Usamos, no dia-a-dia o termo acção, para designar movimentos e os seus resultados, Assim falamos da acção das chuvas, das marés e assim por diante. Também é habitual pensar na acção identificando-a com comportamentos observáveis. Neste contexto opomos por vezes acção a reflexão. Esta seria assim um processo interior, subjectivo; a acção, um comportamento físico, concreto e observável.
Ter autonomia de espírito, ter consciência do mundo e fazer fazer escolhas próprias é melhor, de longe, do que ser passivamente feliz em prejuízo destas coisas. (Anthony Grayling)
16.11.09
O que é uma acção?
Usamos, no dia-a-dia o termo acção, para designar movimentos e os seus resultados, Assim falamos da acção das chuvas, das marés e assim por diante. Também é habitual pensar na acção identificando-a com comportamentos observáveis. Neste contexto opomos por vezes acção a reflexão. Esta seria assim um processo interior, subjectivo; a acção, um comportamento físico, concreto e observável.
15.11.09
Seremos livres?
Se fazemos aquilo que queremos, então agimos em liberdade.Prémio Paz 2009
Ramin Jahanbegloo é um filósofo iraniano, professor na Universidade de Toronto, que recebeu o prémio Paz 2009, atribuído pela Associação das Nações Unidas de Espanha. Este prémio foi-lhe atribuído pela intensa actividade intelectual e política na defesa da não-violência, liberdade de pensamento e diálogo intercultural.12.10.09
Hipátia uma filósofa em Alexandria
Os nossos alunos, estranhando a ausência de figuras femininas na história da filosofia, perguntam por vezes se nunca houve nenhuma filósofa. A resposta é sim. Além das muitas filósofas da actualidade, existiu Hipátia. Filósofa e matemática, nascida e educada em Alexandria, mais tarde em Atenas, onde estudou na Academia Neoplatónica, voltando depois a Alexandria para ocupar a cadeira de Plotino na Academia desta cidade. Esforçando-se por pôr em prática o ideal helénico: "Mente sã em corpo são", praticou também ginástica. Aos trinta anos já era directora da Academia. Foi também inventora, sendo-lhe atribuída a invenção do Astrolábio e do Planisfério por exemplo.
Soube, através do blog De Rerum Natura, que vai estrear: "Agora" um filme sobre a vida de Hipátia ou Hipácia; nascida em 370 e assassinada em 415, quando contava 45 anos de idade.
O filme é do realizador Alejandro Amenabar e tem Rachel Weisz no papel de Hipátia. Conta ainda com as participações de Oscar Isaac, Max Minghella, Ashraf Barhom, Michael Lonsdale, Rupert Evans e Howayouh Ershadi.
Uma excelente oportunidade para conhecer melhor esta mulher e a época em que viveu.
Sobre esta época escreveu Carl Sagan no seu livro "Cosmos":
"Há cerca de 2000 anos, emergiu uma civilização científica esplêndida na nossa história, e a base era em Alexandria. Apesar das grandes chances de florescer, ela decaiu. A última cientista foi uma mulher, considerada pagã. O nome era Hipácia. Com uma sociedade conservadora a respeito do trabalho da mulher e do seu papel, com o aumento progressivo do poder da Igreja, formadora de opiniões e conservadora quanto à ciência, e devido a Alexandria estar sob domínio romano, após o assassinato de Hipácia, em 415, a biblioteca de Alexandria foi destruída. Milhares dos seus preciosos documentos foram queimados e perdidos para sempre, e com ela todo o progresso científico e filosófico da época."
Um filme a não perder.
9.10.09
COMO LER OS TEXTOS?
«Quando lemos um texto de um filósofo devemos procurar o seguinte:
1. Que problema ou problemas está o filósofo a tentar resolver?
a) Como podemos formular de forma rigorosa o problema? Haverá formas subtilmente erradas de formular o problema, talvez semelhante à correcta mas enganadora?
b) Por que razão é esse problema importante? Será mesmo importante? Que diferença faz? Não será apenas uma confusão? Por que razão é uma confusão? E porque razão não é uma confusão?
