
25.6.09
24.6.09
Concurso: "Faz Portugal Melhor"

23.6.09
Os computadores, poderão ter uma vida mental com pensamentos e emoções?

A Inteligência Artificial tem centrado os seus esforços na simulação de capacidades cognitivas humanas - na simulação da linguagem, da percepção, reconhecimento de padrões, mas não existem tentativas de simular outras capacidades humanas, como a afectividade, a personalidade, o sentido estético ou o juízo moral. Um programa de computador não faz isso, pois é apenas um conjunto de instruções formais para manipular símbolos, não tendo compreensão em relação aos aspectos psicológicos da humanidade.
O teste proposto por Turing consistia em levar a cabo uma experiência com duas pessoas e um computador. Nesta experiência uma pessoa isolada faz uma série de perguntas que são respondidas pelo computador e pela outra pessoa. O computador passa o teste se o indivíduo que faz as perguntas não conseguir descobrir qual dos interlocutores é a máquina e qual é humano. Turing previa que os computadores estariam brevemente aptos a passar o teste, contudo, nem os computadores tecnologicamente mais avançados da actualidade são capazes de o fazer. Este facto, obviamente, não invalida o teste.
Se assim é não podemos traçar uma distinção entre simulação e réplica, entre uma posição forte em relação à inteligência artificial e uma posição fraca. Se o Teste de Turing for executado com sucesso podemos dizer que o computador simula os estados mentais, mas temos de acrescentar que, se os simula com eficácia, a melhor explicação para esse facto é a de que os replica adequadamente. Por outro lado, se a experiência do Quarto Chinês for possível, a melhor explicação para esse facto seria a de que a linguagem é apenas manipulação de símbolos e que a nossa intuição de que o indivíduo não fala Chinês está relacionada com factores exteriores à experiência. Mas a linguagem é muito mais do que mera manipulação de símbolos. Pensamos que os computadores estão muito longe de terem estados mentais idênticos ao ser humano.
Imagem retidada do Google: Hal 9000, computador consciente da nave Discovery, no filme 2001: Odisseia no Espaço (1968)
19.6.09
Outra vez o sentido da vida...

Todas as nossas guerras…
Todos os nossos problemas…
Toda a nossa grandeza e toda a nossa miséria…
Toda a nossa tecnologia, a nossa arte, os nossos feitos…
Todas as civilizações…
Todas as religiões…
Todo o nosso amor… e o nosso ódio…
Seis mil milhões de almas em constante convulsão…”
Dá que pensar!…
Foto tirada por Cassini-Huygens,
Uma nave espacial não tripulada,
em 2004, ao chegar aos anéis de Saturno.
18.6.09
Filosofar descontraidamente...

