16.7.09

Nota:


"Na Natureza nada se cria, nada se perde tudo se transforma"
Alguns posts que incluem vídeos, foram alterados. Esperamos que as alterações sejam do agrado dos nossos leitores.
Foto: Google

O mundo é a nossa casa



"HOME - Documentário da autoria do realizador francês Jeann Arthus- Bertrand, é constituído por paisagens aéreas do mundo inteiro e pretende sensibilizar a opinião pública mundial sobre a necessidade de alterar modos e hábitos de vida."

É constituído por doze pequenos vídeos de aproximadamente 10 minutos cada um.

9.7.09

Revista de Ciência

A Universidade de Aveiro criou uma revista virtual de Ciência a "CAPTAR - Ciência e Ambiente para todos".
Informação do Público On-line

Apresentação:

“A Ciência ocupa hoje um lugar de relevo no desenvolvimento das sociedades. Assim, a aquisição de competências conducentes ao desenvolvimento do pensamento científico deve ser acessível a todos os cidadãos, e não apenas aos futuros cientistas, para que todos possam ter uma participação activa nas democracias modernas. (…)

(…) Pelo facto de se encontrar facilmente acessível on-line, a Revista Captar pretende ainda assumir-se como um campo de treino e aprendizagem de jovens investigadores, já que aqui os alunos do EBS, assim como os do ensino superior podem iniciar a sua actividade de comunicação em Ciência, submetendo artigos sobre os seus trabalhos de investigação na escola e passando pelo processo de revisão por pares, bem como pela tomada de consciência das responsabilidades e benefícios associados à publicação de um trabalho científico.

Mais ainda, esta é uma revista de divulgação científica junto do cidadão em geral, que, se a explorar, tomará conhecimento sobre as principais áreas de investigação na área das ciências naturais e ambiente, desenvolvidas em diferentes laboratórios e instituições de ensino superior nacionais. (…)”
In Revista CAPTAR, Nota de apresentação

Problemas da Filosofia





















" A noção de que, num sentido mais amplo, mesmo uma vida feliz é absurda costuma ser apoiada por duas ideias. Uma delas é que vamos morrer inevitavelmente; e outra é que o universo nos é indiferente.
Examinemos separadamente estas ideias.
Que atitude deveremos ter em relação à nossa mortalidade? Obviamente, isso depende do que julgamos que acontece quando morremos. Algumas pessoas acreditam que irão viver para sempre no paraíso. A morte, portanto, é como mudar para uma casa melhor. Se acreditamos nisto, devemos pensar que a morte é boa, pois ficaremos melhor depois de morrermos. Aparentemente, Sócrates tinha esta atitude, mas a maior parte das pessoas não a tem.
A morte pode ser, pelo contrário, o fim permanente da nossa existência. Se assim for, a nossa consciência extinguir-se-á e será o nosso fim. É importante compreender o que isto significa. Algumas pessoas parecem presumir que a inexistência é uma condição misteriosa, difícil de imaginar. Perguntam «Como será estar morto?» e ficam perplexas. Mas isto é um erro. A razão pela qual não conseguimos imaginar como é estar morto é o facto de estar morto ser como nada. Não conseguimos imaginar porque não há nada para imaginar.
Se a morte é o fim da nossa existência, que atitude devemos ter relativamente a isso? A maior parte das pessoas pensa que a morte é uma perspectiva terrível. Odiamos a ideia de morrer e estamos dispostos a fazer quase tudo para prolongar a nossa vida. Porém, Epicuro disse que não devemos recear a morte. Numa carta a um dos seus seguidores, defendeu que «A morte nada é para nós», já que quando estivermos mortos não existiremos e, não existindo, nada de mal poderá acontecer-nos. Não estaremos infelizes, não sofreremos (não sentiremos medo, preocupações ou aborrecimento) e não teremos desejos nem remorsos. Logo, concluiu Epicuro, a pessoa sábia não receará a morte. Epicuro acreditava que, ao eliminar o medo da morte, estas reflexões filosóficas podiam contribuir positivamente para a nossa felicidade durante a vida.
Há alguma verdade nisto. Ainda assim, esta perspectiva ignora a possibilidade de a morte ser má por constituir uma privação enorme - se a nossa vida pudesse continuar, poderíamos disfrutar de todos os géneros de coisas boas. deste modo, a morte é um mal porque põe fim às coisas boas da vida. Isto parece-me correcto. Depois de eu morrer, a história humana prosseguirá, mas não conseguirei fazer parte dela. Não verei mais filmes, não lerei mais livros e não farei mais amigos nem mais viagens. Se eu morrer antes da minha mulher, não conseguirei estar com ela. Não irei conhecer os meus bisnetos. surgirão novas invenções e far-se-ão novas descobertas sobre a natureza do universo, mas nunca irei conhecê-las. Será composta nova música, mas não irei ouvi-la. Talvez venhamos a estabelecer contacto com seres inteligentes de outros mundos, mas não saberei disso. É por esta razão que não quero morrer e que o argumento de Epicuro é irrelevante.
Mas será que o facto de ir morrer torna a minha vida absurda? Afinal, diz-se, o que interessa trabalhar, fazer amigos e constituir família se acabaremos por deixar de existir? Esta ideia tem uma certa ressonância emocional, mas envolve um erro fundamental. Temos de distinguir o valor de uma coisa da sua duração. Estas são questões diferentes. Uma coisa pode ser boa enquanto dura, mesmo que não vá durar para sempre. Enquanto controlaram o Afeganistão, os talibã destruiram diversos monumentos antigos. Isso foi uma tragédia porque esses monumentos eram maravilhosos, e o facto de serem vulneráveis não os tornava menos valiosos. Também uma vida humana pode ser maravilhosa, mesmo que tenha de terminar inevitavelmente. Pelo menos, o simples facto de que vai terminar não anula o [seu] valor."
James Rachels, Problemas da Filosofia, (2009) Gradiva, pp. 289-291, Tradução de Pedro Galvão.
Eminente filósofo americano, (1941-2003) James Rachels ficou conhecido pela sua intervenção no debate filosófico sobre a eutanásia e sobre o relativismo moral baseado na diversidade cultural. A presente obra, aborda as principais temáticas filosóficas da actualidade e destina-se a todos aqueles que gostam de pensar por si.

