29.7.11

Desenvolvimento Comunitário na Benedita: 50 anos depois, que impactos, que visões para o futuro?


No âmbito das celebrações dos 50 anos do projecto de desenvolvimento comunitário ocorrido no início dos anos 60 do século XX, na Benedita, os Rotários lançam um desafio para assinalar a efeméride : " Reafirma-se a necessidade de um amplo envolvimento e participação que envolva entidades, organismos e pessoas da freguesia, bem como investigadores e instituições universitárias " e propõem, concretamente, a participação do Externato Cooperativo da Benedita neste projecto, já que se trata de uma instituição que tem a sua génese nesse movimento comunitário.

A Benedita nos anos 60

O programa TV Rural da autoria do Eng. Sousa Veloso, cuja voz podemos ouvir, esteve na Benedita para mostrar como foi aqui iniciado um programa de "Desenvolvimento Comunitário".
Trata-se de um documento sobre um momento importante da história da Benedita que nos permite uma espécie de viagem no tempo, muito interessante, e que é a prova de que os tempos difíceis podem ser ultrapassados.
Saliento o momento em que, no final do segundo vídeo, se refere a criação de uma cooperativa de ensino que permitirá assim a continuação dos estudos aos jovens da terra, fala-se obviamente do ECB.




Para ver mais dois vídeos:


28.7.11

Cistermúsica



XIX Festival de Música de Alcobaça

Com música que vai da Idade Média aos nossos dias, a edição de 2011 do Cistermúsica, subordinado ao tema “Em torno de Inês”, marca o regresso da temática inesiana ao festival, comemorando os 650 anos da trasladação de Pedro e Inês para o Mosteiro de Alcobaça (1361).

O Cistermúsica é o grande acontecimento cultural de Alcobaça e um dos mais relevantes da região. Desde a primeira edição, foi sua ambição colmatar a falta de concertos regulares com uma programação ecléctica na área da música erudita.

Com início em 3 de Junho, o Festival encerra no dia 31 de Julho com um concerto pela Orquestra Barroca da União Europeia, pelas 18 horas, no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Nada é tão inquietante como o mal

Nada é tão inquietante como o mal. O homicida norueguês - que passo a designar por B - começou a jornada de sexta-feira com a bomba em Oslo. O horror, que vai banalizar a bomba, começa a seguir. Em Utoya, B transforma-se no "assassino em massa". Abate a tiro, com balas dum-dum, dezenas de jovens - "caçados como coelhos", disse um sobrevivente. A seguir, dispara sobre os que nadam para escapar.

(...) Disparou - disse alguém - dezenas de vezes sobre o símbolo do que designou por "marxismo cultural", a principal "ideologia genocida" da Europa "cristã".

B não fugiu. Na segunda-feira, o seu ar triunfante no carro da polícia era tão eloquente quanto o manifesto que deixou na Internet. O plano implicava a detenção e o julgamento - o apogeu da mediatização.

"O que este morticínio de seres humanos mostra é a infinita banalidade e idiotia do mal e da violência, tantas vezes mostrados envoltos em sedução. (...) É uma vergonha, embora inevitável, registar na memória o nome do assassino norueguês e não os das suas vítimas", comentou no Corriere della Serao escritor italiano Claudio Magris.

Em Julho de 356 a. C. um anódino Eróstrato incendiou o Templo de Artemisa em Éfeso, de que se dizia ser uma das "sete maravilhas do mundo". Assumiu que o fizera como desesperado meio de alcançar a glória. O sacrilégio foi castigado com a morte. Como póstuma punição, os magistrados proibiram os efésios de jamais citarem o seu nome, que foi também apagado de todos os documentos. Mas um historiador de outra cidade nomeou-o, outros o repetiram e Eróstrato entrou na História. Ninguém conhece o nome do arquitecto que desenhou o templo de Éfeso. Tal como Eróstrato, B está a ganhar.

O homicida violou um tabu da cultura nórdica, que condena a autoglorificação. Vangloriou-se B no manifesto: "Serei olhado como o maior monstro desde a II Guerra Mundial". Perante a polícia, reivindicou os actos e rejeitou a responsabilidade criminal. Um "herói" que acaba de entrar na História não reconhece a culpa.

