Análise comparativa de três perspetivas acerca do problema da justiça social.
Trabalho da Turma A, do 10º Ano.
Desidério Murcho esteve no podcast Despolariza, de Tomás Magalhães, e conversaram sobre livre-arbítrio, moralidade e verdade. Na revista filosófica Crítica na Rede, Desidério Murcho deu o título 'Há muitos falsos moralistas', à sua publicação.
O vídeo é um pouco extenso, mas podem ouvir apenas temas específicos, que vos interessam e/ou 'dá jeito' ouvir agora, por causa das avaliações, como o livre-arbítrio aos17 minutos; Ética a partir do minuto 56; os dilemas morais, Kant e Mill, à 1:00 hora, por exemplo.
Este podcast foi gerado por IA a partir de um vídeo em que Desidério Murcho aborda o Sentido da Vida, respondendo a um pedido de esclarecimento por parte de duas alunas do Ensino Secundário e, por isso, o registo é muito adequado a este público.
Caso o assunto lhe interesse, Desidério Murcho disponibiliza também um curso assíncrono sobre "O Sentido da Vida", aqui: https://criticanarede.com/cursos/sentidodavida.html
"Ter esperança em tempos difíceis não é apenas uma atitude romântica ou ingénua, baseia-se numa verdade essencial. A história da humanidade não é apenas uma história de crueldade, mas também de compaixão, sacrifício, coragem e bondade. E o que decidirmos colocar no centro dessa história complexa vai marcar nossas vidas. Se escolhemos focar-nos apenas no pior, paralisamos nossa capacidade de agir. Mas se nos lembrarmos daqueles tempos e lugares — e são muitos — em que uma pessoa fez um excelente trabalho, isso dá-nos energia para agir e, pelo menos, ter a possibilidade de mudar o curso deste nosso mundo que gira como um pião. E quando agimos, mesmo que de forma pequena, não precisamos mais esperar por um futuro grandioso e utópico. O futuro é uma sucessão infinita de presentes, e viver hoje, neste presente, como achamos que os seres humanos devem viver, desafiando tudo o que é mau ao nosso redor, é, por si só, uma vitória maravilhosa"
Howard Zinn, historiador, cientista político, dramaturgo e ativista pela paz norte americano
Consulte AQUI um texto do blogue O terceiro excluído, de Pedro Galvão, já antes publicado neste blog.
Pode conhecer AQUI a perspetiva do neuroendocrinologista Robert Sapolsky.
O Dia Mundial da Filosofia é um dia internacional proclamado pela UNESCO para ser comemorado na terceira quinta-feira de novembro e foi celebrado pela primeira vez em 1 de novembro de 2002.
Ao comemorar o Dia
Mundial da Filosofia, a UNESCO destaca o valor da filosofia para o
desenvolvimento do pensamento. A UNESCO valoriza, assim, a filosofia e
o questionamento crítico, próprio da atividade filosófica, que
permite dar sentido à vida e à ação, no contexto pessoal e social.
Ao instituir o Dia
Mundial da Filosofia, a UNESCO destacou a importância dessa disciplina,
especialmente para os jovens, sublinhando que “a filosofia é uma disciplina que
incentiva o pensamento crítico e autónomo, gerador uma melhor
compreensão do mundo e de de si mesmo e promotor da tolerância e
da paz”.
Imagem: Trabalho
realizado pelos alunos Jacinta, Moisés, Rita, Sofia e Teresa do 11ºE e por
alunos dos 10ºs C e E.
Immanuel Kant, “Anúncio do Programa do Semestre de Inverno de 1765-1766”, in Theoretical Philosophy, 1755-1770 (edição de David Walford e Ralf Merbote, Cambridge University Press, 1992), pp. 2:306-7.
Ao celebrar o Dia Mundial da Filosofia todos os anos
na terceira quinta-feira de novembro, a UNESCO destaca o valor duradouro da
filosofia para o desenvolvimento do pensamento humano, para cada cultura e cada
indivíduo.
