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25.9.10

Os gostos discutem-se?

Andy Warhol, Marylin, 1964

Rita: Eu penso que os gostos não se discutem. Quando afirmo "este quadro é belo", não há nada para discutir. Esta frase exprime apenas um juízo de gosto pessoal, nada mais há a acrescentar. Exprime o meu apreço pelo quadro, sinto que é belo e nada mais.

João: Quando afirmas "este quadro é belo" exprimes não só o que sentes mas também algo acerca do quadro.

Rita: Como assim?

João: Repara, se não houvesse algo no quadro que despertasse os teus sentidos, tu não sentirias nada. Deve haver algo nas coisas que nos leva a apreciá-las, por isso apreciamos umas e outras não.

Rita: Sim, mas os sentimentos são meus e, os nossos sentimentos são genuínos e muito diferentes. Como podemos discuti-los?

João: O que está em causa não são os sentimentos mas as razões pelas quais temos os sentimentos. Apelar aos sentimentos não nos leva a nada. O que interessa é saber porque razão uma obra nos desperta sentimentos e por que razão sentimos apreço por algumas obras e outras não. O modo como nos referimos às obras de arte expressa juízos que ultrapassam o mero gosto pessoal.

Rita: Podes dar um exemplo?

João: Sim. Geralmente dizemos "o quadro é belo" ou "é uma obra-prima", não dizemos "sinto que o quadro é belo", ou "é uma obra-prima de acordo com o meu gosto pessoal". Isto sugere que tem de haver algum acordo sobre este assunto, sem o qual não nos entenderíamos. Por isso penso que os gostos se discutem. O juízo estético comum não é equivalente ao juízo de um especialista. As opiniões não estão todas ao mesmo nível.

Rita: Se assim é, discutem-se com base em que critérios?

João: Com base no padrão de gosto. O filósofo David Hume defendeu que é possível encontrarmos "um conjunto de princípios e observações gerais acerca do que tem sido universalmente aceite como agradável em todos os países e épocas".

Este é diferente da moda, evolui, vai-se formando ao longo do tempo. Hume pensava que "há uma relação entre certas característícas da natureza e a nossa constituição psicológica comum, que favorece certos objectos em relação a outros."

Rita: E como explicas as diferenças de gosto apesar do tal padrão de gosto?

João: Isso deve-se a diferenças de sensibilidade e a diferenças no apuramento do sentido estético. Há pessoas que têm o gosto mais cultivado e desenvolvido, por isso têm maior conhecimento e compreensão dos objectos estéticos.

Rita: Estou a ver... olha João, a prova de que os gostos se discutem é esta nossa conversa (risos).

Mas ainda tenho uma dúvida. Se aceitarmos o padrão de gosto como critério, temos de nos tornar conservadores e conformistas. Como explicas por exemplo a pop art, a música alternativa ou o uso de piercings e tatuagens? Serão apenas expressões de mau gosto?

João: Claro que não Rita. Os pré-conceitos, as modas e os hábitos culturais mesmo os mais radicais, influenciam o padrão de gosto. O facto deste ser aquilo que ao longo do tempo permaneceu como merecedor de atenção, implica "conservar" alguns gostos, mas não implica sermos conformistas. O padrão de gosto evolui e pode incluir inovação e novidade.

19.4.10

A insatisfação da Razão

Henri Matisse, Ícaro (1943)

"A essência do homem é sede de infinito "

David: Já leste os textos recomendados?

Ana: Claro! achei-os muito interessantes. Kant é mesmo um filósofo genial.

David: Explica lá então, por que razão não nos satisfazemos com as limitações do nosso conhecimento?

Ana: Como sabes, Kant defende que só podemos conhecer o que podemos intuir. Tudo começa com a intuição dos objectos no espaço e no tempo - as formas ou estruturas da sensibilidade. Por consequência, só intuímos realidades empíricas, aquelas que podemos perceber naquelas estruturas.

David: Estou a ver. Podes dar um exemplo?

