Ter autonomia de espírito, ter consciência do mundo e fazer fazer escolhas próprias é melhor, de longe, do que ser passivamente feliz em prejuízo destas coisas. (Anthony Grayling)
16.6.10
Adolescência - Um cérebro diferente
A arte é expressão de sentimentos?
Para Leão Tolstoi, um dos grandes nomes da literatura russa do século XIX, uma obra é arte se, e só se, exprime os sentimentos e emoções do artista. Assim, a classificação de um objecto como arte teria de ser baseada na condição de uma pessoa - ao receber através da sua audição ou visão, a expressão do sentimento de outra pessoa - ser capaz de ter uma experiência emocional idêntica àquela que motivou o artista. Esta é a teoria da arte como expressão. Por concordarmos com esta teoria, vamos procurar responder às principais objecções que lhe são apontadas.
Outra dificuldade prende-se com o caso de o artista ser anónimo ou ter falecido, como podemos saber o que o artista realmente sentiu? Embora possa dificultar a compreensão, não é suficiente para enfraquecer a teoria, pois bastaria algum conhecimento relevante sobre o autor para avaliar os sentimentos por ele expressos na obra.10.º G
14.6.10
Teremos a obrigação ética de ajudar quem vive na pobreza absoluta?
Entende-se por pobreza absoluta a ausência de rendimento suficiente em dinheiro ou em espécie para satisfazer as necessidades mais básicas de alimentação, vestuário e habitação. Além de ser a principal causa de sofrimento humano está na origem de muitas mortes prematuras, que podiam ser evitadas. Teremos alguma responsabilidade moral indirecta por estas mortes? Teremos a obrigação ética de ajudar quem vive na pobreza extrema? Devemos impedir alguma pobreza se pudermos fazê-lo?A posição que defendemos é que temos a obrigação ética de ajudar os mais pobres, se pudermos evitar alguma pobreza, devemos fazê-lo. Esta posição foi anteriormente defendida por Peter Singer no seu livro Ética Prática. O argumento é o seguinte:
2. A pobreza absoluta é um mal.
3. Há pobreza absoluta que podemos evitar sem sacrificar nada de importância moral comparável.
4. Logo, temos a obrigação de ajudar os mais necessitados impedindo assim alguma pobreza absoluta.
É verdade que não somos responsáveis, mas não é de responsabilidade em sentido estrito que se trata. O dever de ajudar é um dever que decorre do valor da solidariedade,(a) vai além da responsabilidade pelas nossas escolhas individuais. É um dever que decorre de sermos pessoas. Somos seres livres e responsáveis pelas nossas acções e somos também pessoas. Se podemos evitar alguma pobreza, devemos fazê-lo.
10.º D
7.6.10
Das explicações míticas às explicações racionais
6.6.10
Popper e a aproximação à verdade
Apesar de tudo, julgo que temos razões mais do que suficientes para acreditar nas descobertas que vão sendo realizadas, porque revelam ser as que melhor se adequam à realidade, e tendo em conta o avanço da ciência ao longo dos últimos anos, é no mínimo aceitável que as consideremos menos vulneráveis a possíveis refutações comparativamente às que as sucederam.
11.ºD
5.6.10
Utilitarismo ou deontologia, qual a teoria mais plausível? (três)
O utilitarismo de preferências, parece ter implicações ainda mais inaceitáveis. Esta posição defende que o bem-estar a ser promovido seria a satisfação dos desejos e preferências das pessoas. Mas se assim fosse, teríamos de aceitar atitudes intolerantes e fanáticas se estas resultassem das preferências da maioria. Assim sendo, o utilitarismo de preferências não é uma boa solução.
Para terminar, o utilitarismo também defende o consequencialismo. É boa a acção que produzir melhores consequências, que maximizar o bem. Porém, existem actos que podem maximizar o bem mas que são inaceitáveis. Por exemplo nunca é permissível sacrificar uma pessoa para o bem de um número maior de pessoas. Existem actos intrinsecamente bons (bons em si mesmos independentemente das consequências) e outros intrinsecamente maus, como bem observou Kant. Assim devemos realizar apenas os actos intrinsecamente bons e nunca os intrinsecamente maus.
