Desejamos um bom ano de trabalho a todos os alunos que vão frequentar
este ano letivo a disciplina de Filosofia, bem como a todos aqueles que vão
frequentar as disciplinas lecionadas pelo nosso grupo disciplinar, como a Área
de Integração, a Psicologia e a Oficina de Cidadania.
11.9.15
Regresso às aulas (2015-2016)
16.6.15
Exame Nacional de Filosofia 2015
Enunciado do exame:
http://www.examesnacionais.com.pt/exames-nacionais/11ano/2015-1fase/Filosofia.pdf
Critérios de avaliação:
http://www.examesnacionais.com.pt/exames-nacionais/11ano/2015-1fase/Filosofia-Criterios.pdf
http://www.examesnacionais.com.pt/exames-nacionais/11ano/2015-1fase/Filosofia.pdf
Critérios de avaliação:
http://www.examesnacionais.com.pt/exames-nacionais/11ano/2015-1fase/Filosofia-Criterios.pdf
8.5.15
14.4.15
Ética com razões - “Não posso ser otimista em relação ao faro moral.”
Pedro Galvão manifesta aqui a sua desconfiança em relação à simples intuição, não fundamentada racionalmente. Em matérias de ética, pensa que somos capazes de fazer claramente melhor do que "pensar com o nariz", quando contamos com os frutos da reflexão filosófica.
Universalização e consistência
Ao adotar o ponto de vista
ético, queremos saber como agir de um a forma imparcialmente justificável e,
para esse efeito, de um modo geral não temos de nos importar com aquilo que as
leis dizem. Muita da argumentação (…) envolve duas ideias elementares que
gostaria agora de clarificar.
Uma dessas ideias é o requisito
da universalização. Podemos
elucida-lo assim: Se pensamos que um determinado ato é errado, temos de pensar
que todos os atos que sejam como esse
nos aspetos eticamente relevantes são errados. Em termos mais gerais: se
julgamos que um ato tem uma certa propriedade moral (como ser errado, louvável,
injusto ou simplesmente aceitável), temos de estar dispostos a fazer o mesmo
juízo a respeito de qualquer ato que
não difira dele em qualquer aspeto eticamente significativo. O simples facto de
um ato ter sido realizado por mim,
por exemplo, não tem relevância ética, dado que não o torna imparcialmente
justificável. Seria descabido julgar, violando o requisito da universalização,
que um determinado ato é errado mas que um ato parecido é aceitável, ainda que
estes não difiram em nenhum aspeto eticamente relevante. Isto nunca pode
acontecer. Se há uma diferença moral entre atos, de tal forma que só um deles é
errado, tem de haver uma razão para isso. (E podemos dizer o mesmo de outras
coisas que, à semelhança dos atos, são objeto de avaliação ética, como práticas
ou traços de caráter.) O requisito da universalização compele-nos, pois, a
procurar as razões que sustentam avaliações morais diferentes. Como havemos de
fazer isso? Tentando encontrar princípios éticos que, plausivelmente,
justifiquem essas avaliações. Suponha-se, por exemplo, que considero que uma
dada pessoa agiu de uma forma aceitável ao agredir outra, embora pense que
geralmente é errado agredir pessoas. Terei de apontar, então, uma diferença
relevante entre o ato que avalio positivamente e a generalidade das agressões a
pessoas. Imagine-se que afirmo que o facto de esse ato ter sido realizado em
autodefesa é a razão que o torna eticamente aceitável. Estarei assim a aceitar
o princípio de que em certas circunstâncias, como aquelas que se verificaram,
não é errado agredir em autodefesa.