"Os assassinos em massa agem geralmente sozinhos", explicou à Reuters o sueco Magnus Ranstorp, especialista em terrorismo. “ [B] é extremamente narcisista e preocupa-se consigo e com o seu lugar na História."

(...) No domingo, o jornalista italiano Pierluigi Battista criticou a pressa das interpretações: "Antes de apurar os factos, surge a febre da identificação do "Inimigo", a procura de explicações que dêem segurança, de simplificações que ponham alguma ordem no que parecia privado de sentido - uma lógica para a orgia de sangue e de morte que sacudiu em poucas horas uma nação tranquila como a Noruega".

É um mecanismo de autodefesa perante o sentimento de vulnerabilidade. "O medo mais verdadeiro é o do inexplicável." Se o autor do massacre tiver tido cúmplices será a natural corroboração da hipótese de "um criminoso desígnio de massacre". Se tiver agido sozinho, "perdemos uma boa ocasião de estar calados".

O "pequeno Mein Kampf" que B colocou na Internet começou a ser passado a pente fino, como se trouxesse, enfim, uma explicação do crime. Para lá dos delírios, suscita um problema maior: está, por definição, semeado de pistas falsas.

Após a detenção, B continua aparentemente a semeá-las, apontando a existência de outras "células", na Noruega ou no estrangeiro. Comentou uma investigadora da polícia norueguesa: "Talvez queira sugerir que está envolvido em algo maior do que ele".

Cinco dias depois de Utoya, sabemos pouco. Para lá do crime, B colocou em xeque os novos partidos xenófobos. A blogosfera de extrema-direita está debaixo de fogo e na defensiva.

Hoje, a expansão da xenofobia está a cargo de partidos que respeitam as regras do jogo democrático, saíram do gueto político, afastaram os extremistas incómodos e alargaram a base eleitoral. Ao invocar os seus argumentos, B lança sobre eles a suspeição de conivência com o terrorismo de extrema-direita. O risco deste "terrorismo negro" passou a ser encarado, através dos que estão fora do sistema, os "lobos solitários" como B - para já, há o risco de "efeito copycat". Ninguém previu - e menos ainda preveniu - o morticínio de Utoya. Muito depende do tratamento político e mediático da tragédia.

Para os noruegueses foi uma catástrofe. Não cederão um milímetro, excepto num ponto: a segurança. A reforma da polícia é a condição de não limitar as liberdades. Eles descobriram subitamente que "o assassino está entre nós".

Voltando a B e citando Magris: "O seu gesto atroz mostra a contínua latência do mal, a possibilidade de se desencadear a qualquer momento; revela a nossa convivência quotidiana, corpo a corpo, com o mal, sempre emboscado e por vezes assustadoramente em acção".

27.07.2011

Jorge Almeida Fernandes

In: Público

16.7.11

A Antiga Biblioteca de Alexandria










Neste vídeo podemos ver o astrónomo Carl Sagan, num passeio virtual pela antiga Biblioteca de Alexandria, num episódio da sua famosa série “Cosmos”. Ele explica-nos, na linguagem clara a que nos habituou, que foi aqui que a jornada da ciência começou de forma sistemática no ocidente. A Biblioteca de Alexandria, no Egipto, uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, foi fundada no início do século III a.C.. Estima-se que a Biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000 nos seus 700 anos de existência.

A Biblioteca de Alexandria (na realidade duas, Biblioteca mãe e filha) era o maior centro de conhecimento do planeta, guardando um saber sem igual. Acorriam a Alexandria sábios de todo o mundo que estudavam e debatiam os mais variados temas. Este clima de tolerância para com as outras culturas não voltaria a ser visto durante mais de 1500 anos. A Biblioteca mãe, tanto quanto sabemos hoje, terá sofrido um incêndio acidental no séc. I d.C, substituindo-a nas mesmas funções a Biblioteca filha. Em 391 d.C., durante o reinado do imperador Teodósio, a Biblioteca foi completamente destruída, juntamente com o templo a Serápis, pelo bispo cristão Teófilo, que foi mais tarde canonizado. Este acontecimento é retratado no recente filme “Ágora” de Alejandro Amenabar, que tem como personagem central Hipátia, figura ímpar também aqui referida por Sagan, que foi martirizada de acordo com algumas fontes, por ordem de Cirilo, Patriarca de Alexandria. A lista dos grandes pensadores que frequentaram a Biblioteca de Alexandria inclui outros nomes de grandes génios do passado como Arquimedes, Euclides, Aristarco, Eratóstenes, Galeno ou Ptolomeu.