15.6.09
Ainda o sentido da vida...

Antes de iniciarmos uma reflexão mais profunda, é necessário esclarecer alguns conceitos envolvidos neste problema. O primeiro passo é esclarecer o que é o sentido da vida e compreender o problema em questão. Neste contexto, podemos querer enunciar dois aspectos do problema quando nos referimos ao significado da existência: podemos estar a falar da finalidade da nossa vida ou podemos estar a falar do seu valor.
Assim, é premente distinguir dois tipos de finalidades através da exemplificação: por um lado, caso nos perguntem porque apanhámos o metro para ir para o centro comercial ontem, responderemos que fomos às compras; porém, podem ainda questionar o porquê desta ida, e assim sucessivamente até ao infinito. Nesta circunstância, temos um objectivo instrumental, ou seja, algo que se faz porque se tem em vista outra coisa. Por outro lado, ao perguntarem porque comemos chocolate, afirmaremos que o fazemos porque nos dá prazer. Ora, neste caso temos uma finalidade última, uma finalidade em sim mesma, situação na qual não vale a pena exigir mais perguntas porque não faz sentido perguntar com que finalidade estamos a comer chocolate.
Contudo, é errado pensar que este problema se desenrola na procura de uma única e última finalidade da nossa vida. Ao reflectir, sabemos que não é essa finalidade que dará sentido à nossa existência, já que no nosso dia-a-dia nos deparamos com várias finalidades últimas, visto que fazemos várias coisas aprazíveis.
Posto isto, é fácil compreender que falta algo para dar realmente sentido à nossa vida. Este aspecto é o valor intrínseco das nossas acções. Todavia, ao chegar a este ponto, deparamo-nos com uma dificuldade: é certo que existem acções que têm valor intrínseco para uns e não para outros. Este valor confere ao sentido da vida um carácter subjectivo.
No entanto, este ponto não indica que o sentido atribuído à vida seja totalmente subjectivo. É certo que o sentido da nossa vida não se deve centrar apenas no mundo exterior, mas também na nossa realização pessoal, objectivos e tudo o que nós somos enquanto indivíduos singulares. Porém, identicamente, não podemos pensar só em nós, pois não vivemos isolados do mundo.
Ora vejamos: neste momento estamos a estudar com o objectivo de entrarmos na Faculdade de Arquitectura. É óbvio que não conseguiríamos fazê-lo com sucesso sem a ajuda dos outros (professores, colegas, …). No entanto, temos também de dar bastante de nós para alcançarmos o pretendido e fazêmo-lo apenas por interesse pessoal.
Assim consideramos ser necessário encontrar um equilíbrio entre estes dois pontos de vista, dado que nenhum deles se adequa devidamente à realidade. É preciso encarar a vida com objectivos, sem nunca nos esquecermos da felicidade pessoal. Pensamos que só assim poderemos dar algum sentido à nossa existência.
ALMEIDA, Aires. Dicionário da Filosofia, Plátano Editora, Colecção Filosofia Prática, Lisboa, 2003;
ALMEIDA, Aires e MURCHO, Desidério. A Arte de Pensar - 11º ano, Didáctica Editora, Lisboa, 2008.
RUSS, Jaqueline. Dicionário de Filosofia, Didáctica Editora, Coimbra, 2000;
REIS, Alfredo. O existencialismo, Atlântida, Biblioteca da Filosofia, Coimbra, 1997;
Imagem: Claude Monet, «Garden Path at Giverny»
11ºF
13.6.09
Seremos moralmente responsáveis, de uma forma directa, pela preservação do ambiente?

(...)“Um rio serpenteia por entre ravinas cobertas de floresta e gargantas escarpadas em direcção ao mar. A comissão hidroeléctrica estatal considera as quedas de água energia não aproveitada. A construção de uma barragem numa das gargantas proporcionaria trabalho durante três anos a 1000 pessoas e emprego a longo prazo para 20 ou 30. A albufeira armazenaria água suficiente para garantir que o estado satisfaria de forma económica as suas necessidades energéticas da década seguinte. Esta situação fomentaria o estabelecimento de indústrias de energia intensiva, contribuindo assim ainda mais para o emprego e crescimento económico.
O terreno acidentado do vale do rio só permite o acesso a pessoas de razoável condição física, mas é, apesar de tudo, um lugar predilecto dos que gostam de passear pelo bosque. O próprio rio atrai os mais ousados praticantes de desportos radicais, como o rafting. No coração dos vales abrigados encontram-se manchas de uma espécie rara de pinheiros, tendo muitas das árvores uma idade superior a 1000 anos. Os vales e desfiladeiros abrigam muitos animais e aves, incluindo uma espécie em perigo de rato marsupial, que raramente se vê fora do vale. Pode haver muitos outros animais e plantas raros, mas ninguém sabe ao certo porque os cientistas ainda não estudaram esta região a fundo.
Será que se deve construir a barragem?” (...) (Ética Prática, 1993)
Para responder à questão levantada por Singer, podemos adoptar vários argumentos distintos. Os apologistas da ética antropocêntrica defendem que apenas os seres humanos têm valor intrínseco, ou seja, só a nossa espécie merece ser considerada de um ponto de vista ético e moral nas decisões a tomar acerca das políticas ambientais. Assim, só as decisões que lhes são convenientes e lhes proporcionam mais-valias devem ser tidas em conta. Alguém que defenda esta perspectiva ética seria da opinião de que a barragem deveria ser construída, uma vez que as vantagens para o ser humano seriam bastante superiores às desvantagens. Qualquer tipo de consequências negativas para os seres vivos não-humanos, seriam ignoradas, pois estes não têm, aos olhos dos antropocentristas, estatuto moral. No entanto, esta posição é bastante discutível mesmo no seio desta perspectiva ética, pois se pensarmos nas gerações futuras, veremos que estas serão mais relevantes em termos de número do que aquelas que irão usufruir dos ganhos imediatos desta construção. Assim, segundo esta perspectiva, a construção da barragem seria inaceitável.
Quem defende a ética da vida, segundo a qual todos os seres vivos têm valor intrínseco, embora com estatuto moral diferente (tal como o filósofo americano Paul Taylor), afirma que o que concede significado moral a um organismo não é só a capacidade de sentir dor nem o facto de ser consciente, mas sim o de ter uma finalidade.
Pelo que ficou exposto, consideramos que, embora radical em algumas situações, a ética da vida, se moderada, é a que nos parece mais adequada. Referências Bibliográficas:
ALMEIDA, A. et all; A Arte de Pensar; Filosofia 11º Ano; 2ª Edição; Didáctica Editora; 2008; pp. 231-242
12.6.09
Será que a vida tem sentido?

