Ter autonomia de espírito, ter consciência do mundo e fazer fazer escolhas próprias é melhor, de longe, do que ser passivamente feliz em prejuízo destas coisas. (Anthony Grayling)
7.6.10
Das explicações míticas às explicações racionais
6.6.10
Popper e a aproximação à verdade
Apesar de tudo, julgo que temos razões mais do que suficientes para acreditar nas descobertas que vão sendo realizadas, porque revelam ser as que melhor se adequam à realidade, e tendo em conta o avanço da ciência ao longo dos últimos anos, é no mínimo aceitável que as consideremos menos vulneráveis a possíveis refutações comparativamente às que as sucederam.
11.ºD
5.6.10
Utilitarismo ou deontologia, qual a teoria mais plausível? (três)
O utilitarismo de preferências, parece ter implicações ainda mais inaceitáveis. Esta posição defende que o bem-estar a ser promovido seria a satisfação dos desejos e preferências das pessoas. Mas se assim fosse, teríamos de aceitar atitudes intolerantes e fanáticas se estas resultassem das preferências da maioria. Assim sendo, o utilitarismo de preferências não é uma boa solução.
Para terminar, o utilitarismo também defende o consequencialismo. É boa a acção que produzir melhores consequências, que maximizar o bem. Porém, existem actos que podem maximizar o bem mas que são inaceitáveis. Por exemplo nunca é permissível sacrificar uma pessoa para o bem de um número maior de pessoas. Existem actos intrinsecamente bons (bons em si mesmos independentemente das consequências) e outros intrinsecamente maus, como bem observou Kant. Assim devemos realizar apenas os actos intrinsecamente bons e nunca os intrinsecamente maus.
10.º D
3.6.10
Utilitarismo ou deontologia, qual a teoria mais plausível?(dois)
Henri Matisse, A Dança (1910)Os utilitaristas entendem que as acções são justas quando conduzem à felicidade. Assim, o prazer enquanto ausência de dor, é o bem supremo. No entanto, diferenciam os prazeres a partir da experiência: há prazeres nobres e prazeres inferiores. A moral utilitarista reconhece que a representação racional do dever não pode ser o único motivo das nossas acções, a felicidade pessoal também é importante e deve ter o mesmo peso moral do que a felicidade dos outros.
Penso que esta perspectiva é mais adequada para fundamentar a moral do que a perspectiva deontológica.
A acção moral, formalmente justificada, conduzida pelo dever e pela intenção, implica um afastamento daquilo que é a vida do ser humano. As acções são realizadas em função de um princípio lógico sem conteúdo, afastando-se da vida real das pessoas, dos contextos que originam e explicam as acções. O utilitarismo surge assim como uma teoria que explica melhor os objectivos humanos. Penso que a finalidade da vida humana é ser feliz e diminuir o sofrimento no mundo. O homem age sempre (deve agir) com o objectivo de conseguir essa felicidade. A procura da maior felicidade possível, para o agente bem como para todos imparcialmente considerados, deve ser o guia das nossas acções em qualquer circunstância da vida.
Kevin Vicente
10.º F
Utilitarismo ou deontologia, qual a teoria mais plausível?

Luís Jacinto
29.5.10
Esta acção é errada ou isso "depende da opinião"?
Foi o pai, Mohammed, quem lhe deu o primeiro cigarro. A mãe, Diana, diz: “é completamente viciado. Se não lhe damos cigarros, fica zangado, grita e bate com a cabeça nas paredes. Diz-me que se sente doente”.»
23.5.10
Mais sugestões
Algumas leituras úteis na realização dos trabalhos de grupo. (11.º ano)Desidério Murcho, Sísifo e o sentido da vida
Simon Blackburn, Desejo e sentido da vida
Desidério Murcho, O problema pessoal do sentido da vida
Nuno Vieira de Carvalho, O direito internacional na era da globalização e do risco
Philippa Foot, Eutanásia
Faustino Vaz, O problema ético da eutanásia
J. Gay-Williams, O erro da eutanásia
19.5.10
Filmes, algumas sugestões
A.I. (Inteligência Artificial) (2001) Steven Spielberg - Inteligência artificial:
Blade Runner (O caçador de andróides) (1982) de Ridley Scott - Inteligência Artificial
Home - O Mundo é a nossa casa (2009), Yann Arthus-Bertrand - A industrialização e o Impacto Ambiental:
The Island (A Ilha) 2005 de Michael Bay - A clonagem humana:
Mar Adentro (2007) Alejandro Amenábar - Eutanásia:
18.5.10
Honestidade...
Vale a pena reflectir...
16.5.10
Paradoxo do hedonismo


15.5.10
O que fará uma vida ter sentido?