15.7.11

Uma sala de aula do tamanho do mundo





Salman Khan fala sobre como e por que razão criou a notável Academia Khan, uma série de vídeos educativos cuidadosamente estruturada, que oferece formação curricular completa em matemática e, agora, noutras matérias. Ele mostra o poder dos exercícios interactivos, e apela aos professores para considerarem a hipótese de revolucionar os métodos habitualmente utilizados na sala de aula para darem aos alunos a exposição da matéria em vídeo, para verem em casa, e para fazerem o "trabalho de casa" na sala de aula, com o professor disponível para ajudá-los. (Com legendas em português)


Poderá a tecnologia, mais do que mudar, humanizar a sala de aula?


4.7.11

Será o cepticismo radical defensável?


Em relação ao problema da possibilidade do conhecimento, o cepticismo radical é a posição segundo a qual o conhecimento não é possível. Trata-se de uma posição contra-intuitiva, já que todos nós estamos convencidos que sabemos alguma coisa. No entanto, os argumentos cépticos radicais parecem não deixar de constituir, até hoje, um desafio.
Porque nos parece implausível que o conhecimento não exista e porque precisamos de provar que é possível conhecer - de modo a validar todos os processos cognitivos científicos, bem como do senso comum - é de enorme relevância chegar a uma conclusão relativamente a esta questão. Assim, neste ensaio iremos defender que a perspectiva céptica radical é refutável.
Segundo a definição clássica de conhecimento, que podemos encontrar no diálogo Teeteto de Platão, o conhecimento é uma crença verdadeira justificada. Estabelecidas ficam, desde então, as condições do conhecimento válido, de cuja satisfação depende o valor de qualquer conhecimento produzido. É esta última condição que é questionada pelos cépticos radicais, de acordo com os quais, as justificações das nossas crenças são sempre falíveis.

Um dos argumentos dos cépticos é o das “Divergências de opinião”. Este argumento defende que, para todos os assuntos existem posições divergentes, mesmo entre peritos, o que torna óbvio que nenhuma das opiniões defendida está suficientemente justificada, pois não se consegue impor sobre as outras, mostrando a sua inadequação.
No entanto, o simples facto de existirem opiniões reconhecidamente mais válidas do que outras constitui uma prova que o conhecimento existe. Por outro lado, a existência de dúvidas pertinentes e consensuais constitui, de alguma forma, conhecimento.

Outro argumento apresentado pelos cépticos é o das “Ilusões e erros perceptivos”. Este argumento defende que nenhuma informação adquirida através da percepção é fiável, uma vez que os nossos sentidos criam imagens distorcidas da realidade ou mesmo, claramente, erradas.
Mas embora a percepção por vezes nos engane, nós conseguimos através do confronto entre os dados de diferentes sentidos emendar muitos desses erros perceptivos; por outro lado, os sentidos podem ter o seu testemunho corrigido pela razão, como nos propõe Hume, podendo assim tornar-se critérios adequados de verdade e falsidade, uma vez que a percepção não é a nossa única faculdade de conhecimento.