10.º D
3.6.10
Utilitarismo ou deontologia, qual a teoria mais plausível?(dois)
Henri Matisse, A Dança (1910)Os utilitaristas entendem que as acções são justas quando conduzem à felicidade. Assim, o prazer enquanto ausência de dor, é o bem supremo. No entanto, diferenciam os prazeres a partir da experiência: há prazeres nobres e prazeres inferiores. A moral utilitarista reconhece que a representação racional do dever não pode ser o único motivo das nossas acções, a felicidade pessoal também é importante e deve ter o mesmo peso moral do que a felicidade dos outros.
Penso que esta perspectiva é mais adequada para fundamentar a moral do que a perspectiva deontológica.
A acção moral, formalmente justificada, conduzida pelo dever e pela intenção, implica um afastamento daquilo que é a vida do ser humano. As acções são realizadas em função de um princípio lógico sem conteúdo, afastando-se da vida real das pessoas, dos contextos que originam e explicam as acções. O utilitarismo surge assim como uma teoria que explica melhor os objectivos humanos. Penso que a finalidade da vida humana é ser feliz e diminuir o sofrimento no mundo. O homem age sempre (deve agir) com o objectivo de conseguir essa felicidade. A procura da maior felicidade possível, para o agente bem como para todos imparcialmente considerados, deve ser o guia das nossas acções em qualquer circunstância da vida.
Kevin Vicente
10.º F
Utilitarismo ou deontologia, qual a teoria mais plausível?

Luís Jacinto
29.5.10
Esta acção é errada ou isso "depende da opinião"?
Foi o pai, Mohammed, quem lhe deu o primeiro cigarro. A mãe, Diana, diz: “é completamente viciado. Se não lhe damos cigarros, fica zangado, grita e bate com a cabeça nas paredes. Diz-me que se sente doente”.»
23.5.10
Mais sugestões
Algumas leituras úteis na realização dos trabalhos de grupo. (11.º ano)Desidério Murcho, Sísifo e o sentido da vida
Simon Blackburn, Desejo e sentido da vida
Desidério Murcho, O problema pessoal do sentido da vida
Nuno Vieira de Carvalho, O direito internacional na era da globalização e do risco
Philippa Foot, Eutanásia
Faustino Vaz, O problema ético da eutanásia
J. Gay-Williams, O erro da eutanásia
19.5.10
Filmes, algumas sugestões
A.I. (Inteligência Artificial) (2001) Steven Spielberg - Inteligência artificial:
Blade Runner (O caçador de andróides) (1982) de Ridley Scott - Inteligência Artificial
Home - O Mundo é a nossa casa (2009), Yann Arthus-Bertrand - A industrialização e o Impacto Ambiental:
The Island (A Ilha) 2005 de Michael Bay - A clonagem humana:
Mar Adentro (2007) Alejandro Amenábar - Eutanásia:
18.5.10
Honestidade...
Vale a pena reflectir...
16.5.10
Paradoxo do hedonismo


15.5.10
O que fará uma vida ter sentido?
Jessica Watson, é uma jovem australiana com dezasseis anos que velejou sózinha à volta ao mundo durante sete meses. Chegada a Sidney, onde foi recebida como heroína nacional, recusou esse epíteto dizendo sentir-se como qualquer pessoa que lutou para realizar um sonho. Considerando o esforço e as dificuldades vencidas, esta realização teve indiscutivelmente valor e deu sentido à sua vida. 11.5.10
O problema do livre-arbítrio
Seremos uma engrenagem numa máquina física e determinista ou uma transgressão aleatória?
Um excerto do filme "Waking Life" (2001), de Richard Linklater, encontrado no blogue Dúvida metódica
9.5.10
Ciência e Moral
Sam Harris, argumenta neste vídeo a favor da ideia de que a ciência, os factos, são fundamentais no esclarecimento do que deve ser uma vida boa.
4.5.10
"Medeia" - A nova peça dos Gambuzinos
Sábado, dia 8 de Maio, o grupo de teatro "Os Gambuzinos", estreia a peça: "Medeia" no Centro Cultural Gonçalves Sapinho.SINOPSE:
" Eurípedes, dramaturgo da Grécia antiga, constrói o retrato psicológico de Medeia,
numa das mais duras e impressionantes tragédias da dramaturgia universal.
