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4.6.22
Existem valores universais?
28.1.15
Comemoração dos 70 anos da libertação dos prisioneiros de Auschwitz-Birkenau
«Não queremos que o nosso passado seja o futuro dos nossos filhos.» Palavras comovidas de um sobrevivente do Holocausto, ontem, 27 de janeiro de 2015, no campo de concentração onde foi prisioneiro. Ver vídeo AQUI.
Teremos boas razões para recear que os nossos direitos fundamentais possam voltar a ser postos em causa, de forma tão dramática, nas nossas sociedades? Estaremos a fazer tudo o que nos é possível para o evitar?
Vídeos da BBC e da Euronews.
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28.1.12
Em memória do Holocausto
A 27 de janeiro de 2012, o mundo assinalou pela sétima vez consecutiva, o Dia Internacional da Memória das Vítimas do Holocausto. A data foi marcada em 2005 pela Assembleia-Geral da ONU. Naquele dia, em 1945, as tropas soviéticas libertaram os prisioneiros do campo de concentração Auschwitz, localizado no sul da Polónia, símbolo do Holocausto perpetrado pelo nazismo.
.
(Legendagem em português do Brasil.)
...a banalização do mal anda por aí, bem à vista, permitindo a relativização dos horrores da história... (Hanna Arendt)
27.1.12
A Tourada
Em breve dicutiremos a pertinente questão dos direitos dos animais.
Entretanto, para os alunos que me têm perguntado se gosto de touradas, a minha resposta é «Sim.... mas destas.» Ora reparem na bravura deste touro, na elegância deste cavalo e na coragem deste toureiro.
Entretanto, para os alunos que me têm perguntado se gosto de touradas, a minha resposta é «Sim.... mas destas.» Ora reparem na bravura deste touro, na elegância deste cavalo e na coragem deste toureiro.
Os espetáculos com animais podem ser, inquestionávelmente, legítimos. Nada nos impede de usarmos os animais para nossa diversão. Principalmente quando lhes permitimos divertirem-se também.
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18.1.12
Debate pela Liberdade
The
great debaters, no original, é um filme de 2007, realizado por Denzel
Washington e o seu argumento é baseado num artigo sobre a equipa de debate de
Wiley College. Tem nos principais papéis o próprio Denzel Washington, Forest Whitaker, Kimberly Elise, Nate Parker, entre outros.
Poder-se-ia sugerir este filme por várias razões - a boa
história, as boas interpretações - mas, pelo que nos interessa enquanto
aprendizes de filósofos, principalmente, porque são ali debatidas questões de
ética e filosofia política - a luta pela justiça, pela democracia,
consequentemente pela igualdade de direitos dos cidadãos e pela plena
participação de todos na vida cívica- e, embora algumas premissas só sejam
válidas para auditórios muito particulares, é sobretudo pela relevância que dá à
palavra, à argumentação, como método de procura da verdade, que aqui se sugere.
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27.8.10
O Paradoxo da escolha
O psicólogo Barry Schwartz questiona o conceito de liberdade de escolha e a correlação comum entre este e a felicidade. Tradução para português de Carlos Afonso.
23.8.10
Tudo é relativo?
" A Natureza surpreende-nos." (continuação)
Se toda a verdade fosse relativa, então o desacordo (tão frequente), ficaria reduzido ao monólogo, cada um falaria para seu lado. A argumentação tão importante na construção do conhecimento em geral, na ausência de critérios objectivos e imparciais, seria impossível.
O diálogo implica o respeito pelo interlocutor, reconhecê-lo como igual na diferença, valorizar o seu ponto de vista, o contrário implica a indiferença, a desqualificação do outro que originam a arrogância intelectual e cultural. Discutir o quê e persuadir para quê se todos temos razão? Ou se só o nosso ponto de vista conta?
Se ao argumentarmos, esclarecermos as condições que tornam uma frase relativa, podemos chegar a acordo sobre a verdade/falsidade de uma afirmação. Se explicitarmos por exemplo, que “O David é alto” em comparação com os restantes alunos da turma, que os acontecimentos “A” e “B” são simultâneos em relação ao ponto de referência “C”, então é possível saber que, estas proposições relativas são objectiva, universal e absolutamente verdadeiras ou falsas. Basta que, nos entendamos quanto à sua explicitação e significado. Daí a importância da clarificação da linguagem (conceitos, definições, proposições e argumentos) e do pensamento crítico de modo geral.
