11.1.10

Pitágoras e a música

Pitágoras (c. 580-500 a.C.), é considerado um dos primeiros filósofos a par de Tales de Mileto (c. 624-546 a.C.), sendo ambos igualmente os fundadores do que hoje chamamos «ciência» (que eles não distinguiam da filosofia). Consta que foi Pitágoras o primeiro a usar a palavra filósofo. Quando lhe chamaram sábio, respondeu que era mais um filósofo que significa literalmente «o que ama a sabedoria».

O problema do conhecimento

Em filmes como: Matrix, 13.º Andar ou Desafio Total, é explorada a possibilidade de vivermos uma realidade virtual induzida por um super-computador. As pessoas que estão na Matrix, por exemplo, são levadas a pensar que vivem num mundo físico com edifícios, condições atmosféricas e automóveis, mas esse mundo existe apenas na sua mente. (…)
Suponha que alguém sugere que somos essas pessoas (…), que a nossa «vida» não passa de uma ilusão. Isto parece absurdo. Mas como podemos provar que é falso? (…) O nosso conhecimento do mundo que nos rodeia baseia-se nas nossas experiências subjectivas – as sensações visuais, auditivas e tácteis que temos sempre que estamos acordados. Mas por que razão temos essas experiências? Eis duas explicações possíveis:
Primeira explicação. Temos experiências porque estamos a interagir com uma realidade que é mais ou menos correctamente representada no conteúdo dessas experiências. Vemos uma bola vermelha, por exemplo, porque existe uma bola vermelha diante dos nossos olhos. A luz da bola atinge os nossos olhos, iniciando uma série de acontecimentos no nosso sistema nervoso que culmina nos acontecimentos cerebrais que causam a experiência. O resultado de todo o processo é ficarmos com crenças verdadeiras sobre o mundo que nos rodeia. (…) Por vezes podemos ser enganados, mas isso não costuma acontecer.
Segunda explicação. Temos experiências porque somos um cérebro numa cuba. E o nosso cérebro está ligado a um computador que envia sinais que nos levam a ter essas experiências. Parece que vemos uma bola vermelha no espaço que está diante dos nossos olhos, mas essa bola não existe realmente. Esse espaço não existe. Na verdade não temos olhos, todo o processo tem como resultado sermos sistematicamente enganados.
Obviamente, todos acreditamos que a primeira explicação é correcta e que a segunda não passa de uma fantasia. Mas por que razão pensamos isto? A partir do momento em que distinguimos a) as nossas experiências e b) o mundo que nos rodeia, podemos perguntar como se relacionam. Como sabemos que as nossas experiências representam correctamente o mundo? Será que esta crença está justificada? Se está, qual é a justificação? (…)
James Rachels, Problemas da Filosofia (texto adaptado), Tradução de Pedro Galvão e Revisão de Aires Almeida, Ed. Gradiva, pág. 206-208

10.1.10

Liberdade?

Vou contar-te um caso dramático. Já ouviste falar das térmitas, essas formigas brancas que, em África, constroem formigueiros impressionantes, com vários metros de altura e duros como pedra? Uma vez que o corpo das térmitas é mole, por não ter a couraça de quitina que protege outros insectos, o formigueiro serve-lhes de carapaça colectiva contra certas formigas inimigas, mais bem armadas do que elas. Mas por vezes um dos formigueiros é derrubado, por causa de uma cheia ou de um elefante (os elefantes, que havemos nós de fazer, gostam de coçar os flancos nas termiteiras). A seguir, as térmitas-operário começam a trabalhar para reconstruir a fortaleza afectada, e fazem-no com toda a pressa. Entretanto, já as grandes formigas inimigas se lançam ao assalto. As térmitas-soldado saem em defesa da sua tribo e tentam deter as inimigas. Como nem no tamanho nem no armamento podem competir com elas, penduram-se nas assaltantes tentando travar o mais possível o seu avanço, enquanto as ferozes mandíbulas invasoras as vão despedaçando. As operárias trabalham com toda a velocidade e esforçam-se por fechar de novo a termiteira derrubada... mas fecham-na deixando de fora as pobres e heróicas térmitas-soldado, que sacrificam as suas vidas pela segurança das restantes formigas. Não merecerão estas formigas-soldado pelo menos uma medalha? Não será justo dizer que são valentes?

Mudo agora de cenário, mas não de assunto. Na Ilíada, Homero conta a história de Heitor, o melhor guerreiro de Tróia, que espera a pé firme fora das muralhas da sua cidade Aquiles, o enfurecido campeão dos Aqueus, embora sabendo que Aquiles é mais forte do que ele e que vai provavelmente matá-lo. Fá-lo para cumprir o seu dever, que consiste em defender a família e os concidadãos do terrível assaltante. Ninguém tem dúvidas: Heitor é um herói, um Homem valente como deve ser.

