, por sua vez, é o meio-termo (PENSO, logo SOU coisa pensante, logo EXISTO como coisa pensante).
Uma crença básica é toda aquela que não decorre de nenhuma inferência, se justifica a si mesma e é verdadeira em qualquer circunstância, um pouco como as crenças primitivas e a priori. Neste tipo de crenças, não é preciso o apoio de qualquer tipo de argumento para se saber alguma coisa. Ilustremos com um exemplo: da mesma forma que “um quadrado é rectângulo, logo não pode ser redondo” é uma crença básica, também o cogito o é. Aliás, se fosse um argumento seria, claramente, falacioso, pois consistiria numa petição de princípio, já que a única razão para uma figura geométrica ser redonda é não ser rectangular (ou não ter outro ângulo qualquer). E, apesar de esta ser uma crença básica, também ali observamos uma conjunção conclusiva.
Assim sendo, se a única razão para existir é pensar, tomar o cogito como argumento seria incorrer numa falácia. Esta é uma crença básica e a priori, um conhecimento primitivo que não carece de qualquer justificação, daí ser capaz de bloquear o argumento da regressão infinita da justificação exactamente devido ao facto de se auto-justificar.
Como se pode observar, Descartes cumpriu perfeitamente o propósito de encontrar uma crença básica e primitiva que sustentasse todo o edifício do saber e, note-se, não um argumento nem duas crenças, mas uma só crença: cogito, ergo sum.
Imagem: Morning Sun por Edward Hopper
Ana Luísa - 11.º B