14.2.13

A filosofia dá espaço ao amor



Feliz Dia dos Namorados com «Paperman» - de John  Kahrs
Vídeo do Youtube

27.1.13

A Memória do Holocausto


Dia Internacional da Memória do Holocausto. Tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado, as tropas soviéticas libertavam Auschwitz.

"Se isto é um homem"
Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece a paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelo e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa, andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entrave,
Que os vossos filhos vos virem a cara.
in Se isto é um homem,de Primo Lévi, tradução de Simonetta Cabrita Neto

27.11.12

O Movimento de Paulo



Paulo Borges, professor no Departamento de Filosofia e investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa; Presidente da Associação Agostinho da Silva e da União Budista Portuguesa; Vice-presidente da Associação Interdisciplinar para o Estudo da Mente; Diretor da revista Cultura ENTRE Culturas e Cofundador e presidente da Direção Nacional do Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), criou um movimento com o objetivo de exigir a mudança do estatuto jurídico dos animais e, assim, proibir e punir os vários tipos de maus tratos a que estão sujeitos em Portugal.
 
Para aderir ao movimento ir a

http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1356

15.11.12

Dia Mundial da Filosofia

Hoje, 15 de novembro, celebra-se o Dia Mundial da Filosofia, que tem como propósito incentivar o pensamento crítico e a mútua compreensão. Este ano, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) vai enterrar uma cápsula do tempo na sua sede, em Paris, para ser aberta em 2062, na mesma data. Todos podem deixar mensagens, fotos, desenhos ou objetos para as futuras gerações. O objetivo desta ação é incentivar as discussões sobre as questões contemporâneas. Este é um convite à reflexão sobre as consequências que as nossas ações terão  no futuro e sobre o mundo que queremos deixar. Consulta as condições do projeto AQUI.
Nas nossas aulas, comemoraremos este dia lendo e analisando um excerto de um diálogo de Platão. 

Imagem do Google Escola de Atenas, de Rafael.

29.10.12

Teste Intermédio de Filosofia

Os alunos do 11º ano deverão realizar Teste Intermédio de Filosofia, no dia 17 de Abril de 2013. Podem consultar aqui os conteúdos (de 10º e 11º anos), que serão objeto de avaliação.

20.7.12

Sócrates

Um filme de 1971, realizado por Roberto Rosselini, sobre um dos filósofos mais importantes da humanidade. Vale a pena ver...

19.7.12

Boas Férias!

Desejamos, a todos os alunos, umas boas e bem merecidas férias.

19.5.12

Crítica: A Crítica despede-se

Crítica: A Crítica despede-se

A Crítica foi uma publicação dedicada à divulgação, ensino e investigação da filosofia, fundada em 1997 e que terminou a sua existência em 2012. Nela se publicou artigos de filosofia úteis para estudantes, professores e investigadores, assim como críticas a livros de filosofia. Publicou-se ainda críticas a outros livros (sobretudo ensaios) e artigos de opinião.
Desejamos ao professor Desidério Murcho o maior sucesso nos seus novos projetos.

4.5.12

O dilema da última cama


Na apresentação do ensaio "A morte", de Maria Filomena Mónica, o neurocirurgião João Lobo Antunes apresenta-nos um dilema ético que, segundo ele, é resolúvel na prática, de uma forma simples.
Poderíamos, para aprofundar esta questão, realizar a seguinte  experiência mental: Imagina que chegavam ao hospital, ao mesmo tempo e a necessitar da mesma máquina para sobreviver, dois ou mesmo mais pacientes. Quem deveria ser salvo? Qual o critério ético subjacente a essa decisão?

1.5.12

Os animais têm direitos


"Um passo em frente" é o slogan da 2ª fase da campanha da ANIMAL, "Por uma Nova Lei de Protecção dos Animais em Portugal". A Animal é uma associação portuguesa que tem como missão estabelecer e defender os direitos de todos os animais não humanos, que sejam seres sencientes, acreditando que cada animal importa por si próprio enquanto indivíduo. 

Podes saber mais em http://www.Animal.org.pt

 "A questão não está em saber se eles podem pensar ou falar, mas sim se podem sofrer.»
Jeremy Bentham

23.4.12

Sabemos o que julgamos saber?