Passemos à outra ideia
elementar. Esta consiste num requisito puramente lógico: se aceitarmos um
requisito ético, temos de aceitar tudo aquilo que decorre dele, isto é, todas
as suas consequências ou implicações lógicas. Valerá a pena chamar a atenção
para algo tão óbvio? Sim. Pois os princípios éticos indefinidamente vastas e
não nos apercebemos com facilidade de muitas delas. Certos princípios parecem
muito atraentes em abstrato, mas, logo que começamos a descortinar algumas das
suas implicações mais definidas, revelam-se difíceis de aceitar ou mesmo
repugnantes. Para avaliar um princípio ético, há que pensar muito bem naquilo
que este implica, considerando tanto situações reais como casos meramente
possíveis, por muito improváveis ou extravagantes que sejam. Se não estivermos
dispostos a aceitar algumas das implicações de um princípio ético, temos de o
corrigir ou simplesmente rejeitar, sob pena de inconsistência.
(…) Também seria um erro presumir que as questões
éticas, não sendo enquadráveis nas ciências, escapam à investigação racional e
não podem ser examinadas com objetividade. Há muita gente a pensar assim. A convicção
que na ética é tudo relativo ou subjetivo encontra-se bastante difundido – um tanto
surpreendentemente, a par de atitudes de profunda arrogância moral. Espero que,
além de contrariar essa convicção, este livro iniba a arrogância. É que esta atinge mais facilmente quem ainda não
compreendeu como, em muitas questões éticas, é difícil descobrir onde para a
verdade.
Pedro Galvão, Ética com Razões, 2015, Fundação
Francisco Manuel dos Santos, Lisboa, pp. 9-11
13.4.15
22.2.15
Ética com Razões
Mais um livro de Pedro Galvão no qual o autor (também autor do nosso manual de 10ºano) toma posição sobre questões que em breve também nós estudaremos nas aulas: O aborto, a eutanásia e os direitos dos animais.
Título: Ética com Razões
Autor: Pedro Galvão
Ano: 2015
Editora: Fundação Francisco Manuel dos Santos
Preço: 3,15 euros
Sinopse: Será que o aborto é eticamente aceitável? E a eutanásia? Será que os animais têm direitos? Se não tiverem, ainda assim teremos obrigações para com eles? É nestes problemas que o livro se centra.
Ver vídeo no qual o autor divulga as perspetivas que defende em relação a cada um dos problemas em
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11.2.15
«São opiniões, valem o que valem! Cada um tem direito à sua opinião.»
Às
vezes ouvimos estas afirmações e pensamos que isto significa que, efetivamente,
cada um tem a sua opinião e que isso é um direito que lhe assiste. Mas pensamos
também que estas têm valor para os próprios sujeitos que as emitem, mas não
podem ter um valor objetivo, válido para todos, porque as pessoas têm
sensibilidades, experiências e perspetivas diferentes. Sentimo-nos tentados a
concordar, não é? Mas será que é mesmo assim?
Imaginemos
que João e Luísa, ambos professores, discutem a sua profissão.
A certa altura Luísa afirma:
Eu quanto menos trabalho tiver, melhor. Por isso, vou buscar testes já feitos, por mim, há anos, ou por outros professores, à internet; raramente leio um livro da minha área e se não preparo as aulas, improviso. E não me tenho dado nada mal com isso.
João olha para a Luísa perplexo e pergunta: Mas como podes considerar que estás a fazer um bom trabalho, sem te preparares convenientemente e sem realizares tu própria a avaliação dos teus alunos?
Luísa: Então, se os alunos tiverem má nota, mando-os fazer um ‘trabalhito’ e lá dá para o 10. E não me considero má professora por isso.
João: Eu não, Luísa. Nem consigo conceber que se trabalhe assim!
Eu
faço questão de me manter atualizado, por isso leio as obras mais recentes e
importantes sobre as minhas matérias. Elaboro cuidadosamente os meus próprios
testes de acordo com as caraterísticas dos alunos de cada turma e com o
trabalho que consegui realizar em cada uma delas. E, mesmo assim, penso sempre
que se tivesse melhores condições, ainda podia fazer melhor, ser melhor
professor. É algo que considero imprescindível em função do respeito que tenho
pelos meus alunos e pela minha profissão.