Haverá problemas em que a resposta será mais consensual, por exemplo, os problemas científicos, até porque os cientistas dispõem de outros métodos de prova, e problemas cujo consenso é mais difícil, por exemplo os problemas que implicam valores e, problemas filosóficos de modo geral. Mas a dificuldade de consenso não prova a sua impossibilidade.
Do facto de algumas verdades dependerem da nossa perspectiva não se segue que não possa haver verdade objectiva e universal mesmo em matéria moral. Não devemos confundir a nossa perspectiva com os factos em si. O nosso conhecimento pode ser parcial mas isso não exclui que, aquilo que sabemos, seja verdadeiro, objectiva, universal e absolutamente; ou que algo possa ser verdadeiro mesmo que não o saibamos. Pode acontecer que, ainda não tenhamos evoluído o suficiente ou não disponhamos dos meios e recursos que nos permitiriam conhecê-lo. Mas não nos autoriza a afirmar simplesmente que essas verdades são relativas.
Pensávamos que sabíamos que o Sol se movia à volta da Terra, mas desenvolvemos meios que nos permitiram saber que estávamos enganados. Mesmo em relação aos valores, embora saibamos que alguns dependem da nossa perspectiva, daí não se segue que não deve ou não possa haver verdade moral objectiva e universal. Mesmo em matéria moral, o consenso é possível. Isto acontece porque a humanidade comum é mais importante do que as diferenças aparentes. Dialogando, podemos identificar de que forma algo é relativo e em relação a quê é relativo e construir consensos que serão objectivos e universais ainda que possam não ser absolutos.
Não é plausível que tudo seja relativo, mesmo que não estejamos de acordo quanto a isso, a existência do actual desacordo não prova a impossibilidade (pelo menos ideal) do acordo. Simplesmente mostra que hoje, ainda não é possível, que talvez seja uma tarefa difícil, talvez sempre imperfeita e inacabada, aliás como qualquer empreendimento humano.
Não é plausível que tudo seja relativo, mesmo que não estejamos de acordo quanto a isso, a existência do actual desacordo não prova a impossibilidade (pelo menos ideal) do acordo. Simplesmente mostra que hoje, ainda não é possível, que talvez seja uma tarefa difícil, talvez sempre imperfeita e inacabada, aliás como qualquer empreendimento humano.
Ah! Isso é relativo…
Escher, Três Mundos, 1955Antigamente pensava-se que o Sol girava à volta da Terra, hoje sabemos que é a Terra que gira à volta do Sol. Assim, muitas pessoas pensam que era verdade para os nossos antepassados que o Sol girava à volta da Terra e hoje é verdade para nós que a Terra se desloca à volta do Sol. Logo, a verdade é relativa. Mas isto é estranho porque também sabemos que algo não é verdadeiro apenas porque pensamos que é verdadeiro, mesmo os cientistas descobrem muitas vezes que estavam enganados. Sabemos que podemos enganar-nos e enganamo-nos muitas vezes e por muitas razões.
Pensamos outras vezes que, em relação a valores, porque estão intimamente ligados às culturas, é impossível ou muito improvável haver verdade independente da perspectiva de cada indivíduo ou cultura. Entenda-se verdade no sentido mais geral de adequação do nosso pensamento/linguagem à realidade. A diversidade cultural e o respeito que temos pela tolerância, ajuda a perpetuar esta confusão. A frase tantas vezes repetida ah! Isso é relativo, ou isso é muito relativo… mostram que há uma ideia comum muito generalizada de que a verdade (toda a verdade) é relativa. Será assim? Haverá verdades relativas? E serão todas as verdades relativas?
O que significa relativo? E já agora, relativo a quê? Usamos o conceito para nos referirmos à realidade e ao modo como nos relacionamos com ela ao procurarmos conhecê-la. Admitamos que a realidade é constituída por factos e que entendemos facto no seu significado geral de algo que existe, que acontece e pode ser experienciado. Será que os factos que constituem a realidade existiriam mesmo que nós não existíssemos? Tudo leva a crer que sim. Foi isso que aconteceu durante milhões de anos. Mesmo que o homem não existisse para os interpretar/conhecer, continuariam a existir factos. Na ausência de seres humanos, o que não existiria obviamente era conhecimento humano. Continuaria a existir vida e tudo o resto.