Ana: Ouviste aquela moto que passou? A moto provocou em nós uma certa impressão, nós conseguimos situar o barulho e a visão da moto num certo espaço (a rua) e num certo tempo (dezasseis horas e cinco minutos). Só podemos intuir objectos que estejam no espaço e no tempo.

David: Pois... sendo assim, a sensibilidade desempenha um papel muito importante no conhecimento.

Ana: Claro! mas não é suficiente. Para haver conhecimento é preciso que o entendimento entre em cena. Por isso podemos dizer que todo o conhecimento começa com a experiência mas não deriva dela. A sensibilidade recebe as impressões e estabelece entre elas uma relação espácio-temporal mas não sabe explicar a razão, não estabelece uma relação de causa-efeito. Esta parte cabe ao entendimento.

David: Podes dar um exemplo?

Ana: Consideremos duas impressões sensíveis: o aumento da temperatura e a dilatação de um corpo. A sensibilidade recebe as impressões e estabelece uma sucessão temporal desconhecendo que estão necessariamente ligadas. Isto só acontece quando o entendimento aplica o conceito de causa, o qual permite estabelecer relações de dependência entre estes dois fenómenos. O conceito de causa é uma forma ou estrutura além de outras, com as quais o entendimento humano está equipado. Kant chama-lhes conceitos a priori ou categorias do entendimento.

David: Muito interessante. Continua.

Ana: Só podemos conhecer os dados sensíveis, os fenómenos. Mas pensar é diferente de conhecer. Nada nos impede de pensarmos noutras realidades, os númenos. O conhecimento é condicionado e limitado, mas isso não exclui a existência de uma realidade que não podemos conhecer. A realidade não se reduz ao mundo dos fenómenos, aos objectos que podemos conhecer estabelecendo relações de causa e efeito pelo entendimento. É legítimo pensar que existe muito mais.

David: É por isso que a nossa razão é por natureza insatisfeita, com vontade de conhecimento absoluto...

Ana: Isso mesmo, exige que continuemos além do condicionado e que procuremos a causa incondicionada - a causa última - independentemente da sua existência ou, da possibilidade de a razão a alcançar.

David: "Conhece como se fosse possível atingir o conhecimento absoluto"...

Ana: É isso tudo. A razão "empurra" o entendimento levando-o a estabelecer relações causais entre os fenómenos como se fosse possível prolongá-las até encontrar a causa incondicionada. Mas isso implicaria a possibilidade da razão conhecer além da realidade espácio-temporal, o que claramente não é possível. Contudo, a razão insatisfeita, procura incessantemente decifrar o enigma que é o universo na sua totalidade.

