A consciência é a razão da ilusão do livre-arbítrio.
O facto de o ser humano ter consciência das suas ações,
decisões e existência, leva-o a acreditar que é dono de suas ações. A
consciência não é equivalente à origem da ação, isto significa que ter
consciência de uma ação que foi executada por nós não nos torna autores dela,
ter consciência de uma ação é apenas reconhecê-la. A consciência é um meio de
interpretação, perceção e apropriação de uma ação, é justamente essa
apropriação de autoria que nos leva à ilusão do livre-arbítrio.
Antes mesmo da consciência tomar a sua função, ocorrem
diversos processos mentais responsáveis pela execução de uma ação. Sendo estes
processos inconscientes, não temos controlo sobre os processos que determinam
as nossas escolhas e ações, tornando assim o papel consciente sobretudo
interpretativo, não originário.
Se a consciência não é a origem das ações, então não pode
ser o fundamento do livre-arbítrio, pois, neste caso o “livre-arbítrio” seria
apenas o ato consciente de interpretar e reconhecer uma ação. Portanto, a
consciência é responsável pela indução da ilusão do livre-arbítrio, a
consciência apropria-se da ação e gera essa mesma ilusão.
Se as nossas ações têm origem em processos inconscientes e a
consciência toma em conta a ação apenas posteriormente a esses processos, então
o livre-arbítrio não existe. A escolha antecede a consciência; e se a escolha
não é consciente, então não é livre.
João Fialho 10ºD

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