Nem mesmo a nossa experiência individual depende inteiramente de nós, é influenciada pelas propriedades das coisas e do ambiente que nos estimulam. Perceber algo como azul, depende do nosso aparelho perceptivo mas também da luz, do modo como o objecto reflecte a luz, das condições ambientais… que existiriam mesmo que o sujeito não existisse.
Nem mesmo a nossa experiência individual depende inteiramente de nós, é influenciada pelas propriedades das coisas e do ambiente que nos estimulam. Perceber algo como azul, depende do nosso aparelho perceptivo mas também da luz, do modo como o objecto reflecte a luz, das condições ambientais… que existiriam mesmo que o sujeito não existisse.
Mas o que significa afirmar… é tudo relativo? Implica uma posição sobre o modo como conhecemos a realidade de modo geral que designamos como relativista. Esta defende que as normas, valores morais, estéticos e mesmo cognitivos (conhecimento), variam de acordo com o sujeito, a sociedade/cultura, o contexto histórico ou os nossos sistemas conceptuais. Entenda-se por sistema conceptual, o conjunto organizado de símbolos e instrumentos do pensamento que permitem conhecer e comunicar. São exemplos, a matemática, a lógica formal e outras linguagens que vão sendo aperfeiçoadas pelo homem. Isto parece implicar que os factos dependem da perspectiva. No caso da moral e da ética, é ainda mais complicado dada a diversidade de normas e valores morais em cada cultura ao longo do tempo. Mas também reconhecemos que deveria haver acordo sobre alguns juízos morais, que a sua verdade deveria ser independente de qualquer perspectiva pessoal ou cultural. A escravatura ou qualquer forma de sofrimento gratuito são exemplos do que estamos a falar.
À posição relativista opõem-se outras posições:
1. A verdade é intemporal, imutável e absoluta.
2. A verdade é independente da perspectiva sob a qual é avaliada, é objectiva.
3. É possível haver acordo sobre a verdade e por isso esta é universal.
2. A verdade é independente da perspectiva sob a qual é avaliada, é objectiva.
3. É possível haver acordo sobre a verdade e por isso esta é universal.
Se admitirmos que é verdade que “toda a verdade é relativa”, então temos de excluir qualquer uma destas hipóteses dado que qualquer delas seria um contra-exemplo. Será que, da existência de “algumas verdades relativas” se poderá inferir que todas o são?
A existência de verdades relativas é óbvia, é fácil encontrar exemplos deste tipo de verdade. Os gostos musicais, literários, gastronómicos dependem do sentido de gosto pessoal e cultural. O sentido estético está ligado ao padrão de gosto e, as normas sociais, são tão diferentes de cultura para cultura que, um gesto que significa um cumprimento numa cultura pode significar um insulto noutra. Muitas verdades variam em contexto. Certas expressões que usamos como “não tenho nada para fazer”, “toda a gente estava na festa” dependem do contexto em que são ditas; o movimento e a simultaneidade na física são relativos a um ponto de referência. Outras propriedades como a cor, já referida, dependem do contexto. A forma como contamos o tempo depende do calendário usado, do fuso horário…; estes exemplos mostram que é verdade que “algumas verdades são relativas”.
Será que a existência de verdades relativas exclui a possibilidade da verdade ser objectiva, universal e mesmo absoluta? A afirmação “tudo é relativo” será plausível?
(Continua)
18.8.10
Relativismo cultural (dois)
(Continuação)(…) [Imagine-se que] os meus vizinhos discordam radicalmente de mim quanto ao estatuto moral do aborto. Perante isto, pergunte-se: é o aborto moralmente aceitável ou moralmente condenável relativamente à cultura de Sunderland, Massachusetts? E será que os cidadãos de Sunderland contam sequer como a minha cultura, ou deverei incluir também no que conta como a minha cultura os pontos de vista dos meus familiares e amigos, que se encontram espalhados pelo globo? As complicações parecem tornar-se ainda mais desesperadas quando aplicamos a perspectiva relativista a acções que, sendo praticadas numa cultura, têm consequências que afectam outra, ou que são praticadas por uma pessoa de uma dada cultura que se encontra inserida numa cultura diferente da dela.
