31.1.10
O determinismo moderado
A perspectiva libertista sobre a acção

30.1.10
Um "argumento" contra o determinismo radical
Determinismo e indeterminismo na acção
26.1.10
"Ética a Nicómano"
24.1.10
A REALIDADE, poderemos conhecê-la?
Vídeo gentilmente enviado pela colega Soledade.
23.1.10
Cidadania activa?

É comum que em países ocidentais como o nosso, em que o bem-estar está ao alcance de quase todos, a vida pública passe para segundo plano em relação à vida privada, uma vez que vai sendo assegurada pelos governantes, e apenas quando algo ameaça perturbar esse bem-estar particular é que exercemos o nosso direito a intervir na vida pública. Isto acontece porque temos tendência a acomodar-nos e a pensar que quem está no poder é que tem de assegurar o nosso bem-estar.
Cada um de nós tem um papel importante a desempenhar. Aristóteles defendia mesmo que a vida pública era superior à privada, cada cidadão para se tornar plenamente homem, tinha o dever de participar na vida pública porque era dessa forma que servia o bem e a virtude; sendo necessário um uso responsável da retórica e da dialéctica enquanto capacidades de persuasão ao serviço do bem comum. A política era uma extensão da ética.
Para Desidério Murcho, há mudanças na forma como entendemos a vida pública e a privada. A forma como aquela é encarada pelos cidadãos está a tornar-se assustadora, uma vez que na generalidade dos casos apenas é vista como um meio para atingir o bem-estar na vida privada. Para ele, só nos lembramos e valorizamos os ideais democráticos quando o bem-estar particular está em causa, o que demonstra o nosso carácter individualista e o economicismo das nossas sociedades.
21.1.10
Será a beleza um critério de verdade?
Clicar em View subtitles, para ver com tradução em português.
Tradução de Carlos Portela
19.1.10
Sei que não sei?!

