17.12.14
Janelas para a Filosofia
Apresentação em vídeo do livro "Janelas para a Filosofia" feita pelos próprios autores: Aires Almeida e Desidério Murcho. [Partilhado do blogue Dúvida Metódica]
19.11.14
O Dia Mundial da Filosofia 2014
Ao celebrar o Dia Mundial da Filosofia, todos os anos,
na terceira quinta-feira de novembro, a UNESCO sublinha o importante papel da
filosofia no desenvolvimento do pensamento humano, para qualquer sociedade e
qualquer indivíduo.
«Confrontada com a complexidade do mundo
atual, a reflexão filosófica é acima de tudo um apelo à humildade, no sentido
de darmos todos um passo atrás, comprometendo-nos num diálogo racional, que
permita a construção conjunta de respostas aos desafios que teimam em escapar
ao nosso controlo. Esta é a melhor forma de educar cidadãos que se pretendem
esclarecidos, preparados para combater a estupidez e o preconceito. Quanto
maiores que forem as dificuldades encontradas, maior é a necessidade e a utilidade
da filosofia na procura de caminhos para paz e para o desenvolvimento
sustentável.»
Irina Bokova
Diretora Geral da UNESCO
Imagem do Google: O pensador do séc. XXI
Diretora Geral da UNESCO
14.10.14
Hannah Arendt
Comemora-se hoje o
108º aniversário do nascimento de Hannah Arendt. Nascida em Linden, na Alemanha, a 14 de outubro de 1906, veio a
falecer em Nova Iorque, nos Estados Unidos, a 4 de dezembro de 1975 e foi uma filósofa
política alemã de origem judaica.
A privação de direitos e perseguição na Alemanha de pessoas de origem judaica a partir de 1933,
assim como o seu breve encarceramento nesse mesmo ano, fizeram-na decidir
emigrar. O regime nazi retirou-lhe
a nacionalidade em 1937, o que a tornou apátrida até conseguir a nacionalidade norte americana em
1951.
Trabalhou, entre outras atividades, como
jornalista e professora universitária e publicou obras importantes sobre
filosofia política.
Ainda em 1963, lançaria Eichmann em
Jerusalém, que reúne os cinco artigos que escreveu sobre o julgamento de Eichmann,
que cobriu para a revista The New Yorker. Nesse livro, Eichmann não é
retratado como um demónio (como o descreviam os ativistas judeus) mas alguém terrível e horrivelmente normal. Um típico burocrata que se limitara a cumprir ordens, com
zelo, por amor ao dever, sem considerações acerca do bem e do mal.
No livro, Arendt aponta ainda a cumplicidade das lideranças judaicas com os nazis. Esta perspetiva valer-lhe-ia críticas violentas das organizações judaicas e, geralmente, incompreensão noutras comunidades culturais e mesmo entre alguns académicos.
No livro, Arendt aponta ainda a cumplicidade das lideranças judaicas com os nazis. Esta perspetiva valer-lhe-ia críticas violentas das organizações judaicas e, geralmente, incompreensão noutras comunidades culturais e mesmo entre alguns académicos.
Arendt analisa o mal quando este atinge
grupos sociais ou o próprio Estado.
Segundo a filósofa, o mal não é uma categoria ontológica - não é radical - não
é natural, nem metafísico, é político e histórico - é banal - é produzido pelos
homens e manifesta -se onde e quando encontra espaço institucional para isso, como
causa de uma escolha política. A trivialização da violência corresponde, para
Arendt, ao vazio de pensamento, onde a banalidade
do mal se instala.
Assim, não só naquelas terríveis
circunstâncias históricas mas em outros contextos políticos e sociais é comum
encontrarmos pessoas normais, horrivelmente normais, capazes de cometer as
maiores atrocidades contra os seus semelhantes, sem consciência do bem nem do mal
- simples
burocratas, amanuenses acríticos, sem qualquer apreço pela verdade ou sentido
de justiça.
Aconselho-vos o visionamento do filme «Hannah
Arendt», de
Margarethe Von Trotta,
com Barbara Sukowa, no papel da filósofa.
com Barbara Sukowa, no papel da filósofa.
5.10.14
Dia Mundial do Professor
O Dia Mundial do Professor celebra-se anualmente no dia 5 de Outubro. Neste dia homenageia-se todos os que contribuem para o ensino e educação da sociedade. Presta-se homenagem a todos aqueles que escolheram o ensino como forma de vida e que dedicam o seu dia-a-dia a ensinar crianças, jovens e adultos.
A data foi criada pela UNESCO em 1994 com o objetivo de chamar atenção para o papel fundamental que os professores têm na sociedade e na instrução da população.
Embora não seja uma publicação no âmbito específico da filosofia, não quis deixar de vos lembrar a importância deste dia para mim e para todos os meus colegas que desempenham, com orgulho e prazer, esta profissão.
1.10.14
Lei que criminaliza maus-tratos contra animais entra hoje em vigor
Na sequência da proposta de projeto de lei AQUI divulgada, entra hoje em vigor a legislação, publicada em Diário da República, a 29 de agosto, que criminaliza os maus-tratos contra animais.
A lei prevê que quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus-tratos físicos a um animal de companhia seja punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias.
A lei prevê que quem, sem motivo legítimo, infligir dor, sofrimento ou quaisquer outros maus-tratos físicos a um animal de companhia seja punido com pena de prisão até um ano ou com pena de multa até 120 dias.