O Livro Oficial do Ano Internacional da Astronomia


Informação recebida da Gradiva. Clicar na imagem para ampliar.

3.7.09

A Finitude da Vida...

(…)
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
(…)



Fernando Pessoa, Tabacaria
Retrato de Fernando Pessoa por Almada Negreiros

Será a existência humana preferível à de um seixo?

"No século XIX, Schopenhauer, conhecido como sendo o filósofo do pessimismo, acentuou o sofrimento da vida humana: ou queremos alguma coisa que não temos ou temos o que queríamos. De uma maneira ou de outra, sofremos - através da falta do que queremos ou através do tédio pela falta de querer, agora que temos o que queremos. (...)
Se Shopenhauer estiver certo, não seria melhor ser um seixo, e não ter todas as experiências? Se fôssemos seixos na praia, as ondas e os tumultos seriam (...) levados pela maré. (...)
É um erro pensar que se desenvolvermos os meios para alcançar os fins, os meios são irrelevantes, sem qualquer valor em si mesmo e que são apenas os fins que importam. O nosso objectivo pode ser alcançar o topo do monte Everest, mas nós não queremos alcançá-lo simplesmente por qualquer meio. Queremos escalar a montanha, enfrentar as tempestades de neve, persistir na luta, sempre a subir. (...)
Shopenhauer pode ter razão no seu pessimismo, no sentido de a maior parte das vidas envolverem mais sofrimento do que satisfações. Muitos sofrimentos parecem mais ou menos inevitáveis - mesmo para os que são vencedores na vida. Há perdas de família, amigos e parceiros amorosos; a percepção da perda crescente de capacidades na velhice; e muito provavelmente, a experiência directa em nós próprios dessa perda de capacidades. (...) Há a percepção do sofrimento de milhões de outras pessoas, no passado, no presente e no futuro e dos animais. (...)
Qual é o propósito disto tudo? (...) Há objectivos e propósitos na minha vida - mas qual é o propósito ou objectivo da minha vida? (...) [E qual o] propósito de uma vida infinitamente longa?
Talvez devêssemos tomar consciência de que, para alguma coisa ter valor, ela não precisa de ter um propósito. (...)
As vidas podem ser valiosoas, em particular porque são vidas de pessoas apreciadoras das características do universo, da vida e de viver. É verdade, as vidas terminam; mas será que conseguiríamos sequer enfrentar a vida eterna? A consciência da morte envolve muitas pessoas em melancolias desanimadoras e opressoras de «Qual é o propósito?» Lembremo-nos de que não pode haver um propósito acima de todos os propósitos. Os propósitos devem acabar, assim como as explicações.
Todas as coisas que valorizamos, por mais raras e pequenas que sejam, trazem um propósito ou significado às nossas vidas - as amizades, os amores e os absurdos; essas memórias de paisagens entrelaçadas de paixões partilhadas e olhares dirigidos que magicamente seduzem e envolvem; a embriaguês de vinhos e palavras, meditações inconstantes e música, com os quais nos debatemos ao entrar nas noites nebulosas e sonolentas, os nossos sentidos revitalizados por águas cintilantes, tão necessárias de madrugada; as paisagens de mar com ondas selvagens, luares misteriosos e imagens e céus amplos que ampliam o olhar - deixam todas de existir; e curiosamente as mais encantadoras são muitas vezes aquelas nas quais nos perdemos e também deixamos de existir - se elas, e nós existimos em algum momento permanece intemporalmente verdade, fora de todo o tempo. Para os amantes da eternidade, melhor do que isso é impossível."
Peter Cave, Duas vidas valem mais que uma?, (2008), Academia do Livro, pp. 207 - 210. (Texto Adaptado)



Um bom livro para férias. Boas leituras!