Se te queres matar, porque não te queres matar?
• Será que a vida humana é digna de ser vivida? (problema de natureza ontológica e metafísica)
• Será eticamente aceitável praticar o suicídio? (problema de natureza ética)
O suicídio enquanto problema ético deve ser reequacionado, com o propósito de se encontrar uma justificação para a reprovação ou aprovação do comportamento de um indivíduo que atenta contra a sua própria vida.
Da tradição filosófica chegou-nos vários argumentos que se tornaram clássicos. Sublinho apenas dois pela influência que tiveram no que respeita a este problema na sua dimensão ética.
• Argumento 1 – Argumento da não propriedade. Este argumento foi apresentado por Platão (Fédon, 62b), e reelaborado, posteriormente, pelos filósofos de inspiração cristã. Segundo este argumento, que designei de argumento da não propriedade, o suicídio é inaceitável, porque não temos propriedade sobre a nossa própria vida. Assumindo-se que a vida humana é pertença dos deuses, não podemos assenhorearmo-nos de algo que não dos pertence por natureza.
Moore distingue propriedades não naturais (de carácter ético) das propriedades naturais (susceptíveis de serem descritas empiricamente). Com esta distinção, e aplicando-a ao suicídio, a vida humana é uma propriedade não natural, pois não somos senhores da vida, como somos de uma mão ou de um braço. Assim, segundo este argumento, não temos qualquer direito sobre a nossa vida, pelo que não podemos atentar contra ela.
• Argumento 2 – Argumento da humanidade. Este argumento aparece descrito na obra Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Immanuel Kant, deduzido da segunda formulação do Imperativo Categórico:
«Se, para escapar a uma situação penosa, se destrói a si mesmo, serve-se de uma pessoa como de um simples meio para conservar até ao fim da vida uma situação suportável. Mas o homem não é uma coisa; não é portanto objecto que possa ser utilizado simplesmente como um meio, mas pelo contrário deve ser considerado em todas as suas acções como fim em si mesmo. Portanto, não posso dispor do homem na minha pessoa para o mutilar, degradar ou matar.»
Segundo o argumento da humanidade, é eticamente inaceitável a prática do suicídio, na medida em que este é um atentado contra a humanidade. A vida humana deve ser encarada como valor intrínseco (como tendo valor em si mesma) e não instrumental. Para Kant, um acto encontra-se justificado moralmente se for um fim em si mesmo, independemente dos propósitos que se pretendem alcançar com ele. Então, atentar contra a vida com o propósito de encontrar a posteriori alguma tranquilidade, é inaceitável, do ponto de vista moral.
Concordo com o argumento da humanidade em detrimento do argumento da não propriedade. Tentar justificar a inaceitabilidade do suicídio consiste partir dos seguintes pressupostos:
1. Todo o indivíduo que oriente a sua acção com o objectivo de subtrair uma vida humana, age erradamente.
2. O indivíduo que se suicida está a subtrair uma vida humana.
3. Logo, o indivíduo que se suicida está a agir erradamente.
Poder-se-ia defender a inaceitabilidade do suicídio a partir do princípio de que a vida é sagrada, porém, emitir este tipo de juízo de valor não está longe de enfrentar objecções, sobretudo as que se prendem com a dificuldade em definir o que é sagrado e o que determinada substância deve conter para ser considerada sagrada.
Sou igualmente incapaz de considerar que um indivíduo que se suicida manifesta um exemplo de força de carácter e de coragem, como alguns defensores da sua aceitabilidade poderão alegar. A coragem é uma virtude moral, assim, um ser virtuoso, do ponto de vista moral, com carácter, dificilmente aceitará o suicídio nos juízos morais que formula, na medida em que, aliando a sua força moral ao ensejo pela racionalidade, acrescenta que o suicídio não é objecto de ponderação nem de deliberação, e que quem comete tal acto fá-lo movido por interesses demasiado subjectivos, irracionais e infundados. Tome-se o exemplo do filósofo Gilles Deleuze, ter-se-á suicidado por um conceito, uma ideia filosófica, ou pela incapacidade de suportar o sofrimento físico que a doença acarretava? Camus afirma que: "Nunca vi ninguém morrer pelo argumento ontológico. (...) Em contrapartida, vejo que muitas pessoas morrem por considerarem que a vida não merece ser vivida."
O problema agudiza-se quando se desdobra noutros, tais como a eutanásia ou o suicídio assistido. Será que ao condenar o suicídio, serei forçado a condenar a eutanásia?
Uma pessoa consciente de si, que se encontra condicionado por uma vida vegetativa, sentindo-se frustrado com a sua situação, apenas se depara com dois cursos alternativos de acção: ou viver o dia de amanhã como o de ontem, ou não esperar pelo dia de amanhã. Por seu turno, o indivíduo que decide suicidar-se, encontra-se perante vários cursos alternativos de acção, de maneira que a sua decisão reflecte uma entre tantas possibilidades de ter agido. Assim, considero menos aceitável o suicídio do que a eutanásia.
É mais fácil reflectir e encontrar, por muito difícil que seja em algumas circunstâncias, uma razão para viver, do que fazê-lo num cenário em que se está condicionado fisicamente, sem esperança de o alterar.
Considerar inaceitável o suicídio pode fazer-nos colidir com uma consequência bem provável. Imagine-se a seguinte situação:
O indivíduo X, um espião israelita no Líbano, foi descoberto pelos seus inimigos. Após ter sido capturado e feito prisioneiro, foi pressionado para revelar segredos sobre a polícia secreta israelita. Munido de apetrechos para a sobrevivência de um espião, durante a noite, tomou a substância que guardava religiosamente no bolso, que o fez sacrificar a vida pela manutenção dos segredos de Estado.
Terá sido o suicídio deste indivíduo moralmente aceitável? Esta pode ser uma consequência da aceitabilidade do suicídio. Ora, parece-me que o indivíduo agiu em conformidade com o princípio de evitar prejuízos a terceiros, sacrificando a sua vida pela sua sociedade. Avaliando os benefícios que este suicídio acarretou, para os israelitas são indiscutíveis, mas não para os libaneses. E para a humanidade, terá sido este suicídio aceitável? Não querendo entrar em pormenores de política internacional, a aceitabilidade deste acto apenas se poderia defender se trouxesse benefícios para a humanidade, sacrificando a sua vida pelos outros, pelo bem universal. Pois, se não pensarmos assim, será que podemos condenar os actos dos terroristas? Provavelmente não.
Imagine-se, agora, outra situação, esta bem real e avaliada pelo olhar de todos, em 11/09/2001. Poderemos aceitar o suicídio dos indivíduos que se encontravam nas Torres Gémeas no momento da colisão dos aviões? Para a avaliação desta situação, os argumentos da não propriedade e da humanidade não se adequam. Numa situação-limite como esta, não podemos condenar o acto, pois não foi ponderado, antes movido por impulsos que o tornam pouco racional, e assim, os seus factores tornam-se indiferentes a uma avaliação moral justa.