2. Que teoria propõe o filósofo para resolver o problema?
a) Como poderemos formular e articular rigorosamente essa teoria? Quais são os aspectos mais subtis, que por isso mesmo nos podem escapar?
b) Será essa teoria adequada para resolver o problema? Será uma teoria aceitável? Que consequências tem? Quais são os seus pontos fracos? Quais são os seus pontos fortes?
c) Que outras teorias existem para resolver esses problemas? Será que esta teoria que estamos a estudar é melhor que qualquer outra? Porquê? Que vantagens tem (…) em relação às outras? E que desvantagens tem?
3. Que argumentos apresenta o filósofo?
a) Como podemos formular da forma mais rigorosa possível os argumentos centrais do filósofo?
b) São esses argumentos sólidos? Ou são falaciosos? Ou baseiam-se em premissas inaceitáveis? Se são inaceitáveis, por que razão?
c) Que outros argumentos podemos avançar para apoiar ou refutar as ideias do filósofo? Apresenta o filósofo alguns contra-argumentos aos argumentos que podemos avançar contra ele? Ou ignora-os por completo?
Ler os textos dos filósofos sem fazer estas perguntas é empobrecedor e transforma a filosofia num velório de Grandes Filósofos Mortos, em que nos limitamos a repetir as suas ideias sem as perceber muito bem. »
Desidério Murcho, A natureza da filosofia e o seu ensino, Plátano Edições Técnicas, Colecção Aula Prática, 1ª edição, Lisboa, 2002, pp 91-92.
6.10.09
A plasticidade da experiência humana ...
Lucas Murray, uma criança invisual que aprendeu a utilizar a audição para "ver". Um processo de ecolocalização semelhante ao dos morcegos.
4.10.09
Sobre a Arte e Sobre a Vida

Pela companhia Artistas Unidos, na sala principal do Teatro Municipal de S. Luís. Texto (de 1921) de Luigi Pirandello , tradução Mário Feliciano e Fernando José Oliveira, encenação Jorge Silva Melo, cenografia e figurinos Rita Lopes Alves e Luz Pedro Domingos. Com João Perry, Sylvie Rocha, Lia Gama, Pedro Gil, Cândido Ferreira, Pedro Luzindro, Alexandra Viveiros, John Romão, Vânia Rodrigues, António Simão, entre outros, e a participação especial de Mariema. Para maiores de 12 anos. De Quarta a Sábado às 21h00 e Domingo às 17h30; até 18 de Outubro.
Quando a acção começa, o que se vê em cima do palco é um ensaio de teatro. Encenador, produtor, técnicos e actores preparam-se: há ordens dadas alto, aquecimentos de voz, passos de dança, cenários a passar… até que entra uma família de luto que se anuncia como seis personagens à procura de um autor. Viveram um drama e agora vivem outro por terem sido abandonadas pelo seu criador e não haver autor para contar as suas vidas.
“Acredite, somos seis personagens fantásticas, se bem que à deriva”, diz o pai (João Perry) ao encenador incrédulo, que pergunta: “Mas onde é que está a peça?” e surpreendentemente a resposta é “ Está em nós, somos nós.”
A situação é tão bizarra que provoca sorrisos no palco e na plateia: como não há quem aproveite estas figuras, elas deambulam oferecendo-se e tentando convencer o encenador a “continuar as suas vidas interrompidas”, expondo a injustiça e o mérito dramático da sua condição.
Entre o absurdo da conversa compreende-se, com surpresa, o propósito de Pirandello: reflectir a arte enquanto representação da vida, pondo à prova o teatro e todo o talento maior dos actores que nunca chegará para representar a vida e a tragédia destas personagens que a vivem e revivem, repetidamente, presos ao papel que foi escrito para elas e cujo fim desconhecem. O que é vida e o que é ilusão? Para as seis personagens a realidade são elas e “o palco um lugar onde se brinca às verdades”, sem nunca sequer chegar à realidade. Não querem ser representadas pelos actores da companhia. Afinal, como alguém poderia representar melhor a vida de uma personagem do que ela própria?
