9.10.08

O tema da clonagem tem sido muito discutido nos meios de comunicação social, mais ou menos de forma cíclica, isto é, há alturas em que se ouve mais falar de clonagem, outras que nem tanto.
Eu queria lançar uma questão relativa a este tema e gostaria muito de ouvir as vossas (fundamentadas) opiniões!
Eis a questão: Clonagem terapêutica e clonagem reprodutiva - sim ou não?

7 comentários:

Marta disse...

Olá professora Catarina e restantes professores de Filosofia do ECB!
Desde já os meus parabéns por este projecto que me parece digno de louvor. Os jovens de hoje em dia precisam realmente de algo ou alguém que os estimule a pensar... Este parece-me um excelente modo de o fazer.

Em relação ao tema que lançou, professora Catarina, também o acho bastante controverso e nem sequer tenho ainda uma opinião clara formada acerca dele. Contudo, a meu ver, a clonagem terapêutica deve ser desenvolvida e posta em prática. Daquilo que percebi da aula de Psicologia de ontem, este tipo de clonagem poderá utilizar aglomerados de células indiferenciadas para tratar inúmeras doenças. A questão é se essas células serão ou não seres humanos.

Quanto à clonagem reprodutiva, penso que sou contra. Ocorre-me principalmente aquela imagem do documentário que vimos, a família disfuncional em que a filha era um clone da mãe e o filho um clone do pai. Produzir (sim, porque aqui se trata precisamente de produção) seres humanos é algo que me assusta... Faz-me lembrar o livro de Aldous Huxley, «Admirável Mundo Novo» e o mundo terrível que nele é retratado.
Parece-me que só nos poderemos pronunciar sobre este assunto quando devidamente esclarecidos.

Conto voltar cá mais vezes
Marta

Valter Boita disse...

Marta, bem vinda e esperamos contar sempre com os teus inspirados comentários!

Referiste o "Admirável mundo novo" - trata-se de uma importante referência da literatura que nos pode ajudar a compreender algumas consequências da clonagem e da transformação dos seres humanos em máquinas a fabricar numa linha de montagem. O cenário de Huxley é perturbador, mas ao mesmo tempo, não descreve a clonagem reprodutiva para fins reprodutivos. Há modos de clonar sem cairmos nos cenários apresentados por Huxley ou dos argumentistas do filme "A ilha".

Valter Boita disse...

*onde se lê "não descreve a clonagem reprodutiva para fins reprodutivos." deve ler-se não descreve a clonagem para fins reprodutivos. Foi lapso! :))

Marta disse...

É certo que há formas de clonar sem chegarmos ao cenário apresentado por Huxley, mas também é certo que «Admirável Mundo Novo» evidencia muito bem o que poderia acontecer se a humanidade aceitasse viver segundo os critérios de cientificidade definidos pelo modelo positivista... Isto é, haverá sempre o perigo de se cair nesse extremo. Haverá sempre gente interessada em clonar para produzir riqueza. A meu ver, se a clonagem reprodutiva acabar por ser proibida, continuará a existir num mercado paralelo. Por isso acho que esta matéria é bastante delicada. É óbvio que não se pode de maneira nenhuma desencorajar a investigação científica - a ignorância nunca foi melhor que o conhecimento.

Contudo, parece-me que há casos em que a clonagem reprodutiva poderia ser uma hipótese... Por exemplo, os casais homossexuais que querem ter filhos. Assusta-me um pouco a possibilidade de criar um ser humano com o mesmo património genético que o de outro (não haverá, provavelmente, uma diminuição da variedade genética e biológica dentro da espécie humana?), mas não é também verdade que grande parte do que somos é determinado pelo tempo e condições em que vivemos?

Soledade disse...

A vantagem da reprodução sexuada sobre a partenogénese, por exemplo, é a aliatoriedade, a aposta na diversidade e no acaso como resposta ao imprevisto e à necessidade de adaptação a um universo em constante fluxo e mudança. Creio que este é um forte argumento contra a clonagem reprodutiva e contra o decorrente empobrecimento do caldo genético. Se outros argumentos, de natureza ética, não houvesse.

Marta disse...

Concordo consigo, professora Soledade. A meu ver, os mais fortes argumentos contra a clonagem reprodutiva ainda são de natureza ética.

Graça Silva disse...

Olá a todos! Olá Marta! bem vinda ao blog e obrigada pelos teus comentários. É importante e estimulante quando vemos alunos interessados em participar.
Quanto ao tema, considero que tens razão em considerar os problemas éticos da clonagem, estes são de facto muito relevantes. Mas, a meu ver, a diversidade genética é o problema fundamental. A saúde que ela implica, é a condição sem a qual, os problemas éticos nem sequer fazem sentido.
Por esta razão sou a favor da clonagem terapêutica dentro dos limites éticos. Quanto à clonagem reprodutiva acho mais seguro deixar o assunto ao critério da mãe natureza.