Luísa: Enfim, são opiniões. Tu tens a tua e eu posso ter a minha. Ou não?
João:
Claro que podes. Mas parece-me que tens uma visão demasiado subjetivista. Se
ponderasses um pouco e tentasses estabelecer critérios rigorosos acerca do que é
relevante para avaliar o desempenho de um professor talvez tirasses uma
conclusão diferente.
Luísa:
Porquê? Achas que só a forma como tu trabalhas é que está certa e se os outros
não pensarem como tu estão forçosamente errados? Estás a ser intolerante, quase
um fundamentalista (disse ela, em ar trocista).
João:
Não penso isso. Mas penso que as pessoas, muitas
vezes, se recusam a dar ouvidos à razão, porque isso poderia exigir-lhes o
reconhecimento de erros que não querem reconhecer ou alterações de comportamentos
que não querem fazer, sendo por isso muito previsível que evitem ouvir as
razões dos outros.
Luísa: Pois, pois… tanta exigência e no último teste que fizeste
enganaste-te na numeração e na cotação das questões (e Luísa riu à gargalhada).
João: (um pouco envergonhado) É verdade. Mas isso não faz de mim
um mau professor…
Luísa: Ora, vês? És tal e qual como eu!
Concordas com a Luísa? Os argumentos do João
poderão constituir boas razões, não para dizer que um é o professor perfeito e
o outro um incompetente, mas que um deles é claramente melhor profissional?
28.1.15
Comemoração dos 70 anos da libertação dos prisioneiros de Auschwitz-Birkenau
«Não queremos que o nosso passado seja o futuro dos nossos filhos.» Palavras comovidas de um sobrevivente do Holocausto, ontem, 27 de janeiro de 2015, no campo de concentração onde foi prisioneiro. Ver vídeo AQUI.
Teremos boas razões para recear que os nossos direitos fundamentais possam voltar a ser postos em causa, de forma tão dramática, nas nossas sociedades? Estaremos a fazer tudo o que nos é possível para o evitar?
Vídeos da BBC e da Euronews.
Vídeos da BBC e da Euronews.
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17.1.15
12.1.15
50 Lições de Filosofia: Liberdade de expressão
Vale a pena ler este texto, que referi nas aulas, com alguma atenção, pois pode ajudar-nos a ponderar adequadamente as razões que temos para continuar ou não a defender a liberdade de expressão, como a concebemos.
50 Lições de Filosofia: Liberdade de expressão: "Prefiro morrer de pé a viver de joelhos" Charb, o cartoonista do semanário Chrlie Hebdo, hoje assassinado em Paris. Proibi...
1.1.15
FELIZ 2015
A cada 1 de janeiro renovamos
expectativas, fazemos projetos, tomamos decisões, que exigem de cada um de nós
esforços adicionais.
Que as nossas expectativas, projetos
e decisões, que promovam uma vida realmente boa para todos, se concretizem. Que
entre estes, para além de outras conquistas menos ambiciosas, esteja o desejo
de uma mais profunda compreensão do que nos rodeia e de nós mesmos, um claro
aumento da capacidade de distinguir o essencial do acessório e energia para mudar
o que está mal, em nós e na sociedade de que fazemos parte.
Podia desejar menos? Podia! Mas
não era a mesma coisa.
17.12.14
Janelas para a Filosofia
Apresentação em vídeo do livro "Janelas para a Filosofia" feita pelos próprios autores: Aires Almeida e Desidério Murcho. [Partilhado do blogue Dúvida Metódica]
19.11.14
O Dia Mundial da Filosofia 2014
Ao celebrar o Dia Mundial da Filosofia, todos os anos,
na terceira quinta-feira de novembro, a UNESCO sublinha o importante papel da
filosofia no desenvolvimento do pensamento humano, para qualquer sociedade e
qualquer indivíduo.