A mesma lei indica que para os que efetuarem tais atos, e dos quais resultar a morte do animal, a privação de importante órgão ou membro ou a afetação grave e permanente da sua capacidade de locomoção, serão punidos com pena de prisão até dois anos ou com pena de multa até 240 dias.
Em relação aos animais de companhia, a lei determina que, quem, tendo o dever de guardar, vigiar ou assistir animal de companhia, o abandonar, pondo desse modo em perigo a sua alimentação e a prestação de cuidados que lhe são devidos, seja punido com pena de prisão até seis meses ou com pena de multa até 60 dias.
O projeto-lei que criminaliza os maus tratos animais foi aprovado no parlamento com os votos favoráveis do PSD, PS, PEV, BE e do CDS-PP, bancada que registou dois votos contra e duas abstenções.
Os deputados do CDS-PP Abel Baptista e Hélder Amaral votaram contra o novo regime sancionatório e Cecília Meireles e Michael Seufert abstiveram-se, anunciando a entrega de declarações de voto.
Os deputados do CDS-PP Abel Baptista e Hélder Amaral votaram contra o novo regime sancionatório e Cecília Meireles e Michael Seufert abstiveram-se, anunciando a entrega de declarações de voto.
O PCP também optou pela abstenção por considerar que o problema dos maus tratos a animais deve ter como resposta prioritária "medidas preventivas" e por discordar da "criminalização que impõe a aplicação de penas de prisão.
A evolução é lenta e a lei tem ainda um curto âmbito de aplicação, uma vez que apenas abrange os animais de companhia. Faltam mais passos no sentido de que todos os animais sejam abrangidos por medidas de proteção adequadas.
(Informação retirada de SIC Notícias)
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Cidadania Ativa,
Direitos dos animais
19.9.14
Bom Ano Letivo
Embora com algum atraso, queremos desejar um bom ano de trabalho a todos os alunos.
Aproveitamos para dar os parabéns aos alunos que realizaram o Exame Nacional de Filosofia (1ª fase) pelos seus excelentes resultados, cuja média foi de 16,4 valores, na nossa escola.
17.6.14
Exame e critérios de correção
Podem consultar o exame nacional e os respetivos critérios de correção, aqui.
10.6.14
O Problema dos Critérios Valorativos

Neste texto discute-se o problema
dos critérios valorativos, nomeadamente saber se existem juízos de valor
objetivamente verdadeiros ou falsos. A posição aqui defendida é que a teoria
objetivista é a mais razoável podendo, portanto, existir juízos objetivamente
verdadeiros ou falsos.O subjetivismo e o relativismo defendem que os valores não são propriedades objetivas do mundo sendo antes verdadeiros ou falsos, apenas em função da avaliação dos indivíduos ou das culturas, respetivamente. Porém, o objetivismo afirma que os valores são propriedades objetivas do mundo, independentes das valorações realizadas pelos sujeitos e/ou culturas. Esta teoria considera que através de um diálogo intercultural é possível estabelecer critérios transubjetivos e transculturais que permitam resgatar as questões morais no domínio da simples opinião e sentimentos pessoais ou da autoridade da tradição cultural.
Quem é contra esta perspetiva pode sempre afirmar que não podem existir opiniões éticas objetivamente verdadeiras porque não existe uma realidade a que possam ou não corresponder, o que até é correto, mas isso não implica que não existam verdades objetivas nesta área, pois se utilizarmos métodos de raciocínio fiáveis, capazes de determinar a verdade e a falsidade neste domínio, podemos estabelecer verdades objetivas, como fazemos por exemplo no domínio da matemática. Isto é, a ética é objetiva se descobrirmos o que é certo ou errado examinando cuidadosamente razões e argumentos, baseando-nos em todos os conhecimentos que as várias disciplinas científicas nos disponibilizam, de relevante para a definição de uma vida boa humana, chegando assim a conclusões racionais, aceitáveis por todos, independentemente de sensibilidades pessoais e condicionalismos culturais.
Considera-se, geralmente, que o subjetivismo valoriza e promove a liberdade individual pois, desta perspetiva, cada sujeito pode agir e avaliar de acordo com as suas convicções pessoais. Isto é, no entanto, facilmente refutável pois, se assim fosse, a ética seria arbitrária, uma vez que todos os juízos seriam verdadeiros por mais repugnantes que fossem.
Um forte argumento a favor do relativismo é que este promove a coesão social uma vez que, ao definir o que é certo e errado em função do que a maioria da sociedade pensa, valoriza o indivíduo enquanto parte de um todo. Ainda assim é pouco razoável, pois pode conduzir-nos ao conformismo porque, se todos devessem conformar-se com o que a maioria acredita, teríamos de aceitar que as maiorias estariam sempre certas e as minorias erradas, não fazendo sentido lutar por uma sociedade melhor e pela mudança de mentalidades, na nossa própria sociedade.
Para concluir, a posição defendida neste texto é que podem realmente existir juízos de valor objetivamente verdadeiros ou falsos, podendo estes ser consensualmente estabelecidos através de um diálogo intercultural, racional, tolerante e crítico; independentes de qualquer avaliação por parte de indivíduos e/ou culturas, proporcionando a imparcialidade possível e a evolução moral de todos, do que é já um bom exemplo a Declaração Universal dos Direitos Humanos.