Mas será Heitor heróico e valente da mesma maneira que as térmitas-soldado, cuja gesta milhões de vezes repetida nenhum Homero se deu ao trabalho de contar? Não faz Heitor, afinal de contas, a mesma coisa que qualquer uma das térmitas anónimas? Por que nos parece o seu valor mais autêntico e mais difícil do que o dos insectos? Qual é a diferença entre um e outro caso? Muito simplesmente, a diferença assenta no facto de as térmitas-soldado lutarem e morrerem porque têm que o fazer, sem que possam evitá-lo (como a aranha come a mosca). Heitor, pelo seu lado, sai para enfrentar Aquiles porque quer. As térmitas-soldado não podem desertar, nem revoltar-se, nem fazer cera para que outras vão em seu lugar: estão programadas necessariamente pela natureza para cumprir a sua heróica missão. O caso de Heitor é distinto. Poderia dizer que está doente ou que não tem vontade de se bater com alguém mais forte do que ele. Talvez os seus concidadãos lhe chamassem cobarde e o considerassem insensível ou talvez lhe perguntassem que outro plano via ele para deter Aquiles, mas é indubitável que Heitor tem a possibilidade de se recusar a ser herói. Por muita pressão que os restantes exercessem sobre ele, ele teria sempre maneira de escapar daquilo que se supõe que deve fazer: não está programado para ser herói, nem o está seja que homem for. Daí que o seu gesto tenha mérito e que Homero nos conte a sua história com uma emoção épica. Ao contrário das térmitas, dizemos que Heitor é livre e por isso admiramos a sua coragem.
Fernando Savater, Ética para um Jovem

9.1.10

Quem cala consente?

Usamos muitas vezes este provérbio, sem pensarmos muito nele. Faz parte da sabedoria popular. Mas não resiste à nossa reflexão. É usado frequentemente como desculpa para muitos abusos. Por exemplo, no caso em que se considera que explorar a boa vontade de alguém que não se manifesta contra essa exploração, é moralmente permissível. Se essa pessoa não se manifestar, então, implicitamente, dá o seu consentimento.
O argumento tem forma válida, mas não é sólido, porque uma das premissas é falsa.
A primeira premissa é falsa porque alguém que esteja a ser explorado pode não se manifestar por várias razões: por medo, pode ser severamente castigado pela pessoa que a explora; por incapacidade de se manifestar, caso das crianças pequenas, dos doentes, ou dos diminuídos mentalmente; pode ainda não se manifestar por razões sentimentais, caso dos pais em relação aos filhos, dos avós em relação aos netos, dos amigos entre si. Mas, a razão principal é que é sempre moralmente errado explorar a boa vontade dos outros, porque estamos a usar os outros como meros meios para o nosso bem-estar.
“Quem cala, não consente nem desmente, apenas não se manifesta".
Ana Lopes
10.º F

6.1.10

O problema do livre-arbítrio

Imagine que é um brilhante cientista que criou um andróide muito semelhante ao andróide Commander Data da série Strar Trek (Caminho das Estrelas). Contudo, algo de terrível acontece.
O andróide mata um ser humano. Não conseguindo capturar o andróide, o Ministério Público culpa-o a si. Segue-se o seguinte diálogo:

Procurador do Ministério Público: O sr. é o responsável pelo assassínio uma vez que programou o andróide, é o seu criador.

Cientista: É verdade, fui eu que o criei, mas programei-o para fazer escolhas de acordo com o seu livre-arbítrio.

Procurador: O sr. está enganado. O andróide não pode fazer escolhas livres. As suas escolhas são, em primeiro lugar, resultado do modo como foi programado, e em segundo lugar são resultado das modificações posteriores causadas pelo meio ambiente. As escolhas do andróide, foram determinadas por forças fora do seu controlo. O criador é responsável por estes factores. Seria responsável mesmo que o andróide pudesse alterar o seu programa de base e alterar o meio em que age, porque a sua forma de se auto-programar e de lidar com o meio foi determinada pelo seu construtor e programador.

Cientista: Se o andróide não tem livre-arbítrio por causa da sua constituição de base e das influências do meio, então os seres humanos também não têm livre-arbítrio. Tal como o andróide, os seres humanos também são o resultado da influência de factores genéticos (biológicos) e ambientais (sociais e culturais). Nascemos com uma constituição genética que não escolhemos e também não escolhemos as caraterísticas físicas que apresentamos nem o meio em que nascemos. Se o andróide não pode ser responsabilizado, então eu, enquanto seu criador, também não posso ser responsabilizado.

Pode o andróide ser ao mesmo tempo programado e livre para fazer as suas próprias escolhas? Não é uma contradição nos termos?
Nós seres humanos não seremos como o andróide? Acreditamos que somos profundamente influenciados pelos nossos genes e pelo meio. Mas também acreditamos que pelo menos algumas das nossas escolhas e acções são livres. Podem estas duas crenças ser verdadeiras?

Temos a crença básica de que vivemos num universo em que os fenómenos se encontram determinados por acontecimentos anteriores e pelas leis da natureza. Por outro lado temos também a crença básica de que somos livres. Como é isto possível? Podemos ser livres num universo determinista? Ou a nossa liberdade é uma ilusão? Podemos conceber que o universo afinal não está inteiramente determinado justamente porque somos livres?

Adaptado de Luis Rodrigues, Filosofia 10.º ano, Plátano Editora

4.1.10

Absurdo













«O absurdo é a razão lúcida que constata os seus limites


Albert Camus

Albert Camus


Comemora-se hoje cinquenta anos sobre a morte de Albert Camus.
Escritor e filósofo nascido em Mondovi, Argélia em 1913 e falecido em França, em 1960, aos quarenta e sete anos de idade, num acidente de automóvel.
De família francesa, estudou em Argel em difíceis condições económicas.
Começou a trabalhar como jornalista, participando na resistência francesa contra a invasão alemã. Foi chefe de redacção do jornal Combat. Em 1942 consagrou-se com o romance O Estrangeiro, e o ensaio O Mito de Sísifo. A Peste, romance publicado em 1947, consagrou-o como grande escritor. Em 1957 recebeu o Prémio Nobel da Literatura.
Na base da sua obra está a reflexão sobre o absurdo. O homem de Camus, procura a justificação da sua existência e não a encontra, convertendo-se assim num estranho, um estrangeiro para si mesmo. Os seus livros testemunham as angústias do seu tempo, os dilemas e conflitos já observados por escritores como Franz Kafka ou Dostoiévski .
Camus é, com Sartre, o escritor mais representativo do existencialismo francês.

