O argumento da tolerância é, para quem defende o relativismo moral cultural - teoria metaética segundo a qual os factos morais são instituídos pela sociedade variando de sociedade para sociedade e de época para época -, um factor de coesão e respeito entre culturas. Mas o mesmo é contraditório. Se a maioria das pessoas de uma cultura for intolerante para com outra, para sermos coerentes teríamos de aceitar e tolerar a intolerância como sendo correcta. Teríamos de aceitar a intolerância em nome da tolerância. Mas alguns actos não são toleráveis como por exemplo o terrorismo. Por isso o relativismo moral cultural é inconsistente e auto-refutante. Poderíamos pensar que, para quem defende o terrorismo ele é correcto e que, o defensor do terrorismo não é incoerente uma vez que poderá estar disposto a ser um mártir. Ainda assim, do facto de estar disposto a sacrificar-se, não se segue que os outros tenham também de se sacrificar ou que seja correcto sacrificarem-se. O relativista tem de admitir que o que conta como correcto é o que a maioria da sociedade aprova. Por isso, das duas uma: ou o terrorismo só poderia ser exercido sobre os elementos da (s) sociedade (s) que o aprova, o que claramente não é o que o terrorista pretende; ou o relativista entra em contradição, uma vez que o juízo «o terrorismo é correcto», sendo moral, teria de ser considerado relativo. Mesmo que a premissa seja verdadeira, que seja verdade que «há culturas que aprovam o terrorismo» não se segue que a conclusão, «o terrorismo é correcto» também o seja.
A primeira é um juízo de facto, a segunda um juízo de valor.
O defensor do relativismo estaria assim a cometer dois erros: estaria a tirar uma conclusão sobre o que deve ser (verdade valorativa) daquilo que é (verdade de facto) e a pretender que uma verdade relativa (aquela que é defendida pelo relativismo) se transformasse numa verdade universal, o que é impossível do ponto de vista relativista, porque por definição, o relativismo defende a impossibilidade de haver verdades universais em ética.
João Rodrigues
10.º F













Waris Dire é uma modelo somali que ficou conhecida por ser a primeira figura pública a admitir ter sido excisada e a denunciar esta prática cultural que continua, hoje, a mutilar e a matar milhares de raparigas. O seu livro "Flor do Deserto" é a obra mais conhecida sobre o tema. Em 2002, abandonou a passerelle, dedicando-se à fundação que criou para combater esta prática: a 


