Mostrar mensagens com a etiqueta Realidade. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Realidade. Mostrar todas as mensagens

9.5.10

Acaso ou necessidade?

Um conjunto de pequenos vídeos com interesse filosófico e tradução em português do Brasil, pode ser visto no astroPT e no YouTube

(Os vídeos com tradução em português foram retirados do YouTube. A ligação actual é em inglês)

14.2.10

O que é a realidade?

Brian Green, físico e brilhante divulgador de ciência, explica-nos uma das mais interessantes teorias científicas, a teoria das supercordas, "A ideia de que minúsculos filamentos de energia a vibrar em 11 dimensões criam todas as partículas e forças no nosso universo."


Tradução de Sérgio Lopes

24.1.10

A REALIDADE, poderemos conhecê-la?

"Este pequeno filme da NASA mostra o universo conhecido, tal como o veríamos se empreendêssemos uma viagem aos pontos que foram cartografados até ao presente através da observação astronómica."


Vídeo gentilmente enviado pela colega Soledade.

28.8.09

Aparência e Realidade

"Imaginemos que habitamos um estranho país onde tudo é absolutamente plano. (...) Chamemos-lhe Planilândia. Alguns habitantes são quadrados; outros são triângulos; outros têm formas mais complexas. Corremos, apressados entrando e saindo dos nossos edifícios planos, ocupados com os nossos negócios e divertimentos chatos. Toda a gente na planilândia tem largura e comprimento mas não tem altura. Conhecemos o que é a direita e esquerda, à frente e atrás, mas não temos a mínima noção, nem um vestígio de compreeensão, do que é em cima e em baixo - com excepção dos matemáticos planos. E esses dizem-nos: «Oiçam lá, é muito fácil. Imaginem esquerdo-direito. Imaginem à frente-atrás. Tudo bem até aqui? Agora imaginem outra direcção, em ângulo recto com as outras duas.» E nós dizemos: «De que estão a falar? 'Em ângulo recto com a outras duas!' Há apenas duas dimensões. Onde está ela?» Os matemáticos desencorajados, afastam-se. Ninguém escuta os matemáticos.
Cada criatura da Planilândia vê outro quadrado como um curto segmento de recta, o lado do quadrado que está mais perto dela. Só vê o outro lado do quadrado se andar um pouco. Mas o interior do quadrado permanece para sempre um mistério, a menos que um terrível acidente ou uma autópsia quebre os lados e exponha as partes interiores.
Um dia, uma criatura tridimensional - do feitio de uma maçã, por exemplo - aparece na Planilândia, pairando sobre ela. Ao ver um quadrado particularmente atraente e de aspecto simpático a entrar na sua casa plana, a maçã decide cumprimentá-lo, num gesto de amizade interdimensional.
«Como está?», pergunta (...). Eu sou um visitante da terceira dimensão.» O infeliz quadrado olha em volta da sua casa fechada e nada vê. E, o que é pior, parece-lhe que a saudação, vinda de cima, emana do seu próprio corpo plano, como uma voz interior. Existe um pouco de loucura na família, talvez pense o quadrado, na falta de melhor explicação.
Exasperada por ser considerada uma aberração psicológica, a maçã desce na Planilândia. Uma maçã a deslizar pela Planilândia apareceria primeiramente como um ponto e depois como fatias mais ou menos circulares, progressivamente maiores. O quadrado vê um ponto aparecer numa sala fechada, no seu mundo bidimensional, e transformar-se lentamente num círculo próximo. Apareceu-lhe, não sabe de onde, uma criatura de forma estranha e mutável.
Rejeitada, infeliz com a obtusidade do próprio plano, a maçã empurra o quadrado e atira-o pelo ar, flutuando e girando, para a terceira dimensão. A princípio, o quadrado não consegue perceber o que está a acontecer; é algo absolutamente alheio à sua experiência. Mas acaba por perceber que está a ver a Planilândia de um ponto de vista especialmente vantajoso: de «cima». Pode ver para dentro das casas fechadas. Pode ver o interior dos seus companheiros planos. Está a ver o seu universo de uma perspectiva única e avassaladora. Viajar noutra dimensão proporciona por acaso, a vantagem de uma espécie de raio X.
Finalmente como uma folha que cai, o nosso quadrado acaba por regressar à superfície. Do ponto de vista dos seus conterrâneos planilandianos, ele desapareceu inexplicavelmente de dentro de uma casa fechada e depois materializou-se, estranhamente, vindo não se sabe de onde. «Pelo amor de Deus», dizem eles, «que te aconteceu?» «Penso», acaba ele por responder, «que estive 'lá em cima'.» Os outros dão-lhe palmadinhas nas costas e consolam-no. Na sua família sempre houve quadrados com visões."
Edwin Abbott, citado por Carl Sagan em Cosmos, pp. 304-306