A CIDADE









“O que é a vida democrática numa cidade?” Luís Miguel Cintra

Repensar a vida democrática na cidade, a partir de textos escritos há 2500 anos, nos quais as semelhanças com a vida dos nossos dias são mais do que inevitáveis mas sempre surpreendentes.

A CIDADE é uma colagem de textos de Aristófanes, excertos de Os Acarnenses, Lisístrata, Paz, Pluto, As mulheres que celebram as Tesmosfórias, As Nuvens, Os Cavaleiros, As Mulheres no Parlamento e As Aves.
É uma Co-produção do Teatro da Cornucópia com o Teatro Municipal de S. Luiz, em cuja Sala Principal será levado à cena.A estreia está marcada para 14 de Janeiro e poderemos assistir ao espectáculo até 14 de Fevereiro de 2010 de Quarta a sábado às 21H00 e Domingos às 17H30.
No dia 31 de Janeiro haverá uma sessão especial com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

A tradução é de Maria de Fátima Sousa e Silva e Custódio Magueijo; Adaptação e colagem Luis Miguel Cintra; Encenação Luis Miguel Cintra; Cenário e Figurinos Cristina Reis; Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção; Música Eurico Carrapatoso; Colaboração musical João Paulo Santos; Acompanhamento vocal Luís Madureira.
Elenco: Bruno Nogueira, Carolina Villaverde Rosado, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Gonçalo Waddington, José Manuel Mendes, Luísa Cruz, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Márcia Breia, Maria Rueff, Marina Albuquerque, Nuno Lopes, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Rita Loureiro, Sofia Marques e Teresa Madruga.

Consideramos que foi na Grécia Antiga que nasceu a Civilização Ocidental e que foi em Atenas, vários séculos antes de Cristo, que nasceu a Democracia. Nas comédias de Aristófanes, por sinal um conservador, no violento e insurrecto humor com que nelas retrata a vida daquela cidade “perfeita”, nestes textos escritos há 2.500 anos, fomos encontrar o material para a composição do guião de um espectáculo a que chamaremos A CIDADE. É com as confusões e as dificuldades da vida numa sociedade que se quer democrática, a corrupção da sua política, o seu desejo de paz, as suas saudades do campo, a maneira como convive com os seus “poetas”, as peripécias sexuais e conjugais que se geram na coexistência do público e do privado, em suma, com a vida da polis, e através das mais que inevitáveis semelhanças com os contratempos dos nossos dias, que este espectáculo quer brincar.
Uma metáfora de todas as Cidades construída por um grande grupo de actores no palco do Teatro Municipal S. Luiz, teatro da cidade de Lisboa. (Informação retirada do site do Teatro da Cornucópia)

Como pensar e, sobretudo, como viver na sociedade democrática? A novidade introduzida pelos gregos da antiguidade clássica foi disso exemplo: os filósofos da Grécia antiga expunham as suas ideias e desafiavam os interlocutores a discuti-las livremente, na “praça pública”. Uma novidade absoluta na história da humanidade, a cultura da liberdade intelectual, base da escola e da sociedade modernas e das “outras” liberdades.
Ao longo destes vinte e cinco séculos, assiste-se na civilização europeia a uma constante tensão entre a exigência de liberdade e as atitudes autoritárias e hierárquicas, que a aniquilam. Ou então a liberdade de participação democrática existe mas a vida pública é (espante-se) olhada com enfado.
A atitude crítica, para além de um preceito meramente académico, tem de ser uma oposição efectiva e permanente à subserviência e ao conformismo tão próprios da natureza humana, sempre demasiado ciente das autoridades, das hierarquias e das oportunidades individuais.

Pela temática sempre actual, por todos os profissionais responsáveis e pelos créditos do Teatro da Cornucópia, mais uma peça a não perder.

Imagem do Google: Representação de Ágora e Acrópole atenienses.

3.1.10

2 NOVOS MUSEUS

«(…) A prática da criatividade artística, quando é conduzida ao mais alto nível, é paradigmaticamente desse nível de actividade aberta. Basta pensar como o movimento avant-garde do século XX teria sido visto pelas gerações anteriores de artistas para compreender como os próprios fins da arte evoluem juntamente com as actividades que têm por objectivo atingi-los. Como a procura do bem e da correcção moral, e como a procura da verdade, a arte é uma actividade inerentemente aberta na medida em que os seus fins estão em causa no seio da própria actividade. (…) O conhecimento não é de modo algum um caso especial, pela simples razão de que procurar alcançar qualquer um dos nossos objectivos com mais sentido é, inter alia, uma actividade cognitiva: uma actividade que exige a descoberta e invenção de novos instrumentos conceptuais e teorias novas e melhores.»

Neil Levy, em Despromoção e sentido na vida, sobre a actividade artística como projecto de valor passível de dar sentido superlativo à vida. (1)














O novo Museu do Design e da Moda, abriu as suas portas no dia 22 de Maio de 2009, na Rua Augusta 24, em Lisboa.
Apresenta a EXPOSIÇÃO ANTESTREIA, composta pela Colecção de Francisco Capelo, no rés-do-chão, e mais duas exposições: É proibido proibir! e uma performance/instalação de Manuel Alves & José Manuel Gonçalves.