Jessica Watson, é uma jovem australiana com dezasseis anos que velejou sózinha à volta ao mundo durante sete meses. Chegada a Sidney, onde foi recebida como heroína nacional, recusou esse epíteto dizendo sentir-se como qualquer pessoa que lutou para realizar um sonho. Considerando o esforço e as dificuldades vencidas, esta realização teve indiscutivelmente valor e deu sentido à sua vida. 11.5.10
O problema do livre-arbítrio
Seremos uma engrenagem numa máquina física e determinista ou uma transgressão aleatória?
Um excerto do filme "Waking Life" (2001), de Richard Linklater, encontrado no blogue Dúvida metódica
9.5.10
Ciência e Moral
Sam Harris, argumenta neste vídeo a favor da ideia de que a ciência, os factos, são fundamentais no esclarecimento do que deve ser uma vida boa.
4.5.10
"Medeia" - A nova peça dos Gambuzinos
Sábado, dia 8 de Maio, o grupo de teatro "Os Gambuzinos", estreia a peça: "Medeia" no Centro Cultural Gonçalves Sapinho.SINOPSE:
" Eurípedes, dramaturgo da Grécia antiga, constrói o retrato psicológico de Medeia,
numa das mais duras e impressionantes tragédias da dramaturgia universal.
Medeia, oscila entre o amor e o ódio e ao ser traída pelo seu esposo Jasão
é acometida por uma fúria terrível que a leva a perpetrar uma terrífica e insana vingança.
A recriação poética de Sophia de Mello Breyner Andresen acentua a beleza trágica da peça. "
O dilema do prisioneiro
Vincent Van Gogh, Ronda dos prisioneiros (1890)- Se Smith confessar e o leitor não o fizer, a situação ficará invertida - ele será libertado e o leitor condenado a dez anos;
- Se ambos confessarem, no entanto, cada um será condenado a cinco anos;
- Mas se nenhum confessar, não haverá provas suficientes para condenar qualquer dos dois. Poderão mantê-los detidos durante um ano, mas depois terão de libertá-los.
Por fim, comunicam-lhe que Smith teve a mesma proposta; mas o leitor não pode comunicar com ele e não tem maneira de saber o que Smith vai fazer.
O problema é o seguinte: partindo do princípio que o seu objectivo é passar o menor tempo possível na cadeia, o que deve fazer? Confessar ou não confessar? Para os objectivos deste problema o leitor deve esquecer ideias como as relativas a manter a sua dignidade, lutar pelos seus direitos e coisas do género. O problema não é sobre isso. Deve também esquecer a preocupação de ajudar Smith. Este problema diz estritamente respeito ao cálculo do que é do seu melhor interesse fazer. A questão é: O que poderá libertá-lo mais rapidamente? Confessar ou não confessar?
Pode parecer à primeira vista que a questão não pode ser respondida a menos que saibamos o que Smith vai fazer. Mas isso é uma ilusão. O problema tem uma solução perfeitamente clara: Faça Smith o que fizer, o leitor deve confessar. Isto pode ser demonstrado pelo seguinte raciocínio:
1. Ou Smith irá confessar ou não;
2. Suponhamos que Smith confessa. Então se o leitor confessar será condenado a cinco anos, enquanto se não confessar apanhará dez. Logo, se ele confessar, o leitor ficará melhor se confessar também;
3. Suponhamos por outro lado, que Smith não confessa. Nesse caso o leitor fica na seguinte posição: Se confessar será libertado, enquanto se não confessar ficará detido um ano. É claro, então, que mesmo que Smith não confesse será melhor para si fazê-lo;
4. Logo, o leitor deve confessar. Isso vai colocá-lo em liberdade mais cedo, independentemente do que Smith fizer.
(...) Partindo do princípio de que Smith não é estúpido, chegará [também] à conclusão, a partir do mesmo raciocínio, de que deve confessar. Assim, o resultado será que ambos vão confessar, e isto significa que ambos vão ser condenados a penas de cinco anos. Mas se tivessem ambos feito o contrário, cada um teria saído em liberdade ao fim de apenas um ano. É este o problema. Por terem procurado defender os seus próprios interesses, ambos acabam em piores circunstâncias do que se tivessem agido de forma diferente. É isto que faz do dilema do prisioneiro um dilema. É uma situação paradoxal. O leitor e Smith obteriam melhores resultados se fizessem simultaneamente o que não corresponde aos melhores interesses individuais de cada um. (...)
O dilema do prisioneiro, apesar de fictício, ilustra o que se passa na vida real. Situações do tipo do dilema do prisioneiro ocorrem sempre que se verificam duas condições:
1. Tem de ser uma situação na qual os interesses das pessoas são afectados não apenas pelo que elas mesmas fazem mas também pelo que fazem aos outros; e
2. Tem de ser uma situação na qual, paradoxalmente, todos acabem pior se tentarem individualmente defender os seus próprios interesses do que se fizerem simultaneamente o que não serve os seus interesses individuais.
