Ter autonomia de espírito, ter consciência do mundo e fazer fazer escolhas próprias é melhor, de longe, do que ser passivamente feliz em prejuízo destas coisas. (Anthony Grayling)
20.11.11
A importância do pensamento crítico
Vídeo encontrado no blog Astro Pt.
17.11.11
"Libertas Philosophica"
Nascido em Itália, no ano de 1548, Giordano Bruno foi mais do que um mártir da falta de liberdade de expressão imposta por um tempo em que os pensadores e cientistas não poderiam ir além do princípio de autoridade. Ainda que os ideais do Renascimento já vigorassem na Europa, aqueles que pretendessem encontrar a verdade teriam de se restringir à Revelação divina e à física aristotélica. Porém, houve outros que ao longo da História não permitiram que o seu espírito se subtraísse às verdades impostas e, em consequência disso, sacrificaram a sua vida por uma ideia que despontava da experiência da liberdade de pensar, sonhar e filosofar.Os seus cinquenta e dois anos de vida dão conta de um percurso atípico do intelectual renascentista: defensor dos princípios humanistas, frequentador das cortes europeias, orador em várias universidades, protegido de reis, correligionário de protestantes e de católicos, excomungado por católicos e protestantes. A sua ligação à religião preludia a que será de Espinosa, quase cem anos depois; as suas descobertas científicas são mais arrojadas que as de Galileu Galilei ou Tycho Brahé, defendendo-as de um modo tão feroz quanto foi o seu destino.
Dotado de uma capacidade extraordinária para usar o dom que os gregos chamavam de mãe das Musas, a Memória, foi requisitado por reis e nobres. Em 1590, cansado de vaguear pelas universidades europeias e de ensinar a teoria heliocêntrica, que na época mais ninguém se arriscava a propalar, aceitou o convite do nobre veneziano Giovanni Mocenigo para regressar a Itália, com a condição de o iniciar na arte da mnemotécnica (ou seja, a arte de desenvolver a memória). Porém, temendo que a avareza do seu aluno empregasse os seus ensinamentos nas más obras, recusou-se a fazê-lo. Por vingança, o seu discípulo aprisionou-o num quarto e denunciou-o ao Santo Ofício. Apesar dos dez anos de prisão, tortura e apresentação de provas em sua defesa, jamais renunciará aos princípios que defendia, e será condenado à morte na fogueira, sob a acusação de heresia.
Se defendia que os mundos eram infinitos tal como o seu criador, que Deus não é transcendente, mas imanente às coisas, que a Revelação não serve de prova científica, ou se defendia o heliocentrismo e a existência de vida inteligente noutros planetas, o Tribunal do Santo Ofício foi mais astuto e condenou-o por magia e bruxaria. No entanto, o filósofo italiano não era um mago. Munido de um espírito insaciável, cruzou a ciência e a razão com o misticismo e a fé, não segundo os ditames da época, mas rememorando ideais perdidos no esquecimento da história: peregrinando solitariamente por uma trama de caminhos cruzados entre o neoplatonismo e o hermetismo (conjunto de ensinamentos oriundo do Antigo Egipto que prestavam fidelidade ao deus da escrita e da medicina, Toth). A sentença do Tribunal concretizou-se a 17 de Fevereiro de 1600, no Campo di Fiori, em Veneza.
De Giordano Bruno não restaram muitas obras, pois a maioria foi acrescentada ao Índex, mas o princípio que perseguiu durante toda a vida perpetuou-se - Libertas philosophica - o direito de pensar, sonhar e filosofar.
Passados 402 anos da morte de Giordano Bruno, a humanidade, representada pela Unesco, em prol da defesa da liberdade de expressão e do pensamento racional, pode pôr em ato a "libertas philosophica" tão propalada pelo filósofo italiano.
16.11.11
Será possível fazer alguma coisa que não seja por interesse próprio?
Em 2002, a Unesco definiu a terceira quinta-feira do mês de novembro para se assinalar o Dia Mundial da Filosofia, a fim de valorizar a importância do pensamento crítico e dialógico numa sociedade cada vez mais global. Este ano, comemora-se a 17 de novembro o Dia Mundial da Filosofia e, por isso, este post pretende, mais do que comemorar o que quer que seja, ser um incentivo ao filosofar.
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Desafio:
Considerando que um enigma filosófico pode servir de alimento são a uma mente sedenta pelo saber, lê o texto que apresentamos, extraído da obra de Peter Cave, Duas vidas valem mais que uma?, que tem como principal objetivo confrontar os leitores com 33 enigmas filosóficos, perante os quais nenhuma mente desperta fica indiferente.

- Teria feito isto, se não fosse um mandamento de Cristo?
- Sim.
- Porquê?