Por último, avaliemos o argumento da “Regressão Infinita da Justificação”. De acordo com os cépticos, como sempre que se tenta justificar uma crença se recorre a outra crença, ao justificar umas crenças a partir de outras, o processo de justificação conduz-nos, inevitavelmente, a uma regressão infinita da justificação. Pelo que, nenhuma crença está justificada.
Para refutar este argumento basear-nos-emos em duas perspectivas: a Perspectiva fundacionista, defendida por Descartes, segundo a qual existem crenças básicas que não precisam de ser justificadas, porque são autojustificadas e constituem elas próprias justificação de outras não básicas, constituindo, assim, um bloqueio à regressão infinita da justificação – como por exemplo o Cogito; a perspectiva coerentista defende que as nossas crenças se organizam de forma sistemática ou em rede, existindo entre elas uma relação de sustentação recíproca, entre as diversas crenças, num determinado domínio de conhecimento. Assim, cada crença está apoiada em muitas crenças, relativamente à verdade de uma delas e de todas do seu conjunto. Pelo que, a descoberta da falsidade de uma crença não provoca a falência de todo o sistema de crenças porque nenhuma delas sustenta todas as outras, antes todas sustentam todas. Esta concepção é, muito eficazmente, ilustrada pelo Barco de Neurath.
Finalmente, a tese do cepticismo é uma proposição auto-refutante, isto é, o facto de se afirmar que o conhecimento não é possível, constitui, por si só, o evidenciar de um conhecimento.
Podemos então concluir que o cepticismo radical é refutável, uma vez que para além dos vários argumentos apresentados a seu favor serem objectáveis, como vimos anteriormente, a própria tese céptica é auto-refutante, não sendo, por isso defensável.


Cátia Santos, Hugo Fernandes, Sofia Couto e Tiago Mateus 11ºB

25.6.11

O problema da discriminação positiva das mulheres I

Pietro de Cortona, O Rapto das Sabinas,1627-29

"A discriminação positiva não promove uma igualdade genuína"

As mulheres sempre foram discriminadas com base em argumentos usados por homens que desejavam impor a sua autoridade. Desde a obrigação de ficar em casa a cuidar dos filhos e a fazer as actividades domésticas à proibição de escolher o vestuário ou à proibição de votar, há muitos exemplos que mostram como as mulheres foram sempre discriminadas e rebaixadas durante séculos.
Hoje, muitas destas situações já não se verificam no mundo dito civilizado mas há novas formas de discriminação. Por exemplo, a maior parte dos cargos considerados mais importantes nas empresas são tradicionalmente ocupados por homens o mesmo acontecendo na política. Há favoritismo dos homens nos despedimentos especialmente em tempos de crise, como a que vivemos hoje, ou em situações de gravidez da mulher. As mulheres estão sujeitas a vínculos precários e à discriminação nos salários e nos seus direitos. É no sector económico que mais se sente a discriminação. As mulheres ainda se vêem muitas vezes perante o dilema: ou optam por não constituir família para fazer carreira ou sujeitam-se a ser excluídas de determinadas profissões ou cargos.

Numa sociedade justa, devia ter-se em conta as competências, capacidades e talentos de cada um e não o seu sexo. Como estas nem sempre são reconhecidas às mulheres, algumas pessoas pensam que estas devem beneficiar de discriminação positiva ou acção afirmativa que, contribua para criar condições na sociedade para ultrapassar estas injustiças históricas. Mas será isso justo para as outras pessoas?
Na nossa opinião, a discriminação positiva não é a solução, e por isso somos contra toda a acção afirmativa a favor da Mulher ou outros, por considerarmos que a discriminação positiva não promove uma igualdade genuína.
Pensamos até que pode gerar ressentimentos e o preconceito de que aqueles que pertencem a grupos discriminados não conseguem alcançar o sucesso por mérito próprio, o que gera mais discriminação, criam mais ideias racistas e sexistas. Há ainda o perigo dos beneficiários, se acomodarem. Ora, o comodismo não deve ser estimulado nem premiado, como acontece muitas vezes com as pessoas, a quem são dadas casas e subsídios de sobrevivência, sem se exigir nada em troca. Todos devemos procurar obter sucesso com o nosso trabalho e dedicação. Hillary Clinton foi, por exemplo, a primeira Senadora do Estado de Nova Iorque e nunca beneficiou de nenhuma acção afirmativa.