«Confrontada com a complexidade do mundo
atual, a reflexão filosófica é acima de tudo um apelo à humildade, no sentido
de darmos todos um passo atrás, comprometendo-nos num diálogo racional, que
permita a construção conjunta de respostas aos desafios que teimam em escapar
ao nosso controlo. Esta é a melhor forma de educar cidadãos que se pretendem
esclarecidos, preparados para combater a estupidez e o preconceito. Quanto
maiores que forem as dificuldades encontradas, maior é a necessidade e a utilidade
da filosofia na procura de caminhos para paz e para o desenvolvimento
sustentável.»
Irina Bokova
Diretora Geral da UNESCO
Imagem do Google: O pensador do séc. XXI
Diretora Geral da UNESCO
14.10.14
Hannah Arendt
Comemora-se hoje o
108º aniversário do nascimento de Hannah Arendt. Nascida em Linden, na Alemanha, a 14 de outubro de 1906, veio a
falecer em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a 4 de dezembro de 1975 e foi uma filósofa
política alemã de origem judaica.
A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933,
assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na decidir
emigrar. O regime nazi retirou-lhe
a nacionalidade em 1937, o que a tornou apátrida até conseguir a nacionalidade norte americana em
1951.
Trabalhou, entre outras atividades, como
jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre
filosofia política.
Ainda em 1963, lançaria Eichmann em
Jerusalém, que reúne os cinco artigos que escreveu sobre o julgamento de Eichmann,
que cobriu para a revista The New Yorker. Nesse livro, Eichmann não é
retratado como um demónio (como o descreviam os ativistas judeus) mas alguém terrível e horrivelmente normal. Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com
zelo, por amor ao dever, sem considerações acerca do bem e do mal.
No livro, Arendt aponta ainda a cumplicidade das lideranças judaicas com os nazis. Esta perspetiva valer-lhe-ia críticas violentas das organizações judaicas e, geralmente, incompreensão noutras comunidades culturais e mesmo entre alguns académicos.
No livro, Arendt aponta ainda a cumplicidade das lideranças judaicas com os nazis. Esta perspetiva valer-lhe-ia críticas violentas das organizações judaicas e, geralmente, incompreensão noutras comunidades culturais e mesmo entre alguns académicos.
Arendt analisa o mal quando este atinge
grupos sociais ou o próprio Estado.
Segundo a filósofa, o mal não é uma categoria ontológica - não é radical - não
é natural, nem metafísico, é político e histórico - é banal - é produzido pelos
homens e manifesta -se onde e quando encontra espaço institucional para isso, como
causa de uma escolha política. A trivialização da violência corresponde, para
Arendt, ao vazio de pensamento, onde a banalidade
do mal se instala.
Assim, não só naquelas terríveis
circunstâncias históricas mas em outros contextos políticos e sociais é comum
encontrarmos pessoas normais, horrivelmente normais, capazes de cometer as
maiores atrocidades contra os seus semelhantes, sem consciência do bem nem do mal
- simples
burocratas, amanuenses acríticos, sem qualquer apreço pela verdade ou sentido
de justiça.
Aconselho-vos o visionamento do filme «Hannah
Arendt», de
Margarethe Von Trotta,
com Barbara Sukowa, no papel da filósofa.
com Barbara Sukowa, no papel da filósofa.
5.10.14
Dia Mundial do Professor
O Dia Mundial do Professor celebra-se anualmente no dia 5 de Outubro. Neste dia homenageia-se todos os que contribuem para o ensino e educação da sociedade. Presta-se homenagem a todos aqueles que escolheram o ensino como forma de vida e que dedicam o seu dia-a-dia a ensinar crianças, jovens e adultos.
A data foi criada pela UNESCO em 1994 com o objetivo de chamar atenção para o papel fundamental que os professores têm na sociedade e na instrução da população.
Embora não seja uma publicação no âmbito específico da filosofia, não quis deixar de vos lembrar a importância deste dia para mim e para todos os meus colegas que desempenham, com orgulho e prazer, esta profissão.