- Porque eu fiquei condoído com a condição miserável do velho e agora a minha esmola, por lhe ter dado algum alívio, também me aliviou.
A moral que se tira muitas vezes dessas histórias é que nunca agimos sem ser no nosso próprio interesse. É verdade que por vezes ajudamos os outros, mas isto é só para aliviar o nosso desconforto em os ver no desconforto e é o que acaba por nos motivar.
8.11.11
Orientações para o teste intermédio e exame final
Exame aqui. Teste intermédio aqui.
2.11.11
Teremos ou não a obrigação ética de ajudar os mais pobres? II

22.10.11
Dos ares da Serra com Wim Mertens
Imagens da Serra dos Candeeiros, captadas em Fevereiro de 2009, perto da localidade de Arrimal, concelho de Porto de Mós, Portugal, acompanhadas ao piano e voz por Wim Mertens, sobre tema denominado 'Geräusch', do álbum 'Der heisse brei', editado em 2000. Este artista atuou no cineteatro de Alcobaça há cerca de dois anos. (vídeo do youtube)
16.10.11
Teste intermédios
10.10.11
Argumentação e "conversa fiada"
8.10.11
Uma boa forma de começar
7.10.11
STEVE JOBS (1955-2011)
"O teu tempo é limitado, por isso não o gastes a viver a vida de outra pessoa. Não caias na armadilha do dogma, que é viver de acordo com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixes que o barulho criado pela opinião dos outros silencie a tua voz interior. E, acima de tudo, tem a coragem de seguir o teu coração, a tua intuição. Por uma razão qualquer, eles já sabem o que tu queres ser. Tudo o resto é secundário."
Steve Jobs
3.10.11
O que um problema tem de ter para ser filosófico?

26.9.11
Filosofia como prova de ingresso ao Ensino Superior
(Fonte: Blogue Dúvida Metódica)
P.S.: O blogue Logosecb aproveita a ocasião para felicitar todos os alunos que ingressaram no Ensino Superior.
14.8.11
Boas razões para revermos alguns hábitos
Um grande número de crianças e de adolescentes portugueses só dorme metade do que precisa, revelam os inquéritos que Teresa Paiva e Helena Rebelo Pinto realizaram recentemente em escolas de Lisboa e de Soure. "Estudos recentes comprovam taxas de sonolência excessiva em mais de 50 por cento dos estudantes, o que tem um impacto evidentemente negativo no sucesso escolar", diz a neurologista.
Mesmo que os jovens que trocam o dia pela noite acabem por dormir o mesmo número de horas, esse sono "não tem qualidade", afirma a médica. "Dormem fora da fase do sono, portanto o sono nunca tem tanta qualidade e sabe-se que, para além da depressão e da obesidade, o dormir assim tem um risco aumentado de cancro". Continuar a ler.
29.7.11
O Problema da discriminação positiva das mulheres II
Fernando Botero, Quatro Mulheres, 1965 O problema da discriminação positiva é um problema de Filosofia Social e Política que consiste em saber se, deveremos dar um tratamento preferencial aos grupos sociais mais desfavorecidos. Como as mulheres foram, e são muitas vezes, vítimas de desigualdades, será que devem ser tratadas de modo preferencial? Pensamos que sim. Só dessa forma lutamos activamente pela igualdade plena no futuro.
Quem é contra a nossa posição defende que a discriminação positiva gera ressentimentos que seriam por sua vez, geradores de mais discriminação e preconceitos, impedindo a justiça social. Mas esta forma de argumentar a nosso ver, não tem em conta a solidariedade, o sermos capazes de nos colocar no lugar de quem é efectivamente discriminado. A fragilidade destas pessoas só pode ser superada se a sociedade assumir a sua parte de responsabilidade e ajudar a superá-la. Se há pessoas que conseguem ultrapassar as suas limitações, muitas outras não conseguem fazê-lo sozinhas. Nestes casos, a discriminação positiva é uma forma de aplicar na prática, a solidariedade que defendemos em teoria.
Quem argumenta que a acção afirmativa responsabiliza as gerações actuais pelos erros das gerações passadas, tem alguma razão mas não em todas as situações. Cada geração usufrui de privilégios que não foram construídos por si e tem de trabalhar no sentido de ultrapassar erros passados. Se isso não acontecesse, os erros perpetuar-se-iam e não haveria justiça moral nem social. Se queremos construir uma sociedade justa então é útil combater as injustiças e o único modo de fazê-lo é começar a fazê-lo agora. Para isso é necessário criar medidas que permitam às mulheres, vítimas de condições desiguais no passado, ultrapassar a injustiça de muitas leis e normas sociais que as impediam por exemplo, de trabalhar fora de casa, pois era considerada uma tarefa masculina, os homens é que tinham o “dever” de sustentar a família.