Um argumento importante é que, apesar dos fins que se pretendem atingir - uma sociedade mais justa, serem louváveis, não justificam os meios - as acções afirmativas. Tomemos como exemplo os candidatos a um determinado cargo que são preteridos a favor de um beneficiário da acção afirmativa; isso é injusto porque se está a tentar ultrapassar uma injustiça através de uma acção injusta. Com a discriminação positiva, eventualmente alguém também vai ser discriminado devido à sua raça, orientação sexual, ou como neste caso, o seu sexo. Afirmar que estas políticas nos parecem injustas em virtude do hábito e que não existe nenhum direito de admissão adquirido nem os interesses dos candidatos são um critério, não é suficientemente forte. A acção afirmativa é contraditória, porque em nome da igualdade, promove a desigualdade. Além disso, quase sempre a discriminação positiva prejudica aqueles que nada fizeram para prejudicar os grupos discriminados, neste caso, as mulheres. Esta transferência da responsabilidade pela compensação, torna-se tão injusta como as injustiças que a discriminação positiva tenta reparar.
Hoje em dia, é quase impossível serem aqueles que prejudicaram as mulheres a compensarem-nas por esse facto, pois muitos destes prejuízos foram causados por gerações mais antigas. Apesar de devermos recompensar alguém pelas dificuldades que lhes causamos anteriormente, não devemos discriminar outros devido a isso. Seria absurdo, por exemplo, uma mulher exigir ter dois votos numa eleição, porque foi privada de votar, por homens, durante muitos anos.

O argumento da prevenção das desigualdades futuras leva-nos ainda a outro problema, a inércia e a irresponsabilidade. Por exemplo, a lei da despenalização do aborto, foi feita a pensar no futuro, no risco de vida que muitas mulheres corriam ao abortar clandestinamente e sem condições médicas, e neste momento é usado por muitas mulheres como método contraceptivo. Ou seja, uma lei que pretendia criar benefícios de saúde para a mulher, veio promover a irresponsabilidade de algumas mulheres que não usam contraceptivos porque podem interromper voluntariamente a gravidez num hospital, em segurança e sem custos. Portanto, a irresponsabilidade não deve ser premiada.

Hoje em dia, as mulheres já não precisam de acções afirmativas para se imporem na sociedade, necessitam apenas de trabalhar para realizar os seus objectivos e provar que são capazes, muitas vezes sendo bem sucedidas em empregos que antes se consideravam de “Homens”, como Amelia Earhart, a primeira mulher a atravessar o Oceano Atlântico sozinha, de avioneta.
Por todas estas razões, pensamos que a discriminação positiva não deve ser permitida pelo menos em relação às mulheres e, que as pessoas não deviam ser julgadas pelo seu sexo, mas sim pelo seu talento, competências e capacidades. Isso seria justo, embora por enquanto possa não ser possível.

Ana Carolina Pontes e Joana Ferreira
10.º F

23.6.11

Os animais não têm estatuto moral



















«Pessoas específicas estabeleceram por vezes relações muito boas com animais específicos: o cavaleiro e o cavalo, o homem e o cão, a cantora de ópera e o gato. Mas isso não é um contrato social que se estenda a todos os animais, nem mesmo a todos os membros de alguma espécie. Estamos perante casos especiais, que dependem das atitudes e dos interesses de certas pessoas específicas.
E, além de os animais não terem grande capacidade para a reciprocidade geral, nós não temos nenhum motivo para a procurar. A maior parte de nós não quer realmente estabelecer ‘boas relações’ com o típico boi, estamos mais interessados no bife ou no hambúrguer para o qual este poderá contribuir num futuro não muito distante. E não precisamos de fazer um contrato social com a vaca, já que estamos de longe numa posição superior. Dados os seus modos bovinos e o seu fraco intelecto, as vacas podem proporcionar-nos o que queremos delas sem que tenhamos de fazer concessões gerais daquelas que os moralistas dos animais reivindicam. Por que razão haveremos então de nos importar? O leitor sentirá alguma ‘coisa’ pela moralidade, terá um interesse especial a seu respeito? Mas os interesses pessoais não importam para efeitos morais. Uma pessoa será amigável para uma vaca, e não haverá mal nenhum nisso; outra ordenhará a besta e depois irá comê-la. As pessoas são diferentes. A questão, então, é a seguinte: por que razão aqueles que querem comer vacas terão de se submeter às indicações ‘morais’ pessoais daqueles que querem torná-las membros encartados da república moral?»





Jan Narvesson, em Moralidade e Animais; Excerto de ensaio incluído em Os Animais Têm Direitos? Perspectivas e Argumentos, organização e tradução de Pedro Galvão, Lisboa, Dinalivro, 2010, págs. 85 e 86. (Já aqui divulgado.)