Permitiu-se a visita a este museu, mesmo antes do início das obras de adaptação definitiva às suas novas funções museológicas da antiga sede do BNU, que se encontra ainda com os interiores descarnados e destruídos.
A proposta explora as relações entre o design, as artes, a política e o contexto socioeconómico. O MUDE passa a oferecer uma programação contínua onde estão presentes as diferentes perspectivas e linguagens do design.

A exposição Antestreia apresenta um conjunto de peças de Corbusier a Azzedine Alaïa que permitem visitar histórias e acontecimentos do século XX e XXI, a partir dos objectos que as viveram ou foram usados pelas muitas pessoas que, no passado foram dessas histórias também actores. Aqui o acervo de moda tem um lugar de destaque pois, é a primeira vez que é apresentado ao público.

É proibido proibir! propõe-se viajar no tempo, remetendo para os finais dos anos 60 e início dos 70, através de uma apresentação de cerca de 60 peças, cruzando o design e a moda com o cinema, a literatura e a música, de modo a poder retratar a riqueza desta época.

O MUDE convidou a dupla de criadores Alves & Gonçalves para apresentar uma performance/instalação que espelha o processo criativo em atelier dos primeiros croquis às peças finais, e o momento cénico do desfile, em que a construção da imagem é assumida na sua plenitude.
Informação e imagens recolhidas no site do MUDE http://www.mude.pt/



CASA DAS HISTÓRIAS PAULA REGO












A Casa das Histórias foi inaugurada no dia 18 de Setembro, na Av. Da República, 300, em Cascais. O Edifício é da autoria do arquitecto Eduardo Souto de Moura e mereceria, só por si, a visita ao Museu como podemos ver em http://www.casadashistoriaspaularego.com/index_pt.html#/edificio/galeria/exterior/
O percurso da exposição da colecção, organizado segundo uma narrativa cronológica e temática que se prolonga dos anos 60 à actualidade, permite observar as diversas linguagens que a artista tem vindo sucessivamente a experimentar, ao longo de um muito produtivo e singular processo criativo.
Da pintura à gravura, passando pelo desenho, um desfile de personagens, cenários e situações muitas vezes morais – ainda que nunca moralizantes – espelha o seu prodigioso imaginário, que aborda e interroga a condição humana, num repositório de histórias que tão bem justifica a designação deste espaço. Ver em http://www.casadashistoriaspaularego.com/index_pt.html#/coleccao/col-pinturas/
O conjunto de obras que se apresenta na Exposição Temporária, foi cedido pela Galeria Marlborough Fine Art contém os exemplares mais icónicos da obra da artista e estará patente até dia 18 de Março de 2010. Neste mesmo espaço será posteriormente apresentada ao público português uma exposição de obras do marido de Paula Rego, Victor Willing, também pintor, falecido em 1988. (Informação recolhida no site acima referido.)

São dois museus não só novos como inovadores. As entradas são em ambos, presentemente, gratuitas. Por estas e outras razões, duas visitas a não perder.

(1) Em Viver para Quê? Ensaios sobre o sentido da vida, de D. Murcho, divulgado aqui recentemente.


30.12.09

Avatar, uma experiência inesquecível

Mesmo para quem não aprecia o género, o filme constitui uma experiência estética inesquecível e surpreende-nos pelas questões filosóficas que suscita. O facto de ser a três dimensões, permite-nos partilhar toda a emoção, toda a arte, a vida e o ecossistema de Pandora, a lua onde decorre a acção.
A mensagem não é nova, está nos antípodas da humanidade. A eterna luta do espiritual e do material, do bem contra o mal, mas o modo de a contar é surpreendente e arrebatador. É cientificamente credível, facto a que talvez não seja alheia a formação em filosofia e em física de James Cameron. A crítica social é esmagadora e omnipresente. Por um lado temos os Na´vi com uma grande ligação à natureza, à espiritualidade, em Pandora toda a vida está ligada entre si; Por outro lado temos os humanos que não olham a meios para atingir os fins.
Apesar de todas as invocações históricas - os Na´vi parecem-se com índios e o argumento lembra-nos "Dança com Lobos"-, de todos os antropomorfismos (poderia ser de outra forma?), o filme deixa-nos algumas interrogações e pode constituir um excelente ponto de partida para algumas questões éticas, mas também para questões relacionadas com o conhecimento e com a realidade. Os Avatares lembram-nos Platão e a "Alegoria da Caverna", vemos as sombras não a realidade em si, mas também a experiência mental dos "cérebros numa cuba", invocada por filósofos como James Rachels ou Stephen Law, já abordada na saga "Matrix".
"O filme passa-se em 2154, quando os humanos descobrem um valioso mineral num novo planeta, Pandora, habitado pelos Na´vi. Para entrarem no planeta, os humanos criam avatares, seres híbridos com DNA Na´vi, para extrair aquele mineral.
A história centra-se em Jake Sully, um militar norte-americano que, através do seu avatar, ficará dividido entre dois mundos, entre duas culturas, em conflito entre si."
CiênciaHoje
Um filme a não perder, uma experiência que nos deixa a pensar...

23.12.09

O Sentido da Vida

«O que dizemos para exprimir o absurdo das nossas vidas tem muitas vezes a ver com o espaço e o tempo: somos partículas minúsculas na vastidão infinita do universo; as nossas vidas são meros instantes até numa escala geológica, quanto mais numa escala cósmica; estaremos todos mortos em breve. Mas é claro que não pode ser qualquer destes factos evidentes que faz a vida ser absurda, se for absurda. Pois suponha-se que vivíamos para sempre; uma vida que é absurda se durar setenta anos não será infinitamente absurda se durar toda a eternidade? E se a nossas vidas são absurdas dado o nosso tamanho actual, por que seriam menos absurdas se ocupássemos todo o universo (ou por sermos maiores ou por o universo ser mais pequeno?)»
Um excerto do ensaio "O Absurdo", de Thomas Nagel

“Viver para quê? Ensaios sobre o sentido da vida”, Organização, tradução de textos e introdução de Desidério Murcho; Dinalivro, Lisboa, 2009.