É até um dever social praticar a discriminação positiva, para prevenir desigualdades futuras já que numa sociedade justa, é útil combater as injustiças resultantes de qualquer discriminação. Porque isso é a melhor forma de promover a igualdade de oportunidades no futuro.
Há ainda um outro argumento contra a discriminação positiva, o “Argumento da Violação dos Direitos”, este afirma que a discriminação positiva exemplifica um caso em que os fins que se pretendem atingir, uma sociedade mais igualitária, sendo louváveis, não podem servir para justificar os meios que não são moralmente aceitáveis. Ou seja, a discriminação positiva não deveria ser praticada pois é moralmente errado beneficiar as mulheres, porque isso viola os direitos gerais das pessoas. Logo ninguém deveria ser discriminado positivamente.
Mas de que direitos estamos a falar? Os direitos em causa são facultados pela lei, se antes a lei favorecia certas pessoas, hoje, para restabelecer o equilíbrio temos de favorecer outras pessoas. Por vezes é necessário discriminar para repor a justiça, senão a injustiça prevalece e não há forma de termos uma igualdade genuína.
Assim sendo pensamos que devemos discriminar positivamente as mulheres para começarmos a construir hoje, uma sociedade mais justa.
Desenvolvimento Comunitário na Benedita: 50 anos depois, que impactos, que visões para o futuro?
No âmbito das celebrações dos 50 anos do projecto de desenvolvimento comunitário ocorrido no início dos anos 60 do século XX, na Benedita, os Rotários lançam um desafio para assinalar a efeméride : " Reafirma-se a necessidade de um amplo envolvimento e participação que envolva entidades, organismos e pessoas da freguesia, bem como investigadores e instituições universitárias " e propõem, concretamente, a participação do Externato Cooperativo da Benedita neste projecto, já que se trata de uma instituição que tem a sua génese nesse movimento comunitário.
A Benedita nos anos 60
Trata-se de um documento sobre um momento importante da história da Benedita que nos permite uma espécie de viagem no tempo, muito interessante, e que é a prova de que os tempos difíceis podem ser ultrapassados.
Saliento o momento em que, no final do segundo vídeo, se refere a criação de uma cooperativa de ensino que permitirá assim a continuação dos estudos aos jovens da terra, fala-se obviamente do ECB.
28.7.11
Cistermúsica

XIX Festival de Música de Alcobaça
Com música que vai da Idade Média aos nossos dias, a edição de 2011 do Cistermúsica, subordinado ao tema “Em torno de Inês”, marca o regresso da temática inesiana ao festival, comemorando os 650 anos da trasladação de Pedro e Inês para o Mosteiro de Alcobaça (1361).
O Cistermúsica é o grande acontecimento cultural de Alcobaça e um dos mais relevantes da região. Desde a primeira edição, foi sua ambição colmatar a falta de concertos regulares com uma programação ecléctica na área da música erudita.
Com início em 3 de Junho, o Festival encerra no dia 31 de Julho com um concerto pela Orquestra Barroca da União Europeia, pelas 18 horas, no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.
Nada é tão inquietante como o mal
(...) Disparou - disse alguém - dezenas de vezes sobre o símbolo do que designou por "marxismo cultural", a principal "ideologia genocida" da Europa "cristã".
B não fugiu. Na segunda-feira, o seu ar triunfante no carro da polícia era tão eloquente quanto o manifesto que deixou na Internet. O plano implicava a detenção e o julgamento - o apogeu da mediatização.
"O que este morticínio de seres humanos mostra é a infinita banalidade e idiotia do mal e da violência, tantas vezes mostrados envoltos em sedução. (...) É uma vergonha, embora inevitável, registar na memória o nome do assassino norueguês e não os das suas vítimas", comentou no Corriere della Serao escritor italiano Claudio Magris.
Em Julho de 356 a. C. um anódino Eróstrato incendiou o Templo de Artemisa em Éfeso, de que se dizia ser uma das "sete maravilhas do mundo". Assumiu que o fizera como desesperado meio de alcançar a glória. O sacrilégio foi castigado com a morte. Como póstuma punição, os magistrados proibiram os efésios de jamais citarem o seu nome, que foi também apagado de todos os documentos. Mas um historiador de outra cidade nomeou-o, outros o repetiram e Eróstrato entrou na História. Ninguém conhece o nome do arquitecto que desenhou o templo de Éfeso. Tal como Eróstrato, B está a ganhar.
O homicida violou um tabu da cultura nórdica, que condena a autoglorificação. Vangloriou-se B no manifesto: "Serei olhado como o maior monstro desde a II Guerra Mundial". Perante a polícia, reivindicou os actos e rejeitou a responsabilidade criminal. Um "herói" que acaba de entrar na História não reconhece a culpa.