A falha essencial não é tanto o relativismo cultural estar formulado de maneira imprecisa; é, em bom rigor, o facto de se tratar de uma perspectiva que resolve questões morais num estilo pouco razoável: o relativista cultural trata a moralidade como um concurso de popularidade local, em vez de a tratar como uma matéria aberta à razão, e sensível a considerações que extravasam a mera opinião. Por isto, é uma perspectiva que mete os pés pelas mãos em matérias de reforma moral e de argumento moral.
Imagine uma pessoa abolicionista que é a única abolicionista numa sociedade que permite a escravatura. De acordo com o relativismo cultural, este abolicionista está simplesmente enganado quando defende que a escravatura é errada, uma vez que o código moral da cultura em que vive a permite claramente.
Quaisquer argumentos que a pessoa abolicionista tenha para justificar a sua posição, por muito convincentes que possam ser, são simplesmente irrelevantes. Quando uma pessoa de um estado livre discute a escravatura com uma pessoa de um estado esclavagista, diz-nos o relativismo moral, não discordam uma da outra; estão cada uma a falar para seu lado. A escravatura é errada relativamente à primeira cultura e permissível relativamente à segunda. Os argumentos não são mais que adereços. Ora isto inverte completamente o nexo das coisas: uma prática não é errada meramente porque acreditamos que seja errada; ao invés, batemo-nos, com o auxílio da razão e de argumentos e também da sensibilidade, da empatia e do conhecimento de considerações empíricas, para acreditar que são erradas as coisas que são, de facto, erradas – e fazemo-lo porque elas são erradas.
Alexander George (org), Que Diria Sócrates, 2008, Lisboa, Gradiva, pp.86-88
Pode encontrar mais perguntas e respostas sobre questões filosóficas, em inglês, no célebre site AskPhilosophers.org
Relativismo cultural

Pergunta: "Há constantes morais que assim se mantenham ao longo do tempo? Há alguma coisa que todas as sociedades tenham rejeitado como imoral? Por exemplo, consideramos hoje que a escravatura é errada, mas houve, noutros tempos, sociedades que conviveram com ela sem problemas, É isso um exemplo de relativismo cultural?"
Resposta de Joseph G. Moore: O relativista cultural defende que o estatuto moral de uma dada acção ou prática - ser correcta, errada, permissível, honrosa, e assim por diante - depende do código moral da cultura no seio da qual ela é praticada. (Existem muitas variações de relativismo cultural, mas a formulação que apresentei capta a ideia geral.)
O que leva as pessoas a sentirem-se atraídas pelo relativismo cultural é este parecer honrar a nossa noção de que a poligamia, por exemplo não é nem absolutamente má, nem absolutamente boa. Pode ser errada numa cultura e perfeitamente aceitável noutra e nenhuma destas culturas é moralmente condenável no que respeita às práticas que permite. A minha perspectiva pessoal é que o relativismo cultural não é bom nem mau, mas altamente pouco plausível. Pelo menos nisto estarei de acordo com o papa Bento XVI, que protestou recentemente com grande veemência contra «a ditadura do relativismo».
Tenho dúvidas de que, bem ponderadas as coisas, defendamos mesmo o relativismo cultural. E este é o golpe mais devastador que se pode infligir a esta perspectiva. Confundimos o relativismo cultural com atitudes com as quais estamos de acordo e que assumimos como nossas, como sejam a humildade e a tolerância. Sacrifícios humanos, infanticídio, tortura, escravatura e violação sexual socialmente sancionada têm sido praticados em muitas culturas. Embora possa compreender as circunstâncias que deram origem a estas práticas, e até as razões que levaram pessoas fora isto racionais e sensíveis a adoptá-las, encaro estas práticas, e os que as adoptam, como erradas - absolutamente erradas. Noutras matérias, as minhas convicções morais são menos seguras - por exemplo caçar para coleccionar troféus, prostituição, casamentos arranjados, e mesmo o aborto. Por este motivo, e também porque a autonomia é um bem maior, sinto-me inclinado a tolerar estas práticas (ou mesmo a aceitar que outras culturas as banam), não obstante a minha desaprovação. Contudo, humildade e tolerância são coisas muito distintas de relativismo cultural. Na verdade encaramo-las, penso eu, como bens absolutos e desaprovamos pessoas e sociedades que sejam moralmente arrogantes ou intolerantes.
