27.11.10

Três razões contra o egoísmo psicológico


Primeiro, as pessoas tendem a confundir egoísmo com interesse próprio. Quando pensamos nisso, vemos que não são de modo algum a mesma coisa. Se vou ao médico quando me sinto mal, estou a agir em função do meu interesse próprio, mas ninguém pensaria em chamar-me «egoísta» por causa disso. De modo semelhante, lavar os dentes trabalhar afincadamente no meu emprego e obedecer à lei, são tudo acções realizadas no meu interesse próprio, mas nenhum destes exemplos ilustra uma conduta egoísta. O comportamento egoísta é o comportamento que ignora os interesses dos outros em circunstâncias nas quais não deviam ser ignorados. [...]
Uma segunda confusão mistura o comportamento em função do interesse próprio com a procura de prazer. Fazemos muitas coisas porque gostamos de as fazer, mas isso não significa que estejamos a agir em função do interesse próprio. Um homem que continue a fumar cigarros mesmo depois de ter conhecimento da relação entre o fumo e o cancro não está certamente a agir segundo o seu interesse próprio, nem mesmo pelos seus próprios padrões - o interesse próprio ditaria que parasse de fumar - e não está a agir de forma altruísta. Ele fuma, sem dúvida, pelo prazer de fumar, mas isso apenas mostra que a procura indisciplinada do prazer e a defesa do interesse pessoal são coisas diferentes.
Uma terceira confusão consiste na suposição comum, mas falsa, de que a nossa preocupação pelo nosso próprio bem-estar é incompatível com uma genuína preocupação com os outros. Sendo óbvio que todas as pessoas (ou quase todas) desejam o seu próprio bem-estar, poderia pensar-se que ninguém pode estar realmente preocupado com o bem-estar dos outros. Mas isto é uma dicotomia falsa. Não há qualquer inconsistência em desejar que todos, incluindo nós mesmos e os outros, sejam felizes. Na verdade, os nossos interesses podem por vezes entrar em conflito com os interesses de outras pessoas, e podemos então ter de fazer escolhas difíceis. Mas mesmo nestes casos optamos por vezes pelos interesses dos outros, especialmente quando os outros são nossos amigos ou familiares. [...]
James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, pág. 108-109

24.11.10

O problema do livre-arbítrio: O contributo do existencialismo

«(...) Somos eu e tu, tomando decisões e assumindo as consequências.(...) Há seis biliões de pessoas no mundo, é verdade. No entanto, as tuas acções fazem diferença para as outras pessoas e servem de exemplo. A mensagem é: não devemos jamais eximir-nos das nossas responsabilidades e vermo-nos como vítimas de várias forças. Quem nós somos é sempre uma decisão nossa. (...) Como se a tua vida fosse a tua obra a ser criada.»

Uma fala da personagem que representa o filósofo Robert Solomon, em mais um excerto do filme Waking life.


Livre-arbítrio e destino

Gonçalo: Hoje a aula de filosofia pôs-me a pensar numa coisa que nunca tinha pensado antes.
Vilma: Em quê?
Gonçalo: Até hoje sempre julguei que fôssemos livres, contudo eu acredito que todas as nossas escolhas e decisões são livres, mas estão destinadas.
Vilma: Mas não foi disso que falámos. O problema do livre-arbítrio pretende analisar se é possível conciliar o determinismo que ocorre no Universo com a crença de que somos livres.
Gonçalo: Eu sei. Mas a verdade é que para mim o destino é compatível com o nosso livre-arbítrio. Ou seja: eu escolho fazer algo, sou responsável pela decisão que fizer, portanto tenho de responder às consequências do meu acto, no entanto, essa decisão não foi ao acaso, entendes?
Vilma: Lá por não ter sido por acaso, será que foi pelo destino? Gonçalo, cá para mim estás a confundir as coisas. Primeiro, há uma concepção determinista que se encontra justificada pelas ciências, por outro, uma visão fatalista que se ampara nas religiões, por exemplo, os muçulmanos acreditam muito no destino. A meu ver, assumir essa perspectiva fatalista deturpa a visão que temos da realidade e do nosso papel no mundo. Estou convencida de que as nossas escolhas e decisões permitem-nos construir a nossa identidade. Se acreditasse no destino, estaria a assumir que eu não sou a autora da minha vida, que tudo o que nela ocorre se limita a perseguir um objectivo que me escapa das mãos e me transcende.
Gonçalo: Deixaste-me ainda mais confuso agora.
Questão: Será aceitável acreditar no destino?

Problema do livre-arbítrio em meia dúzia de palavras


Neste excerto do filme de Richard Linklater, Waking life podes encontrar argumentos e imagens que nos explicam de modo claro um dos mais perturbantes problemas filosóficos de sempre: o do livre-arbítrio.



Para acederes ao excerto, basta clicares no título do post.