«Quem não conhece a filosofia poderá pensar que procurar o sentido da vida é a tarefa central dos filósofos. Isto é historicamente falso. (…)
O leitor comum poderá igualmente esperar que os filósofos se pronunciem um pouco como gurus, declarando do alto da sua inacessível montanha qual é o sentido da vida. E a nós, meros mortais, restar-nos-ia então seguir tais oráculos ainda que não os compreendamos muito bem. (…)
A confusão a evitar é pensar que há uns valores esotéricos que precisam de ser cultivados para que a nossa vida tenha sentido. É uma resposta desse género que muitas pessoas esperam do filósofo, quando o encaram como um guru: subitamente ele dirá que o sentido da vida é cultivar feijões, cortar o cabelo rente ou assobiar música só às sextas-feiras. »

É desta forma clara e despretenciosa que Desidério Murcho faz a sua introdução a esta excelente selecção de reflexões acerca do sentido da vida. Um conjunto de ensaios, de filósofos actuais, nos quais se apresentam diferentes ideias, cuidadosamente fundamentadas. Os ensaios são curtos e a sua leitura acessível e agradável. Serão uma ajuda preciosa à preparação de possíveis trabalhos sobre este tema.

Índice dos ensaios:

O Sentido da Vida (1970) Richard Taylor
O Sentido da Vida (1957) Kurt Baier
Poderá o Propósito de Deus ser a Fonte do Sentido da Vida? (2000) Thaddeus Metz
O Absurdo (1971) Thomas Nagel
Felicidade e Sentido: Dois Aspectos da Vida Boa (1997) Susan Wolf
Despromoção e Sentido na Vida (2005) Neil Levy

17.12.09

Filosofar...

René Magritte

A filosofia ajuda-nos a pensar, a argumentar e é esse o seu método de estudo. Muitas vezes temos de recorrer a informações empíricas (a posteriori) para podermos levar o nosso pensamento mais além. Isto pode levar-nos a pensar que a filosofia é a posteriori, o que é errado, pois apenas recorremos às informações empíricas como auxiliares do pensamento e não como um método. Por exemplo, nas ciências, não podemos simplesmente chegar à conclusão de que o nosso coração está dividido em duas partes (uma para o sangue venoso e outra para o sangue arterial) sem recorrermos a uma experiência prática de abrirmos um coração e vermos o seu interior. Este estudo é a posteriori ou empírico. Já quando pensamos em problemas filosóficos, como: “Será que Deus existe?”, não recorremos à experiência mas ao pensamento, embora às vezes haja questões filosóficas que exigem conhecimentos resultantes de estudos a posteriori.
Sendo assim, além de ser um estudo conceptual, a filosofia também atribui importância às informações empíricas.
Os problemas filosóficos de modo geral são interrogações que nos interpelam. As teorias são a resposta ou solução para os problemas. São constituídas por argumentos, conjuntos de premissas interligadas que nos levam a uma conclusão. Esta defende a ideia geral, a tese que é a resposta ao problema colocado.
Por exemplo, quando alguém pergunta “Será que a felicidade é realmente necessária à Humanidade?”, está a colocar um problema, uma questão, que só pode ser resolvida através da filosofia. A este problema responde-se com uma teoria, composta por argumentos, como por exemplo “Se a felicidade não existisse, o Mundo seria um lugar triste, onde todos andariam de “mau humor”. Logo, a felicidade é necessária, para que vivamos com um sorriso nos lábios e tudo será mais agradável se andarmos felizes e bem-dispostos”.
Quem é preconceituoso não avalia argumentos. Um preconceito é uma ideia errada (ou não) que temos sem razões para tal, sem pensarmos no porquê de termos essa ideia. Simplesmente crescemos com ela ou formamo-la sem procurarmos saber porquê, pois não pensámos nisso.
Por exemplo, se crescermos numa sociedade em que as mulheres não têm direitos, quando formos adultos, iremos ensinar aos nossos filhos que as mulheres não têm direitos. Isto é um preconceito porque crescemos a pensar que é mesmo assim, e nunca pensámos por que razão as mulheres não têm direitos.
Ser crítico é avaliar imparcialmente estas ideias de forma a descobrir se são verdadeiras ou falsas. Para as avaliarmos temos de ter em conta se são baseadas em argumentos cogentes, porque, é nisso que nos focamos quando tentamos perceber se as ideias fazem algum sentido, se são correctas.
Ao sermos críticos, não podemos tomar uma posição e defendê-la, mas sim tentar perceber todas as posições que se confrontam, e escolher a melhor, não a que nos parece mais acertada para nós próprios, pois todos temos uma visão das coisas diferente das dos outros; mas a mais racional, a melhor fundamentada.
Filosofar é inevitável porque consiste em pensar. Todos nós pensamos, mesmo que seja mal e com ideias absurdas. Quando alguém diz que a filosofia não serve para nada, no fundo essa pessoa, paradoxalmente, pensa que a filosofia é inevitável, pois, para essa pessoa dizer que a filosofia não serve para nada, teve de pensar em argumentos que a levaram a tal conclusão e, para isso, filosofou.
Ana Lopes
10.º F

16.12.09

O que é o Kiva?