Esta história citada por Carl Sagan, traz-nos à memória as nossas múltiplas limitações: a nossa inteligência, o lugar que ocupamos no universo, o tempo em que vivemos... Seremos irremediavelmente prisioneiros fechados na nossa "ilha cósmica" ou teremos legítimas razões para aspirar ao conhecimento (do universo)?
Richard Dawkins, biólogo e divulgador de ciência, discorre com o habitual humor, sobre "o pensamento do improvável", cujo vídeo pode ser visionado com tradução em português.
Para Dawkins vivemos num "mundo médio" no qual o nosso cérebro evolui adaptando-se à nossa faixa estreita da realidade. A matéria é uma ficção útil para nós, mas há um mundo que não podemos ver...



A ciência e a crítica são instrumentos fundamentais que nos levarão sempre mais longe... até que ponto? Será o nosso cérebro capaz de nos levar até aos derradeiros limites ou haverá sempre algo mais a desvendar?
É um desafio que dá muito que pensar.
Imagens: Google, Kandinski e TED.Com, Richard Dawkins

27.1.09

Será que este "post" é real?

René Magritte, "Isto não é um cachimbo"

O homem que está sentado a escrever neste momento sou eu. Eu sei que sou o homem que está neste momento a escrever este texto, logo como sei disso, posso dizer que existo. Esta conclusão torna-se demasiado precipitada... há que voltar atrás e reformular o argumento. Afinal, existe a possibilidade de eu não estar neste momento a escrever este texto. [Entretanto, o leitor ajeita os óculos, se os usar, ou então soergue-se da cadeira e julga que o mundo está de pernas para o ar]
De facto, não posso deixar de colocar a possiblidade de não estar neste momento a escrever este texto. Posso estar a ter um sonho tão vívido que parece real. Naturalmente que esta hipótese é absurda porque consigo distinguir o estado de vigília do estado de sono.
Começo por admitir que este post é real. Posso lê-lo, editá-lo ou reescrevê-lo. Posso discuti-lo com os meus amigos, posso ser enxovalhado por algum deles em ter escrito este parágrafo. Posso desistir de o escrever e ficar-me por aqui, sem colocar um ponto final sequer
Todas as justificações que me fazem acreditar que este post é real podem ser imediatamente dissipadas por um filósofo céptico, mostrando-me que: 1) estou a sonhar e confundo o sonho com a realidade; 2) em algumas ocasiões, as minhas sensações não passam de meras aparências do que é real, por isso, nada me garante que a sensação que estou a ter neste momento não pertence à mesma categoria de outras tantas que se revelaram falsas; 3) posso estar a padecer de uma alteração do meu estado de consciência (ou estou embriagado para pensar em coisas destas ou estou a experienciar uma alucinação que me faz acreditar que este post é real). Em conclusão, perante estas objecções, fico ainda mais confuso e estou prestes a admitir que a minha crença (segundo a qual este post é real) não passa de uma ilusão. Da argumentação do suposto filósofo céptico, houve dois pontos que merecem destaque:

a) Se algo é real, então não pode ser uma ilusão.
b) Se algo está a ser experienciado pelo meu corpo, poderá não ser real.

Explicitarei os dois pontos anteriores.

1. Se a) é verdadeira, então os conteúdos dos sonhos não são reais. De facto, já sonhei ser o Presidente dos Estados Unidos e não sou, de facto, o Presidente dos Estados Unidos. Portanto, enquanto estive convencido no meu sonho de que era o Presidente dos Estados Unidos vivenciei algo que não era real. Se sair para a rua e gritar "Eu sou o Presidente dos Estados Unidos", as pessoas vão tomar-me como um louco e ser-me-á diagnosticada esquizofrenia. De facto, não posso ser o que não sou, embora gostasse de ser o Presidente dos Estados Unidos ou o namorado da Scarlett Johansson. Do que foi exposto, posso aduzir que a) é verdadeira. Vivenciamos experiências que se tornam ilusões, e se o são é porque não são reais. A realidade é a propriedade fundamental de todos os objectos que podem ser conhecidos.

