19.6.26

A Indução da Consciência

  

A consciência é a razão da ilusão do livre-arbítrio.

O facto de o ser humano ter consciência das suas ações, decisões e existência, leva-o a acreditar que é dono de suas ações. A consciência não é equivalente à origem da ação, isto significa que ter consciência de uma ação que foi executada por nós não nos torna autores dela, ter consciência de uma ação é apenas reconhecê-la. A consciência é um meio de interpretação, perceção e apropriação de uma ação, é justamente essa apropriação de autoria que nos leva à ilusão do livre-arbítrio.

Antes mesmo da consciência tomar a sua função, ocorrem diversos processos mentais responsáveis pela execução de uma ação. Sendo estes processos inconscientes, não temos controlo sobre os processos que determinam as nossas escolhas e ações, tornando assim o papel consciente sobretudo interpretativo, não originário.

Se a consciência não é a origem das ações, então não pode ser o fundamento do livre-arbítrio, pois, neste caso o “livre-arbítrio” seria apenas o ato consciente de interpretar e reconhecer uma ação. Portanto, a consciência é responsável pela indução da ilusão do livre-arbítrio, a consciência apropria-se da ação e gera essa mesma ilusão.

Se as nossas ações têm origem em processos inconscientes e a consciência toma em conta a ação apenas posteriormente a esses processos, então o livre-arbítrio não existe. A escolha antecede a consciência; e se a escolha não é consciente, então não é livre.


João Fialho 10ºD
Foto, Graça Silva

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