Sistema de Micro-Empréstimos a empreendedores individuais.

O Kiva é um sistema de micro-empréstimos directos entre pessoas individuais. O conceito não é novo, foi posto em prática em 1976 por Muhammad Yunus, iniciativa de grande sucesso que lhe valeu a distinção do prémio Nobel da Paz, em 2006. A novidade deste sistema é que funciona exclusivamente através da internet.

As pessoas a quem fazemos o empréstimo são reais e é possível conhecer um pouco da sua história, do seu projecto para combater a situação de pobreza em que vivem.

O que mais atrai neste projecto é o facto de não nos pedir para “dar” mas sim para emprestar; apostar nas capacidades de cada um e, através desse empréstimo, melhorar as suas condições de vida, da sua família e da sua comunidade. É um enorme voto de confiança na capacidade empreendedora destas pessoas.
Os empréstimos, num mínimo de 25 Dólares (17,10 Euros), são feitos através da organização Kiva, que mantém o processo o mais transparente possível e não tem fins lucrativos. Como garantia, tem como principal fiador Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos.

O pagamento do empréstimo é feito num período de seis a doze meses e o Kiva envia-nos regularmente uma newsletter que nos informa do sucesso do nosso empreendedor.
Quando, findo esse prazo, o nosso empréstimo é pago, somos livres de receber o valor ou voltar a emprestar a outro empreendedor.

Trata-se de uma experiência única, que nos liga a outro homem ou a outra mulher, ajudando-o(a) a conquistar a sua independência económica, o bem-estar da sua família, o cumprimento de pequenos projectos, até agora longínquos sonhos profissionais e pessoais.
Há quem sugira que os empréstimos mais eficazes são os que têm como destinatários mulheres/ mães, porque a sua prioridade é, quase naturalmente, a melhoria das condições de alimentação, de saúde e de educação dos seus filhos e menos o crescimento ou o sucesso dos seus negócios, como acontece em geral com os homens, pelo que a transformação da realidade destas comunidades é mais rapidamente conseguida.



Um exemplo: A Yolanda tem 59 anos, é de El Salvador, precisa de 1000$, no total, para comprar mercadorias e melhorar o seu pequeno negócio de comidas e bebidas.

Vale a pena uma visita ao site http://www.kiva.org/

5.12.09

"As Sombras da Vida"


A Alegoria da Caverna é um dos textos mais conhecidos de Platão. Pode encontrar-se em “A República”. Este texto relata a situação de alguns prisioneiros acorrentados numa caverna, virados de costas para a abertura, por onde entra a luz. Sempre viveram ali, naquela posição. Conheciam os animais e as plantas somente pelas suas sombras projectadas na parede. Um dia, um dos homens consegue soltar-se e foge para fora da caverna. Fica encantado com a realidade que encontra e apercebe-se que foi iludido pelos seus sentidos. Agora estava diante da verdadeira realidade e não apenas das suas sombras, diante do conhecimento. Voltou à caverna e contou aos companheiros o que havia visto. Estes não acreditando, preferiram continuar no seu mundo de sombras.
Para Platão, as coisas que nos chegam através dos cinco sentidos, são apenas as sombras das ideias. Quem estiver preso ao conhecimento das coisas observáveis nunca poderá alcançar o mundo da razão, ficando para sempre prisioneiro das aparências.

Este texto faz-nos pensar, na verdade, no conhecimento na vida…
Nós, seres humanos, vivemos num planeta minúsculo, aprisionados ao nosso dia-a-dia, à nossa caverna. Falta-nos o caminho para a “saída da gruta”. Esse caminho, a procura da verdade, é uma viagem que exige sacrifício, uma libertação da realidade imediata pelo pensamento. Para nos libertarmos, é preciso desenvolver o pensamento crítico. A luz fora da caverna significa a verdadeira sabedoria. Mas é difícil contemplar a luz da verdade pela primeira vez. Temos de o fazer por etapas.

Podemos dizer que o conhecimento dá trabalho, as crenças têm muito peso e é difícil abandoná-las devido aos hábitos de uma vida. Mas será que temos boas razões para as aceitar?
A Alegoria sugere ainda que as diferentes culturas têm diferentes concepções da realidade. Será possível conciliar o respeito pelo multiculturalismo e o dever de impor limitações, sem as quais a ética não é possível? A verdade nem sempre está com a maioria, que podemos fazer para melhorar este estado de coisas? Se a maioria conseguir sair da caverna teremos uma sociedade mais esclarecida.
Em suma, a “Alegoria da Caverna” é um texto excelente para nos fazer pensar. Esta obra “serve” a vida e o pensar mais puro. A maioria das pessoas nunca se apercebe que talvez viva uma falsa realidade. Talvez seja por isso que se sentem infelizes e frustradas com as suas vidas. Todos devíamos ser mais críticos para podermos ter outra percepção da vida, para sermos mais racionais e também mais imaginativos.
João Ribeiro
10º. D

2.12.09

Comércio Justo e Turismo Ético




Composição do preço final do café ao consumidor, na Europa Ocidental:
44,9% impostos, direitos aduaneiros, frete
23,7% margem dos comerciantes
17,8% margem dos armazenistas e industriais da torrefação
8,5 % proprietários da plantação
5,1 % salários dos trabalhadores

Comércio Justo
A actual sociedade de consumo promove grandes desequilíbrios sociais e ambientais. Todos os nossos gestos e opções diárias afectam não só a nossa vida mas a vida de outras pessoas e põem em causa a sustentabilidade do planeta. Mas é também verdade que o consumo é inevitável e até necessário para a circulação e manutenção dos sistemas económicos.
Como resolver, então, este paradoxo? Como garantir a protecção dos direitos humanos, a preservação do ambiente e a sustentabilidade económica e cultural?