18.4.10

Conhecimento e justificação

Ana: Haverá alguma forma de as nossas crenças constituirem conhecimento sem recorrer à justificação última?
David: Sim. Por contacto directo, através dos sentidos, ou através de um argumento.
Ana: Pois, mas estes dois tipos de justificação são problemáticos, não asseguram a verdade da crença como bem observaram os cépticos.
David: Em parte é verdade, nós podemos ter duas situações. Ou a justificação implica a verdade, e a crença está justificada, se a justificação implicar uma prova infalível de verdade. Ou a justificação não implica necessariamente a verdade da crença. Neste caso, todas as justificações são falíveis e podem ser questionadas. Penso que esta segunda hipótese é mais plausível. Não é necessário termos provas infalíveis para termos conhecimento. Tanto Descartes como os cépticos radicais estavam enganados neste ponto.
Ana: Podes explicar?
David: Penso que as nossas crenças se inferem de outras crenças, mas, ao contrário do que pensavam os cépticos, todas estão justificadas. As diferentes crenças estão ligadas entre si, justificamos umas a partir de outras.
Ana: Podes dar um exemplo?
David: Olha justificamos a crença de que a água é H2O através da crença nas análises químicas da água, ou justificamos a queda de um lápis através da crença de que os corpos são atraídos para a Terra pela força da gravidade.
Ana: Estou a ver. O nosso conhecimento funciona como uma espécie de rede... como elos numa cadeia. Cada novo elo pressupõe outros elos já existentes.
David: Isso mesmo. Cada crença suporta e é suportada por outras. Formam sistemas corentes e consistentes que se justificam entre si. Quando uma crença se revela falsa é substituída por outra. Não recusamos todas as crenças em bloco nem poderíamos fazê-lo mesmo que quiséssemos.
Ana: Mas, nesse caso, falta ainda justificar a rede como um todo e como é que os nossos sistemas de crenças se ligam à realidade. Parece-me que há aqui alguma circularidade - damos como justificado o que ainda falta justificar -, além disso, podemos descobrir que afinal todo o modelo estava errado e... voltamos ao princípio.
David: Tens razão, há sempre esse risco, mas penso que não é razão para abandonarmos este ponto de vista.
Ana: Então explica.
David: O todo é superior à soma das partes e se o todo funcionar...., se explicar o que precisa ser explicado, então, penso que deixa de haver circularidade ou pelo menos fica bastante limitada.
Ana: Estou a ver. É como o sistema respiratório ou o sistema digestivo no nosso corpo.
David: Isso mesmo, os quais por sua vez se integram em sistemas mais complexos.
Ana: Interessante. Poderemos compreender o todo?
David: Infelizmente penso que não. Afinal a justificação tem de parar em algum ponto. Não podemos encontrar a justificação última. Isso deve-se à nossa natureza, como pensava Hume. Somos finitos!
Ana: É verdade. Mas por que razão, sendo seres finitos, temos esta necessidade de procurar as causas últimas? De almejar o infinito?
David: Essa é uma boa questão.... Talvez Kant tenha algo a dizer sobre o assunto.
Tocou para a entrada. A resposta a esta questão teria de ficar para depois.

8.4.10

David Hume, além da experiência...

Ana: Podes explicar-me em que experiência se baseia a noção de causalidade?
David: Se bem entendi, a noção de que há uma relação de causa e efeito entre os fenómenos deve-se à experiência de vermos repetidamente um certo tipo de objecto ou evento, relacionados. Esta experiência de contiguidade leva a mente a inferir um certo tipo de objecto ou evento sempre que tem a impressão do objecto ou evento que habitualmente o antecede.
Ana: É esse tipo de hábito que leva Hume a concluir que a causalidade não é mais do que essa conexão necessária que a experiência do passado formou em nós.
David: Isso mesmo, um hábito mental produzido por factos contingentes ligados ao funcionamento da natureza humana.
Ana: Podes dar um exemplo?
David: Olha o facto de termos experienciado muitas vezes que este banco em que nos sentamos suporta o nosso peso, ou o facto de experienciarmos muitas vezes que o arroz alimenta...
Ana: ... Mas estas são inferências indutivas.
David: Sim.
Ana: Por que razão pensamos assim?
David: Porque esperamos que casos futuros sejam semelhantes aos casos do passado e que o curso da Natureza continue uniformemente o mesmo.
Ana: Estou a ver, é o Princípio da Uniformidade da Natureza, tão caro à ciência e ao conhecimento de modo geral. Temos alguma justificação para pensar assim?
David: Vejamos, em que permissa podemos apoiar a conclusão de que o que aconteceu no passado acontecerá no futuro?
Ana: Na premissa de que a Natureza tem sido uniforme nas nossas observações do passado.
David Pois, mas este argumento é indutivo e circular.
Ana: Será que uma justificação dedutiva seria mais adequada?
David: Não me parece. A razão é que o princípio da uniformidade da natureza não pode ser deduzido das observações do passado. Poderíamos tentar outro tipo de dedução, por exemplo procurar deduzi-lo dos termos em causa. Nesse caso seria uma verdade conceptual semelhante a: "os solteiros não são casados". Mas não há nenhuma contradição na suposição de que a natureza deixará subitamente de ser uniforme (o que contraria o princípio da dedução conceptual). Logo, esta tentativa também falha.
Ana: Então o que é o Princípio da Uniformidade da Natureza?
David: Mais uma vez temos de concluir simplesmente que se trata de um hábito mental, ainda que importante na aquisição de conhecimento. O que acontece é que a nossa natureza humana funciona assim, mas não podemos honestamente excluir a hipótese de que um dia deixe de funcionar desta forma.
Ana: Compreendo. Esta ideia é perturbadora. Parece que a possibilidade de conhecermos alguma coisa fica definitivamente comprometida.
David: Não na totalidade. O conhecimento com base na experiência empírica bem como o conhecimento analítico, são possíveis.
Ana: É verdade, mas Hume pensa que o conhecimento analítico não é substancial. O único conhecimento genuíno tem base na experiência e, esta, baseia-se na causalidade e no princípio da uniformidade da natureza.