Há ainda problemas complexos no que respeita à aplicação do relativismo cultural, pois é necessário saber o que conta como «cultura» relevante e respectivo código moral, duas questões que são, frequentemente pouco claras.
(Continua)
Alexander George (org), Que Diria Sócrates, 2008, Lisboa, Gradiva, pp.83-86
Alexander George (org), Que Diria Sócrates, 2008, Lisboa, Gradiva, pp.83-86
9.7.10
"Revolução" de valores
"Mal subiu ao trono, Mohammed VI anunciou que ia libertar as mulheres. O movimento feminista, que tinha nascido nos anos 80, aliou-se ao rei. E foi assim que começou a revolução. Está em curso nos costumes e na mentalidade, mas principalmente na lei."
Jornal Público
Como explica, um relativista, as mudanças de valores?
Como criticar os padrões morais de uma sociedade e defender ao mesmo tempo que esses padrões dependem inteiramente do que a sociedade aprova?
Reconhecer que alguns padrões morais da nossa sociedade estão moralmente errados, não implicará apelar a uma concepção mais objectiva e imparcial de certo e errado?
9.5.10
Ciência e Moral
Pensamos por vezes que a ciência tendo como objectivo explicar o que "as coisas são", nada tem a dizer sobre como "as coisas devem ser", que no primeiro caso falamos de factos, no segundo de valores. Ora esta dicotomia (separação) pode ser perigosa em diversos sentidos, um deles prende-se com a ideia de que o conhecimento não nos ajuda a ser melhores ...
Sam Harris, argumenta neste vídeo a favor da ideia de que a ciência, os factos, são fundamentais no esclarecimento do que deve ser uma vida boa.
Sam Harris, argumenta neste vídeo a favor da ideia de que a ciência, os factos, são fundamentais no esclarecimento do que deve ser uma vida boa.
Pode ser visto com tradução em português clicando em View subtitles.
Fonte: Ted.com, tradução para português por Isabel Belchior
26.3.10
Existem factos morais?
Parece claro que não há factos morais no sentido em que há factos como os que são estudados pelas ciências da natureza. Não há uma realidade valorativa no sentido em que há rios e árvores nem é claro que a mesma exista na ausência de seres humanos. Mas daí não se segue que não exista uma realidade moral. Essa realidade pode, por exemplo, ser semelhante à realidade matemática. Tal como a realidade dos números e das incógnitas se encontra ligada ao mundo e a tudo o que dele faz parte, também os valores se encontram ligados à realidade das coisas e fazem parte da nossa vida.
Defendo que existem factos morais neste sentido. Estes são expressos em proposições que exprimem a realidade como deve (deveria) ser. Procuram adequá-la ao ideal de uma vida boa e de um mundo melhor.
Terão valor de verdade? Penso que sim.
Terão valor de verdade? Penso que sim.
Resulta da consciencialização imparcial, do diálogo objectivo sobre os problemas da vida. O argumento em questão é o seguinte:
(1) A verdade dos juízos morais resulta da reflexão imparcial.
(2) Logo, os factos e juízos morais não dependem desta ou daquela pessoa ou sociedade, mas de todas as pessoas.
(2) Logo, os factos e juízos morais não dependem desta ou daquela pessoa ou sociedade, mas de todas as pessoas.
Quanto melhor fundamentado, mais plausível e mais objectivo é o juízo moral.
Esta posição tem vantagens em relação ao subjectivismo e ao relativismo moral, pois, ao afirmar que há valores que todos devem ter, como por exemplo o valor da preservação da vida ou o valor de não causar sofrimento desnecessário; esta posição permite a igualdade de todos os seres humanos à luz destes princípios. Negá-los é entrar em contradição. Negando-os aos outros estaremos a negá-los a nós próprios. A partir destes princípios, podem ser fundamentadas normas culturais, ou pessoais, mas mesmo estas devem ser avaliadas imparcialmente.