2.7.09

Ler Mais...

O livro que eu recomendo? "Cosmos" de Carl Sagan.
As Razões? Além de ser uma obra prima sobre ciência, "Cosmos" é Arte, Filosofia, História... um "manual" sobre cultura, de leitura agradável e acessível a todos.
São razões mais do que suficientes para o reler nestas férias e o recomendar vivamente a todos, especialmente aos nossos alunos.
"A Terra é um lugar. Não é de modo nenhum o único lugar. Nem sequer é um lugar típico, porque o cosmos está, na sua maior parte, vazio. O único lugar típico é dentro do vácuo universal, vazio e frio, a noite eterna do espaço inter-galáctico, um lugar tão estranho e desolado que, em comparação os planetas, as estrelas e as galáxias parecem dolorosamente raros e belos."
Carl Sagan, Cosmos - As Costas do Oceano Cósmico, Gradiva, Pág. 19
Foi reeditado pela Gradiva, pode comprá-lo aqui.

Concurso: Ler + Ciência





"O Ler+Ciência é uma iniciativa conjunta do Plano Nacional de Leitura, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Ciência Viva, que procura estimular a leitura de obras científicas (e de ficção científica) entre as crianças e os jovens."
O Concurso:
Cada concorrente deverá submeter uma apresentação de um livro de ciência, de divulgação ou de ficção científica, procurando suscitar o interesse de outras pessoas para a obra.
Ler mais aqui.

25.6.09

"O último homem na Lua"






Entrevista de Mário Crespo a Eugene Cernan, o último astronauta na Lua (Apollo 17).
Em astroPT.

24.6.09

Concurso: "Faz Portugal Melhor"

“FAZ PORTUGAL MELHOR!» é o concurso dirigido aos alunos do 3º ciclo e do ensino secundário para o ano lectivo 2009-2010. [Em todas as áreas científicas, a Filosofia incluída nas ciências Sociais] A ideia mobilizadora é o desafio lançado aos jovens: intervir para conhecer e melhorar o mundo que os rodeia, gostar do seu país, da sua zona e de si próprios também."
Apresentação do projecto:
«Todo o acto educativo implica uma atitude optimista. Por isso, numa época em que dominam o cepticismo e a descrença é urgente que os professores, pais e encarregados de educação transmitam aos jovens a ideia de que é possível mudar o que não está bem, compreendendo o seu papel activo e interventivo. Assim, lançamos um desafio aos nossos jovens: o desenvolvimento de projectos sobre a realidade que os rodeia, identificando problemas, propondo soluções, promovendo mudanças. Para além dos professores que orientarão os seus alunos, espera-se a colaboração no desenvolvimento dos projectos, das famílias, das instituições do ensino superior, das autarquias, empresas e associações. O site do concurso reflectirá o trabalho produzido pelos alunos e a colaboração de toda uma rede de cooperação que por certo se constituirá.»
Para aceder ao site do concurso:

23.6.09

Os computadores, poderão ter uma vida mental com pensamentos e emoções?