17.3.10

A Questão dos Critérios Valorativos



Mariana: Sabes que nos Estados Unidos existem comunidades de Amishes, grupos de cristãos conservadores que vivem afastados da restante sociedade, ainda usam carros puxados por cavalos, vestem-se como os agricultores do séc. XVIII, não têm televisões, nem telefones, nem computadores; produzem tudo o que consomem, são agricultores, pastores, artesãos... Olha, como se vivessem há trezentos anos atrás, por exemplo. Não achas encantador?

Rui: Encantador? Ó Mariana, essa gente parou no tempo, tem um tipo de vida inaceitável nos dias de hoje, inconciliável com o mundo desenvolvido, civilizado.

Mariana: Não sei porque dizes isso. Levam uma vida simples, não prejudicam ninguém, por isso é lá com eles. Nós não temos nada que censurar. Acho que estás a ser intolerante.

Rui: Se calhar devemos ser intolerantes mesmo, nestes casos. Tu sabes que nessas comunidades os jovens não podem estudar para além daquilo que em Portugal corresponde ao ensino básico? Isto se for rapaz, porque as raparigas só podem andar na escola até aos doze anos o que as impede de aprender pouco mais do que a ler e a contar. Sabes que os casamentos são combinados entre as famílias e as raparigas são praticamente obrigadas a casar aos treze ou catorze anos e, obviamente, sempre com indivíduos da comunidade?
Não permitindo aos indivíduos nascidos nestas comunidades contactar com o exterior ou conhecer qualquer outra realidade social, condenam-nos a uma vida de total submissão social e religiosa e os que desobedecem são excomungados e expulsos da comunidade e então são lançados num mundo cujas regras e costumes desconhecem em absoluto. Não lhes é permitido nem conhecer, nem preparar-se para viver e trabalhar no mundo em que realmente vivem, como tu e eu. Isso é errado, imoral mesmo.

Mariana: Mais uma vez, só a eles lhes diz respeito. Esse modo de vida que tu consideras subdesenvolvido ou incivilizado e imoral está organizado segundo as suas regras, os seus valores morais e não segundo os nossos, que são para eles verdadeiros embora não o sejam para nós. O mesmo se passa com os nossos valores, só são verdades para nós. Os valores são relativos à cultura em que são produzidos, só nesse contexto podemos avaliar da sua verdade ou falsidade. Temos de os respeitar assim como eles têm de respeitar os nossos. Não vês que, neste domínio, é tudo muito relativo?

Rui: Bom, então diz-me uma coisa: Pelo que dissemos antes, reconheces que estes indivíduos não têm certos direitos que nós consideramos garantidos e que não aceitaríamos que nos fossem subtraídos na nossa sociedade?

Mariana: Exactamente, na nossa sociedade são situações moralmente inaceitáveis mas entre eles não.

Rui: Então diz-me uma coisa: Consideras que Declaração Universal dos Direitos Humanos consigna um conjunto de direitos de todos os homens e que devem ser universalmente respeitados ou…… relativamente?

Mariana: Hummm… Universalmente, claro!

Rui: E como concilias essa convicção com o que defendeste antes?

Mariana: A tua questão é, sem dúvida, pertinente. Tenho de pensar Rui. Gostei muito da nossa conversa.

Rui: Também eu, Mariana. Só o debate sobre estas questões nos permitirá esclarecê-las. Depois falamos outra vez.

Mariana: Falamos sim. E prometo-te que vou pensar muito bem nos teus argumentos.

Quem tem razão?