Medeia, oscila entre o amor e o ódio e ao ser traída pelo seu esposo Jasão
é acometida por uma fúria terrível que a leva a perpetrar uma terrífica e insana vingança.
A recriação poética de Sophia de Mello Breyner Andresen acentua a beleza trágica da peça. "
O dilema do prisioneiro
Vincent Van Gogh, Ronda dos prisioneiros (1890)- Se Smith confessar e o leitor não o fizer, a situação ficará invertida - ele será libertado e o leitor condenado a dez anos;
- Se ambos confessarem, no entanto, cada um será condenado a cinco anos;
- Mas se nenhum confessar, não haverá provas suficientes para condenar qualquer dos dois. Poderão mantê-los detidos durante um ano, mas depois terão de libertá-los.
Por fim, comunicam-lhe que Smith teve a mesma proposta; mas o leitor não pode comunicar com ele e não tem maneira de saber o que Smith vai fazer.
O problema é o seguinte: partindo do princípio que o seu objectivo é passar o menor tempo possível na cadeia, o que deve fazer? Confessar ou não confessar? Para os objectivos deste problema o leitor deve esquecer ideias como as relativas a manter a sua dignidade, lutar pelos seus direitos e coisas do género. O problema não é sobre isso. Deve também esquecer a preocupação de ajudar Smith. Este problema diz estritamente respeito ao cálculo do que é do seu melhor interesse fazer. A questão é: O que poderá libertá-lo mais rapidamente? Confessar ou não confessar?
Pode parecer à primeira vista que a questão não pode ser respondida a menos que saibamos o que Smith vai fazer. Mas isso é uma ilusão. O problema tem uma solução perfeitamente clara: Faça Smith o que fizer, o leitor deve confessar. Isto pode ser demonstrado pelo seguinte raciocínio:
1. Ou Smith irá confessar ou não;
2. Suponhamos que Smith confessa. Então se o leitor confessar será condenado a cinco anos, enquanto se não confessar apanhará dez. Logo, se ele confessar, o leitor ficará melhor se confessar também;
3. Suponhamos por outro lado, que Smith não confessa. Nesse caso o leitor fica na seguinte posição: Se confessar será libertado, enquanto se não confessar ficará detido um ano. É claro, então, que mesmo que Smith não confesse será melhor para si fazê-lo;
4. Logo, o leitor deve confessar. Isso vai colocá-lo em liberdade mais cedo, independentemente do que Smith fizer.
(...) Partindo do princípio de que Smith não é estúpido, chegará [também] à conclusão, a partir do mesmo raciocínio, de que deve confessar. Assim, o resultado será que ambos vão confessar, e isto significa que ambos vão ser condenados a penas de cinco anos. Mas se tivessem ambos feito o contrário, cada um teria saído em liberdade ao fim de apenas um ano. É este o problema. Por terem procurado defender os seus próprios interesses, ambos acabam em piores circunstâncias do que se tivessem agido de forma diferente. É isto que faz do dilema do prisioneiro um dilema. É uma situação paradoxal. O leitor e Smith obteriam melhores resultados se fizessem simultaneamente o que não corresponde aos melhores interesses individuais de cada um. (...)
O dilema do prisioneiro, apesar de fictício, ilustra o que se passa na vida real. Situações do tipo do dilema do prisioneiro ocorrem sempre que se verificam duas condições:
1. Tem de ser uma situação na qual os interesses das pessoas são afectados não apenas pelo que elas mesmas fazem mas também pelo que fazem aos outros; e
2. Tem de ser uma situação na qual, paradoxalmente, todos acabem pior se tentarem individualmente defender os seus próprios interesses do que se fizerem simultaneamente o que não serve os seus interesses individuais.
Este tipo de situação acontece na vida real com mais frequência do que poderíamos pensar.(...)"
James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Gradiva (2004), pp. 209-211
3.5.10
Ética, Razão e Emoções
"[C]omo a moral influencia as acções e emoções, segue-se que não pode derivar da razão, pois a razão por si, como já provámos nunca pode exercer tal influência. A moral excita paixões e produz ou impede acções. A razão por si é totalmente impotente neste aspecto. Logo, as regras da moral não são conclusões da nossa razão.