Este tipo de situação acontece na vida real com mais frequência do que poderíamos pensar.(...)"
James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva (2004), pp. 209-211
3.5.10
Ética, Razão e Emoções
"[C]omo a moral influencia as acções e emoções, segue-se que não pode derivar da razão, pois a razão por si, como já provámos nunca pode exercer tal influência. A moral excita paixões e produz ou impede acções. A razão por si é totalmente impotente neste aspecto. Logo, as regras da moral não são conclusões da nossa razão.24.4.10
Revista Crítica - "Diálogo sobre a ética kantiana"
Francisca: Pois eu nunca engoli muito bem a ética kantiana. Dá excessiva importância à intenção, mas esquece-se de que na prática só temos acesso às consequências.
Maria: O quê? A mim parece-me uma excelente teoria. Julgo que o imperativo categórico ("Age unicamente de acordo com a máxima que te permita querer a sua transformação em lei universal") é realmente um princípio ético fundamental e universal. Fundamental porque é dele que brotam todos os nossos juízos morais, e universal porque qualquer agente racional tem de o aceitar. (...)"
Continuar a ler.
19.4.10
A insatisfação da Razão
David: Já leste os textos recomendados?
Ana: Claro! achei-os muito interessantes. Kant é mesmo um filósofo genial.
David: Explica lá então, por que razão não nos satisfazemos com as limitações do nosso conhecimento?
Ana: Como sabes, Kant defende que só podemos conhecer o que podemos intuir. Tudo começa com a intuição dos objectos no espaço e no tempo - as formas ou estruturas da sensibilidade. Por consequência, só intuímos realidades empíricas, aquelas que podemos perceber naquelas estruturas.
David: Estou a ver. Podes dar um exemplo?
Ana: Ouviste aquela moto que passou? A moto provocou em nós uma certa impressão, nós conseguimos situar o barulho e a visão da moto num certo espaço (a rua) e num certo tempo (dezasseis horas e cinco minutos). Só podemos intuir objectos que estejam no espaço e no tempo.
David: Pois... sendo assim, a sensibilidade desempenha um papel muito importante no conhecimento.
Ana: Claro! mas não é suficiente. Para haver conhecimento é preciso que o entendimento entre em cena. Por isso podemos dizer que todo o conhecimento começa com a experiência mas não deriva dela. A sensibilidade recebe as impressões e estabelece entre elas uma relação espácio-temporal mas não sabe explicar a razão, não estabelece uma relação de causa-efeito. Esta parte cabe ao entendimento.
David: Podes dar um exemplo?
Ana: Consideremos duas impressões sensíveis: o aumento da temperatura e a dilatação de um corpo. A sensibilidade recebe as impressões e estabelece uma sucessão temporal desconhecendo que estão necessariamente ligadas. Isto só acontece quando o entendimento aplica o conceito de causa, o qual permite estabelecer relações de dependência entre estes dois fenómenos. O conceito de causa é uma forma ou estrutura além de outras, com as quais o entendimento humano está equipado. Kant chama-lhes conceitos a priori ou categorias do entendimento.
David: Muito interessante. Continua.
Ana: Só podemos conhecer os dados sensíveis, os fenómenos. Mas pensar é diferente de conhecer. Nada nos impede de pensarmos noutras realidades, os númenos. O conhecimento é condicionado e limitado, mas isso não exclui a existência de uma realidade que não podemos conhecer. A realidade não se reduz ao mundo dos fenómenos, aos objectos que podemos conhecer estabelecendo relações de causa e efeito pelo entendimento. É legítimo pensar que existe muito mais.
David: É por isso que a nossa razão é por natureza insatisfeita, com vontade de conhecimento absoluto...
Ana: Isso mesmo, exige que continuemos além do condicionado e que procuremos a causa incondicionada - a causa última - independentemente da sua existência ou, da possibilidade de a razão a alcançar.
David: "Conhece como se fosse possível atingir o conhecimento absoluto"...
Ana: É isso tudo. A razão "empurra" o entendimento levando-o a estabelecer relações causais entre os fenómenos como se fosse possível prolongá-las até encontrar a causa incondicionada. Mas isso implicaria a possibilidade da razão conhecer além da realidade espácio-temporal, o que claramente não é possível. Contudo, a razão insatisfeita, procura incessantemente decifrar o enigma que é o universo na sua totalidade.
18.4.10
Conhecimento e justificação
Ana: Haverá alguma forma de as nossas crenças constituirem conhecimento sem recorrer à justificação última?