Além de ser uma disciplina, a filosofia
também é uma prática quotidiana que pode transformar as sociedades e estimular
o diálogo entre as culturas. Ao despertar para o exercício do pensamento e o
confronto racional de opiniões, a filosofia ajuda a construir uma sociedade
mais tolerante e respeitadora. Desta forma, permite-nos compreender e dar
resposta aos grandes desafios contemporâneos, criando as condições intelectuais
para a mudança.
Posteres elaborados pelos alunos Yeva Lastovtska e César Sousa
Descartes, Discurso do Método, Clássicos Sá da Costa, pág. 27
Este excerto de Descartes apresenta-nos as
razões para duvidar das crenças que provêm dos sentidos e da razão. Estas
razões para duvidar surgem da tentativa de Descartes responder ao problema
epistemológico da possibilidade do conhecimento. Descartes pretende refutar o
argumento cético da regressão infinita, pelo que, Descartes não é cético.
Segundo a definição clássica ou tripartida, o
conhecimento é uma crença verdadeira justificada. O ceticismo radical defende
que o conhecimento não é possível, visto que, para justificarmos as nossas
crenças, usamos outras crenças, caindo assim numa regressão infinita da
justificação e, por isso, nenhuma das nossas crenças está verdadeiramente
justificada.
A mais célebre resposta ao desafio lançado
pelos céticos é o fundacionalismo, este começa por distinguir crenças básicas,
que são crenças autojustificadas e autoevidentes, de crenças não-básicas, que
são as crenças que se justificam com outras crenças. As crenças básicas,
segundo o fundacionalismo, são a base para o conhecimento e podem ter origem na
razão ou na experiência. O
objetivo de Descartes é encontrar pelo menos uma crença básica, fundacional, certa
e indubitável, provando assim a existência do conhecimento.
Ele vai adotar a dúvida cética como método -
a dúvida metódica ou dúvida cartesiana. A dúvida cartesiana, para além de ser
metódica é universal, pois aplica-se a todo o tipo de crenças, e é hiperbólica
por ser exagerada, duvidando mesmo de crenças que nos parecem evidentes. Mas é
provisória, pois iremos considerar provisoriamente falso tudo aquilo que seja
minimamente duvidoso e será ultrapassada quando se encontrar uma crença básica.
Descartes considera que para chegarmos a uma
crença indubitável temos de suspender os nossos sentidos e a nossa razão. Ou
seja, não podemos justificar nenhuma crença com base nos nossos sentidos nem na
nossa razão, visto que como ele afirma no texto apresentado, os nossos sentidos
nos enganam algumas vezes - ilusões dos sentidos - não conseguimos mesmo, por vezes, distinguir
a realidade do sono – indistinção entre vigília e sono - e porque às vezes nos enganamos ao raciocinar,
mesmo em raciocínios simples como, por
exemplo, 7x8.
Descartes coloca ainda a hipótese de haver um
génio maligno que nos está a enganar
e a manipular, fazendo-nos crer que existimos, que temos pensamentos e que há um
mundo onde ocorrem fenómenos que logramos captar através dos nossos sentidos,
quando apenas somos personagens ou projeções desse génio tão poderoso quanto
enganoso.
Mas chega à conclusão de que se está a
duvidar, então ele está a pensar, e que para pensar ele tinha de ser alguma
coisa, existir, pelo menos enquanto ser pensante, ou seja, chega ao cogito, a crença “Penso; logo, existo!”,
uma crença básica, autojustificada e indubitável. Descartes refuta assim o
argumento cético da regressão infinita, e prova a possibilidade do conhecimento,
através de uma crença racional, a priori. Descartes é, pois, um racionalista, o que significa
que para ele a fonte prioritária do conhecimento é a razão.
Podemos concluir que Descartes não é um cético, e que ele apenas usa a dúvida proposta pelos céticos como método, ou seja, como ponto de partida, para chegar ao cogito, de modo a conseguir refutar o argumento cético da regressão infinita, e provar, ao contrário do que os céticos afirmam, que há conhecimento, que é efetivamente possível alcançar certas verdades de forma indubitável.
Catarina Filipe 11B
Pode consultar AQUI a versão online, gratuita, do Dicionário Escolar de Filosofia, organizado por Aires Almeida (Lisboa, Plátano Editora). Os artigos são geralmente curtos, directos e informativos. Sem prescindir do rigor, a linguagem é acessível a estudantes.