A ficção científica criou a ideia de um dia se poderem conceber computadores capazes de pensar. No entanto, mesmo os computadores munidos dos programas mais avançados e capazes dos feitos mais impressionantes, não têm a menor consciência do que se passa quando executam os seus programas.
A Filosofia Contemporânea da Mente tem-se desenvolvido mantendo uma relação estreita com o avanço do estudo da Inteligência Artificial. Sendo assim, será que os computadores por mais sofisticados que sejam, alguma vez conseguirão ter um a vida mental com pensamentos e emoções?
Pensamos que não. Mesmo que a Inteligência Artificial tenha sucesso em simular as capacidades cognitivas humanas, esse sucesso indicaria apenas que essas capacidades são puramente materiais (cerebrais). Sendo assim, a ideia de que é possível a vida mental de um computador, só poderá ser defendida satisfatoriamente, se através dos progressos da Inteligência Artificial, esta for capaz de simular um âmbito muito mais vasto de estados mentais humanos, o que não acontece hoje em dia.
A Inteligência Artificial tem centrado os seus esforços na simulação de capacidades cognitivas humanas - na simulação da linguagem, da percepção, reconhecimento de padrões, mas não existem tentativas de simular outras capacidades humanas, como a afectividade, a personalidade, o sentido estético ou o juízo moral. Um programa de computador não faz isso, pois é apenas um conjunto de instruções formais para manipular símbolos, não tendo compreensão em relação aos aspectos psicológicos da humanidade.
O matemático Alan Turing (1912-1954) propôs a ideia de que se um computador passasse um determinado teste, conhecido como teste de Turing então estaria provado que os estados cognitivos humanos poderiam ser replicados pelos computadores, se um computador passasse o teste teria necessariamente uma mente.
O teste proposto por Turing consistia em levar a cabo uma experiência com duas pessoas e um computador. Nesta experiência uma pessoa isolada faz uma série de perguntas que são respondidas pelo computador e pela outra pessoa. O computador passa o teste se o indivíduo que faz as perguntas não conseguir descobrir qual dos interlocutores é a máquina e qual é humano. Turing previa que os computadores estariam brevemente aptos a passar o teste, contudo, nem os computadores tecnologicamente mais avançados da actualidade são capazes de o fazer. Este facto, obviamente, não invalida o teste.
O filósofo norte-americano John R. Searle propôs em 1980, outro teste conhecido como o argumento do Quarto Chinês. Consiste numa experiência mental na qual imaginamos um sujeito, que apenas fala português, fechado num quarto com um manual sofisticado que relaciona uns caracteres chineses com outros caracteres chineses. O indivíduo pratica a manipulação destes símbolos, seguindo as regras propostas no manual. Ele torna-se capaz de responder às mensagens enviadas pelos seus guardas chineses com tal eficácia que eles não conseguem descobrir se ele é ou não, Chinês. Esta experiência põe em causa o Teste de Turing. Mostra que a implementação de um programa de computador não é por si só suficiente para a atribuição de estados mentais genuínos aos computadores.
Na avaliação de ambas as experiências (Turing e Searl) é fundamental considerar as relações entre simulação e réplica. A distinção entre estas pode não ser tão clara como usualmente se considera. De facto, quando um sistema ou um organismo exprime as mesmas respostas perante as mesmas perguntas é cientificamente justificável pôr a hipótese de que existe um sistema causal interno semelhante. Quando se fazem experiências laboratoriais em qualquer ramo da ciência toma-se como garantida a credibilidade deste método: constroem-se situações artificiais e através dos resultados atingidos nessas situações, defendem-se hipóteses acerca dos sistemas causais internos. A Inteligência Artificial pode ser considerada como um método laboratorial complexo através do qual se testam as nossas hipóteses acerca dos sistemas causais internos responsáveis pela cognição humana.
Se assim é não podemos traçar uma distinção entre simulação e réplica, entre uma posição forte em relação à inteligência artificial e uma posição fraca. Se o Teste de Turing for executado com sucesso podemos dizer que o computador simula os estados mentais, mas temos de acrescentar que, se os simula com eficácia, a melhor explicação para esse facto é a de que os replica adequadamente. Por outro lado, se a experiência do Quarto Chinês for possível, a melhor explicação para esse facto seria a de que a linguagem é apenas manipulação de símbolos e que a nossa intuição de que o indivíduo não fala Chinês está relacionada com factores exteriores à experiência. Mas a linguagem é muito mais do que mera manipulação de símbolos. Pensamos que os computadores estão muito longe de terem estados mentais idênticos ao ser humano.

Imagem retidada do Google: Hal 9000, computador consciente da nave Discovery, no filme 2001: Odisseia no Espaço (1968)
Carolina Rufino, José Carlos Mateus e Juliana Belo
11.º C

19.6.09

Outra vez o sentido da vida...

“ Naquele pontinho azul, estamos todos...

Todas as nossas guerras…
Todos os nossos problemas…
Toda a nossa grandeza e toda a nossa miséria…
Toda a nossa tecnologia, a nossa arte, os nossos feitos…
Todas as civilizações…
Todas as religiões…
Todo o nosso amor… e o nosso ódio…

Seis mil milhões de almas em constante convulsão…”

Dá que pensar!…

Foto tirada por Cassini-Huygens,
Uma nave espacial não tripulada,
em 2004, ao chegar aos anéis de Saturno.
Imagem e texto adaptado da net, encontrados sem referência ao autor.
Carl Sagan é o autor original no seu best-seller: "Ponto Azul Claro", publicado pela Gradiva.
(informação recebida do nosso leitor: Carlos)
Parte do texto original pode ser lida em astroPT, bem como o vídeo: "Pale Blue Dot" legendado em português.
Edição posterior:

18.6.09

Filosofar descontraidamente...

Desidério Murcho propõe-nos "137 máximas que visam ajudar quem quer aprender a filosofar", aqui. O livro em PDF, pode ser descarregado gratuitamente ou pago. O preço sugerido é 5€.
Boas leituras!
Imagem: Van Gogh, Livros

15.6.09

Ainda o sentido da vida...