"Os assassinos em massa agem geralmente sozinhos", explicou à Reuters o sueco Magnus Ranstorp, especialista em terrorismo. “ [B] é extremamente narcisista e preocupa-se consigo e com o seu lugar na História."
(...) No domingo, o jornalista italiano Pierluigi Battista criticou a pressa das interpretações: "Antes de apurar os factos, surge a febre da identificação do "Inimigo", a procura de explicações que dêem segurança, de simplificações que ponham alguma ordem no que parecia privado de sentido - uma lógica para a orgia de sangue e de morte que sacudiu em poucas horas uma nação tranquila como a Noruega".
É um mecanismo de autodefesa perante o sentimento de vulnerabilidade. "O medo mais verdadeiro é o do inexplicável." Se o autor do massacre tiver tido cúmplices será a natural corroboração da hipótese de "um criminoso desígnio de massacre". Se tiver agido sozinho, "perdemos uma boa ocasião de estar calados".
O "pequeno Mein Kampf" que B colocou na Internet começou a ser passado a pente fino, como se trouxesse, enfim, uma explicação do crime. Para lá dos delírios, suscita um problema maior: está, por definição, semeado de pistas falsas.
Após a detenção, B continua aparentemente a semeá-las, apontando a existência de outras "células", na Noruega ou no estrangeiro. Comentou uma investigadora da polícia norueguesa: "Talvez queira sugerir que está envolvido em algo maior do que ele".
Cinco dias depois de Utoya, sabemos pouco. Para lá do crime, B colocou em xeque os novos partidos xenófobos. A blogosfera de extrema-direita está debaixo de fogo e na defensiva.
Hoje, a expansão da xenofobia está a cargo de partidos que respeitam as regras do jogo democrático, saíram do gueto político, afastaram os extremistas incómodos e alargaram a base eleitoral. Ao invocar os seus argumentos, B lança sobre eles a suspeição de conivência com o terrorismo de extrema-direita. O risco deste "terrorismo negro" passou a ser encarado, através dos que estão fora do sistema, os "lobos solitários" como B - para já, há o risco de "efeito copycat". Ninguém previu - e menos ainda preveniu - o morticínio de Utoya. Muito depende do tratamento político e mediático da tragédia.
Para os noruegueses foi uma catástrofe. Não cederão um milímetro, excepto num ponto: a segurança. A reforma da polícia é a condição de não limitar as liberdades. Eles descobriram subitamente que "o assassino está entre nós".
Voltando a B e citando Magris: "O seu gesto atroz mostra a contínua latência do mal, a possibilidade de se desencadear a qualquer momento; revela a nossa convivência quotidiana, corpo a corpo, com o mal, sempre emboscado e por vezes assustadoramente em acção".
27.07.2011
Jorge Almeida Fernandes
In: Público
24.7.11
Amy Winehouse (1983-2011)
Live fast, die young.
16.7.11
A Antiga Biblioteca de Alexandria
Neste vídeo podemos ver o astrónomo Carl Sagan, num passeio virtual pela antiga Biblioteca de Alexandria, num episódio da sua famosa série “Cosmos”. Ele explica-nos, na linguagem clara a que nos habituou, que foi aqui que a jornada da ciência começou de forma sistemática no ocidente. A Biblioteca de Alexandria, no Egipto, uma das maiores bibliotecas do mundo antigo, foi fundada no início do século III a.C.. Estima-se que a Biblioteca tenha armazenado mais de 400.000 rolos de papiro, podendo ter chegado a 1.000.000 nos seus 700 anos de existência.
A Biblioteca de Alexandria (na realidade duas, Biblioteca mãe e filha) era o maior centro de conhecimento do planeta, guardando um saber sem igual. Acorriam a Alexandria sábios de todo o mundo que estudavam e debatiam os mais variados temas. Este clima de tolerância para com as outras culturas não voltaria a ser visto durante mais de 1500 anos. A Biblioteca mãe, tanto quanto sabemos hoje, terá sofrido um incêndio acidental no séc. I d.C, substituindo-a nas mesmas funções a Biblioteca filha. Em 391 d.C., durante o reinado do imperador Teodósio, a Biblioteca foi completamente destruída, juntamente com o templo a Serápis, pelo bispo cristão Teófilo, que foi mais tarde canonizado. Este acontecimento é retratado no recente filme “Ágora” de Alejandro Amenabar, que tem como personagem central Hipátia, figura ímpar também aqui referida por Sagan, que foi martirizada de acordo com algumas fontes, por ordem de Cirilo, Patriarca de Alexandria. A lista dos grandes pensadores que frequentaram a Biblioteca de Alexandria inclui outros nomes de grandes génios do passado como Arquimedes, Euclides, Aristarco, Eratóstenes, Galeno ou Ptolomeu.