Pedro Rocha
10ºB Nº 23
Imagem do Google - M.C. Escher, Good and Evil
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Problema critérios valorativos,
Trabalhos dos alunos
7.6.14
O valor da discussão filosófica
Uma discussão foi tanto mais proveitosa quanto mais os participantes puderam aprender com ela. Significa isto que, quanto mais interessantes e difíceis tenham sido as questões levantadas, tanto mais eles foram induzidos a pensar em respostas novas, tanto mais terão sido abalados nas suas opiniões, pois foram levados a ver essas questões de forma diferente após a discussão – em resumo, os seus horizontes intelectuais alargaram-se. […]
Não devemos esperar que qualquer discussão crítica sobre um assunto sério, qualquer «confronto», alcance logo resultados decisivos. A verdade é difícil de alcançar. […]
As discussões sérias e críticas são sempre difíceis. […] Muitos participantes numa discussão racional, ou seja, crítica, consideram particularmente difícil ter de desaprender aquilo que os seus instintos lhe impõem (e aquilo que lhes é ensinado por todas as sociedades que debatem): ou seja, vencer. Pois o que têm de aprender é que uma vitória num debate não significa nada, ao passo que a mínima clarificação de um problema que se tenha – mesmo a mais pequena contribuição para uma compreensão mais clara da sua própria posição ou da de um opositor – constitui um grande sucesso. Uma discussão que se vence, mas que não ajuda na alteração ou na clarificação da vossa mente, nem que seja só um pouco, deverá ser considerada uma perda completa. […]
A discussão racional […] é modesta nas expectativas: é suficiente, mais do que suficiente, se sentirmos que conseguimos ver as coisas sob uma nova luz ou que até nos aproximámos um pouco mais da verdade.
K. Popper, O Mito do Contexto – Em Defesa da Ciência e da Racionalidade
Pelos trabalhos realizados pelos alunos dos 10º e 11º anos e pelas boas discussões que proporcionaram a todos nós, o meu muito obrigado.
7.12.13
Os Direitos dos Animais - Aprovação de Projeto de Lei
Intervenção do deputado Cristóvão Norte.
Intervenção do deputado Pedro Filipe Soares.
A petição, da iniciativa da Associação Animal, que solicitava a aprovação de uma nova lei de proteção de todos os animais, conseguiu recolher mais de 40000 assinaturas (entre estas, a minha). Isto prova a vitalidade de alguns setores da sociedade civil e é exemplo dos mecanismos que temos à nossa disposição como formas de intervenção ativa na política.
Um passo em frente, embora abranja, ainda, só os animais de companhia. Faltam mais passos no sentido de que todos os animais sejam abrangidos por medidas de proteção.
"Os animais não são objetos, têm direitos e devem ser respeitados."
5.12.13
Nelson Mandela (18-7-1918 - 5-12-2013)
Nascido numa
família de nobreza tribal, numa pequena aldeia do interior da África do Sul,
onde possivelmente viria a ocupar cargo de chefia, abandonou este destino aos
23 anos ao partir para a capital, Joanesburgo. Iniciou aí os seus estudos na
faculdade, bem como a sua atividade política. Foi advogado e líder da
resistência não-violenta da juventude. Foi posteriormente réu, num infame
julgamento por traição e foragido da polícia, tornando-se, durante 27 anos, o
prisioneiro mais famoso do mundo.
Foi o mais
poderoso símbolo da luta contra o regime do Apartheid e modelo mundial de
resistência. O Apartheid foi um sistema racista oficializado em 1948, que
segregou a população nas áreas residenciais nas escolas, transportes, cinemas,
lojas… em função da cor da pele. Em 1963, ano da prisão de Mandela, a África do
Sul possuía 17 milhões de habitantes segregados, dos quais 20% eram brancos
(3.250.000 pessoas), 68,3% negros (11.640.000 pessoas), sendo o restante
da população formada por 1.650.000 mestiços e 520.000 asiáticos.
Depois de dedicar 67 anos da sua vida ao serviço da humanidade, como
advogado dos direitos humanos e prisioneiro de consciência, tornou-se em 1994 o
primeiro presidente da África do Sul livre. Por esta razão, em sua homenagem, a
ONU instituiu o Dia Internacional Nelson Mandela no dia do seu nascimento, como
forma de valorizar, em todo o mundo, a luta pela liberdade, pela justiça e pela
democracia.
Também foi criticado muitas vezes
por ser um pouco egocêntrico e por o seu governo ter sido amigo de ditadores
que se mostraram simpatizantes em relação ao Congresso Nacional Africano. Mas a
figura do ser humano que enfrentou dramas pessoais e permaneceu fiel ao dever
de conduzir o seu país, parece ter suprimido alguns aspetos negativos.
Foi considerado por Ali
Abdessalam Treki, Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, "um
dos maiores líderes morais e políticos de nosso tempo".
“A educação e o
ensino são as mais poderosas armas que podes usar para mudar o mundo."
(Nelson Mandela)
Embora sobre Mandela vos
ocorra, provavelmente, o recente filme de Clint Eastwood, protagonizado
por Morgan Freeman, «Invictus»,
eu sugeriria um filme britânico de 1987, dirigido por Richard
Attenborough, «CryFreedom» (que penso que, em português, se chamou apenas
«Biko»). O filme baseia-se no testemunho
do jornalista Donald Woods sobre a vida do corajoso ativista sul-africano Steve
Biko e é protagonizado por Denzel Washington. O tema musical principal é de
Peter Gabriel.
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21.11.13
Dia Mundial da Filosofia
Na imagem, Sócrates (469-399 a.C.) um filósofo que continua a constituir uma referência para o pensamento moderno sobre a sociedade.
O dia Mundial da Filosofia comemora-se,
anualmente, na terceira quinta-feira de novembro, para sublinhar a importância da
reflexão filosófica, em todo o mundo.