18.11.09

Egoísmo Psicológico

Depois da aula de Filosofia, a Sandra e o Rogério dirigiram-se ao pátio para mais uma conversa de intervalo. Mas, desta vez, resolveram continuar a discussão que tiveram na aula.

Sandra: Não concordo nada com o egoísmo psicológico. Eu acho que não devemos ser egoístas! Que mania que os filósofos têm de nos pôr a cabeça às avessas.
Rogério: Espera... repara que o egoísmo psicológico não é uma teoria normativa, que diga como te deves comportar.
Sandra: Então?
Rogério: Apenas te diz como se explicam as acções humanas. Lembras-te de o professor dizer que uma acção se explica a partir da identificação dos desejos e das crenças?
Sandra: Lembro, claro. Os motivos de uma acção traduzem sempre crenças e desejos.
Rogério: Exacto. O egoísmo psicológico é uma teoria que pretende descrever as acções, de tal maneira que se torne possível descobrir os verdadeiros motivos que nos levaram a agir. E segundo esta teoria, o verdadeiro motivo é o interesse pessoal.
Sandra: Mas tu achas que esta teoria faz algum sentido?
Rogério: Para mim faz. Se eu ajudo uma pessoa, que até desconheço, com roupas, não achas que o faço porque quero? Quem é que deseja ajudar essa pessoa? Sou eu. Quem é que acredita que ao ajudar essa pessoa, pode ficar bem com a sua consciência? Sou eu. Portanto, eu agi em conveniência com o que considerei mais vantajoso para mim.
Sandra: Será que fui egoísta quando te passei os apontamentos das aulas quando partiste o braço?
Rogério: Hummm! Bem... que motivos te levaram realmente a passar-me os apontamentos?
Sandra: Achas que foi a pensar que quando eu partisse um braço, tu farias o mesmo? Preguiçoso como és! (gargalhadas) Claro que não! Fi-lo porque quis, é verdade, mas não porque tivesse um especial gozo em fazê-lo, ou acreditasse que me sentiria melhor comigo mesma. Sabes o que eu senti, na realidade? O braço dormente! Ora, nem tudo o que fazemos consiste numa busca de experiências aprazíveis.
Rogério: Okay! Mas que motivos te levaram a agir dessa maneira?
Sandra: Eu agi assim porque és meu amigo; fi-lo de um modo desinteressado.
Rogério: Nenhuma acção é desinteressada, porque agimos em função de determinados motivos.
Sandra: O principal motivo da minha acção foi ajudar-te, não podes por isso concluir que fui egoísta apenas porque o meu interesse era que tivesses os apontamentos das aulas. Talves devas repensar essa ideia de que basta querermos fazer alguma coisa para nos comportarmos de um modo egoísta.
Rogério: Queres convencer-me de que o egoísmo psicológico é pouco plausível?
Sandra: Posso apresentar-te o meu argumento. Esta teoria diz que todas as acções são egoístas. Ainda te lembras de como se negam proposições?
Rogério: Claro! Gostei muito dessa matéria. Essa proposição negada fica: algumas acções não são egoístas.
Sandra: Certíssimo. E é por aí que posso argumentar. Ora repara: supões que não se pode colocar no mesmo patamar o interesse pessoal e o bem dos outros. Ainda que admita que muitos dos actos que cometemos persigam o nosso interesse pessoal, é bem verdade que se encontrar um exemplo de uma acção em que há compatibilidade entre o interesse pessoal e uma preocupação com os outros, refuto o egoísmo psicológico. O exemplo que te dei há bocado, bem presente na dor que ainda tenho no pulso, mostra que quis ajudar-te (tive esse interesse), o qual é compatível com uma preocupação contigo.
Rogério: Tu estás a confundir as coisas, Sandra. No momento em que te preocupas comigo ou com outra pessoa qualquer, fá-lo com a convicção de que isso é mais vantajoso para ti. Em suma, a tua acção foi motivada pelo interesse em te sentires bem com o facto de eu estar bem.
Entretanto, tocou para a entrada. A Sandra ficou a pensar numa resposta para dar ao Rogério.
Concordas com a Sandra ou com o Rogério?