Durante a nossa existência, somos muitas vezes confrontados com o problema do sentido da vida procurando insistentemente a resposta. Será que vale a pena viver? A vida tem sentido? Se sim, será subjectivo ou objectivo? Vamos procurar responder a este problema ao longo deste ensaio. A nossa finalidade é defender que a vida tem sentido, porém não assumimos uma perspectiva totalmente objectiva.
Antes de iniciarmos uma reflexão mais profunda, é necessário esclarecer alguns conceitos envolvidos neste problema. O primeiro passo é esclarecer o que é o sentido da vida e compreender o problema em questão. Neste contexto, podemos querer enunciar dois aspectos do problema quando nos referimos ao significado da existência: podemos estar a falar da finalidade da nossa vida ou podemos estar a falar do seu valor.
Assim, é premente distinguir dois tipos de finalidades através da exemplificação: por um lado, caso nos perguntem porque apanhámos o metro para ir para o centro comercial ontem, responderemos que fomos às compras; porém, podem ainda questionar o porquê desta ida, e assim sucessivamente até ao infinito. Nesta circunstância, temos um objectivo instrumental, ou seja, algo que se faz porque se tem em vista outra coisa. Por outro lado, ao perguntarem porque comemos chocolate, afirmaremos que o fazemos porque nos dá prazer. Ora, neste caso temos uma finalidade última, uma finalidade em sim mesma, situação na qual não vale a pena exigir mais perguntas porque não faz sentido perguntar com que finalidade estamos a comer chocolate.

Contudo, é errado pensar que este problema se desenrola na procura de uma única e última finalidade da nossa vida. Ao reflectir, sabemos que não é essa finalidade que dará sentido à nossa existência, já que no nosso dia-a-dia nos deparamos com várias finalidades últimas, visto que fazemos várias coisas aprazíveis.
Posto isto, é fácil compreender que falta algo para dar realmente sentido à nossa vida. Este aspecto é o valor intrínseco das nossas acções. Todavia, ao chegar a este ponto, deparamo-nos com uma dificuldade: é certo que existem acções que têm valor intrínseco para uns e não para outros. Este valor confere ao sentido da vida um carácter subjectivo.
No entanto, este ponto não indica que o sentido atribuído à vida seja totalmente subjectivo. É certo que o sentido da nossa vida não se deve centrar apenas no mundo exterior, mas também na nossa realização pessoal, objectivos e tudo o que nós somos enquanto indivíduos singulares. Porém, identicamente, não podemos pensar só em nós, pois não vivemos isolados do mundo.
Ora vejamos: neste momento estamos a estudar com o objectivo de entrarmos na Faculdade de Arquitectura. É óbvio que não conseguiríamos fazê-lo com sucesso sem a ajuda dos outros (professores, colegas, …). No entanto, temos também de dar bastante de nós para alcançarmos o pretendido e fazêmo-lo apenas por interesse pessoal.
Assim consideramos ser necessário encontrar um equilíbrio entre estes dois pontos de vista, dado que nenhum deles se adequa devidamente à realidade. É preciso encarar a vida com objectivos, sem nunca nos esquecermos da felicidade pessoal. Pensamos que só assim poderemos dar algum sentido à nossa existência.

Fontes consultadas:
ALMEIDA, Aires. Dicionário da Filosofia, Plátano Editora, Colecção Filosofia Prática, Lisboa, 2003;
ALMEIDA, Aires e MURCHO, Desidério. A Arte de Pensar - 11º ano, Didáctica Editora, Lisboa, 2008.
RUSS, Jaqueline. Dicionário de Filosofia, Didáctica Editora, Coimbra, 2000;
REIS, Alfredo. O existencialismo, Atlântida, Biblioteca da Filosofia, Coimbra, 1997;
Imagem: Claude Monet, «Garden Path at Giverny»
Beatriz Silva e Beatriz Serrazina
11ºF

13.6.09

Seremos moralmente responsáveis, de uma forma directa, pela preservação do ambiente?


O problema da responsabilidade moral para com o meio ambiente é um problema de ética aplicada, mais especificamente no ramo da ética ambiental. Envolve várias questões tais como: “Teremos alguma obrigação moral de preservar o meio ambiente?”, o tema central desta dissertação; “Haverá algo de errado com a extinção das espécies?” ou “Será moralmente aceitável impedir o desenvolvimento industrial dos países pobres de forma a evitar o aumento da poluição?”. Estas questões são importantes, uma vez que a sobrevivência tanto de animais como de plantas é altamente dependente da manutenção da qualidade das condições ambientais.
Para debater problemas ambientais é necessário, primeiramente, reunir informação empírica para apurar os argumentos relevantes para o problema a tratar.
Analisemos o que nos diz Peter Singer:

(...)“Um rio serpenteia por entre ravinas cobertas de floresta e gargantas escarpadas em direcção ao mar. A comissão hidroeléctrica estatal considera as quedas de água energia não aproveitada. A construção de uma barragem numa das gargantas proporcionaria trabalho durante três anos a 1000 pessoas e emprego a longo prazo para 20 ou 30. A albufeira armazenaria água suficiente para garantir que o estado satisfaria de forma económica as suas necessidades energéticas da década seguinte. Esta situação fomentaria o estabelecimento de indústrias de energia intensiva, contribuindo assim ainda mais para o emprego e crescimento económico.
O terreno acidentado do vale do rio só permite o acesso a pessoas de razoável condição física, mas é, apesar de tudo, um lugar predilecto dos que gostam de passear pelo bosque. O próprio rio atrai os mais ousados praticantes de desportos radicais, como o rafting. No coração dos vales abrigados encontram-se manchas de uma espécie rara de pinheiros, tendo muitas das árvores uma idade superior a 1000 anos. Os vales e desfiladeiros abrigam muitos animais e aves, incluindo uma espécie em perigo de rato marsupial, que raramente se vê fora do vale. Pode haver muitos outros animais e plantas raros, mas ninguém sabe ao certo porque os cientistas ainda não estudaram esta região a fundo.
Será que se deve construir a barragem
?” (...) (Ética Prática, 1993)

Para responder à questão levantada por Singer, podemos adoptar vários argumentos distintos. Os apologistas da ética antropocêntrica defendem que apenas os seres humanos têm valor intrínseco, ou seja, só a nossa espécie merece ser considerada de um ponto de vista ético e moral nas decisões a tomar acerca das políticas ambientais. Assim, só as decisões que lhes são convenientes e lhes proporcionam mais-valias devem ser tidas em conta. Alguém que defenda esta perspectiva ética seria da opinião de que a barragem deveria ser construída, uma vez que as vantagens para o ser humano seriam bastante superiores às desvantagens. Qualquer tipo de consequências negativas para os seres vivos não-humanos, seriam ignoradas, pois estes não têm, aos olhos dos antropocentristas, estatuto moral. No entanto, esta posição é bastante discutível mesmo no seio desta perspectiva ética, pois se pensarmos nas gerações futuras, veremos que estas serão mais relevantes em termos de número do que aquelas que irão usufruir dos ganhos imediatos desta construção. Assim, segundo esta perspectiva, a construção da barragem seria inaceitável.
Contudo, este ponto de vista da ética ambiental deixa-nos uma questão: por que razão serão os seres humanos os únicos a ter valor intrínseco? Para alguns filósofos, o nosso valor intrínseco advém de capacidades como o poder de escolha racional e o uso coerente da linguagem. Mas, desta forma, estaríamos a excluir alguns seres humanos desprovidos de tais aptidões, como é o caso dos bebés e dos portadores de insuficiências mentais. Jeremy Bentham, filósofo crítico da ética antropocêntrica, propôs que um ser tem valor intrínseco quando possui a capacidade de sentir dor, isto é, quando é um ser senciente. Deste modo todos os seres tanto racionais como irracionais teriam valor intrínseco.
Esta perspectiva é conhecida como ética da vida senciente. Apesar de estabelecer que todos os animais sencientes devem ser considerados moralmente, estes podem ser hierarquizados. Citando novamente Peter Singer, “Podemos (…) encarar a morte de um animal não humano (…) como menos significativa do que a morte de uma pessoa, dado que os seres humanos são capazes de prever e planear o futuro de uma forma que não está ao alcance dos animais não humanos.(Ética Prática, 1993).
Para analisarmos o problema da construção da barragem tendo em conta as ideias desta teoria, seria necessário abranger não só os interesses das gerações presentes e futuras da espécie humana, mas também os de todos os seres sencientes. Podemos então aferir que os terrenos circundantes do local para o qual a barragem está projectada apresentarão maiores benefícios e terão um maior valor, tanto para as gerações actuais como vindouras não só dos seres humanos, mas também de todos os seres sencientes, se esta obra não for efectuada. Assim, será eticamente aceitável sobrevalorizar os seres sencientes, em detrimento dos seres não sencientes, como as árvores?
Quem defende a ética da vida, segundo a qual todos os seres vivos têm valor intrínseco, embora com estatuto moral diferente (tal como o filósofo americano Paul Taylor), afirma que o que concede significado moral a um organismo não é só a capacidade de sentir dor nem o facto de ser consciente, mas sim o de ter uma finalidade.
Assim sendo, aplicando a ética da vida ao problema anterior, teremos de considerar não só os interesses dos seres sencientes, mas de todos os seres vivos hipoteticamente afectados pela construção da barragem.
Posto isto, consideramos a construção da barragem inexequível, já que a ética da vida reforça também a tese defendida pelos éticos da vida senciente, pois engloba os interesses não só de uma fracção de seres vivos, mas da totalidade das populações da área envolvente. Embora os argumentos da ética da vida senciente e da ética da vida convirjam na solução do problema levantado, noutros casos poderão dar azo a posições divergentes.
Pelo que ficou exposto, consideramos que, embora radical em algumas situações, a ética da vida, se moderada, é a que nos parece mais adequada.
Referências Bibliográficas:
ALMEIDA, A. et all; A Arte de Pensar; Filosofia 11º Ano; 2ª Edição; Didáctica Editora; 2008; pp. 231-242
SINGER, P.; Ética Prática; 2ª Edição; Gradiva; 2002; pp. 287-301
Imagem retirada do Google sem referência ao autor
David Vicente, Miguel Lopes e Tatiana Ladeira
11. C

12.6.09

Será que a vida tem sentido?