Antoine de Saint-Exupéry, O Principezinho
As nossas crenças justificam-se na experiência

A necessidade de explicar o mundo dando-lhe uma razão e descobrindo as suas leis, é tão antiga como o próprio Homem que o tentou fazer desde os tempos mais remotos com base na religião ou na mitologia. Intrinsecamente ligado ao Homem, desde a Grécia Antiga, está o problema da possibilidade do conhecimento. Será que podemos estar certos (temos justificação) de que sabemos o que julgamos saber ou que o conhecimento existe? Esta é uma pergunta de extrema relevância, pois a nossa perspetiva de vida mudaria radicalmente se o conhecimento não fosse possível ou se não tivéssemos razões para acreditar nas nossas crenças. Ora, parece-nos óbvio que sabemos alguma coisa, mas os céticos radicais não pensavam assim. O seu argumento principal baseia-se na noção clássica de conhecimento. Por conhecimento entende-se um conjunto de crenças verdadeiras justificadas. Os céticos argumentaram que as nossas crenças não estão justificadas, na medida em que existem sempre divergências de opiniões, podendo existir erros na nossa perceção e que as nossas crenças estão sempre justificadas por outras anteriores, recaindo numa regressão infinita, a qual implica que nenhuma crença está justificada. Um dos filósofos que tentaram refutar os céticos através da obtenção de um fundamento seguro que refutasse a regressão infinita da justificação, foi Descartes. Para tal procurou encontrar uma crença que se justificasse a ela própria aplicando o método da dúvida. Rejeitando tudo quanto oferecesse a mais pequena dúvida, chegou à crença denominada cogito, que ele acreditou ser uma crença indubitável a partir da qual poderia deduzir todas as outras crenças assegurando assim a sua verdade. Por considerar esta teoria insatisfatória, porque o cogito não prova mais nada além de sermos seres pensantes, vou defender uma posição que primeiramente foi defendida por David Hume um filósofo escocês.
Contrariamente aos céticos, não creio que seja possível para nós vivermos como se tudo fosse duvidoso, a nossa natureza inclina-nos instintivamente para acreditarmos nas coisas, as nossas crenças são baseadas em perceções e sentir consiste em lidar com as impressões no momento. Ao pensarmos, estamos a memorizar e copiar impressões adquiridas no momento em que as sentimos. Dividimos assim as impressões em sensações externas, como quando cheiramos uma flor, e sentimentos internos como o que sentimos quando cheirámos a flor. Isto pode ser constatado por cada um de nós, podemos chamar-lhe intuição sensível. Porém, considero o ceticismo parcialmente incurável, porque não deve ser aceite totalmente. É incurável na medida em que não conseguimos provar a existência de um mundo exterior para justificar as nossas crenças mais importantes. Para a maioria de nós, a experiência explica as nossas crenças baseadas nas impressões, mas muitas crenças não são justificáveis dessa forma porque não se baseiam em nenhuma impressão vivenciada por nós, temos de acreditar com base nas impressões dos outros e na veracidade daquilo que estudamos. Contudo, o ceticismo tem limites e não devemos aceitá-lo completamente (a não ser como método) porque isso contraria os nossos instintos mais básicos e põe em causa uma vida equilibrada. Concluindo, temos conhecimento e o seu fundamento  é empírico, apesar de haver crenças que não podemos explicar racionalmente de modo completo, resta-nos aprender a viver com isso.
Tiago Ferreira, 11.º G

1.3.12

Debate sobre problemas decorrentes dos jogos on-line

Paul Cézanne, Os Jogadores de Cartas (1890)

As apostas on-line são hoje uma realidade para muitos jovens desde muito cedo. Num sentido geral o jogo faz parte da vida. Evoluiu com a cultura ao longo do tempo está presente nas celebrações, nas relações com a natureza, com o sagrado, na guerra. O Homo Sapiens Sapiens é Homo Ludens. As crianças aprendem brincando mas também os adultos gostam de jogar. O jogo tem assim um importante papel pedagógico e de socialização.
À medida que a vida se complexifica também se complexificaram os jogos. Hoje, há jogos para todos os gostos. Há quem jogue responsavelmente e há pessoas para quem o jogo se transformou num problema. A partir de 1980 a Ludopatia (perturbação ou adição ao jogo) foi incluída oficialmente nas patologias e reconhecida desde 1992 pela OMS. Não há dados rigorosos mas estima-se que dois a três por cento da população tem problemas com o jogo. Há jogos legais e jogos ilegais, há jogos meramente lúdicos e jogos mais problemáticos.

O tema do debate é refletir e discutir os limites éticos e políticos da liberdade individual de um jogador que apresente um comportamento problemático. Por que razão é problemático? Que tipos de raciocínio estarão subjacentes a este tipo de comportamento? Serão raciocínios válidos? Que acções poderão ser consideradas responsáveis e irresponsáveis? Que acções podemos considerar como envolvendo somente os interesses pessoais do jogador, aquelas que causam dano apenas ao sujeito nelas envolvido, e as acções que podem prejudicar os outros? O que se entende por dano? Não acontece em muitos casos que um jogador pode transformar a sua vida e a dos seus familiares num inferno? Arriscar o seu futuro devido ao seu problema? Este não o tornará menos capaz de contribuir para a sociedade com o seu trabalho? Por exemplo, se um jogador for convencido, contra os seus melhores interesses, a apostar todo o seu dinheiro, representa esta atitude o exercício da sua liberdade, a afirmação da sua dignidade? Haverá alguma razão ética para intervir na liberdade individual nesta situação? Teremos algum dever ético para com essa pessoa ou pelo contrário não há nenhuma razão ética que legitime a nossa intervenção? Se tivermos algum dever ético, que tipo de dever será esse? 


