24.11.10

O problema do livre-arbítrio: O contributo do existencialismo

«(...) Somos eu e tu, tomando decisões e assumindo as consequências.(...) Há seis biliões de pessoas no mundo, é verdade. No entanto, as tuas acções fazem diferença para as outras pessoas e servem de exemplo. A mensagem é: não devemos jamais eximir-nos das nossas responsabilidades e vermo-nos como vítimas de várias forças. Quem nós somos é sempre uma decisão nossa. (...) Como se a tua vida fosse a tua obra a ser criada.»

Uma fala da personagem que representa o filósofo Robert Solomon, em mais um excerto do filme Waking life.


Livre-arbítrio e destino

Gonçalo: Hoje a aula de filosofia pôs-me a pensar numa coisa que nunca tinha pensado antes.
Vilma: Em quê?
Gonçalo: Até hoje sempre julguei que fôssemos livres, contudo eu acredito que todas as nossas escolhas e decisões são livres, mas estão destinadas.
Vilma: Mas não foi disso que falámos. O problema do livre-arbítrio pretende analisar se é possível conciliar o determinismo que ocorre no Universo com a crença de que somos livres.
Gonçalo: Eu sei. Mas a verdade é que para mim o destino é compatível com o nosso livre-arbítrio. Ou seja: eu escolho fazer algo, sou responsável pela decisão que fizer, portanto tenho de responder às consequências do meu acto, no entanto, essa decisão não foi ao acaso, entendes?
Vilma: Lá por não ter sido por acaso, será que foi pelo destino? Gonçalo, cá para mim estás a confundir as coisas. Primeiro, há uma concepção determinista que se encontra justificada pelas ciências, por outro, uma visão fatalista que se ampara nas religiões, por exemplo, os muçulmanos acreditam muito no destino. A meu ver, assumir essa perspectiva fatalista deturpa a visão que temos da realidade e do nosso papel no mundo. Estou convencida de que as nossas escolhas e decisões permitem-nos construir a nossa identidade. Se acreditasse no destino, estaria a assumir que eu não sou a autora da minha vida, que tudo o que nela ocorre se limita a perseguir um objectivo que me escapa das mãos e me transcende.
Gonçalo: Deixaste-me ainda mais confuso agora.
Questão: Será aceitável acreditar no destino?

Problema do livre-arbítrio em meia dúzia de palavras


Neste excerto do filme de Richard Linklater, Waking life podes encontrar argumentos e imagens que nos explicam de modo claro um dos mais perturbantes problemas filosóficos de sempre: o do livre-arbítrio.



Para acederes ao excerto, basta clicares no título do post.

23.11.10

Egoísmo versus altruísmo


O Hugo Paciência (10.º H) pergunta:


«Qualquer jogo de pares tem de ter pelo menos duas pessoas para ser jogado. Sabendo isso, para eu o querer jogar preciso de outro jogador. Se encontrar outra pessoa, convido-a a jogar, logo estou a deixá-la jogar. Com isto estou a ser altruísta, pois estou a deixar essa pessoa jogar, satisfazendo os seus desejos, mas também estou a ser egoísta pelo facto de estar a usar essa pessoa para satisfazer o meu desejo, que era jogar.»


Nesta situação, o agente está a ser egoísta, altruísta ou ambos? Como resolveriam este problema filosófico?

19.11.10

Exame de Filosofia


O Exame de Filosofia vai ser reintroduzido no final do 11.º ano. Notícia do Jornal Público online.

14.11.10

Solidariedade

Vídeo encontrado aqui.

Qual das teorias explica melhor a acção apresentada no vídeo, Utilitarismo ou deontologia? Ambas? Nenhuma? Ou só uma delas?

O que significa discutir ideias?