John Millais, Ophelia (1890)
Álvaro de Campos, num estilo bem perturbador, adianta:
«Se te queres matar, porque não te queres matar?/Ah, aproveita! que eu, que tanto amo a morte e a vida, / Se ousasse matar-me, também me mataria.../Ah, se ousares, ousa!»
Estes versos, ainda que preludiem a defesa do suicídio no decurso do poema, denotam a ousadia que é necessário ter para atentar contra a nossa própria vida. E o que é a ousadia, senão o temor proveniente do risco da transgressão, do trespassar o pesado véu das convenções e normas morais, sabendo-se que por detrás do pesado véu há um princípio claro e evidente, embora difícil de destrinçar, que nos impede de praticarmos o suicídio?
16.1.10
O que nos faz dizer que algo é belo?
Fascinante viagem pela História da Arte através do rosto feminino. O vídeo tem por título "Women in Art" e foi realizado por Philip Scott Johnson.
Vídeo gentilmente enviado pela colega Teresa Agostinho
11.1.10
Pitágoras e a música
O problema do conhecimento

10.1.10
Liberdade?

9.1.10
Quem cala consente?

O argumento tem forma válida, mas não é sólido, porque uma das premissas é falsa.
A primeira premissa é falsa porque alguém que esteja a ser explorado pode não se manifestar por várias razões: por medo, pode ser severamente castigado pela pessoa que a explora; por incapacidade de se manifestar, caso das crianças pequenas, dos doentes, ou dos diminuídos mentalmente; pode ainda não se manifestar por razões sentimentais, caso dos pais em relação aos filhos, dos avós em relação aos netos, dos amigos entre si. Mas, a razão principal é que é sempre moralmente errado explorar a boa vontade dos outros, porque estamos a usar os outros como meros meios para o nosso bem-estar.
“Quem cala, não consente nem desmente, apenas não se manifesta".
6.1.10
O problema do livre-arbítrio

O andróide mata um ser humano. Não conseguindo capturar o andróide, o Ministério Público culpa-o a si. Segue-se o seguinte diálogo:
Nós seres humanos não seremos como o andróide? Acreditamos que somos profundamente influenciados pelos nossos genes e pelo meio. Mas também acreditamos que pelo menos algumas das nossas escolhas e acções são livres. Podem estas duas crenças ser verdadeiras?
Adaptado de Luis Rodrigues, Filosofia 10.º ano, Plátano Editora
4.1.10
Albert Camus

Escritor e filósofo nascido em Mondovi, Argélia em 1913 e falecido em França, em 1960, aos quarenta e sete anos de idade, num acidente de automóvel.
Começou a trabalhar como jornalista, participando na resistência francesa contra a invasão alemã. Foi chefe de redacção do jornal Combat. Em 1942 consagrou-se com o romance O Estrangeiro, e o ensaio O Mito de Sísifo. A Peste, romance publicado em 1947, consagrou-o como grande escritor. Em 1957 recebeu o Prémio Nobel da Literatura.
Camus é, com Sartre, o escritor mais representativo do existencialismo francês.
A CIDADE

“O que é a vida democrática numa cidade?” Luís Miguel Cintra
Repensar a vida democrática na cidade, a partir de textos escritos há 2500 anos, nos quais as semelhanças com a vida dos nossos dias são mais do que inevitáveis mas sempre surpreendentes.
A CIDADE é uma colagem de textos de Aristófanes, excertos de Os Acarnenses, Lisístrata, Paz, Pluto, As mulheres que celebram as Tesmosfórias, As Nuvens, Os Cavaleiros, As Mulheres no Parlamento e As Aves.
É uma Co-produção do Teatro da Cornucópia com o Teatro Municipal de S. Luiz, em cuja Sala Principal será levado à cena.A estreia está marcada para 14 de Janeiro e poderemos assistir ao espectáculo até 14 de Fevereiro de 2010 de Quarta a sábado às 21H00 e Domingos às 17H30.
No dia 31 de Janeiro haverá uma sessão especial com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.
A tradução é de Maria de Fátima Sousa e Silva e Custódio Magueijo; Adaptação e colagem Luis Miguel Cintra; Encenação Luis Miguel Cintra; Cenário e Figurinos Cristina Reis; Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção; Música Eurico Carrapatoso; Colaboração musical João Paulo Santos; Acompanhamento vocal Luís Madureira.
Elenco: Bruno Nogueira, Carolina Villaverde Rosado, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Gonçalo Waddington, José Manuel Mendes, Luísa Cruz, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Márcia Breia, Maria Rueff, Marina Albuquerque, Nuno Lopes, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Rita Loureiro, Sofia Marques e Teresa Madruga.
Consideramos que foi na Grécia Antiga que nasceu a Civilização Ocidental e que foi em Atenas, vários séculos antes de Cristo, que nasceu a Democracia. Nas comédias de Aristófanes, por sinal um conservador, no violento e insurrecto humor com que nelas retrata a vida daquela cidade “perfeita”, nestes textos escritos há 2.500 anos, fomos encontrar o material para a composição do guião de um espectáculo a que chamaremos A CIDADE. É com as confusões e as dificuldades da vida numa sociedade que se quer democrática, a corrupção da sua política, o seu desejo de paz, as suas saudades do campo, a maneira como convive com os seus “poetas”, as peripécias sexuais e conjugais que se geram na coexistência do público e do privado, em suma, com a vida da polis, e através das mais que inevitáveis semelhanças com os contratempos dos nossos dias, que este espectáculo quer brincar.
Uma metáfora de todas as Cidades construída por um grande grupo de actores no palco do Teatro Municipal S. Luiz, teatro da cidade de Lisboa. (Informação retirada do site do Teatro da Cornucópia)
Como pensar e, sobretudo, como viver na sociedade democrática? A novidade introduzida pelos gregos da antiguidade clássica foi disso exemplo: os filósofos da Grécia antiga expunham as suas ideias e desafiavam os interlocutores a discuti-las livremente, na “praça pública”. Uma novidade absoluta na história da humanidade, a cultura da liberdade intelectual, base da escola e da sociedade modernas e das “outras” liberdades.
Ao longo destes vinte e cinco séculos, assiste-se na civilização europeia a uma constante tensão entre a exigência de liberdade e as atitudes autoritárias e hierárquicas, que a aniquilam. Ou então a liberdade de participação democrática existe mas a vida pública é (espante-se) olhada com enfado.
A atitude crítica, para além de um preceito meramente académico, tem de ser uma oposição efectiva e permanente à subserviência e ao conformismo tão próprios da natureza humana, sempre demasiado ciente das autoridades, das hierarquias e das oportunidades individuais.
Pela temática sempre actual, por todos os profissionais responsáveis e pelos créditos do Teatro da Cornucópia, mais uma peça a não perder.
Imagem do Google: Representação de Ágora e Acrópole atenienses.
3.1.10
2 NOVOS MUSEUS