O Comércio justo é um dos pilares da sustentabilidade económica e ecológica.Trata-se de um movimento social e uma modalidade de comércio internacional que busca o estabelecimento de preços justos, bem como de padrões sociais e ambientais equilibrados, nas cadeias produtivas.
A ideia de um comércio justo surgiu nos anos 1960 e ganhou corpo em 1967, quando foi criada, na Holanda, a Fair Trade Organisatie. Dois anos depois, foi inaugurada a primeira loja de comércio justo. O café foi o primeiro produto a seguir o padrão de certificação desse tipo de comércio, em 1988. A experiência espalhou-se pela Europa e, no ano seguinte, foi criada a International Fair Trade Association, que reúne atualmente cerca de 300 organizações em sessenta países.
O movimento dá especial atenção às exportações de países em desenvolvimento para países desenvolvidos, como artesanato e produtos agrícolas. Em poucas palavras, é o comércio onde o produtor recebe remuneração justa por seu trabalho.
Alguns países têm consumidores preocupados com a sustentabilidade e que optam por comprar produtos vendidos através do comércio justo. Esta opção ética tem permitido aos pequenos produtores de países tropicais viver de forma digna ao fazerem a opção pela agroecologia, como agricultura orgânica.
O comércio justo é, então, rede europeia de lojas de comércio justo, uma espécie de parceria entre produtores e consumidores que trabalham para ultrapassar as dificuldades enfrentadas pelos primeiros, para aumentar seu acesso ao mercado e para promover o processo de desenvolvimento sustentável. O comércio justo procura criar os meios e oportunidades para melhorar as condições de vida e de trabalho dos produtores, especialmente os pequenos produtores desfavorecidos. Sua missão é promover a equidade social, a protecção do ambiente e a segurança económica através do comércio e da promoção de campanhas de consciencialização.
É fundamental educar e mobilizar a sociedade civil - e em especial as gerações mais jovens – para a mudança dos hábitos de consumo, tornando-nos mais críticos, exigentes e responsáveis, como exercício da nossa cidadania. Um bom exemplo, em Portugal, é a Mó de Vida – Cooperativa de Consumo que podemos conhecer em
http://www.modevida.com/modevida.html










Turismo Ético e Solidário
A actividade turística, da forma como tem sido desenvolvida, tem-se revelado profundamente devastadora para as comunidades dos países receptores, suas culturas e tradições, e para o meio ambiente. Além disso, tem ajudado a aprofundar as desigualdades socioeconómicas entre os países do Norte (mais ricos) e os do Sul do planeta, já que os lucros gerados em quase nada beneficiam as comunidades locais.

Concretizando, no actual cenário económico mundial o Turismo possui as seguintes características:
- É o sector de mais rápido crescimento da economia mundial. Portanto, os países subdesenvolvidos tentam atrair investimentos estrangeiros sem qualquer critério, considerando que o seu potencial pode gerar milhões de dólares com relativa facilidade;
- Dominado pelas grandes empresas transnacionais;
- Pacotes "tudo incluído" pagos na origem;
- Quando utiliza mão-de-obra local, pratica uma política de baixos salários sem garantir um mínimo de estabilidade;
- Mercado extremamente competitivo, onde os factores preço, criação de ilusões (promessa de lugares de sonho, exotismo, etc.), são tidos em conta em detrimento de outros aspectos que exigiriam um trabalho mais aprofundado de pesquisa e informação ao consumidor de viagens;
- Fortes campanhas de "marketing" promovidas por estes grandes grupos, dirigidas somente ao bem-estar do turista, provocando:- Fraca consciencialização do turista para os problemas sociais, ambientais, políticos e económicos enfrentados pelas populações que os recebem;- Perda das identidades culturais locais através da criação de estereótipos adequados a um ou mais mercados emissores.
- O já referido consumo de culturas exóticas, praias paradisíacas e hotéis de luxo é altamente direccionado para os países do 3º mundo - América Latina, Ásia e África, cuja fragilidade da legislação potencializa o benefício unilateral das transnacionais.
O movimento por um Turismo ético, responsável e solidário tem origem na Europa com base nos princípios do Comércio Justo. É o ponto de partida para o desenvolvimento sustentável do sector.Pode dizer-se que é uma iniciativa recente em termos de estudo, organização e implementação por parte do 3º sector (ONGs, cooperativas, associações e outras formas de organização comunitária).Objectivos:Através do cumprimento de princípios e critérios éticos, o objectivo é conseguir condições para o financiamento de projectos de desenvolvimento sustentável, formação e infra-estruturas, para além de parcerias em experiências de trabalho concretas.
O que significa Turismo Ético, Responsável e Solidário?
- Igualdade nas parcerias de comércio entre o Norte e o Sul;
- utilização dos impostos oriundos do Turismo, para a erradicação da pobreza no Sul, através de decisões democráticas, baseadas na colaboração e na realização de parcerias entre os pólos emissores e os receptores, para a criação de estruturas;
- construção de uma rede local de abastecimento de serviços do comércio justo, através das operações turísticas;
- transparência, acesso à informação, formação e desenvolvimento em favor das comunidades dos destinos turísticos;
- controle por parte da comunidade do planeamento e decisões sobre o Turismo;
- sustentabilidade ambiental, social e cultural;
- diversificação das economias locais;
- respeito pelos direitos humanos.