Assim, para que uma actividade tenha sentido tem que ter uma finalidade que por sua vez tem também que ter valor. No entanto, este sentido tanto pode ser objectivo (se tiver realmente sentido) como subjectivo (se quem desempenhar a acção pensar que esta tem sentido).

No entanto, ambas as perspectivas apresentam algumas objecções. De facto, o subjectivismo ao fazer coincidir a felicidade própria com o sentido da vida, cria algumas fortes incoerências. Na verdade, questionar se uma vida tem sentido é diferente de questionar se uma vida é ou não satisfatória. Para além disto não podemos considerar apenas o sentido subjectivo da vida, já que somos seres inseridos numa sociedade, fazendo parte de uma cadeia na qual somos, directa ou indirectamente, peças fundamentais, dada a importância que temos para “o outro” e que, consequentemente, estes têm para nós.
Para além disto, consideramos que o sentido da vida não está no alcançar o objectivo a que nos propomos em determinado momento, mas sim no interesse e empenho que pomos na caminhada para o alcançar. O interesse será assim a justificação e o sentido para determinada actividade. Provavelmente seria assim que pensariam aqueles que, na antiguidade, construíram um grande edifício ao verem que o que resta hoje são escombros soterrados.
Consideramos ainda que o sentido da vida está no nosso interior mas isto não quer dizer que estejamos apenas à procura da felicidade própria. Na verdade sentimo-nos, muitas vezes, mais felizes por proporcionar a felicidade àqueles que nos rodeiam. Para além disto, concluímos que o sentido da vida está nos pormenores: o sorriso do filho é tudo para a mãe, uma carícia é a tranquilidade para o amante, uma mudança de frase é a evolução para o escritor, um passo é o triunfo do atleta. Assim, a análise das teorias e das respectivas objecções, em conjunto com a nossa própria opinião anteriormente exposta, revela que a perspectiva que surge como a mais coerente é a objectivista.
11.º C
5.6.09
A casa que os filósofos construíram

"A filosofia assemelha-se muito a uma casa que se constrói sobre estacas num rio. Nessa casa podemos fazer todo o género de coisas — construir coisas, movê-las de um lado para o outro — mas estamos sempre cientes de que a estrutura é suportada por pilares assentes em algo potencialmente e amiúde realmente inconstante. A filosofia desce repetidamente para ver como estão as coisas perto da base dos pilares e na verdade inspecciona os próprios pilares. As coisas podem precisar de mudança lá em baixo. Para os filósofos isto não é apenas a natureza da filosofia mas a condição intelectual genuína da humanidade. É a filosofia que presta uma atenção detalhada a essa condição e a leva a sério. Isto em vez de a ignorar ou resolvê-la de um modo sofístico. "
John Shand
3.6.09
O que nos "diz" a obra de arte?

O pintor utilizou a técnica de óleo sobre tela com uma coloração intermédia contrastando entre o claro e o escuro. Tanto usa o branco, como o preto no fundo… utiliza também o sfumato, execução vaporosa de figuras cujos contornos estão esbatidos, criando uma composição surpreendente.
De forma rectangular, o quadro apresenta linhas muito finas, quase invisíveis, na composição principal. A maneira como o quadro está desenhado e a forma como as linhas estão expostas mostra algum movimento como se aquele “sono” profundo flutuasse num sonho. As cores frias, parecem revelar alguma tristeza e cansaço; a perspectiva muito suave e calma mostra-nos uma serenidade desencantada perante os contrastes de que é feita a vida, a sua leveza cósmica e o peso da sua existência individual.