É
um dia que deve ser celebrado através da partilha de pensamentos, da exploração
e discussão aberta de ideias, e constituir uma inspiração para o debate público
ou discussão sobre os desafios da sociedade. Ver AQUI24.10.13
Oficina das Ideias - Filosofia com Crianças e Jovens
Este ano letivo, os alunos do 7.º e 8.º anos do ECB têm a possibilidade de ver enriquecido o seu currículo formal com a disciplina de oferta de escola designada Oficina das Ideias.
Cada vez mais professores de várias disciplinas sentem que os seus alunos devem dominar competências básicas como as de raciocínio lógico (matemática), comunicação verbal e escrita (língua portuguesa) e de pensamento crítico e criativo (filosofia).
A Oficina das Ideias tem como principal função permitir que mediante a discussão de problemas filosóficos, os alunos treinem as suas competências de conceptualização, problematização e de argumentação, bem como as capacidades de descentração, respeito pela opinião do outro e análise crítica da informação. Filosofar com crianças e jovens é garantir que tragam as suas ideias para as submeterem a uma análise, avaliação e "arranjo" nesta oficina.
Na sequência do projeto Oficina das Ideias, criou-se este ano uma parceria com o Centro Escolar da Benedita e os alunos do 4.º ano passaram a ter, como oferta complementar, filosofia.
4.10.13
4 de outubro, DIA DO ANIMAL
O Dia Mundial dos Animais é comemorado todos os anos em 4 de outubro. Neste dia é celebrada a vida animal, em todas as suas formas. É também o dia da festa de Francisco de Assis, um amante dos animais e da natureza, padroeiro dos animais e do meio ambiente.
Esta é uma boa razão para divulgar, mais uma vez no nosso blogue, este livro de Pedro Galvão, um dos autores dos nossos manuais, que apresenta uma coletânea de ensaios sobre os direitos dos animais, de grande interesse e atualidade.
Todas as referências bibliográficas e uma excelente síntese, de fácil consulta para os alunos, pode ser encontrada AQUI.
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23.9.13
PENSAR OUTRA VEZ
«A novidade introduzida pelos
gregos da antiguidade clássica não foi a tentativa de explicar os fenómenos do
mundo sem recorrer a deuses – pois muitos filósofos e cientistas eram
religiosos e recorriam a explicações de caráter semirreligioso. A novidade foi
esta: os filósofos da Grécia antiga expunham as suas ideias e desafiavam os
interlocutores a discuti-las livremente. Isto gerou uma novidade absoluta na
história da humanidade: a cultura da liberdade intelectual. Esta liberdade está
na base da universalidade da escola moderna, apesar de a realidade académica e
escolar ficar demasiadas vezes aquém do ideal fundador. A liberdade intelectual
permite ter uma atitude crítica, opondo-se à atitude subserviente própria da
natureza humana, sempre ciente das autoridades e hierarquias. Os gregos antigos
introduziram uma atitude que dificilmente floresce em sociedades fechadas: o
controlo do pensamento é a primeira coisa que todo o ditador, religioso ou
político, procura impor. Ao longo de vinte e cinco séculos, assiste-se na
civilização europeia ao constante conflito entre a exigência de liberdade de
discussão e as atitudes autoritárias e hierárquicas, que aniquilam o estudo e a
criatividade.
Nas sociedades fechadas (…)
pode-se fazer filosofia durante alguns períodos, mas geralmente às escondidas e
contra as próprias academias, que deviam ser os primeiros bastiões da liberdade
de pensamento. Só nas sociedades liberais e democráticas, que respeitam a
liberdade de opinião e expressão, a filosofia pode florescer.»
MURCHO,
Desidério, Pensar outra vez –
Filosofia, valor e verdade; Edições Quasi; Biblioteca Os Dragões do Éden, Série
Filosofia Primeira; páginas 131 e 132
O desafio que
agora se propõe aos alunos do 10º ano, que pela primeira vez contactam com a
filosofia, é que se arrisquem a pensar de forma livre, criativa, rigorosa e
consequente.
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11.9.13
Regresso às aulas
Bom regresso à escola. Ao trabalho, aos professores, aos colegas, aos amigos e, sobretudo, um excelente encontro ou reencontro com a filosofia.
13.7.13
A educação é a única solução
A jovem Malala, baleada pelos taliban no regresso da escola, esteve na ONU e fez um discurso que vale a pena ouvir com atenção. Ver AQUI.
30.4.13
O problema da indução
Uma entrevista da série NO JARDIM DA FILOSOFIA, com António Zilhão (Universidade de Lisboa) sobre o problema da indução, (encontrado no blog da Crítica).
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4.4.13
De Rerum Natura: PRÉMIO UNICÓRNIO VOADOR 2012
Neste momento em que os alunos, do 11º ano, refletem acerca do valor da ciência e sobre o que distingue as teorias científicas das não científicas, pareceu-me pertinente, e refrescante, divulgar a atribuição deste prémio.
De Rerum Natura: PRÉMIO UNICÓRNIO VOADOR 2012
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21.3.13
Into the Wild, into the minds
Recentemente, na aula
de Filosofia vimos e analisamos, um filme inebriante e inspirador, Into The Wild. Realizado por Sean Penn,
é a interpretação cinematográfica da aventura de Christopher McCandless que, com 22
anos, sente que vive uma falsidade encenada pela sua família, sendo o seu pai bígamo
e a sua mãe conivente, ambos um pouco superficiais, contrastando com
Christopher, que vivia alimentando o intelecto dispensando o materialismo,
futilidade, hipocrisia e modo de vida consumista. A sua identidade não está ainda
definida e é no âmbito da procura de si mesmo, do âmago da felicidade e da autenticidade
pessoal que parte para uma aventura, rumo ao Alasca. É nesta viagem que o filme
se centra.