A prática de um Turismo Ético, Responsável e Solidário, além de ajudar as comunidades dos países de destino, é um instrumento importante na consciencialização dos turistas do Norte face às grandes diferenças existentes em relação aos países do Sul.
O confronto com a realidade, tomando conhecimento no local visitado das desigualdades, injustiças, etc., levarão à adopção de atitudes mais solidárias nas suas vidas quotidianas em relação ao Sul, tanto no que diz respeito ao consumo responsável como a um comportamento mais reivindicativo no que toca a políticas que visem a diminuição e, se possível, a extinção dessas mesmas desigualdades.

Fontes: Wikipédia; Site da Mó de vida–Coop.Cooperativa de Comércio Justo http://www.modevida.com/modevida.html
Sítios/blogues dedicados ao tema: Cores do Globo, Reviravolta, Fair Trade-Portugal.
http://www.safari-afrique.org/?lng_f=pt;http://faceturis.blogs.sapo.pt/50745.html; http://www.consumosustentavel.org/index.php/home/3113.html

24.11.09

Trevas e razão, ontem como hoje





«O Nome da Rosa» (a partir) de Umberto Eco pelo Fatias de cá. No Convento de Cristo, em Tomar, até 20 de Dezembro de 2009.
O Fatias de Cá, criado em Tomar em 1979, enquanto Companhia de Teatro desenvolve projectos de âmbito profissional e amador.A designação deste grupo, criado em Tomar em 1979, inspira-se no nome de um doce conventual (Fatias de Tomar).

Esta encenação do Fatias de Cá é muito interessante já que conjuga, com sucesso, três objetivos:
- o da valorização do património, quer o construído quer o paisagístico, que é entendido como um espaço teatral privilegiado;
- a partilha com o público de um momento de refeição que  é assumido como uma forma de sociabilização e de concentração no espaço-tempo convocado pelo espectáculo;
- e o acto teatral que é entendido como um momento inclui, envolve e emociona o próprio público.
O Fatias de Cá usa como lema uma frase atribuída a Galileu: “Não resistir a uma ideia nova nem a um vinho velho.”

O enredo de O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. Com ares de Sherlock Holmes, o investigador, o frade franciscano William de Baskerville, assessorado pelo noviço Adso de Melk, vai fundo nas suas investigações, apesar da resistência de alguns dos religiosos do local, até que desvenda que as causas do crime estavam ligadas a manutenção de uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas, i.e. obras que não seriam aceites em consenso pela igreja cristã da Idade Média, como é o caso da apologia do riso criada por Eco e atribuída ficcionalmente a Aristóteles.

Um excelente texto, dos mais conhecidos e apreciados da obra ficcional de Eco. Resultado de um estudo de época rigoroso, que nos proporciona um retrato histórico bastante fiel dos meados do século XIV. Uma viagem imaginária e excitante à Idade Média. Um pretexto para uma reflexão sobre questões filosóficas como as definições de bem e de mal, das crenças religiosas, dos conceitos e das crenças tanto daquela época, como das actuais.
São muitas as razões para não perder esta oportunidade de ver um espectáculo diferente.
(Informações retiradas da página do Fatias de Cá).

21.11.09

Como Estudar Filosofia?

Para termos bons resultados em filosofia é importante não só estudar, como saber estudar bem. Desidério Murcho, acaba de publicar um interessante artigo na crítica, revista oline de Filosofia de acesso livre, com alguns conselhos nesse sentido. Pode aceder clicando aqui.

20.11.09

A Plasticidade da Experiência Humana dois...


Para reflectir sobre a arte e sobre a vida. Sobre a capacidade do ser humano se transcender e, como a educação pode ajudar...

19.11.09

Ética e Poder

HANNAH e MARTIN











Já começaram os ensaios do espectáculo «Hannah e Martin», de Kate Fodor. Os actores Ana Padrão, Cátia Ribeiro, Cristovão Campos, Diogo Mesquita, Francisco Pestana, Irene Cruz, Luis Alberto, Maria Ana Bernauer e Rui Mendes interpretarão as personagens que darão vida a esta peça. A encenação é de João Lourenço e a dramaturgia de Vera San Payo de Lemos. Estreia dentro de dias no Teatro Aberto, à Praça de Espanha, em Lisboa.

Durante os julgamentos de Nuremberga, Hannah Arendt visita Martin Heidegger, seu antigo professor, mentor e amante. Este encontro entre o filósofo convertido ao nazismo e a filósofa judia, depois da guerra, leva-os a reviver o passado. «Hannah e Martin» é uma peça na qual o universo mais íntimo se mistura com a política, a história e a ética, colocando questões pertinentes ao espectador de hoje, tais como:

Qual é o poder das ideias e que força encerram os ideais de quem tem poder? Qual é a origem da crueldade? E do amor? E da integridade? Será algum dia possível compreender a natureza humana e as suas motivações? (Informação retirada do site do Teatro Aberto).
A não perder.

Dia Internacional da Filosofia

Em 1995, a UNESCO assinalou a terceira quinta-feira do mês de Novembro como Dia Internacional da Filosofia, partindo da premissa de que "os problemas que trata a Filosofia são os problemas da vida e da existência dos homens considerados universalmente".

O ECB não deixou de comemorar esta efeméride, preparando aulas em torno do texto A alegoria da caverna de Platão.
Os alunos, como é hábito quando se trabalha este texto, não só apresentaram as suas inquietações como discutiram, inicialmente sem se aperceberem, problemas filosóficos que vão ser aprofundados ao longo dos 10.º e 11.º anos.
A todos os alunos, os nossos parabéns pela capacidade de argumentação e insistência em pensarem por si mesmos!
Os professores de Filosofia