Estas e outras questões serão debatidas dia 21 de Março,  pelas 10:10 horas, (durante a semana cultural) na sala polivalente do Centro Cultural Gonçalves Sapinho. Se está interessado, informe-se junto do seu professor de Filosofia.

29.2.12

Carmen Souza em Alcobaça



Pré-nomeada para os Grammy Awards em 2010, na categoria de melhor álbum de World Music contemporânea, e aclamada pela crítica nacional e internacional, Carmen Souza, cantora e compositora de origem cabo-verdiana, distingue-se pela forma única, apaixonante e expressiva como canta e pela audácia de combinar sonoridades tradicionais da música dessas ilhas atlânticas, com os tons experimentais do Jazz sempre com muita alma. Se há modernidade na música crioula, essa começa em Carmen Souza.
Talentosa e incansável, Carmen Souza editou em Fevereiro o CD London Acoustic Set, em duo com o baixista, músico e compositor Theo Pas'cal.
Poderemos agora vê-los ao vivo, no Cine-Teatro de Alcobaça, no dia 10 de Março, sábado, pelas 21:30 horas. Bilhetes a 7.5€.
Vamos?

17.2.12

O Cerco a Leningrado



O Cerco a Leningrado, de José Sanchis Sinisterra, vai estar em cena no Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha, nos dias 24 e 25 de Fevereiro.
Encenada por Celso Cleto, a peça - a mais conceituada obra do dramaturgo espanhol - é uma homenagem aos profissionais de teatro e marca a comemoração, em palco, dos 70 anos de carreira de Eunice Muñoz. A actriz, que contracena aqui com Maria José Paschoal, estreou-se em 1941 no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Parece-me uma boa oportunidade de ver trabalhar uma atriz cujo profissionalismo e talento reúnem consenso geral.


Acrescento que o preço dos bilhetes oscila entre os 10€ e os 15€  e também há descontos para grupos.
Vamos?

9.2.12

Somos todos Gregos


“O nosso [dos europeus] legado ontológico é, como Heidegger insistiu, o do questionamento. E por vezes tão enigmáticos como os números primos que se prolongam até ao desconhecido, os três acta cardinais combinam-se. A matemática habita a música, há uma magia tanto de cadência como de sequência axiomática na grande filosofia. Como alguns místicos e lógicos, como Leibniz, intuíram, quando Deus fala consigo próprio, canta álgebra.
Já aqui o papel fundamental de Hellas é evidente. Três mitos, que se contam entre os mais antigos da nossa cultura, falam das origens e do mistério da música. O que surpreende é a percepção na Grécia arcaica, através das histórias de Orfeu, das Sereias e do desafio mortal de Apolo e Mársias, dos elementos na música para além da humanidade racional, do poder da música para enlouquecer e destruir. A nossa matemática tem sido «grega», pelo menos até à proposta da geometria não-euclidiana e à crise da axiomática implícita na Demonstração de Gödel de incoerência. Pensar, sonhar matematicamente é seguir as pegadas de Euclides e Arquimedes, seguir as primeiras conjecturas relativamente à insolubilidade paradoxal de Zenão. Platão ordenou que não entrasse na sua academia nenhum homem que não fosse geómetra. Todavia, ele próprio dirigiu o intelecto ocidental rumo a questões universais de sentido, moral, direito e política. Como A. N. Whitehead afirmou celebremente, a filosofia ocidental é uma nota de rodapé a Platão e, poder-se-ia acrescentar, a Aristóteles e Plotino, a Parménides e Heraclito. O ideal socrático da vida reflectida, a demanda platónica de certezas transcendentes, as investigações aristotélicas das relações problemáticas existentes entre a palavra e o mundo, estabeleceram a via tomada por Tomás de Aquino e Descartes, por Kant e Heidegger. Assim, estes três notáveis dignitários do intelecto humano e da formação da sensibilidade – música, matemática, metafísica – subscreveram a afirmação de Shelley de que «somos todos gregos». Mas a herança de Atenas estende-se até muito mais longe. O vocabulário das nossas teorias e dos nossos conflitos políticos e sociais, do nosso atletismo e da nossa arquitectura, dos nossos modelos estéticos e das nossas ciências naturais permanece saturada de raízes gregas, em ambos os sentidos da palavra. «Física», «genética», «biologia», «astronomia», «geologia», «zoologia», «antropologia» são palavras derivadas directamente do grego clássico. Por seu lado, os nomes trazem consigo, tal como a própria «lógica», uma visão específica, uma cartografia particular da realidade e dos seus amplos horizontes.”

George Steiner, A Ideia de Europa,2005, trad. Mª de Fátima St. Aubyn, Ed. Gradiva, pp.38-39