Esta posição tem vantagens em relação ao subjectivismo e ao relativismo moral, pois, ao afirmar que há valores que todos devem ter, como por exemplo o valor da preservação da vida ou o valor de não causar sofrimento desnecessário; esta posição permite a igualdade de todos os seres humanos à luz destes princípios. Negá-los é entrar em contradição. Negando-os aos outros estaremos a negá-los a nós próprios. A partir destes princípios, podem ser fundamentadas normas culturais, ou pessoais, mas mesmo estas devem ser avaliadas imparcialmente.
Contra esta ideia pode defender-se que cada pessoa tem a sua opinião e esta deve ser respeitada. Mas não se segue que a opinião de cada pessoa interfira com esta posição, pois é claro que todos pensam de forma diferente, e nem seria desejável que todos pensássemos de forma igual, ou que todas as diferenças culturais se desvanecessem. Apenas devemos fazer uma reflexão imparcial sobre as nossas crenças e as crenças dos outros. Porque as crenças não são todas verdadeiras, não estão todas ao mesmo nível, e todos podemos beneficiar desta reflexão.
Ana Faustino
10.º D
10.º D
21.3.10
Implicações "intoleráveis" da tolerância
O argumento da tolerância é, para quem defende o relativismo moral cultural - teoria metaética segundo a qual os factos morais são instituídos pela sociedade variando de sociedade para sociedade e de época para época -, um factor de coesão e respeito entre culturas. Mas o mesmo é contraditório. Se a maioria das pessoas de uma cultura for intolerante para com outra, para sermos coerentes teríamos de aceitar e tolerar a intolerância como sendo correcta. Teríamos de aceitar a intolerância em nome da tolerância. Mas alguns actos não são toleráveis como por exemplo o terrorismo. Por isso o relativismo moral cultural é inconsistente e auto-refutante. Poderíamos pensar que, para quem defende o terrorismo ele é correcto e que, o defensor do terrorismo não é incoerente uma vez que poderá estar disposto a ser um mártir. Ainda assim, do facto de estar disposto a sacrificar-se, não se segue que os outros tenham também de se sacrificar ou que seja correcto sacrificarem-se. O relativista tem de admitir que o que conta como correcto é o que a maioria da sociedade aprova. Por isso, das duas uma: ou o terrorismo só poderia ser exercido sobre os elementos da (s) sociedade (s) que o aprova, o que claramente não é o que o terrorista pretende; ou o relativista entra em contradição, uma vez que o juízo «o terrorismo é correcto», sendo moral, teria de ser considerado relativo. Mesmo que a premissa seja verdadeira, que seja verdade que «há culturas que aprovam o terrorismo» não se segue que a conclusão, «o terrorismo é correcto» também o seja.
A primeira é um juízo de facto, a segunda um juízo de valor.
O defensor do relativismo estaria assim a cometer dois erros: estaria a tirar uma conclusão sobre o que deve ser (verdade valorativa) daquilo que é (verdade de facto) e a pretender que uma verdade relativa (aquela que é defendida pelo relativismo) se transformasse numa verdade universal, o que é impossível do ponto de vista relativista, porque por definição, o relativismo defende a impossibilidade de haver verdades universais em ética.
João Rodrigues
10.º F
20.3.10
Em ética só há opiniões pessoais?
O subjectivismo moral é uma teoria metaética que defende que o valor de verdade dos juízos morais depende do ponto de vista de cada um. Ouvimos frequentemente que «cada um tem a sua opinião». É verdade que cada um tem a sua opinião, não é o direito das pessoas pensarem como pensam que está em causa, mas se aplicarmos este princípio à ética, implicaria que todos os juízos morais fossem verdadeiros, pois para cada sujeito que o faz, ele é verdadeiro. Sendo assim, não haveria a possibilidade de haver juízos morais falsos. Mas é verdade que ninguém é infalível.
No entanto, se adoptarmos o subjectivismo estaremos a admitir o contrário, uma vez que todos estaremos moralmente certos, o mais lógico era afirmarmos que todos são infalíveis, porque não haveria critério para determinar se alguém tinha falhado. Isto é suficiente para mostrar que em ética não há apenas opiniões pessoais.