Por outro lado, Pirandello conduz-nos a uma reflexão sobre a vida e a angústia do homem que busca a compreensão de si e da realidade e se reconhece só e abandonado à sua sorte pelo “autor” que, depois de o criar a ele e ao seu mundo, parece nada lhe dizer em relação àquilo que deve ser a sua conduta ou qual o sentido que deve dar à sua vida, vendo-se assim obrigado a deambular pela vida à procura de si próprio.
A não perder.
3.10.09
Poderemos recusar o filosofar?
Sócrates e Platão Desidério Murcho, (2006), «O Tempo e a Filosofia», Pensar Outra Vez, pág.177, in Criticamente, Artur Polónio e outros, Filosofia 10.º ano, Porto Editora
25.9.09
Ciência e Filosofia
20.9.09
A relação mente/corpo
Ego é o percurso desconcertante de Alex, um neurologista que não acredita na ideia de identidade - "nem essência, nem ego, nem Eu"- mas que, depois de uma experiência que corre mal, "uma viagem num teletransporte tipo Star Trek", se vê privado da vida com a mulher e acaba a questionar tudo. Alice tem um tumor no cérebro ,"Um glioma borboleta! Soou como uma coisa maravilhosa." que vai começar a afectá-la e a fazê-la perder mesmo a consciência da identidade do marido. A chave do problema é discutida pelo pai de Alice, Derek, que trabalha com Alex nas mesmas experiências científicas. O que começa por ser uma peça teórica sobre o cérebro acaba numa angustiante viagem emotiva. Se isso existe, esta peça é um “poema neurológico” , como o poema de Emily Dickinson com que Alex se declarou a Alice.
Um texto muito interessante, muito bem interpretado e com uma encenação clara e concisa no desejo de criar um espectáculo inteligente, capaz de nos espevitar o cérebro (ou mente) . A não perder.
14.9.09
O que é a Filosofia?
Para muitas pessoas, esta é uma actividade que dá imenso prazer. (...) Há mesmo quem pense que: "uma vida não examinada não merece ser vivida."
O Regresso às Aulas.
Começaram as aulas!Os professores de Filosofia desejam, a todos os alunos, um excelente ano de trabalho, cheio de boas experiências e muita diversão.
Aproveitamos para renovar o nosso convite à participação de todos no Logos-ecb.
11.9.09
Homenagem
A todas as vítimas da ignorância e irracionalidade humanas.
9.9.09
Filosofia com Crianças
7.9.09
Encontro de Filosofia Antiga
Congresso de Filosofia

5.9.09
Sobre a Liberdade
4.9.09
Concurso: "Cassini Scientist for a Day"
3.9.09
Ética e Sociedade Global
Georg Baselitz, Forest upside-down, 1969A reflexão sobre o modo como devemos viver, sobre o bem e o mal ... tem sido uma constante no pensamento filosófico. Já Platão e Aristóteles reflectiram sobre estes problemas. Porém, é no início dos anos setenta que a ética prática ganha importância a par da ética normativa. Isto deve-se em parte a mudanças no seio da filosofia - uma concepção mais aberta da actividade filosófica que considera as discussões metaéticas insuficientes porque inoperantes e à emergência do debate público de problemas como: a eutanásia, o aborto, manipulação genética, liberdade de expressão, exclusão social, fome, justiça social, guerra, terrorismo, problemas decorrentes do avanço da tecnologia, problemas ambientais … e tantos outros. Todo o domínio da ética está em mudança.
Para podermos argumentar séria e cuidadosamente, de modo informado, é fundamental conhecer contextos, possuir toda a informação empírica e filosófica relevante. Conhecer as teorias éticas mais importantes, até porque nenhuma teoria tem aplicação completa em todos os domínios da vida. Uma solução deontológica pode ser boa para resolver o problema da liberdade de expressão e não ser adequada para resolver o problema da justiça retributiva.
No mundo global, os desafios são mais que muitos e os problemas não conhecem fronteiras. Mas podemos colocar a tecnologia ao serviço da ética global da justiça e da responsabilidade. Esta é a posição defendida por Gordon Brown, neste vídeo:
(Com tradução em português do Brasil, para o efeito clicar em view subtitles)