Em primeiro lugar, discutir significa dialogar, debater; trocar ideias e argumentos. Não devemos confundir este sentido do termo com o sentido mais vulgar, segundo o qual discutir é insultar e gritar. As discussões devem ser consequentes. Quer dizer, devemos explorar e aceitar as consequências lógicas das nossas ideias. Se não gostamos das consequências, temos de mudar as ideias.
O objectivo da discussão é descobrir a verdade ou compreender melhor os problemas, por isso a partilha e o aperfeiçoamento das ideias é mais importantes do que fazer valer a nossa opinião ou saber quem tem razão.
Uma discussão filosófica exige honestidade, humildade, vontade de aprender e progredir. Honestidade, porque devemos dizer o que pensamos, baseados em factos ou em bons argumentos, sem estar a querer enganar o outro ou a brilhar à sua custa, as pessoas vaidosas e arrogantes são um obstáculo a uma discussão honesta. Humildade porque devemos aceitar rever as nossas ideias, se forem apresentadas boas razões para o fazermos.
Quando entramos numa discussão, devemos pôr em prática uma série de capacidades:
• Observar: colher informação e organizá-la.
• Definir os problemas com clareza, para que todos saibam sobre o que é que se está a falar e o que é que se está a dizer.
• Pensar: desdobrar problemas e procurar argumentos e hipóteses; avaliar argumentos (seus e dos outros).
• Expor: mostrar aos outros as suas ideias; publicar.
• Ouvir e compreender os argumentos e posições dos outros.
• Justificar e fundamentar as suas próprias ideias; recorrer a factos sempre que isso seja possível e relevante (isto é, sempre que adiante alguma coisa).
• Manter uma atitude positiva em relação aos outros, mas sem abandonar uma postura crítica.
• Ser exigente e crítico em relação às ideias, tanto em relação às ideias dos outros como em relação às suas. Ser exigente e crítico é exigir a fundamentação das ideias propostas e a apresentação de bons argumentos, que não sejam enganadores e sustentem realmente a conclusão.
• Ser claro e transparente.
• Não ofender as pessoas.

Paulo Jorge Domingues Sousa, A filosofia faz-se pensando, Texto adaptado. Criticanarede

9.11.10

Será a arte um tipo de actividade capaz de conferir sentido à vida?

“A prática da actividade artística, quando é conduzida ao mais elevado nível, é paradigmática desse tipo de actividade aberta, (…) os próprios fins da arte evoluem juntamente com as actividades que têm por fim atingi-los. Como a procura do bem e da correcção moral, e como a procura da verdade, a arte é uma actividade inerentemente aberta, na medida em que os seus fins estão em causa no seio da própria actividade. Os fins das actividades superlativamente com sentido não podem ser alcançados porque à medida que as actividades evoluem também os fins que visam se alteram e se aperfeiçoam. O conhecimento não é de modo nenhum um caso especial, pela simples razão de que procurar alcançar qualquer um dos nossos objectivos com mais sentido é (…) uma actividade cognitiva: Uma actividade que exige a descoberta e a invenção de novos instrumentos conceptuais e teorias novas e melhores.”
Excerto do ensaio de Neil Levy, "Despromoção e sentido na vida", publicado em "Viver para quê? Ensaios sobre o sentido da vida", Selecção, organização e tradução de Desidério Murcho, Editora Dinalivro, Lisboa,2009


Vídeo do Ted: David Byrne,"(Nothing But) Flowers" legendado em português do Brasil.

7.11.10

O que é argumentar?

Um exemplo do que uma discussão não deve ser... Monty Python, Clínica dos Argumentos, aqui.

5.11.10

Às vezes é preciso relativizar...

Todos passamos por momentos difíceis, a diferença está no modo como encaramos as dificuldades. Neste vídeo encontramos inspiração e motivos para relativizar os nossos problemas.

Vídeo encontrado aqui

31.10.10

Apelo à piedade

Bill Waterson, Calvin e Hobbes

Especialmente para os nossos alunos do décimo primeiro ano, aqui fica o link da revista crítica para o Guia das falácias de Stephen Dones, com tradução e adaptação de Júlio Sameiro.

Redigir um ensaio filosófico

1. O QUE É UM ENSAIO FILOSÓFICO?

Um ensaio filosófico é um texto argumentativo, devidamente estruturado (contendo uma introdução, um corpo de ensaio e uma conclusão), no qual se defende uma posição (tese) sobre um determinado problema filosófico.
2. AO REDIGIRES O TEU ENSAIO DEVES...

• Saber relacionar o problema com a teoria e argumentos em causa.
• Responder a uma dada pergunta/problema filosófico.
• Avaliar criticamente os principais argumentos em confronto.
• Tomar o partido de uma das partes e fundamentar essa opção.

3. COMO SE PREPARA UM ENSAIO?

• Começar por ler os textos indicados pelo professor.
• Identificar as teses em confronto e os argumentos que as sustentam.
• Escolher uma tese para defender.
• Escolher os argumentos mais fortes para sustentarem a tese.
• Prever as objecções à tese que estás a defender.
• Apresentar as respostas às objecções.

4. COMO SE ESTRUTURA UM ENSAIO?

Introdução:
• Formula o problema a tratar.
• Apresenta o (s) objectivo (s) do ensaio.
• Mostra a importância do problema.

Corpo do ensaio:

• Identifica as principais teses em disputa que
respondem ao problema formulado.
• Apresenta a tese que queres defender.
• Apresenta os argumentos.
• Apresenta as principais objecções ao que foi defendido.
• Responde às objecções .

Conclusão:

• Tira as conclusões do teu ensaio, salientando as ideias principais que estão nele contidas.