Saber se a vida tem sentido é uma questão difícil de interpretar, tornando-se num tema "obscuro" e simultaneamente central relativamente à nossa existência. Quanto mais concentramos a nossa capacidade crítica nesta questão, mais consciência temos sobre a dificuldade da sua resposta. Provavelmente, desde o momento em que nascemos não questionamos se valerá a pena viver ou se algo importante resultará da nossa existência, aceitamos que o propósito da vida é simplesmente viver. No entanto, a necessidade de compreender o sentido da vida é profunda e universal, apontando qualidades da mente que são, possivelmente, fulcrais para a existência humana. Por esta razão, a questão que se levanta é importante, e devia ter uma resposta significativa. Quando procuramos o sentido de palavras recorremos à sua utilidade no contexto em que é inserida, porém, a vida não é um elemento num sistema de comunicação. Assim, a questão em causa, procura encontrar um objectivo e uma razão para a vida e investigar acerca do seu valor.
Para interpretar a questão do sentido da vida é importante compreender alguns conceitos base que ajudam à definição do problema em causa, tais como: finalidade e valor. Uma actividade só tem sentido se tiver uma finalidade que pode ser última ou instrumental. A primeira diz respeito a uma acção que não tem outro fim se não ela mesma. A segunda refere-se a algo que é realizado quando se tem outra coisa em vista. Por exemplo, podemos apanhar um comboio para nos dirigirmos à universidade, e nesse caso, a nossa viagem é uma finalidade instrumental. Contudo, se viajarmos de comboio apenas para satisfazer o nosso desejo, então, esta é uma finalidade última. O sentido das nossas actividades está ainda dependente do seu valor. Este pode ser intrínseco ou instrumental, dependendo se tem valor por si ou se tem valor em função de ser um meio para alcançar o que tem valor por si, respectivamente. Para além disto, pode distinguir-se valor subjectivo – se a pessoa envolvida na acção pensar que esta tem valor – e valor objectivo – se tiver realmente valor.
Assim, para que uma actividade tenha sentido tem que ter uma finalidade que por sua vez tem também que ter valor. No entanto, este sentido tanto pode ser objectivo (se tiver realmente sentido) como subjectivo (se quem desempenhar a acção pensar que esta tem sentido).
A questão do sentido da vida torna-se agora mais clara. No entanto, como a reposta é de difícil alcance surgiram algumas perspectivas que pretendiam solucionar o problema. Por um lado, há aqueles que defendem que a vida não tem sentido uma vez que somos mortais: edificamos algo durante todo o nosso percurso para que, no fim, tudo se desvaneça. Para estes, o facto de sermos efémeros destrói os objectivos que propomos para a nossa vida. Há ainda quem defenda que a vida não tem sentido apesar de não considerarem o aspecto de sermos mortais, como é o caso de Camus. Nesta perspectiva, é considerado o facto do universo ser inexpressivo: a nível cósmico, o mundo/a nossa existência pode ser indiferente. Assim, surge um conflito entre o que exigimos/pressupomos acerca do nosso lugar no universo e a realidade da situação, tornando, para alguns filósofos, a vida absurda.
No entanto, praticamos acções no nosso quotidiano que não têm em conta qualquer significado cósmico. Parece-nos ainda que a mortalidade não tira o sentido à vida. Há, de facto, quem considere que a vida tem sentido se existir um ser divino que assegure a nossa felicidade plena após a morte e que só este ser é responsável pelo planeamento do aparecimento da vida no mundo. Aqui, a morte funciona como princípio e não como fim.
Para além deste ponto de vista, surgiram duas perspectivas filosóficas que defendem também que a vida tem sentido. A perspectiva subjectivista defende que, para que a vida humana tenha sentido, basta que a pessoa lhe atribua um valor subjectivo, ou seja, basta que a própria pessoa se sinta feliz. A perspectiva objectivista, em oposição, afirma que uma vida tem sentido quando cultiva valores objectivos, isto é, uma vida que se entregue a projectos que procurem acrescentar algum valor ao mundo. Para esta perspectiva o valor objectivo é necessário, mas não exclui o valor subjectivo.
No entanto, ambas as perspectivas apresentam algumas objecções. De facto, o subjectivismo ao fazer coincidir a felicidade própria com o sentido da vida, cria algumas fortes incoerências. Na verdade, questionar se uma vida tem sentido é diferente de questionar se uma vida é ou não satisfatória. Para além disto não podemos considerar apenas o sentido subjectivo da vida, já que somos seres inseridos numa sociedade, fazendo parte de uma cadeia na qual somos, directa ou indirectamente, peças fundamentais, dada a importância que temos para “o outro” e que, consequentemente, estes têm para nós.
À semelhança da perspectiva anterior, também o objectivismo apresenta algumas contrariedades. A transitoriedade parece destruir o sentido da vida já que se tudo for transitório, os valores e as finalidades também o serão. No entanto, a objectividade não é o mesmo que a permanência: o sentido que essa vida teve no passado não pode ser destruído já que existiu objectivamente no passado, apesar de não existir no presente, respondem os defensores do objectivismo. A oposição ao objectivismo anteriormente exposta deixa antever uma outra crítica à mesma teoria: só uma vida imortal poderá impedir a destruição do sentido. No entanto, uma vida imortal parece também ser destituída de sentido. De facto, se prolongar uma mesma actividade ou conjunto de actividades torna-se monótono, fazê-lo eternamente destrói-lhes o sentido. Assim, alargar até ao infinito uma vida com sentido acabará na destruição do mesmo.
Em conclusão, e após a apresentação das teorias filosóficas que procuram responder a este problema, confirmamos a dificuldade de chegar a uma resposta que englobe todos os aspectos que consideramos relevantes, quando se discute o problema do sentido da vida. De facto, os exemplos de vidas que consideramos, indubitavelmente, com sentido (ex. luta pela paz) são tanto subjectivamente valiosas como dignas de louvor se julgados segundo aspectos exteriores aos próprios agentes. As vidas que nos são descritas como tendo sentido (apesar do conceito poder ser discutível, como se viu) são vidas nas quais há uma estrita relação entre os interesses reais de uma pessoa e o conjunto de coisas que são dignas de interesse. O sentido surge quando a atracção subjectiva se relaciona com o que objectivamente desperta o interesse.
Para além disto, consideramos que o sentido da vida não está no alcançar o objectivo a que nos propomos em determinado momento, mas sim no interesse e empenho que pomos na caminhada para o alcançar. O interesse será assim a justificação e o sentido para determinada actividade. Provavelmente seria assim que pensariam aqueles que, na antiguidade, construíram um grande edifício ao verem que o que resta hoje são escombros soterrados.
Consideramos ainda que o sentido da vida está no nosso interior mas isto não quer dizer que estejamos apenas à procura da felicidade própria. Na verdade sentimo-nos, muitas vezes, mais felizes por proporcionar a felicidade àqueles que nos rodeiam. Para além disto, concluímos que o sentido da vida está nos pormenores: o sorriso do filho é tudo para a mãe, uma carícia é a tranquilidade para o amante, uma mudança de frase é a evolução para o escritor, um passo é o triunfo do atleta. Assim, a análise das teorias e das respectivas objecções, em conjunto com a nossa própria opinião anteriormente exposta, revela que a perspectiva que surge como a mais coerente é a objectivista.
Imagens retiradas do Google: Caspar David Fiedrich, Viajante acima das nuvens e Apolo 8, Terra vista da Lua.
Catarina Marquez, Filipa Serrazina e Marta Carvalho
11.º C