1.10.14
Lei que criminaliza maus-tratos contra animais entra hoje em vigor
Na sequência da proposta de projeto de lei AQUI divulgada, entra hoje em vigor a legislação, publicada em Diário da República, a 29 de agosto, que criminaliza os maus-tratos contra animais.
A lei prevê que quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus-tratos físicos a um animal de companhia seja punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias.
A lei prevê que quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus-tratos físicos a um animal de companhia seja punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias.
A mesma lei indica que para os que efetuarem tais atos, e dos quais resultar a morte do animal, a privação de importante órgão ou membro ou a afetação grave e permanente da sua capacidade de locomoção, serão punidos com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.
Em relação aos animais de companhia, a lei determina que, quem, tendo o dever de guardar, vigiar ou assistir animal de companhia, o abandonar, pondo desse modo em perigo a sua alimentação e a prestação de cuidados que lhe são devidos, seja punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias.
O projeto-lei que criminaliza os maus tratos animais foi aprovado no parlamento com os votos favoráveis do PSD, PS, PEV, BE e do CDS-PP, bancada que registou dois votos contra e duas abstenções.
Os deputados do CDS-PP Abel Baptista e Hélder Amaral votaram contra o novo regime sancionatório e Cecília Meireles e Michael Seufert abstiveram-se, anunciando a entrega de declarações de voto.
Os deputados do CDS-PP Abel Baptista e Hélder Amaral votaram contra o novo regime sancionatório e Cecília Meireles e Michael Seufert abstiveram-se, anunciando a entrega de declarações de voto.
O PCP também optou pela abstenção por considerar que o problema dos maus tratos a animais deve ter como resposta prioritária "medidas preventivas" e por discordar da "criminalização que impõe a aplicação de penas de prisão.
A evolução é lenta e a lei tem ainda um curto âmbito de aplicação, uma vez que apenas abrange os animais de companhia. Faltam mais passos no sentido de que todos os animais sejam abrangidos por medidas de proteção adequadas.
(Informação retirada de SIC Notícias)
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Cidadania Ativa,
Direitos dos animais
19.9.14
Bom Ano Letivo
Embora com algum atraso, queremos desejar um bom ano de trabalho a todos os alunos.
Aproveitamos para dar os parabéns aos alunos que realizaram o Exame Nacional de Filosofia (1ª fase) pelos seus excelentes resultados, cuja média foi de 16,4 valores, na nossa escola.
17.6.14
Exame e critérios de correção
Podem consultar o exame nacional e os respetivos critérios de correção, aqui.
10.6.14
O Problema dos Critérios Valorativos

Neste texto discute-se o problema
dos critérios valorativos, nomeadamente saber se existem juízos de valor
objetivamente verdadeiros ou falsos. A posição aqui defendida é que a teoria
objetivista é a mais razoável podendo, portanto, existir juízos objetivamente
verdadeiros ou falsos.O subjetivismo e o relativismo defendem que os valores não são propriedades objetivas do mundo sendo antes verdadeiros ou falsos, apenas em função da avaliação dos indivíduos ou das culturas, respetivamente. Porém, o objetivismo afirma que os valores são propriedades objetivas do mundo, independentes das valorações realizadas pelos sujeitos e/ou culturas. Esta teoria considera que através de um diálogo intercultural é possível estabelecer critérios transubjetivos e transculturais que permitam resgatar as questões morais no domínio da simples opinião e sentimentos pessoais ou da autoridade da tradição cultural.
Quem é contra esta perspetiva pode sempre afirmar que não podem existir opiniões éticas objetivamente verdadeiras porque não existe uma realidade a que possam ou não corresponder, o que até é correto, mas isso não implica que não existam verdades objetivas nesta área, pois se utilizarmos métodos de raciocínio fiáveis, capazes de determinar a verdade e a falsidade neste domínio, podemos estabelecer verdades objetivas, como fazemos por exemplo no domínio da matemática. Isto é, a ética é objetiva se descobrirmos o que é certo ou errado examinando cuidadosamente razões e argumentos, baseando-nos em todos os conhecimentos que as várias disciplinas científicas nos disponibilizam, de relevante para a definição de uma vida boa humana, chegando assim a conclusões racionais, aceitáveis por todos, independentemente de sensibilidades pessoais e condicionalismos culturais.