Assim, os filósofos empenharam-se em distinguir realidade de aparência. X é real se não for ilusório ou uma ficção. Contudo, dado que as ilusões existem e as ficções também, será que não são reais? Apesar de serem ilusões são reais precisamente porque não são ilusões. Imagine-se que o Pedro acredita que é Napoleão Bonaparte. Não é real que o Pedro seja Napoleão Bonaparte porque isso é apenas uma fruto da sua imaginação. Mas esta suspeita é real precisamente porque o Pedro julga ser Napoleão Bonaparte. Portanto, é verdade que o Pedro acredita que é Napoleão Bonaparte, mas é falso que o Pedro seja, de facto, Napoleão Bonaparte. Em consequência disto, é real o que for passível de ser verdadeiro ou factivo.

2) Nem tudo o que é experienciado pelo corpo é real. Se o Pedro se encontra no deserto à deriva durante dois dias sem ingerir líquidos, o seu cérebro irá compensá-lo dando-lhe a ilusão de que está uma fonte jorrar àgua mesmo à sua frente. Mas não se trata de nenhuma fonte, apenas a cabeça de um dromedário a aproximar-se. Acreditamos que tudo o que é objecto de captação sensível (tudo o que vejo, toco, cheiro, saboreio, ...) é real, contudo várias vezes somos enganados nessas experiências. O leitor que me permita que lhe vende os olhos. Não vê nada? Nada, nada? Muito bem! Então agora vou pedir-lhe que toque neste objecto. Tocou? O que lhe parece que é este objecto? Vai dizer-me que tem a certeza de que se trata de um cachecol. Neste momento julga que é real o que está a percepcionar. Peço-lhe que levante a venda e repare, parece um truque de magia, mas o objecto que tocou não é um cachecol, mas um caniche bebé. Não o convenci; vai dizer-me que o tacto não é um sentido tão viável quanto a visão. Então repare nesta pintura de Salvador Dali: o que é que os seus olhos lhe estão a mostrar? O mesmo seria perguntar o que quer que os seus olhos vejam?
Certamente que consegue vislumbrar o perfil da Gala (a mulher de Dali) a contemplar o mundo exterior a partir de uma janela. Mas se se afastar um pouco mais, sim o mais que puder, verá algo que lhe parece um rosto. E é mesmo. É o rosto do famoso Presidente dos Estados Unidos, Abraham Lincoln. Mas afinal, trata-se de Gala a passear os seus olhos pela linha do horizonte ou o retrado de Lincoln? O que vêem os seus olhos? Certamente que verão algo de diferente dos meus ou dos do Pedro ou de outra pessoa qualquer. Então o que lhe parece real (por exemplo a figura desnuda de Gala) não é mais do que ilusório para mim, que vislumbrei o rosto de Lincoln.


Será que este post é real? Se não estiver a ser iludido pelos meus sentidos ou a padecer de uma alucinação, nem a vivenciar um sonho, posso julgar que este post é real. É real porque existe em função do sujeito e segundo a perspectiva do sujeito pensante. Esta ideia aproxima-nos da posição de muitos filósofos que julgaram que o real é o que se dá ao pensamento. Se penso num determinado objecto (de natureza empírica ou racional), esse objecto é real, de modo que a sua realidade é justificada pelo pensamento racional. Nada do que escape ao pensamento racional é, por esta razão, real.
P.S.: Para começar, dada a curiosidade de muitos colegas vossos, é importante reconhecer que a realidade é um conceito filosófico que se entende melhor pelo que não é do que pelo que é. Assim sendo, desde Parménides (séc. VI a.c.) que a realidade (aquilo que é) não é senão o oposto de aparência (o que parece ser, mas não é).

26.1.09

O que é a realidade? I


Esta questão tão abrangente, profunda e inquietante, foi-nos sugerida como tema de discussão. Não se trata de pretendermos encontrar uma resposta, o que seria impossível, mas tão só fornecer alguns elementos para reflexão. Assim, inciamos hoje um conjunto de pequenas notas que, esperamos, sejam «provocadoras» no sentido de suscitarem em nós o diálogo.


Realidade em sentido lato e de acordo com a enciclopédia Logos, significa tudo o que existe ou é, por oposição à aparência. Todas as filosofias apresentam uma concepção implícita ou explícita de realidade.
Pensa-se ter sido Parménides (séc. VI a. C.) o primeiro filósofo que, verificando não se poder confiar nos sentidos, sustentou que só é verdadeiramente, o que pode ser pensado.
Esta questão, pela sua abrangência prende-se com a noção de Cosmos, termo que foi pela primeira vez usado por Pitágoras, no mesmo século e segundo a mesma fonte, para designar a ordem e harmonia do sistema planetário e sideral.
Imagens Google: Claude Monet, Impressão: Nascer do Sol
"A Verdade não é impressionista."