Ao longo dos dois anos de aventura, o protagonista assume-se
como naturalista radical e adota o nome de "Alex Supertramp", Alex
Vagabundo. A sua posição relativamente à felicidade é clarificada quando, no
leito da sua própria morte por inanição e no auge da sua consciência, Christopher
se liberta dos seus dogmas e, ao imaginar-se nos braços da família, reavalia a
sua vida e concluí que a felicidade só é
verdadeira quando é partilhada.
O filme propõe reflexão, na qual se
evidenciam vários problemas filosóficos. Questões como as relações afetivas,
identidade, sentido da vida, verdade, egoísmo psicológico, livre-arbítrio, sociedade
e felicidade, são algumas delas e são matéria exigente do espírito e pensamento
livre de dogmas, mantendo-se atuais.
Este é um filme muito bem construído e especial, desde a
narrativa em retrospetiva bem elaborada e conseguida, passando pela banda sonora
– criada por Eddie Vedder e interligada com a ação em si -, enriquecendo-se com
as excelentes captações da natureza com que o espectador é presenteado, percorrendo
o excelente trabalho do elenco - particularmente a excelente “encarnação” de
Christopher, pela parte de Hemile Hirsch - passando pela carga emotiva incutida
nas cenas e pela contextualização de citações clássicas que contribuem em muito
para a reflexão pessoal e, enriquecimento cultural. A história em si, é deveras
comovente. Concluindo, este foi o filme mais espetacular que já vi, pois
observando a descoberta de Christopher, o conhecimento de si mesmo e do mundo,
procuramo-nos também a nós próprios e conhecer o nosso interior é aprender a
exterioriza-lo e, assim, viver.
Beatriz Lourenço 10.º E
20.3.13
Seremos Livres?
Kazimir Malevich (1878-1935), Pressentimento Complexo
A
liberdade que temos ou não relativamente às nossas escolhas levanta fortes
dúvidas. Os conhecimentos que temos da Natureza levam-nos a acreditar que
vivemos num Universo determinista, em que tudo está determinado, quer pelas
Leis da Natureza, quer por acontecimentos anteriores. Mas surgem factos e
teorias que nos levam a acreditar que a questão não é assim tão simples e
clara. É assim que surge o problema do livre-arbítrio: seremos nós seres livres
com total responsabilidade para escolher o que julgamos ser melhor para nós? Este
é o problema metafísico de saber se temos ou não livre-arbítrio. Ao longo da
História, este assunto foi abordado a par da noção de pecado, no entanto, este
problema mantém-se atual: os conhecimentos que vamos adquirindo nas ciências
levam-nos a questionarmo-nos quanto à origem das nossas ações.
Todos os acontecimentos são
condicionados por diversos fatores que os influenciam, sejam eles de ordem
sociocultural, psicológica ou fisiológica. No entanto, isto não é suficiente para
nos levar a aceitar o Determinismo radical, posição segundo a qual não há
livre-arbítrio e tudo está determinado. É imperativo não confundir determinismo
com fatalismo. Enquanto o determinismo defende que se tomarmos determinada
atitude as consequências desta não são possíveis de alterar, o fatalismo
defende que mesmo mudando as cadeias causais nada do que possamos fazer terá
efeito nas atitudes que iremos tomar. O argumento que sustenta o determinismo
radical tem como primeira premissa: ‘se o determinismo é verdadeiro, não há
livre-arbítrio.’ A segunda premissa afirma o determinismo como verdadeiro, pelo
que conclui que o livre-arbítrio é uma ilusão. Este argumento mostra-nos que o
livre-arbítrio só seria possível se pudéssemos agir de maneira diferente
perante as mesmas condições e a mesma cadeia causal, ou seja, pudéssemos
escolher não concretizar alguma situação quando todos os acontecimentos
propiciassem a que tal acontecesse. Não é plausível que tal possa acontecer,
pois no nosso quotidiano pressupomos que perante determinada causa surja
determinado efeito, as Ciências Naturais comprovam isso mesmo. O determinista
pode concluir que o livre-arbítrio é uma ilusão uma vez que todas as decisões
que sentimos tomar surgem de condições que não pudemos controlar.
No entanto, a responsabilidade moral
pode ser um impedimento à aceitação desta posição determinista, pois se tudo
estivesse à partida determinado não haveria legitimidade para condenar e
castigar quem efetuasse qualquer infração ou crime. Neste caso, se
considerássemos que os crimes estavam designados para acontecer teríamos de
considerar que também as condenações estavam determinadas, o que retira
utilidade às Forças de Segurança. Podemos no entanto defender que,
independentemente da responsabilidade moral que os criminosos tenham ou não,
terão de ser castigados, de modo a dar o exemplo e a evitar que outros cometam
o mesmo crime, dissuadindo-os e prevenindo situações futuras. No entanto, há
outro problema, quando agimos já estamos a manifestar a nossa vontade, ao
aceitarmos que não somos responsáveis pelas nossas atitudes perdemos o sentido
de viver e de participar ativa e criticamente na sociedade.
Ao contrário do Determinismo
radical, um Libertista defende que nem todos os acontecimentos estão
determinados e que temos liberdade para efetuar as nossas escolhas após um
período de ponderação e que essas escolhas serão da nossa responsabilidade,
pois podíamos ter escolhido outra opção. O argumento principal propõe que ‘se
há livre-arbítrio, o determinismo é falso.’ Afirma o livre arbítrio, o que nos
conduz à conclusão de que o determinismo é falso. Só temos livre-arbítrio se
pudermos tomar decisões sem que os acontecimentos passados interfiram com elas.
