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13.3.13

Preocupo-me, LOGO EXISTO!

 
"A Europa vai entrar num declínio sob todos os aspectos - económico, cultural, intelectual. Aliás, se se vir a evolução das universidades na Europa, é aterradora. Não na parte das ciências exactas, mas no que era o chamado "ramo das humanidades" - e que infelizmente se passou a chamar "ciências sociais" - as universidades entraram numa decadência aflitiva. A universidade pública tem desprezado esse ramo do saber. Como é que se alimenta cultura e os valores da cultura, se se nega pertinência, validade e interesse àquilo que são saberes não científicos, mas que são saberes à mesma? Então a Guerra e Paz do Tolstoi, O Vermelho e o Negro do Stendhal, o D. Quixote do Cervantes, um trio do Schubert, a Filosofia, não interessam para nada? Todo este ramo do saber está descuidado e pervertido pelos estudos culturais e pelo pós-modernismo. Daqui vem uma ameaça à sanidade cultural do pensamento do Ocidente."

Fátima Bonifácio (a) , no Público, de 12/03/2013:

 (a) Licenciada em História pela UL (1977) e doutorada, também em História, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa; investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, onde colaborou com autores como Maria Filomena Mónica e Vasco Pulido Valente;professora na FCSH-UNL,entre 1980 e 2006 e tem publicados numerosos artigos, sobretudo de análise política, na imprensa, nomeadamente no diário Público e na revista Atlântico.

A não perder, esta oportunidade de ver bom teatro, tão perto de nós.



17.2.12

O Cerco a Leningrado



O Cerco a Leningrado, de José Sanchis Sinisterra, vai estar em cena no Centro Cultural e Congressos de Caldas da Rainha, nos dias 24 e 25 de Fevereiro.
Encenada por Celso Cleto, a peça - a mais conceituada obra do dramaturgo espanhol - é uma homenagem aos profissionais de teatro e marca a comemoração, em palco, dos 70 anos de carreira de Eunice Muñoz. A actriz, que contracena aqui com Maria José Paschoal, estreou-se em 1941 no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.
Parece-me uma boa oportunidade de ver trabalhar uma atriz cujo profissionalismo e talento reúnem consenso geral.


Acrescento que o preço dos bilhetes oscila entre os 10€ e os 15€  e também há descontos para grupos.
Vamos?

4.5.10

"Medeia" - A nova peça dos Gambuzinos

Sábado, dia 8 de Maio, o grupo de teatro "Os Gambuzinos", estreia a peça: "Medeia" no Centro Cultural Gonçalves Sapinho.


SINOPSE:
" Eurípedes, dramaturgo da Grécia antiga, constrói o retrato psicológico de Medeia,
numa das mais duras e impressionantes tragédias da dramaturgia universal.
Medeia, oscila entre o amor e o ódio e ao ser traída pelo seu esposo Jasão
é acometida por uma fúria terrível que a leva a perpetrar uma terrífica e insana vingança.
A recriação poética de Sophia de Mello Breyner Andresen acentua a beleza trágica da peça. "

4.1.10

A CIDADE









“O que é a vida democrática numa cidade?” Luís Miguel Cintra

Repensar a vida democrática na cidade, a partir de textos escritos há 2500 anos, nos quais as semelhanças com a vida dos nossos dias são mais do que inevitáveis mas sempre surpreendentes.

A CIDADE é uma colagem de textos de Aristófanes, excertos de Os Acarnenses, Lisístrata, Paz, Pluto, As mulheres que celebram as Tesmosfórias, As Nuvens, Os Cavaleiros, As Mulheres no Parlamento e As Aves.
É uma Co-produção do Teatro da Cornucópia com o Teatro Municipal de S. Luiz, em cuja Sala Principal será levado à cena.A estreia está marcada para 14 de Janeiro e poderemos assistir ao espectáculo até 14 de Fevereiro de 2010 de Quarta a sábado às 21H00 e Domingos às 17H30.
No dia 31 de Janeiro haverá uma sessão especial com interpretação em Língua Gestual Portuguesa.