Considera-se, geralmente, que o subjetivismo valoriza e promove a liberdade individual pois, desta perspetiva, cada sujeito pode agir e avaliar de acordo com as suas convicções pessoais. Isto é, no entanto, facilmente refutável pois, se assim fosse, a ética seria arbitrária, uma vez que todos os juízos seriam verdadeiros por mais repugnantes que fossem.
Um forte argumento a favor do relativismo é que este promove a coesão social uma vez que, ao definir o que é certo e errado em função do que a maioria da sociedade pensa, valoriza o indivíduo enquanto parte de um todo. Ainda assim é pouco razoável, pois pode conduzir-nos ao conformismo porque, se todos devessem conformar-se com o que a maioria acredita, teríamos de aceitar que as maiorias estariam sempre certas e as minorias erradas, não fazendo sentido lutar por uma sociedade melhor e pela mudança de mentalidades, na nossa própria sociedade.
Para concluir, a posição defendida neste texto é que podem realmente existir juízos de valor objetivamente verdadeiros ou falsos, podendo estes ser consensualmente estabelecidos através de um diálogo intercultural, racional, tolerante e crítico; independentes de qualquer avaliação por parte de indivíduos e/ou culturas, proporcionando a imparcialidade possível e a evolução moral de todos, do que é já um bom exemplo a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Pedro Rocha
10ºB Nº 23
Imagem do Google - M.C. Escher, Good and Evil
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Problema critérios valorativos,
Trabalhos dos alunos
7.6.14
O valor da discussão filosófica
Uma discussão foi tanto mais proveitosa quanto mais os participantes puderam aprender com ela. Significa isto que, quanto mais interessantes e difíceis tenham sido as questões levantadas, tanto mais eles foram induzidos a pensar em respostas novas, tanto mais terão sido abalados nas suas opiniões, pois foram levados a ver essas questões de forma diferente após a discussão – em resumo, os seus horizontes intelectuais alargaram-se. […]
Não devemos esperar que qualquer discussão crítica sobre um assunto sério, qualquer «confronto», alcance logo resultados decisivos. A verdade é difícil de alcançar. […]
As discussões sérias e críticas são sempre difíceis. […] Muitos participantes numa discussão racional, ou seja, crítica, consideram particularmente difícil ter de desaprender aquilo que os seus instintos lhe impõem (e aquilo que lhes é ensinado por todas as sociedades que debatem): ou seja, vencer. Pois o que têm de aprender é que uma vitória num debate não significa nada, ao passo que a mínima clarificação de um problema que se tenha – mesmo a mais pequena contribuição para uma compreensão mais clara da sua própria posição ou da de um opositor – constitui um grande sucesso. Uma discussão que se vence, mas que não ajuda na alteração ou na clarificação da vossa mente, nem que seja só um pouco, deverá ser considerada uma perda completa. […]
A discussão racional […] é modesta nas expectativas: é suficiente, mais do que suficiente, se sentirmos que conseguimos ver as coisas sob uma nova luz ou que até nos aproximámos um pouco mais da verdade.
K. Popper, O Mito do Contexto – Em Defesa da Ciência e da Racionalidade
Pelos trabalhos realizados pelos alunos dos 10º e 11º anos e pelas boas discussões que proporcionaram a todos nós, o meu muito obrigado.
7.12.13
Os Direitos dos Animais - Aprovação de Projeto de Lei
Intervenção do deputado Cristóvão Norte.
Intervenção do deputado Pedro Filipe Soares.
A petição, da iniciativa da Associação Animal, que solicitava a aprovação de uma nova lei de proteção de todos os animais, conseguiu recolher mais de 40000 assinaturas (entre estas, a minha). Isto prova a vitalidade de alguns setores da sociedade civil e é exemplo dos mecanismos que temos à nossa disposição como formas de intervenção ativa na política.