O argumento que defende que vivemos num Mundo determinista não invalida a
teoria apoiada pelos libertistas, uma vez que as ciências onde se verifica
sempre o par causa-efeito são naturais e não conseguem prever a psicologia
humana. Uma ação livre não pode ser apenas a continuação de uma enorme cadeia
causal, pois aí aceitaríamos o Determinismo radical, tem de desenvolver a sua
própria cadeia estando sobre o controlo do agente.
Mas também esta teoria tem problemas:
mesmo que as ações efetuadas não tenham sido baseadas em acontecimentos
anteriores tiveram alguma influência de desejos ou crenças do agente, pois caso
isso não acontecesse teriam sido aleatórias, e ambas as situações negam o
Libertismo. É objetivo dos libertistas encontrar então pelo menos um ato sem
influências de cadeias causais anteriores e que não tenha sido um acaso, mas
esse é o seu maior desafio.
Há uma terceira resposta, designada
Determinismo moderado. Esta compatibiliza o Mundo físico determinado pelas Leis
da Natureza com a oportunidade de arbitrarmos algumas situações da nossa vida. O
Determinismo moderado admite assim uma forma mais fraca de livre-arbítrio, com
a justificação de que, apesar das cadeias causais que coordenam as nossas
ações, é possível tomar ou não certas decisões, tornando-nos responsáveis por
elas. Esta teoria reformula, também, os conceitos de causa e de liberdade:
somos livres para escolher caso as nossas motivações não tenham sido originadas
por coações ou outro tipo de controlo de outrem sobre nós. Podemos justificar
esta posição do seguinte modo: ‘As nossas ações são livres se resultam do que
queremos.’ (premissa 1). A segunda premissa explicita o facto das causas
(crenças e desejos) não serem determinantes, mas serem sim, meras inclinações,
sendo assim possível concluir que podemos compatibilizar o determinismo
(causas) com o livre-arbítrio (escolhas livres).
Também esta resposta não está isenta
de problemas: podemos defender que constrangimentos e inclinações são o mesmo,
comparando a teoria compatibilista com o Determinismo radical, apenas apresentando
uma única diferença relevante: o apoiante do Determinismo radical aceita estar
a ser influenciado por coações ou acontecimentos anteriores, enquanto o Determinista
moderado recusa o conhecimento dessas situações e justifica que as suas crenças
e desejos não podem servir como justificação para coisa alguma. Há ainda outra
objeção, por exemplo, John Searle, mostra-nos que é impossível agir sem
pressupor o livre-arbítrio radical e até que, se recorrermos ao exemplo da
física e da química, tudo pode ser causalmente explicado. O filósofo pretende
expor a sua ideia de que esta forma de Determinismo ainda não assenta em
argumentos suficientemente plausíveis para resolver o conflito entre o
determinismo e o livre-arbítrio. Contudo, esta é a teoria que melhor soluciona
o problema do livre-arbítrio. É evidente que o passado influencia algumas
decisões que tomamos, pois caso isso não acontecesse todos os nossos atos
seriam isolados e não fariam sentido na complexidade dos nossos dias. No
entanto, considero que nenhuma das posições estudadas é totalmente
satisfatória.
Inês Couto 10.º D
Referência:
ALMEIDA, Aires;
TEIXEIRA, Célia; MURCHO, Desidério; MATEUS, Paula; GALVÃO, Pedro; A Arte de
Pensar, Filosofia 10º ano; Lisboa; 2010; Didáctica Editora
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Celebração do Dia Mundial da Filosofia
Jacques - Louis David (1748-1825), A morte de Sócrates
No
dia 15 de novembro celebrou-se mais um Dia Internacional da Filosofia,
instituído pela Unesco desde 2002. À semelhança de outros anos, o grupo de
Filosofia, assinalou este dia com a análise e discussão de um excerto de
Críton, de Platão. O tema proposto pela Unesco, este ano foi “as gerações
futuras”, que se enquadra perfeitamente no “clima de incerteza” que se vive
atualmente.
Inspirando-nos
em James Rachels, Os Problemas da
Filosofia, propusemos aos alunos uma reflexão sobre os direitos e deveres
de cidadania. Assim, A partir dos argumentos de Sócrates, baseados no dever de
respeitar as leis, no dever de obediência ao Estado e no dever de cumprir os
contratos, questionamos:
Devemos
obedecer sempre ao Estado? Desobedecer excecionalmente a uma lei injusta
implicará a destruição do Estado? A nossa vida é comparável à sobrevivência do
Estado? Não haverá situações em que surgem dúvidas razoáveis quanto à
legitimidade das leis? Se o Estado condena injustamente, será que ainda podemos
falar de quebra de contrato? Deveria Sócrates aceitar a pena de morte, ainda
que injusta, ou fugir da cidade? Quais as consequências que daí adviriam? Não
poderia Sócrates fugir e tentar provar depois a sua inocência à semelhança da
personagem Dr. Richard Kimble em O Fugitivo?
Eis
duas respostas diferentes:
Sócrates
devia recusar a condenação injusta
Será que vale a pena morrer para salvar a
nossa honra, ou a vida é mais importante mesmo que a nossa honra seja posta em
causa? Esta é uma questão que envolve a nossa dignidade. Se aceitarmos morrer
para salvar a honra, salvamos a nossa dignidade, mas não valerá de muito, pois
o que importa a dignidade se estivermos mortos? Se escolhermos viver, pelo
menos poderemos desfrutar da vida. Por outro lado, a dignidade pode ser mais
importante que a vida, pois é a forma como vivemos e morremos que é recordada
pelas pessoas que nos conhecem. Esta é sem dúvida uma questão importante.
