"[C]omo a moral influencia as acções e emoções, segue-se que não pode derivar da razão, pois a razão por si, como já provámos nunca pode exercer tal influência. A moral excita paixões e produz ou impede acções. A razão por si é totalmente impotente neste aspecto. Logo, as regras da moral não são conclusões da nossa razão.Ter autonomia de espírito, ter consciência do mundo e fazer fazer escolhas próprias é melhor, de longe, do que ser passivamente feliz em prejuízo destas coisas. (Anthony Grayling)
3.5.10
Ética, Razão e Emoções
"[C]omo a moral influencia as acções e emoções, segue-se que não pode derivar da razão, pois a razão por si, como já provámos nunca pode exercer tal influência. A moral excita paixões e produz ou impede acções. A razão por si é totalmente impotente neste aspecto. Logo, as regras da moral não são conclusões da nossa razão.24.4.10
Revista Crítica - "Diálogo sobre a ética kantiana"
Francisca: Pois eu nunca engoli muito bem a ética kantiana. Dá excessiva importância à intenção, mas esquece-se de que na prática só temos acesso às consequências.
Maria: O quê? A mim parece-me uma excelente teoria. Julgo que o imperativo categórico ("Age unicamente de acordo com a máxima que te permita querer a sua transformação em lei universal") é realmente um princípio ético fundamental e universal. Fundamental porque é dele que brotam todos os nossos juízos morais, e universal porque qualquer agente racional tem de o aceitar. (...)"
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19.4.10
A insatisfação da Razão
David: Já leste os textos recomendados?
Ana: Claro! achei-os muito interessantes. Kant é mesmo um filósofo genial.
David: Explica lá então, por que razão não nos satisfazemos com as limitações do nosso conhecimento?
Ana: Como sabes, Kant defende que só podemos conhecer o que podemos intuir. Tudo começa com a intuição dos objectos no espaço e no tempo - as formas ou estruturas da sensibilidade. Por consequência, só intuímos realidades empíricas, aquelas que podemos perceber naquelas estruturas.
David: Estou a ver. Podes dar um exemplo?
Ana: Ouviste aquela moto que passou? A moto provocou em nós uma certa impressão, nós conseguimos situar o barulho e a visão da moto num certo espaço (a rua) e num certo tempo (dezasseis horas e cinco minutos). Só podemos intuir objectos que estejam no espaço e no tempo.
David: Pois... sendo assim, a sensibilidade desempenha um papel muito importante no conhecimento.
Ana: Claro! mas não é suficiente. Para haver conhecimento é preciso que o entendimento entre em cena. Por isso podemos dizer que todo o conhecimento começa com a experiência mas não deriva dela. A sensibilidade recebe as impressões e estabelece entre elas uma relação espácio-temporal mas não sabe explicar a razão, não estabelece uma relação de causa-efeito. Esta parte cabe ao entendimento.
David: Podes dar um exemplo?
Ana: Consideremos duas impressões sensíveis: o aumento da temperatura e a dilatação de um corpo. A sensibilidade recebe as impressões e estabelece uma sucessão temporal desconhecendo que estão necessariamente ligadas. Isto só acontece quando o entendimento aplica o conceito de causa, o qual permite estabelecer relações de dependência entre estes dois fenómenos. O conceito de causa é uma forma ou estrutura além de outras, com as quais o entendimento humano está equipado. Kant chama-lhes conceitos a priori ou categorias do entendimento.
David: Muito interessante. Continua.
Ana: Só podemos conhecer os dados sensíveis, os fenómenos. Mas pensar é diferente de conhecer. Nada nos impede de pensarmos noutras realidades, os númenos. O conhecimento é condicionado e limitado, mas isso não exclui a existência de uma realidade que não podemos conhecer. A realidade não se reduz ao mundo dos fenómenos, aos objectos que podemos conhecer estabelecendo relações de causa e efeito pelo entendimento. É legítimo pensar que existe muito mais.
David: É por isso que a nossa razão é por natureza insatisfeita, com vontade de conhecimento absoluto...
Ana: Isso mesmo, exige que continuemos além do condicionado e que procuremos a causa incondicionada - a causa última - independentemente da sua existência ou, da possibilidade de a razão a alcançar.
David: "Conhece como se fosse possível atingir o conhecimento absoluto"...
Ana: É isso tudo. A razão "empurra" o entendimento levando-o a estabelecer relações causais entre os fenómenos como se fosse possível prolongá-las até encontrar a causa incondicionada. Mas isso implicaria a possibilidade da razão conhecer além da realidade espácio-temporal, o que claramente não é possível. Contudo, a razão insatisfeita, procura incessantemente decifrar o enigma que é o universo na sua totalidade.