Um passo em frente, embora abranja, ainda, só os animais de companhia. Faltam mais passos no sentido de que todos os animais sejam abrangidos por medidas de proteção.
"Os animais não são objetos, têm direitos e devem ser respeitados."
5.12.13
Nelson Mandela (18-7-1918 - 5-12-2013)
Nascido numa
família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior da África do Sul,
onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, abandonou este destino aos
23 anos ao partir para a capital, Joanesburgo. Iniciou aí os seus estudos na
faculdade, bem como a sua atividade política. Foi advogado e líder da
resistência não-violenta da juventude. Foi posteriormente réu, num infame
julgamento por traição e foragido da polícia, tornando-se, durante 27 anos, o
prisioneiro mais famoso do mundo.
Foi o mais
poderoso símbolo da luta contra o regime do Apartheid e modelo mundial de
resistência. O Apartheid foi um sistema racista oficializado em 1948, que
segregou a população nas áreas residenciais nas escolas, transportes, cinemas,
lojas… em função da cor da pele. Em 1963, ano da prisão de Mandela, a África do
Sul possuía 17 milhões de habitantes segregados, dos quais 20% eram brancos
(3.250.000 pessoas), 68,3% negros (11.640.000 pessoas), sendo o restante
da população formada por 1.650.000 mestiços e 520.000 asiáticos.
Depois de dedicar 67 anos da sua vida ao serviço da humanidade, como
advogado dos direitos humanos e prisioneiro de consciência, tornou-se em 1994 o
primeiro presidente da África do Sul livre. Por esta razão, em sua homenagem, a
ONU instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia do seu nascimento, como
forma de valorizar, em todo o mundo, a luta pela liberdade, pela justiça e pela
democracia.
Também foi criticado muitas vezes
por ser um pouco egocêntrico e por o seu governo ter sido amigo de ditadores
que se mostraram simpatizantes em relação ao Congresso Nacional Africano. Mas a
figura do ser humano que enfrentou dramas pessoais e permaneceu fiel ao dever
de conduzir o seu país, parece ter suprimido alguns aspetos negativos.
Foi considerado por Ali
Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, "um
dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo".
“A educação e o
ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo."
(Nelson Mandela)
Embora sobre Mandela vos
ocorra, provavelmente, o recente filme de Clint Eastwood, protagonizado
por Morgan Freeman, «Invictus»,
eu sugeriria um filme britânico de 1987, dirigido por Richard
Attenborough, «CryFreedom» (que penso que, em português, se chamou apenas
«Biko»). O filme baseia-se no testemunho
do jornalista Donald Woods sobre a vida do corajoso ativista sul-africano Steve
Biko e é protagonizado por Denzel Washington. O tema musical principal é de
Peter Gabriel.
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21.11.13
Dia Mundial da Filosofia
Na imagem, Sócrates (469-399 a.C.) um filósofo que continua a constituir uma referência para o pensamento moderno sobre a sociedade.
O dia Mundial da Filosofia comemora-se,
anualmente, na terceira quinta-feira de novembro, para sublinhar a importância da
reflexão filosófica, em todo o mundo.
É
um dia que deve ser celebrado através da partilha de pensamentos, da exploração
e discussão aberta de ideias, e constituir uma inspiração para o debate público
ou discussão sobre os desafios da sociedade. Ver AQUI24.10.13
Oficina das Ideias - Filosofia com Crianças e Jovens
Este ano letivo, os alunos do 7.º e 8.º anos do ECB têm a possibilidade de ver enriquecido o seu currículo formal com a disciplina de oferta de escola designada Oficina das Ideias.
Cada vez mais professores de várias disciplinas sentem que os seus alunos devem dominar competências básicas como as de raciocínio lógico (matemática), comunicação verbal e escrita (língua portuguesa) e de pensamento crítico e criativo (filosofia).