João Tato
10.º G
1.3.10
Devemos tolerar a intolerância?
"À questão «deverá o tolerante tolerar o intolerante?», deverá ser dado em resposta um retumbante «não». A tolerância tem de se proteger a si própria. Pode fazê-lo facilmente, dizendo que todos podem expor um ponto de vista mas ninguém pode forçar os outros a aceitá-lo. A única coerção deve ser a da argumentação; a única obrigação, o raciocínio honesto. (...)A intolerância é um fenómeno psicologicamente interessante porque é sintomático de insegurança e medo. Os fanáticos, que, se pudessem, nos obrigariam a agir em conformidade como seu modo de pensar, poderiam estar a pretender estar a salvar a nossa alma, mesmo contra a nossa vontade, mas, na verdade, fá-lo-iam porque se sentiam ameaçados. (...) O medo gera a intolerância e a intolerância gera o medo. o ciclo é vicioso."
C. Grayling, O Significado das Coisas, Gradiva, pp. 23-24 (texto adaptado)
Imagem: Google imagens
Concorda? Porquê?
22.2.10
O que é um argumento moral? Como se avalia?
Usamos frequentemente juízos morais em diferentes situações do dia-a-dia, quando aprovamos ou não a conduta de um amigo, o comportamento de um político ou mesmo de um personagem de ficção. Na maioria dos casos, os juízos morais aplicam normas ou princípios morais a situações específicas. Para justificarmos racionalmente os nossos juízos, argumentamos, mas os argumentos morais têm características específicas, consideremos o seguinte exemplo:1. Provocar sofrimento desnecessário, é moralmente errado.
2. Praticar a excisão é provocar sofrimento desnecessário.
3. Logo, a prática da excisão é moralmente errada.
A primeira premissa é um princípio moral específico, que é usado como critério normativo no argumento. A segunda premissa é constituída por uma proposição factual (juízo de facto) que pode ser confirmada ou refutada pela experiência, pelo conhecimento científico. A conclusão é um juízo moral que é inferido do encadeamento das premissas.
A discussão centra-se muitas vezes na proposição factual, na sua plausibilidade, mas pode haver também desacordo quanto ao princípio moral específico da premissa (é o caso do princípio como «a eutanásia é moralmente errada») e quanto aos conceitos utilizados. Por que razão tem de ser assim?
Imagine que ao argumento exposto faltava um princípio normativo (princípio moral específico), e que ficaria assim:
1. Muitos seres humanos têm sofrido desnecessariamente.
2. A prática da excisão provoca sofrimento desnecessário.
3. Logo, a prática da excisão é errada.
As premissas deste argumento descrevem factos (são juízos de facto) e a conclusão tem carácter normativo (diz-nos, não que algo é ou acontece, mas que é errado que algo - a prática de excisão - aconteça ou seja feita. As premissas não justificam a conclusão porque de premissas que descrevem coisas ou acontecimentos (descritivas), não é legítimo derivar uma conclusão de carácter moral (normativo).
A primeira objecção a este argumento seria esta: que algo aconteça não implica que deva acontecer. A segunda objecção é que a conclusão «a prática da excisão é errada» só seria logicamente aceitável se houvesse uma premissa normativa, o que não acontece.
Uma coisa é o que fazemos, outra o que devemos fazer. A uma proposição normativa deve contrapor-se - argumentando - outra proposição também normativa.
Fonte: Luís Rodrigues, Filosofia 10.º ano, volume 1, Plátano Editora
19.2.10
Os juízos morais são relativos?
Waris Dire é uma modelo somali que ficou conhecida por ser a primeira figura pública a admitir ter sido excisada e a denunciar esta prática cultural que continua, hoje, a mutilar e a matar milhares de raparigas. O seu livro "Flor do Deserto" é a obra mais conhecida sobre o tema. Em 2002, abandonou a passerelle, dedicando-se à fundação que criou para combater esta prática: a http://www.waris-dirie-foundation.com/en/"A minha excisão fizera-me sofrer bastante, e no entanto tive sorte, as coisas podiam ter sido bem piores, como sucedia
frequentemente com outras raparigas. (...)