5.6.09

A casa que os filósofos construíram








"A filosofia assemelha-se muito a uma casa que se constrói sobre estacas num rio. Nessa casa podemos fazer todo o género de coisas — construir coisas, movê-las de um lado para o outro — mas estamos sempre cientes de que a estrutura é suportada por pilares assentes em algo potencialmente e amiúde realmente inconstante. A filosofia desce repetidamente para ver como estão as coisas perto da base dos pilares e na verdade inspecciona os próprios pilares. As coisas podem precisar de mudança lá em baixo. Para os filósofos isto não é apenas a natureza da filosofia mas a condição intelectual genuína da humanidade. É a filosofia que presta uma atenção detalhada a essa condição e a leva a sério. Isto em vez de a ignorar ou resolvê-la de um modo sofístico. "

John Shand

3.6.09

O que nos "diz" a obra de arte?


Da autoria de Salvador Dalí este quadro intitula-se “Sono”. É uma pintura abstracta, não figurativa que transcende as aparências imediatas.
O pintor utilizou a técnica de óleo sobre tela com uma coloração intermédia contrastando entre o claro e o escuro. Tanto usa o branco, como o preto no fundo… utiliza também o sfumato, execução vaporosa de figuras cujos contornos estão esbatidos, criando uma composição surpreendente.
Salvador Dalí, é conhecido por ser um dos mais conceituados pintores surrealistas. Em "Sono", Dalí recriou uma cabeça grande e mole sem corpo, parecendo uma peça de roupa flutuando ao vento ao mesmo tempo que se mostra pesada em contraste com os pilares que a sustêem.
De forma rectangular, o quadro apresenta linhas muito finas, quase invisíveis, na composição principal. A maneira como o quadro está desenhado e a forma como as linhas estão expostas mostra algum movimento como se aquele “sono” profundo flutuasse num sonho. As cores frias, parecem revelar alguma tristeza e cansaço; a perspectiva muito suave e calma mostra-nos uma serenidade desencantada perante os contrastes de que é feita a vida, a sua leveza cósmica e o peso da sua existência individual.

Inês Luis
10.º I (A.I.)