A Oficina das Ideias tem como principal função permitir que mediante a discussão de problemas filosóficos, os alunos treinem as suas competências de conceptualização, problematização e de argumentação, bem como as capacidades de descentração, respeito pela opinião do outro e análise crítica da informação. Filosofar com crianças e jovens é garantir que tragam as suas ideias para as submeterem a uma análise, avaliação e "arranjo" nesta oficina.
Na sequência do projeto Oficina das Ideias, criou-se este ano uma parceria com o Centro Escolar da Benedita e os alunos do 4.º ano passaram a ter, como oferta complementar, filosofia.
4.10.13
4 de outubro, DIA DO ANIMAL
O Dia Mundial dos Animais é comemorado todos os anos em 4 de outubro. Neste dia é celebrada a vida animal, em todas as suas formas. É também o dia da festa de Francisco de Assis, um amante dos animais e da natureza, padroeiro dos animais e do meio ambiente.
Esta é uma boa razão para divulgar, mais uma vez no nosso blogue, este livro de Pedro Galvão, um dos autores dos nossos manuais, que apresenta uma coletânea de ensaios sobre os direitos dos animais, de grande interesse e atualidade.
Todas as referências bibliográficas e uma excelente síntese, de fácil consulta para os alunos, pode ser encontrada AQUI.
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23.9.13
PENSAR OUTRA VEZ
«A novidade introduzida pelos
gregos da antiguidade clássica não foi a tentativa de explicar os fenómenos do
mundo sem recorrer a deuses – pois muitos filósofos e cientistas eram
religiosos e recorriam a explicações de caráter semirreligioso. A novidade foi
esta: os filósofos da Grécia antiga expunham as suas ideias e desafiavam os
interlocutores a discuti-las livremente. Isto gerou uma novidade absoluta na
história da humanidade: a cultura da liberdade intelectual. Esta liberdade está
na base da universalidade da escola moderna, apesar de a realidade académica e
escolar ficar demasiadas vezes aquém do ideal fundador. A liberdade intelectual
permite ter uma atitude crítica, opondo-se à atitude subserviente própria da
natureza humana, sempre ciente das autoridades e hierarquias. Os gregos antigos
introduziram uma atitude que dificilmente floresce em sociedades fechadas: o
controlo do pensamento é a primeira coisa que todo o ditador, religioso ou
político, procura impor. Ao longo de vinte e cinco séculos, assiste-se na
civilização europeia ao constante conflito entre a exigência de liberdade de
discussão e as atitudes autoritárias e hierárquicas, que aniquilam o estudo e a
criatividade.
Nas sociedades fechadas (…)
pode-se fazer filosofia durante alguns períodos, mas geralmente às escondidas e
contra as próprias academias, que deviam ser os primeiros bastiões da liberdade
de pensamento. Só nas sociedades liberais e democráticas, que respeitam a
liberdade de opinião e expressão, a filosofia pode florescer.»
MURCHO,
Desidério, Pensar outra vez –
Filosofia, valor e verdade; Edições Quasi; Biblioteca Os Dragões do Éden, Série
Filosofia Primeira; páginas 131 e 132
O desafio que
agora se propõe aos alunos do 10º ano, que pela primeira vez contactam com a
filosofia, é que se arrisquem a pensar de forma livre, criativa, rigorosa e
consequente.
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11.9.13
Regresso às aulas
Bom regresso à escola. Ao trabalho, aos professores, aos colegas, aos amigos e, sobretudo, um excelente encontro ou reencontro com a filosofia.
13.7.13
A educação é a única solução
A jovem Malala, baleada pelos taliban no regresso da escola, esteve na ONU e fez um discurso que vale a pena ouvir com atenção. Ver AQUI.
30.4.13
O problema da indução
Uma entrevista da série NO JARDIM DA FILOSOFIA, com António Zilhão (Universidade de Lisboa) sobre o problema da indução, (encontrado no blog da Crítica).
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