A tradução é de Maria de Fátima Sousa e Silva e Custódio Magueijo; Adaptação e colagem Luis Miguel Cintra; Encenação Luis Miguel Cintra; Cenário e Figurinos Cristina Reis; Desenho de luz Daniel Worm d’Assumpção; Música Eurico Carrapatoso; Colaboração musical João Paulo Santos; Acompanhamento vocal Luís Madureira.
Elenco: Bruno Nogueira, Carolina Villaverde Rosado, Dinarte Branco, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, Gonçalo Waddington, José Manuel Mendes, Luísa Cruz, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Márcia Breia, Maria Rueff, Marina Albuquerque, Nuno Lopes, Ricardo Aibéo, Rita Durão, Rita Loureiro, Sofia Marques e Teresa Madruga.

Consideramos que foi na Grécia Antiga que nasceu a Civilização Ocidental e que foi em Atenas, vários séculos antes de Cristo, que nasceu a Democracia. Nas comédias de Aristófanes, por sinal um conservador, no violento e insurrecto humor com que nelas retrata a vida daquela cidade “perfeita”, nestes textos escritos há 2.500 anos, fomos encontrar o material para a composição do guião de um espectáculo a que chamaremos A CIDADE. É com as confusões e as dificuldades da vida numa sociedade que se quer democrática, a corrupção da sua política, o seu desejo de paz, as suas saudades do campo, a maneira como convive com os seus “poetas”, as peripécias sexuais e conjugais que se geram na coexistência do público e do privado, em suma, com a vida da polis, e através das mais que inevitáveis semelhanças com os contratempos dos nossos dias, que este espectáculo quer brincar.
Uma metáfora de todas as Cidades construída por um grande grupo de actores no palco do Teatro Municipal S. Luiz, teatro da cidade de Lisboa. (Informação retirada do site do Teatro da Cornucópia)

Como pensar e, sobretudo, como viver na sociedade democrática? A novidade introduzida pelos gregos da antiguidade clássica foi disso exemplo: os filósofos da Grécia antiga expunham as suas ideias e desafiavam os interlocutores a discuti-las livremente, na “praça pública”. Uma novidade absoluta na história da humanidade, a cultura da liberdade intelectual, base da escola e da sociedade modernas e das “outras” liberdades.
Ao longo destes vinte e cinco séculos, assiste-se na civilização europeia a uma constante tensão entre a exigência de liberdade e as atitudes autoritárias e hierárquicas, que a aniquilam. Ou então a liberdade de participação democrática existe mas a vida pública é (espante-se) olhada com enfado.
A atitude crítica, para além de um preceito meramente académico, tem de ser uma oposição efectiva e permanente à subserviência e ao conformismo tão próprios da natureza humana, sempre demasiado ciente das autoridades, das hierarquias e das oportunidades individuais.

Pela temática sempre actual, por todos os profissionais responsáveis e pelos créditos do Teatro da Cornucópia, mais uma peça a não perder.

Imagem do Google: Representação de Ágora e Acrópole atenienses.

24.11.09

Trevas e razão, ontem como hoje





«O Nome da Rosa» (a partir) de Umberto Eco pelo Fatias de cá. No Convento de Cristo, em Tomar, até 20 de Dezembro de 2009.
O Fatias de Cá, criado em Tomar em 1979, enquanto Companhia de Teatro desenvolve projectos de âmbito profissional e amador.A designação deste grupo, criado em Tomar em 1979, inspira-se no nome de um doce conventual (Fatias de Tomar).