12.6.11

A Ética do Aborto




A Ética do Aborto, Perspectivas e Argumentos, Organização e Tradução de Pedro Galvão, Lisboa, Dinalivro, 2005


Será que abortar um feto humano é como assassinar um de nós? Este é o problema ético do aborto e é nele que incidem os seis ensaios aqui reunidos. Três dos autores defendem uma posição pró-escolha; os outros três defendem a posição pró-vida. O presente livro proporciona assim uma introdução aos aspectos centrais do debate do aborto, dando a conhecer os melhores argumentos que cada uma das partes tem para oferecer. Enquanto a introdução da obra afasta muitos dos equívocos que continuam a marcar a discussão pública do aborto, nos ensaios seleccionados, alguns dos melhores especialistas mundiais em ética aplicada discutem o estatuto moral do feto, o infanticídio, o mal de matar e o direito da mulher a controlar o seu corpo. Contra quem pensa que as convicções éticas de cada um são intocáveis e que, em relação ao aborto, nos resta medir forças no plano político, este livro mostra que o debate crítico e racional da ética do aborto não só é possível, como também é profundamente desejável.

6.6.11

Teremos ou não a obrigação ética de ajudar os mais pobres?



A resposta de Peter Singer, neste livro da colecção Filosofia Aberta da editora Gradiva.


«A Vida que podemos Salvar é um livro que apela à acção, dando voz à esperança e à compaixão sem descurar a investigação rigorosa e o raciocínio cuidado que transparecem em todas as obras deste autor. Uma obra duplamente pertinente, numa altura em que as dificuldades económicas afectam até pessoas bem próximas de todos nós.
No presente livro, o filósofo Peter Singer, considerado pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo, apresenta argumentos éticos, experiências mentais estimulantes, exemplos eloquentes e estudos de casos para demonstrar que a nossa resposta actual à pobreza mundial é não só insuficiente como eticamente indefensável.
Pela primeira vez na História, está ao nosso alcance a erradicação da pobreza e do sofrimento que esta traz consigo. Para que tal se concretize, afirma Peter Singer, é necessário alterar a nossa perspectiva quanto ao que implica viver uma vida ética. E ajuda-nos a provocar essa mudança, propondo um plano que combina filantropia individual, activismo local e consciência política. O autor expõe o argumento irrefutável de que podemos influenciar significativamente as vidas dos outros sem diminuir a qualidade da nossa.»
Aqui

5.6.11

Democracia e Eleições




Haverá algo que possamos acrescentar em defesa do tipo de sistema democrático que temos? Talvez o melhor a dizer seja isto: no mundo contemporâneo, temos de aceitar que não conseguimos sobreviver sem estruturas de autoridade coerciva. Mas, se temos tais estruturas, precisamos de pessoas que ocupem os seus lugares no seu seio - por outras palavras, governantes. (…) Só aceitaremos que os indivíduos têm direito de governar se tiverem sido nomeados pelas pessoas e puderem ser destituídos pelas pessoas. Ou seja, só a democracia nos permite dar uma resposta aceitável à questão: “por que devem estas pessoas governar?” ou “o que torna legítimo o seu governo?”. Através de meios democráticos podemos, claro está, exercer igualmente um controlo, até certo ponto, sobre a conduta dos governantes. Talvez isto seja o melhor que podemos esperar, tanto em termos de estrutura política como enquanto defesa derradeira da democracia moderna.»



Jonathan Wolff, Introdução à filosofia política, Edições Gradiva, pp. 95 e 152.

4.6.11

Lhasa de Sela, Con toda palabra



Para conhecer mais

http://lhasadesela.com/lhasa_de_sela/videos.php?lang=en

1.6.11

Boas Notícias

"Aluno português ganha medalha de prata nas Olimpíadas Internacionais de Filosofia". Notícia do Jornal Público online. Aqui.

28.5.11

Boas razões para adoptarmos hábitos alimentares mais frugais

Para quem está a trabalhar a Ética Ambiental ou os Direitos dos Animais não Humanos,
Graham Hill apresenta-nos boas razões para moderarmos os nossos hábitos alimentares. Traduzido para português por Bruno Gomes.