Pouco me lembro da minha irmã Haleno. Eu devia ter três anos quando subitamente ela desapareceu; não compreendi o que lhe aconteceu. Mais tarde soube que a cigana a tinha excisado quando 'o momento especial' chegara, e Haleno sangrara até morrer. (...)
frequentemente com outras raparigas. (...)Pouco me lembro da minha irmã Haleno. Eu devia ter três anos quando subitamente ela desapareceu; não compreendi o que lhe aconteceu. Mais tarde soube que a cigana a tinha excisado quando 'o momento especial' chegara, e Haleno sangrara até morrer. (...)
(...) Quando nos deslocávamos através da Somália, encontrávamos várias outras famílias e eu costumava brincar com as suas filhas. Mais tarde, quando voltávamos a encontrar-nos, algumas dessas raparigas já não existiam."
Waris Dirie, Flor do Deserto, Edições Asa, pág. 47 (texto adaptado)
O relativismo moral cultural é a tese segundo a qual o valor de verdade dos juízos morais é sempre relativo ao que, em cada sociedade, a maioria acredita ser verdadeiro ou falso. A existência de diferentes concepções sobre o que é certo ou errado implica que não há respostas objectivamente verdadeiras ou falsas às questões morais. A verdade moral, depende daquilo que numa determinada sociedade se considera bom ou mau. O argumento é o seguinte:
1. Em culturas diferentes as pessoas têm convicções morais diferentes.
2. Logo, as verdades morais são relativas à cultura.
Podemos aceitar o relativismo moral cultural, e condenar a prática da excisão?
2.2.10
Existirão factos morais?
«Duas coisas me deixam maravilhado, o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim»
I. Kant
"Um juízo moral - ou qualquer outro juízo de valor - tem de ser apoiado em boas razões. Se alguém disser que uma determinada acção seria errada, pode-se perguntar por que razão seria errada e, se não houver uma resposta satisfatória, pode-se rejeitar esse conselho por ser infundado. Neste aspecto, os juízos morais são diferentes de meras expressões de preferência pessoal. Se alguém diz «eu gosto de café», não necessita de ter uma razão para isso; poderá estar a declarar o seu gosto pessoal e nada mais. Mas os juízos morais requerem o apoio de razões, sendo, na ausência dessa razões, meramente arbitrários.
Qualquer teoria adequada da natureza da avaliação moral deveria, portanto, ser capaz de dar conta das relações entre juízos morais e as razões que os sustentam. (...)
Hume sublinhava que se examinarmos as acções malévolas - «homicídio voluntário, por exemplo» - não encontramos «matéria de facto» que corresponda à maldade. Excluindo as nossas atitudes, o universo não contém tais factos. Esta tomada de consciência tem frequentemente sido entendida como motivo de desespero, porque as pessoas presumem que isto deve significar que os valores não têm estatuto «objectivo». Mas porque razão deveria a observação de Hume surpreender-nos? Os valores não são o tipo de coisas que possam existir como existem as estrelas e os planetas. (Concebido desta maneira, qual seria o aspecto de um «valor»?) Um erro fundamental no qual incorrem muitas pessoas quando pensam sobre este assunto é partir do princípio de que há apenas duas possibilidades:
1. Há factos morais da mesma maneira que há factos sobre estrelas e planetas; ou
2. Os nossos valores não são mais que a expressão dos nossos sentimentos subjectivos.
Isto é um erro porque descura uma terceira possibilidade crucial. As pessoas não têm apenas sentimentos, têm também razão, e isso faz uma grande diferença. Pois pode ser que
3. As verdades morais [sejam] são verdades da razão; isto é um juízo moral é verdadeiro se for sustentado por razões melhores que os juízos alternativos. (...)
Tais verdades são objectivas no sentido em que são verdadeiras independentemente do que possamos querer ou pensar. Não podemos tornar algo bom ou mau pelo simples desejo de que seja assim, porque não podemos simplesmente querer que o peso da razão esteja a favor ou contra algo. Isto explica igualmente a nossa falibilidade: podemos enganar-nos sobre o que é bom ou mau porque podemos estar enganados sobre o que a razão recomenda. A razão diz o que diz, alheia às nossas opiniões e desejos."
James Rachels, Elementos de Filosofia Moral, Tradução de F.J. Azevedo Gonçalves, Gradiva (2009), pág. 65- 67 (texto adaptado)
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