Esta encenação do Fatias de Cá é muito interessante já que conjuga, com sucesso, três objetivos:
- o da valorização do património, quer o construído quer o paisagístico, que é entendido como um espaço teatral privilegiado;
- a partilha com o público de um momento de refeição que  é assumido como uma forma de sociabilização e de concentração no espaço-tempo convocado pelo espectáculo;
- e o acto teatral que é entendido como um momento inclui, envolve e emociona o próprio público.
O Fatias de Cá usa como lema uma frase atribuída a Galileu: “Não resistir a uma ideia nova nem a um vinho velho.”

O enredo de O Nome da Rosa gira em torno das investigações de uma série de crimes misteriosos, cometidos dentro de uma abadia medieval. Com ares de Sherlock Holmes, o investigador, o frade franciscano William de Baskerville, assessorado pelo noviço Adso de Melk, vai fundo nas suas investigações, apesar da resistência de alguns dos religiosos do local, até que desvenda que as causas do crime estavam ligadas a manutenção de uma biblioteca que mantém em segredo obras apócrifas, i.e. obras que não seriam aceites em consenso pela igreja cristã da Idade Média, como é o caso da apologia do riso criada por Eco e atribuída ficcionalmente a Aristóteles.

Um excelente texto, dos mais conhecidos e apreciados da obra ficcional de Eco. Resultado de um estudo de época rigoroso, que nos proporciona um retrato histórico bastante fiel dos meados do século XIV. Uma viagem imaginária e excitante à Idade Média. Um pretexto para uma reflexão sobre questões filosóficas como as definições de bem e de mal, das crenças religiosas, dos conceitos e das crenças tanto daquela época, como das actuais.
São muitas as razões para não perder esta oportunidade de ver um espectáculo diferente.
(Informações retiradas da página do Fatias de Cá).

19.11.09

Ética e Poder

HANNAH e MARTIN











Já começaram os ensaios do espectáculo «Hannah e Martin», de Kate Fodor. Os actores Ana Padrão, Cátia Ribeiro, Cristovão Campos, Diogo Mesquita, Francisco Pestana, Irene Cruz, Luis Alberto, Maria Ana Bernauer e Rui Mendes interpretarão as personagens que darão vida a esta peça. A encenação é de João Lourenço e a dramaturgia de Vera San Payo de Lemos. Estreia dentro de dias no Teatro Aberto, à Praça de Espanha, em Lisboa.

Durante os julgamentos de Nuremberga, Hannah Arendt visita Martin Heidegger, seu antigo professor, mentor e amante. Este encontro entre o filósofo convertido ao nazismo e a filósofa judia, depois da guerra, leva-os a reviver o passado. «Hannah e Martin» é uma peça na qual o universo mais íntimo se mistura com a política, a história e a ética, colocando questões pertinentes ao espectador de hoje, tais como:

Qual é o poder das ideias e que força encerram os ideais de quem tem poder? Qual é a origem da crueldade? E do amor? E da integridade? Será algum dia possível compreender a natureza humana e as suas motivações? (Informação retirada do site do Teatro Aberto).
A não perder.

4.10.09

Sobre a Arte e Sobre a Vida


SEIS PERSONAGENS À PROCURA DE AUTOR

Pela companhia Artistas Unidos, na sala principal do Teatro Municipal de S. Luís. Texto (de 1921) de Luigi Pirandello , tradução Mário Feliciano e Fernando José Oliveira, encenação Jorge Silva Melo, cenografia e figurinos Rita Lopes Alves e Luz Pedro Domingos. Com João Perry, Sylvie Rocha, Lia Gama, Pedro Gil, Cândido Ferreira, Pedro Luzindro, Alexandra Viveiros, John Romão, Vânia Rodrigues, António Simão, entre outros, e a participação especial de Mariema. Para maiores de 12 anos. De Quarta a Sábado às 21h00 e Domingo às 17h30; até 18 de Outubro.

Quando a acção começa, o que se vê em cima do palco é um ensaio de teatro. Encenador, produtor, técnicos e actores preparam-se: há ordens dadas alto, aquecimentos de voz, passos de dança, cenários a passar… até que entra uma família de luto que se anuncia como seis personagens à procura de um autor. Viveram um drama e agora vivem outro por terem sido abandonadas pelo seu criador e não haver autor para contar as suas vidas.

