28.10.08

Realidade

Excelente artigo de Desidério Murcho, sobre um dos problemas fundamentais da filosofia:
a questão de saber se toda a realidade é empírica. Clique aqui.

26.10.08

Picasso, Guernica

As novas tecnologias de som e imagem, aliadas ao génio de Picasso,
para nos proporcionarem uma fruição única do trágico na nossa condição.

video
Vídeo gentilmente enviado pela colega Teresa Agostinho.

21.10.08

Sugestão de leitura




















Gilles Lipovetsky (Millau 24 de Setembro de 1944) é um filósofo francês, professor de filosofia da Universidade de Grenoble, autor obras como A Era do Vazio, O luxo eterno, O império do efémero, O crepúsculo do dever e, mais recentemente, A felicidade paradoxal.



Em O crepúsculo do dever, publicado em Portugal em 1994, procura compreender as mudanças de que é alvo a sociedade pós-moderna, marcada, segundo ele, pelo desinvestimento público, pela perda de sentido das grandes instituições morais, sociais e políticas, e por uma cultura aberta que caracteriza a regulação superficial das relações humanas.


A reflexão sobre as vivências actuais, no trabalho, no sexo, no desporto, na família, a filantropia mediática ou a consciência verde, são realizadas em pequenos capítulos, bem identificados no índice da obra, o que nos permite fáceis e breves consultas, como convêm ao zapper pós-moderno, numa escrita clara que expressa um pensamento que nunca se apresenta como peremptório.

“ (…) não existe outra utopia senão a moral, o século XXI será ético ou não será, de todo…
(…) Duas tendências antinómicas moldam as nossas sociedades. Uma incita aos prazeres imediatos, quer eles sejam consumistas, sexuais ou distractivos: sobrevaloriza a pornografia, droga, bulimia de objectos e de programas mediáticos, explosão do crédito e endividamento doméstico. (…) Em contrapartida a outra privilegia a gestão racional do tempo e do corpo, o profissionalismo a obsessão pela excelência e a qualidade (…)
(…) a cultura da felicidade light induz uma ansiedade crónica de massa mas faz desaparecer a culpabilidade moral (…) a consciência culpada torna-se mais temporária, a figura do zapper substitui a do pecador, a depressão, o vazio ou o stress é que nos caracterizam, não o abismo da má consciência mortificadora.
(… A era pós-moralista (…) deve reafirmar a primazia do respeito pelo homem, denunciar as armadilhas do moralismo, promover éticas inteligentes nas empresas, na relação com o ambiente, assentes em princípios humanistas de base, mas em consonância com as circunstâncias e as exigências de eficácia.
(…) Não sendo os homens nem melhores nem piores do que noutros tempos apostemos colectivamente na ciência e na formação, na razão pragmática e experimental (…) menos sublimes mas mais aptas, menos puras mas mais capazes de corrigir os diversos excessos ou indignidades das democracias. (…) As injustiças e as infâmias nunca desaparecerão: tudo o que podemos fazer é limitá-las, reagir mais inteligentemente, acelerar a operacionalização dos contra-fogos.”







15.10.08

Do tempo que vivemos


José Saramago, o nobel da Literatura, adiantou numa entrevista a Pilar del Rio no último número da revista "Única", suplemento do semanário Expresso:
«Vivemos uma época de esquizofrenia, com um pé no hoje, e até, nalguns casos, vivemos com um pé no amanhã, e o outro pé ficou atrás. (...) Nós somos assim, doentes e não fazemos nada. Faz-se tudo para curar as doenças que sobrevêm à doença de origem, mas muito pouco para enfrentar essa doença de origem. Se não parecesse pretensioso com isto... mas enfim, atrevo-me a dizê-lo: acho que na sociedade actual falta-nos filosofia. Filosofia como espaço, lugar, método de reflexão, que pode não ter um objectivo determinado, como a ciência. Falta-nos reflexão, precisamos do trabalho de pensar, e parece-me que, sem ideias, não vamos a parte nenhuma.»
José Saramago, "Esplendor de Portugal - entrevista", Expresso, 11 de Outubro de 2008.

14.10.08

Leituras


-Mas os inconvenientes agradam-me.-(…) Nós preferimos fazer as coisas com todo o conforto.

-Mas eu não quero o conforto. Quero deus, quero a poesia, quero o autêntico perigo, quero a liberdade, quero a bondade, quero o pecado.

-Em suma, você reclama o direito de ser infeliz.

-Pois bem, seja assim! – respondeu o Selvagem em tom de desafio – Reclamo o direito de ser infeliz.

-Sem falar no direito de envelhecer, de ficar feio e impotente, no direito de ter a sífilis e o cancro, no direito de não ter de comer, no direito de ter piolhos, no direito de viver no temor constante do que poderá acontecer amanhã (…).

-Reclamo-os a todos – disse, por fim, o Selvagem.


[in Aldous Huxley, Admirável mundo novo]
Ana Pereira (11.º B)

9.10.08

O tema da clonagem tem sido muito discutido nos meios de comunicação social, mais ou menos de forma cíclica, isto é, há alturas em que se ouve mais falar de clonagem, outras que nem tanto.
Eu queria lançar uma questão relativa a este tema e gostaria muito de ouvir as vossas (fundamentadas) opiniões!
Eis a questão: Clonagem terapêutica e clonagem reprodutiva - sim ou não?