Na Grécia antiga, a dignidade e a
honra eram qualidades humanas muito importantes mais valiosas que a própria
vida. Sócrates, injustamente condenado à morte, tinha duas hipóteses: aceitar a
sentença de morte ou sair da sua cidade, Antenas. Se Sócrates saísse da cidade,
iria contra os seus princípios e comprometeria o futuro da sua família, que
seria com ele ostracizada. Se aceitasse a pena, podia salvar a sua honra e a da
sua família. Hoje em dia, a honra e a dignidade já não significam tanto para as
pessoas como significavam no tempo de Sócrates. Por exemplo, muito poucas
pessoas teriam a coragem de enfrentar a morte, apenas para não serem ostracizadas.
No diálogo Críton, Sócrates apresenta vários
argumentos contra a sua fuga da cidade. O primeiro é que ele deve obedecer à
lei, porque desobedecer-lhes é destruí-las; tal como devemos obediência aos
nossos pais, também devemos obedecer às leis, que nos fazem “nascer” cidadãos.
Além disso, Sócrates, não contestando a lei e vivendo na cidade, aceitou
implicitamente o contrato social, que seria violado caso ele não aceitasse a
pena a que tinha sido condenado. Não respeitar os contratos leva também à
destruição das leis e do Estado.
Os argumentos parecem convincentes,
mas pergunto-me: valerá a pena morrer para não desrespeitar as leis? Será que
as leis valem mais do que a nossa própria vida? Eu penso que não e acho que
Sócrates devia sair da cidade. A vida é muito valiosa, porque não sabemos se
teremos a oportunidade de viver outra, por isso, quanto mais tempo vivermos,
melhor. Se isso significar a infração de alguma lei, que seja, todos os dias há
infrações e uma infração pontual não destrói a lei nem o Estado. Além disso, nenhuma
lei pode ser mais importante que as pessoas. No lugar de Sócrates, nunca aceitaria
uma condenação injusta. É por isso que o admiro, pela sua bravura e coragem.
Bruno Tereso,10.º D
Sócrates
agiu bem aceitando a pena de morte com dignidade
Em diversas situações a
dúvida recai sobre nós: deparamo-nos com problemas em função dos quais somos
obrigados a fazer escolhas. Escolhas essas que podem ajudar-nos ou
prejudicar-nos apenas em determinada situação ou, por outro lado, escolhas que
podem influenciar toda a nossa vida. Sobre Sócrates abateu-se a dúvida sobre se
deveria fugir da prisão ou aceitar a sentença que lhe havia sido destinada,
ainda que injusta. Apesar de, atualmente, a pena de morte já não existir no
nosso país, os dilemas continuam a ser os mesmos: obedecer ao que é decretado
pelos Tribunais? Ou tentar defraudar essas decisões e viver como se nada de mal
tivesse sido feito? Não falemos apenas de situações extremas como a de Sócrates:
em pequenas coisas, fuga aos impostos, falta de pagamento de uma multa, …
estamos já a fugir às legislações e a contribuir para que outros pensem fazer o
mesmo, o que levará a um ciclo vicioso em que nos tentamos enganar uns aos
outros e ao Estado. Como cidadãos que somos, é nosso dever respeitar as leis e
aqueles que as regem.
E
sobre leis assenta também o problema de Sócrates. Após refletir sobre qual a
decisão mais acertada a tomar, ouviu a opinião de Críton que o aconselhou a
fugir da cadeia, ao qual Sócrates responde, invocando as Leis e apresentando
diversos argumentos. Refere a importância e o dever cívico de obedecer às leis,
pois caso isso não acontecesse, na sua opinião, o Estado destruir-se-ia. Referiu-se
ainda à analogia entre os pais e o Estado: se temos o dever de obedecer a uns,
não teremos também o dever de obedecer ao outro? Como terceiro argumento, invoca
o contrato tácito implícito e a importância de obedecer a qualquer contrato: se
usufruímos dos benefícios do Estado, temos para com ele uma obrigação de
respeito das leis e de todos os contratos.
No entanto, estes
argumentos merecem uma análise quanto à sua validade: será que desobedecer
excecionalmente a uma lei destruirá o Estado? A desobediência de uma pessoa a
uma lei não provocará nenhum impacto de maior, mas, se várias pessoas
procederem do mesmo modo, isso poderá trazer consequências negativas para todos
os cidadãos. Quanto ao segundo argumento, podemos questionar se devemos mesmo
aceitar tudo o que nos é proposto pelo Estado. Mesmo com os nossos pais, temos
a obrigação de ser críticos e chegar a um acordo que não seja injusto e
satisfaça as duas partes; então, se é feita uma comparação entre o Estado e os
nossos pais, a mesma situação deve acontecer: não devemos aceitar cegamente
tudo o que nos é comunicado, mas avaliar a veracidade e a lógica de cada lei e,
só depois, recorrer aos meios legais para contestar e procurar uma reavaliação
daquilo com que não concordamos. Recorrendo a um dos ensinamentos do filósofo
já anteriormente referido, Sócrates, percebemos que devemos ser críticos em
qualquer situação, nunca desrespeitando os outros, mas procurando expor a nossa
opinião de modo fundamentado. Relativamente ao acordo tácito que, supostamente fizemos
com o Estado, é importante referir que, se o órgão de justiça não julgar de
modo correto, não podemos falar de desobediência civil, pois já não houve um
exemplo positivo por parte do primeiro. Com este exemplo, podemos mostrar que o
contrato tácito não está a salvo de quebras.