18.4.10
Conhecimento e justificação
Ana: Haverá alguma forma de as nossas crenças constituirem conhecimento sem recorrer à justificação última?10.4.10
Faz o que quiseres e tem uma vida boa

Porque – de onde vêm os remorsos? Para mim é claríssimo: da nossa liberdade. Se não fôssemos livres, não poderíamos sentir-nos culpados (nem orgulhosos, evidentemente) de nada e evitaríamos os remorsos. (…)
Responsabilidade é saber que cada um dos meus actos me vai construindo, inventando. Ao escolher aquilo que quero, vou-me transformando pouco a pouco. Todas as minhas decisões deixam a sua marca em mim antes de as deixarem no mundo que me rodeia. E, evidentemente, depois de aplicada a minha liberdade de ir-me construindo um rosto, já não posso assustar-me com o que vejo ao espelho quando me olho… Se ajo bem ser-me-á cada vez mais difícil agir mal (e inversamente, por infelicidade): assim, o ideal é irmos apanhando o vício… de viver bem. (…)
(…) o que interessa à ética, o que constitui a sua especialidade, é como viver bem a vida humana, a vida que decorre entre seres humanos. Se não soubermos como arranjar-nos para sobreviver frente aos perigos naturais, perderemos a vida, o que é, de certeza, muito aborrecido; mas se não fizermos ideia do que seja a ética, o que perdemos e desperdiçamos será a humanidade da nossa vida, e isso, francamente, também não tem graça nenhuma.”
Savater, Fernando, Ética para um jovem, Editorial Presença, Lisboa, 1995, pp. 74, 77 e 82.
9.4.10
O valor moral de uma acção depende da intenção ou das consequências?
Provébios Populares
" [Suponha] o caso seguinte: alguém tem em seu poder um bem alheio que lhe foi confiado em depósito pelo seu dono, que entretanto faleceu sem que os seus herdeiros saibam nem possam vir a saber nunca desse depósito.
(...) O possuidor desse depósito, exactamente nessa altura, caiu na ruína total, vendo a sua família, mulher e filhos aflitos e cheios de privações, e sabe que ao apropriar-se do depósito poderia livrar-se de privações num abrir e fechar de olhos.
Além disso, suponhamos que o nosso homem é filantropo e caritativo, enquanto os herdeiros são ricos e egoístas, e de tal modo gastadores que, acrescentar o depósito à sua fortuna seria como atirá-lo directamente ao mar."
I. Kant, Sobre o lugar comum: isso pode ser correcto em teoria, mas não vale na prática, AK, VIII, 286-287 (texto adaptado)
O problema da fundamentação da moral
8.4.10
David Hume, além da experiência dois...
David Hume, além da experiência...
Ana: Podes explicar-me em que experiência se baseia a noção de causalidade?7.4.10
Agostinho da Silva
Nasceu a 13 de Fevereiro de 1906 no Porto e faleceu em 3 de Abril de 1994, com 88 anos de idade. Além de professor, filósofo e investigador, Agostinho Baptista da Silva foi um grande escritor. No seu currículo constam mais de 60 obras.1.4.10
O Sentido da existência
Dá que pensar!...
Fonte: edu.forun
26.3.10
Existem factos morais?
Parece claro que não há factos morais no sentido em que há factos como os que são estudados pelas ciências da natureza. Não há uma realidade valorativa no sentido em que há rios e árvores nem é claro que a mesma exista na ausência de seres humanos. Terão valor de verdade? Penso que sim.
(2) Logo, os factos e juízos morais não dependem desta ou daquela pessoa ou sociedade, mas de todas as pessoas.
Esta posição tem vantagens em relação ao subjectivismo e ao relativismo moral, pois, ao afirmar que há valores que todos devem ter, como por exemplo o valor da preservação da vida ou o valor de não causar sofrimento desnecessário; esta posição permite a igualdade de todos os seres humanos à luz destes princípios. Negá-los é entrar em contradição. Negando-os aos outros estaremos a negá-los a nós próprios. A partir destes princípios, podem ser fundamentadas normas culturais, ou pessoais, mas mesmo estas devem ser avaliadas imparcialmente.
10.º D
25.3.10
Coros virtuais
24.3.10
Aprender...