“Acredite, somos seis personagens fantásticas, se bem que à deriva”, diz o pai (João Perry) ao encenador incrédulo, que pergunta: “Mas onde é que está a peça?” e surpreendentemente a resposta é “ Está em nós, somos nós.”
A situação é tão bizarra que provoca sorrisos no palco e na plateia: como não há quem aproveite estas figuras, elas deambulam oferecendo-se e tentando convencer o encenador a “continuar as suas vidas interrompidas”, expondo a injustiça e o mérito dramático da sua condição.

Entre o absurdo da conversa compreende-se, com surpresa, o propósito de Pirandello: reflectir a arte enquanto representação da vida, pondo à prova o teatro e todo o talento maior dos actores que nunca chegará para representar a vida e a tragédia destas personagens que a vivem e revivem, repetidamente, presos ao papel que foi escrito para elas e cujo fim desconhecem. O que é vida e o que é ilusão? Para as seis personagens a realidade são elas e “o palco um lugar onde se brinca às verdades”, sem nunca sequer chegar à realidade. Não querem ser representadas pelos actores da companhia. Afinal, como alguém poderia representar melhor a vida de uma personagem do que ela própria?

Por outro lado, Pirandello conduz-nos a uma reflexão sobre a vida e a angústia do homem que busca a compreensão de si e da realidade e se reconhece só e abandonado à sua sorte pelo “autor” que, depois de o criar a ele e ao seu mundo, parece nada lhe dizer em relação àquilo que deve ser a sua conduta ou qual o sentido que deve dar à sua vida, vendo-se assim obrigado a deambular pela vida à procura de si próprio.
A não perder.

20.9.09

A relação mente/corpo

Ego

De MICK GORDON e PAUL BROKS, encenação JOÃO PEDRO VAZ, tradução FRANCISCO NICÉFORO, espaço cénico e figurinos MARIA JOÃO CASTELO, vídeo PEDRO FILIPE MARQUES, luz NUNO MEIRA. Com CATARINA LACERDA, GONÇALO WADDINGTON e ANTÓNIO FONSECA. Produção Teatro Nacional D. Maria II, em cena na Sala Estúdio até 11 de Outubro Maiores de 16 anos


Como é que um quilo e meio de carne se transforma em mente? Para Alex, como para muitos de nós, é um equívoco que nos leva a formular a nosso respeito um princípio de primeira pessoa do singular ,“Eu”, que descreve uma unidade interna que se resume, afinal, a um feixe de reacções físico-químicas dispersas por diversas zonas cerebrais. É o cérebro que dá continuidade às nossas ideias, emoções e experiências, contando-nos a “história que somos” e não a do Eu que a vive, como por vezes fantasiamos como vestígio do nosso pensamento mágico (como defende Alex).

Ego é o percurso desconcertante de Alex, um neurologista que não acredita na ideia de identidade - "nem essência, nem ego, nem Eu"- mas que, depois de uma experiência que corre mal, "uma viagem num teletransporte tipo Star Trek", se vê privado da vida com a mulher e acaba a questionar tudo. Alice tem um tumor no cérebro ,"Um glioma borboleta! Soou como uma coisa maravilhosa." que vai começar a afectá-la e a fazê-la perder mesmo a consciência da identidade do marido. A chave do problema é discutida pelo pai de Alice, Derek, que trabalha com Alex nas mesmas experiências científicas. O que começa por ser uma peça teórica sobre o cérebro acaba numa angustiante viagem emotiva. Se isso existe, esta peça é um “poema neurológico” , como o poema de Emily Dickinson com que Alex se declarou a Alice.


Um texto muito interessante, muito bem interpretado e com uma encenação clara e concisa no desejo de criar um espectáculo inteligente, capaz de nos espevitar o cérebro (ou mente) . A não perder.