Apresenta a EXPOSIÇÃO ANTESTREIA, composta pela Colecção de Francisco Capelo, no rés-do-chão, e mais duas exposições: É proibido proibir! e uma performance/instalação de Manuel Alves & José Manuel Gonçalves.
Permitiu-se a visita a este museu, mesmo antes do início das obras de adaptação definitiva às suas novas funções museológicas da antiga sede do BNU, que se encontra ainda com os interiores descarnados e destruídos.
A proposta explora as relações entre o design, as artes, a política e o contexto socioeconómico. O MUDE passa a oferecer uma programação contínua onde estão presentes as diferentes perspectivas e linguagens do design.
A exposição Antestreia apresenta um conjunto de peças de Corbusier a Azzedine Alaïa que permitem visitar histórias e acontecimentos do século XX e XXI, a partir dos objectos que as viveram ou foram usados pelas muitas pessoas que, no passado foram dessas histórias também actores. Aqui o acervo de moda tem um lugar de destaque pois, é a primeira vez que é apresentado ao público.
É proibido proibir! propõe-se viajar no tempo, remetendo para os finais dos anos 60 e início dos 70, através de uma apresentação de cerca de 60 peças, cruzando o design e a moda com o cinema, a literatura e a música, de modo a poder retratar a riqueza desta época.
O MUDE convidou a dupla de criadores Alves & Gonçalves para apresentar uma performance/instalação que espelha o processo criativo em atelier dos primeiros croquis às peças finais, e o momento cénico do desfile, em que a construção da imagem é assumida na sua plenitude.
Informação e imagens recolhidas no site do MUDE http://www.mude.pt/


O percurso da exposição da colecção, organizado segundo uma narrativa cronológica e temática que se prolonga dos anos 60 à actualidade, permite observar as diversas linguagens que a artista tem vindo sucessivamente a experimentar, ao longo de um muito produtivo e singular processo criativo.
Da pintura à gravura, passando pelo desenho, um desfile de personagens, cenários e situações muitas vezes morais – ainda que nunca moralizantes – espelha o seu prodigioso imaginário, que aborda e interroga a condição humana, num repositório de histórias que tão bem justifica a designação deste espaço. Ver em http://www.casadashistoriaspaularego.com/index_pt.html#/coleccao/col-pinturas/
O conjunto de obras que se apresenta na Exposição Temporária, foi cedido pela Galeria Marlborough Fine Art contém os exemplares mais icónicos da obra da artista e estará patente até dia 18 de Março de 2010. Neste mesmo espaço será posteriormente apresentada ao público português uma exposição de obras do marido de Paula Rego, Victor Willing, também pintor, falecido em 1988. (Informação recolhida no site acima referido.)
São dois museus não só novos como inovadores. As entradas são em ambos, presentemente, gratuitas. Por estas e outras razões, duas visitas a não perder.