Fonte: eduforum.pt
21.3.10
Humanidade - generalização precipitada
Implicações "intoleráveis" da tolerância
O argumento da tolerância é, para quem defende o relativismo moral cultural - teoria metaética segundo a qual os factos morais são instituídos pela sociedade variando de sociedade para sociedade e de época para época -, um factor de coesão e respeito entre culturas. Mas o mesmo é contraditório. Se a maioria das pessoas de uma cultura for intolerante para com outra, para sermos coerentes teríamos de aceitar e tolerar a intolerância como sendo correcta. Teríamos de aceitar a intolerância em nome da tolerância. 20.3.10
Em ética só há opiniões pessoais?
O subjectivismo moral é uma teoria metaética que defende que o valor de verdade dos juízos morais depende do ponto de vista de cada um. Ouvimos frequentemente que «cada um tem a sua opinião». É verdade que cada um tem a sua opinião, não é o direito das pessoas pensarem como pensam que está em causa, mas se aplicarmos este princípio à ética, implicaria que todos os juízos morais fossem verdadeiros, pois para cada sujeito que o faz, ele é verdadeiro. Sendo assim, não haveria a possibilidade de haver juízos morais falsos. 19.3.10
Jornal "Toque de Saída"
17.3.10
A Questão dos Critérios Valorativos

Mariana: Sabes que nos Estados Unidos existem comunidades de Amishes, grupos de cristãos conservadores que vivem afastados da restante sociedade, ainda usam carros puxados por cavalos, vestem-se como os agricultores do séc. XVIII, não têm televisões, nem telefones, nem computadores; produzem tudo o que consomem, são agricultores, pastores, artesãos... Olha, como se vivessem há trezentos anos atrás, por exemplo. Não achas encantador?
Rui: Encantador? Ó Mariana, essa gente parou no tempo, tem um tipo de vida inaceitável nos dias de hoje, inconciliável com o mundo desenvolvido, civilizado.
Mariana: Não sei porque dizes isso. Levam uma vida simples, não prejudicam ninguém, por isso é lá com eles. Nós não temos nada que censurar. Acho que estás a ser intolerante.
Rui: Se calhar devemos ser intolerantes mesmo, nestes casos. Tu sabes que nessas comunidades os jovens não podem estudar para além daquilo que em Portugal corresponde ao ensino básico? Isto se for rapaz, porque as raparigas só podem andar na escola até aos doze anos o que as impede de aprender pouco mais do que a ler e a contar. Sabes que os casamentos são combinados entre as famílias e as raparigas são praticamente obrigadas a casar aos treze ou catorze anos e, obviamente, sempre com indivíduos da comunidade?
Não permitindo aos indivíduos nascidos nestas comunidades contactar com o exterior ou conhecer qualquer outra realidade social, condenam-nos a uma vida de total submissão social e religiosa e os que desobedecem são excomungados e expulsos da comunidade e então são lançados num mundo cujas regras e costumes desconhecem em absoluto. Não lhes é permitido nem conhecer, nem preparar-se para viver e trabalhar no mundo em que realmente vivem, como tu e eu. Isso é errado, imoral mesmo.
Mariana: Mais uma vez, só a eles lhes diz respeito. Esse modo de vida que tu consideras subdesenvolvido ou incivilizado e imoral está organizado segundo as suas regras, os seus valores morais e não segundo os nossos, que são para eles verdadeiros embora não o sejam para nós. O mesmo se passa com os nossos valores, só são verdades para nós. Os valores são relativos à cultura em que são produzidos, só nesse contexto podemos avaliar da sua verdade ou falsidade. Temos de os respeitar assim como eles têm de respeitar os nossos. Não vês que, neste domínio, é tudo muito relativo?
Rui: Bom, então diz-me uma coisa: Pelo que dissemos antes, reconheces que estes indivíduos não têm certos direitos que nós consideramos garantidos e que não aceitaríamos que nos fossem subtraídos na nossa sociedade?
Mariana: Exactamente, na nossa sociedade são situações moralmente inaceitáveis mas entre eles não.
Rui: Então diz-me uma coisa: Consideras que Declaração Universal dos Direitos Humanos consigna um conjunto de direitos de todos os homens e que devem ser universalmente respeitados ou…… relativamente?
Mariana: Hummm… Universalmente, claro!
Rui: E como concilias essa convicção com o que defendeste antes?
Mariana: A tua questão é, sem dúvida, pertinente. Tenho de pensar Rui. Gostei muito da nossa conversa.
Rui: Também eu, Mariana. Só o debate sobre estas questões nos permitirá esclarecê-las. Depois falamos outra vez.
Mariana: Falamos sim. E prometo-te que vou pensar muito bem nos teus argumentos.
15.3.10
A importância do método e da clareza do pensamento
Descartes - As regras do método
Bertrand Russel - A importância da clareza do pensamento
Fonte: eduforum.pt. Site com materiais didácticos para todas as disciplinas.