Após refletir sobre os
benefícios e os malefícios de fugir da prisão, Sócrates concluiu que ao fugir
iria prejudicar a sua família e os seus amigos (uma das leis da Grécia Antiga
implicava os direitos de cidadania da família e amigos de alguém que
desrespeitasse uma lei) e preferiu morrer com dignidade, a viver escondido,
envergonhando-se das suas atitudes. Na minha opinião, o filósofo tomou a
decisão correta, resignando-se ao seu destino e respeitando a terra que sempre
tomou como sua. A dignidade e a capacidade de não fugir aos problemas são
valores muito importantes no caráter de uma pessoa, pois mostram quem somos.
Caso optasse por fugir da cidade, Sócrates identificar-se-ia como uma pessoa
fraca e que não honrava os seus compromissos e aquilo a que se propunha. Em
conclusão, são mais importantes os valores que defendemos e as nossas atitudes
do que os bens materiais que tanto caracterizam a nossa sociedade atual.
Inês Couto, 10.º D
Texto anteriormente publicado no Jornal Toque de Saída
13.3.13
Preocupo-me, LOGO EXISTO!
"A Europa vai entrar num declínio sob todos os aspectos - económico, cultural, intelectual. Aliás, se se vir a evolução das universidades na Europa, é aterradora. Não na parte das ciências exactas, mas no que era o chamado "ramo das humanidades" - e que infelizmente se passou a chamar "ciências sociais" - as universidades entraram numa decadência aflitiva. A universidade pública tem desprezado esse ramo do saber. Como é que se alimenta cultura e os valores da cultura, se se nega pertinência, validade e interesse àquilo que são saberes não científicos, mas que são saberes à mesma? Então a Guerra e Paz do Tolstoi, O Vermelho e o Negro do Stendhal, o D. Quixote do Cervantes, um trio do Schubert, a Filosofia, não interessam para nada? Todo este ramo do saber está descuidado e pervertido pelos estudos culturais e pelo pós-modernismo. Daqui vem uma ameaça à sanidade cultural do pensamento do Ocidente."
Fátima Bonifácio (a) , no Público, de 12/03/2013:
A não perder, esta oportunidade de ver bom teatro, tão perto de nós.
9.3.13
14.2.13
A filosofia dá espaço ao amor
Feliz Dia dos Namorados com «Paperman» - de John Kahrs
Vídeo do Youtube
4.2.13
27.1.13
A Memória do Holocausto
Dia Internacional da Memória do Holocausto. Tarde de 27 de janeiro de 1945, um sábado, as tropas soviéticas libertavam Auschwitz.
"Se isto é um homem"
Vós que viveis tranquilos
Nas vossas casas aquecidas,
Vós que encontrais regressando à noite
Comida quente e rostos amigos:
Considerai se isto é um homem
Quem trabalha na lama
Quem não conhece a paz
Quem luta por meio pão
Quem morre por um sim ou por um não.
Considerai se isto é uma mulher,
Sem cabelo e sem nome
Sem mais força para recordar
Vazios os olhos e frio o regaço
Como uma rã no Inverno.
Meditai que isto aconteceu:
Recomendo-vos estas palavras.
Esculpi-as no vosso coração
Estando em casa, andando pela rua,
Ao deitar-vos e ao levantar-vos;
Repeti-as aos vossos filhos.
Ou que desmorone a vossa casa,
Que a doença vos entrave,
Que os vossos filhos vos virem a cara.
in Se isto é um homem,de Primo Lévi, tradução de Simonetta Cabrita Neto
27.11.12
O Movimento de Paulo
Paulo Borges, professor no Departamento de Filosofia e investigador do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa; Presidente da Associação Agostinho da Silva e da União Budista Portuguesa; Vice-presidente da Associação Interdisciplinar para o Estudo da Mente; Diretor da revista Cultura ENTRE Culturas e Cofundador e presidente da Direção Nacional do Partido pelos Animais e pela Natureza (PAN), criou um movimento com o objetivo de exigir a mudança do estatuto jurídico dos animais e, assim, proibir e punir os vários tipos de maus tratos a que estão sujeitos em Portugal.
Para aderir ao movimento ir a
http://www.portugal.gov.pt/pt/o-meu-movimento/ver-movimentos.aspx?m=1356
Etiquetas:
Cidadania Ativa,
Direitos dos animais,
Petições,
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15.11.12
Dia Mundial da Filosofia
Hoje, 15 de novembro, celebra-se o Dia Mundial da Filosofia, que tem como propósito incentivar o pensamento crítico e a mútua compreensão.
Este ano, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) vai enterrar uma cápsula do tempo na sua sede, em Paris, para ser aberta em 2062, na mesma data.
Todos podem deixar mensagens, fotos, desenhos ou objetos para as futuras gerações. O objetivo desta ação é incentivar as discussões sobre as questões contemporâneas. Este é um convite à reflexão sobre as consequências que as nossas ações terão no futuro e sobre o mundo que queremos deixar. Consulta as condições do projeto AQUI.
Nas nossas aulas, comemoraremos este dia lendo e analisando um excerto de um diálogo de Platão.
Imagem do Google Escola de Atenas, de Rafael.
Nas nossas aulas, comemoraremos este dia lendo e analisando um excerto de um diálogo de Platão.
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