23.11.10

Egoísmo versus altruísmo


O Hugo Paciência (10.º H) pergunta:


«Qualquer jogo de pares tem de ter pelo menos duas pessoas para ser jogado. Sabendo isso, para eu o querer jogar preciso de outro jogador. Se encontrar outra pessoa, convido-a a jogar, logo estou a deixá-la jogar. Com isto estou a ser altruísta, pois estou a deixar essa pessoa jogar, satisfazendo os seus desejos, mas também estou a ser egoísta pelo facto de estar a usar essa pessoa para satisfazer o meu desejo, que era jogar.»


Nesta situação, o agente está a ser egoísta, altruísta ou ambos? Como resolveriam este problema filosófico?

19.11.10

Exame de Filosofia


O Exame de Filosofia vai ser reintroduzido no final do 11.º ano. Notícia do Jornal Público online.

14.11.10

Solidariedade

Vídeo encontrado aqui.

Qual das teorias explica melhor a acção apresentada no vídeo, Utilitarismo ou deontologia? Ambas? Nenhuma? Ou só uma delas?

O que significa discutir ideias?


Em primeiro lugar, discutir significa dialogar, debater; trocar ideias e argumentos. Não devemos confundir este sentido do termo com o sentido mais vulgar, segundo o qual discutir é insultar e gritar. As discussões devem ser consequentes. Quer dizer, devemos explorar e aceitar as consequências lógicas das nossas ideias. Se não gostamos das consequências, temos de mudar as ideias.
O objectivo da discussão é descobrir a verdade ou compreender melhor os problemas, por isso a partilha e o aperfeiçoamento das ideias é mais importantes do que fazer valer a nossa opinião ou saber quem tem razão.
Uma discussão filosófica exige honestidade, humildade, vontade de aprender e progredir. Honestidade, porque devemos dizer o que pensamos, baseados em factos ou em bons argumentos, sem estar a querer enganar o outro ou a brilhar à sua custa, as pessoas vaidosas e arrogantes são um obstáculo a uma discussão honesta. Humildade porque devemos aceitar rever as nossas ideias, se forem apresentadas boas razões para o fazermos.
Quando entramos numa discussão, devemos pôr em prática uma série de capacidades:
• Observar: colher informação e organizá-la.
• Definir os problemas com clareza, para que todos saibam sobre o que é que se está a falar e o que é que se está a dizer.
• Pensar: desdobrar problemas e procurar argumentos e hipóteses; avaliar argumentos (seus e dos outros).
• Expor: mostrar aos outros as suas ideias; publicar.
• Ouvir e compreender os argumentos e posições dos outros.
• Justificar e fundamentar as suas próprias ideias; recorrer a factos sempre que isso seja possível e relevante (isto é, sempre que adiante alguma coisa).
• Manter uma atitude positiva em relação aos outros, mas sem abandonar uma postura crítica.
• Ser exigente e crítico em relação às ideias, tanto em relação às ideias dos outros como em relação às suas. Ser exigente e crítico é exigir a fundamentação das ideias propostas e a apresentação de bons argumentos, que não sejam enganadores e sustentem realmente a conclusão.
• Ser claro e transparente.
• Não ofender as pessoas.

Paulo Jorge Domingues Sousa, A filosofia faz-se pensando, Texto adaptado. Criticanarede

9.11.10

Será a arte um tipo de actividade capaz de conferir sentido à vida?

“A prática da actividade artística, quando é conduzida ao mais elevado nível, é paradigmática desse tipo de actividade aberta, (…) os próprios fins da arte evoluem juntamente com as actividades que têm por fim atingi-los. Como a procura do bem e da correcção moral, e como a procura da verdade, a arte é uma actividade inerentemente aberta, na medida em que os seus fins estão em causa no seio da própria actividade. Os fins das actividades superlativamente com sentido não podem ser alcançados porque à medida que as actividades evoluem também os fins que visam se alteram e se aperfeiçoam. O conhecimento não é de modo nenhum um caso especial, pela simples razão de que procurar alcançar qualquer um dos nossos objectivos com mais sentido é (…) uma actividade cognitiva: Uma actividade que exige a descoberta e a invenção de novos instrumentos conceptuais e teorias novas e melhores.”
Excerto do ensaio de Neil Levy, "Despromoção e sentido na vida", publicado em "Viver para quê? Ensaios sobre o sentido da vida", Selecção, organização e tradução de Desidério Murcho, Editora Dinalivro, Lisboa,2009


Vídeo do Ted: David Byrne,"(Nothing But) Flowers" legendado em português do Brasil.

7.11.10

O que é argumentar?

Um exemplo do que uma discussão não deve ser... Monty Python, Clínica dos Argumentos, aqui.

5.11.10

Às vezes é preciso relativizar...

Todos passamos por momentos difíceis, a diferença está no modo como encaramos as dificuldades. Neste vídeo encontramos inspiração e motivos para relativizar os nossos problemas.

Vídeo encontrado aqui