5. COM QUE CRITÉRIOS O PROFESSOR AVALIARÁ O TEU ENSAIO?

• O problema está correctamente formulado?
• A importância do problema é mostrada?
• As principais teses concorrentes são apresentadas?
• A tese que se pretende defender é óbvia para o leitor?
• Os argumentos são bons e não há falácias evidentes?
• As principais objecções são apresentadas?
• As objecções apresentadas são refutadas?
• As conclusões seguem, efectivamente, das premissas?
• O texto está bem redigido, é objectivo e claro?
• As ideias são apresentadas de forma pessoal?

Resumido e adaptado por Valter Boita de ARTUR POLÓNIO, Como escrever um ensaio filosófico, http://www.criticanarede.com.

25.9.10

Os gostos discutem-se?

Andy Warhol, Marylin, 1964

Rita: Eu penso que os gostos não se discutem. Quando afirmo "este quadro é belo", não há nada para discutir. Esta frase exprime apenas um juízo de gosto pessoal, nada mais há a acrescentar. Exprime o meu apreço pelo quadro, sinto que é belo e nada mais.

João: Quando afirmas "este quadro é belo" exprimes não só o que sentes mas também algo acerca do quadro.

Rita: Como assim?

João: Repara, se não houvesse algo no quadro que despertasse os teus sentidos, tu não sentirias nada. Deve haver algo nas coisas que nos leva a apreciá-las, por isso apreciamos umas e outras não.

Rita: Sim, mas os sentimentos são meus e, os nossos sentimentos são genuínos e muito diferentes. Como podemos discuti-los?

João: O que está em causa não são os sentimentos mas as razões pelas quais temos os sentimentos. Apelar aos sentimentos não nos leva a nada. O que interessa é saber porque razão uma obra nos desperta sentimentos e por que razão sentimos apreço por algumas obras e outras não. O modo como nos referimos às obras de arte expressa juízos que ultrapassam o mero gosto pessoal.

Rita: Podes dar um exemplo?

João: Sim. Geralmente dizemos "o quadro é belo" ou "é uma obra-prima", não dizemos "sinto que o quadro é belo", ou "é uma obra-prima de acordo com o meu gosto pessoal". Isto sugere que tem de haver algum acordo sobre este assunto, sem o qual não nos entenderíamos. Por isso penso que os gostos se discutem. O juízo estético comum não é equivalente ao juízo de um especialista. As opiniões não estão todas ao mesmo nível.

Rita: Se assim é, discutem-se com base em que critérios?

João: Com base no padrão de gosto. O filósofo David Hume defendeu que é possível encontrarmos "um conjunto de princípios e observações gerais acerca do que tem sido universalmente aceite como agradável em todos os países e épocas".

Este é diferente da moda, evolui, vai-se formando ao longo do tempo. Hume pensava que "há uma relação entre certas característícas da natureza e a nossa constituição psicológica comum, que favorece certos objectos em relação a outros."

Rita: E como explicas as diferenças de gosto apesar do tal padrão de gosto?

João: Isso deve-se a diferenças de sensibilidade e a diferenças no apuramento do sentido estético. Há pessoas que têm o gosto mais cultivado e desenvolvido, por isso têm maior conhecimento e compreensão dos objectos estéticos.

Rita: Estou a ver... olha João, a prova de que os gostos se discutem é esta nossa conversa (risos).

Mas ainda tenho uma dúvida. Se aceitarmos o padrão de gosto como critério, temos de nos tornar conservadores e conformistas. Como explicas por exemplo a pop art, a música alternativa ou o uso de piercings e tatuagens? Serão apenas expressões de mau gosto?

João: Claro que não Rita. Os pré-conceitos, as modas e os hábitos culturais mesmo os mais radicais, influenciam o padrão de gosto. O facto deste ser aquilo que ao longo do tempo permaneceu como merecedor de atenção, implica "conservar" alguns gostos, mas não implica sermos conformistas. O padrão de gosto evolui e pode incluir inovação e novidade.

13.9.10

Começar a filosofar

Para começar a filosofar, leiam este texto e também este e vejam o vídeo, encontrado no de rerum natura
Desejamos a todos muito sucesso, relembrando que este se constrói a partir do primeiro dia de aulas.


Supertramp, Logical Song, "Breakfast in America" (1979).

3.9.10

Regresso às aulas ECB 2010/2011


Os professores de Filosofia desejam, a todos os alunos, um óptimo ano lectivo, bom trabalho e muita diversão.
Aproveitamos para renovar o nosso convite à participação de todos no LOGOS-ECB.

27.8.10

O Paradoxo da escolha

O psicólogo Barry Schwartz questiona o conceito de liberdade de escolha e a correlação comum entre este e a felicidade. Tradução para português de Carlos Afonso.